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Boteclando

Embora freqüente bares desde os 8 anos – naquela época, é bom esclarecer, só tomava guaraná -, foi a partir de 1998 que Miguel começou a visitar esses lugares profissionalmente. Neste blog, comenta o que há de bom e ruim, em São Paulo e no resto do Brasil.

Jô Soares e Roy Lichtenstein

21 de outubro de 2009 | por Miguel Icassatti às 20h48
Foto: Mario Rodrigues

Foto: Mario Rodrigues

 

Na sexta-feira passada, eu e minha namorada levamos uma amiga francesa para tomar um chopinho no Bar Balcão, um dos meus lugares preferidos na região dos Jardins.

É um dos preferidos porque fica a uns seis ou sete quarteirões de casa, logo, posso ir e voltar a pé. Gosto também do astral adulto-cabeça do público que, mesmo disfarçando, não se intimida e dá aquela flertada com o vizinho acomodado naquela ecumênica barra.

Delphine, nossa amiga, logo arregalou os olhos ao saber que sim, aquela gravura de 2,59 de altura por 3,86, é uma autenticíssima pop art de Roy Lichtenstein (1923-1997). Chama-se “Wallpaper With Blue Floor Interior”, foi pintada em 1992 e carrega o número 191 de uma série de 300 unidades (na foto acima, está à esquerda). Foi comprada por Francisco Millan, um dos sócios, em Los Angeles, e colocada ali em 1997 ou 1998, ele não está bem certo.

O que não tive tempo de dizer a Delphine foi que um outro quadro, de 1 metro quadrado, talvez, e que fica na parede voltada para a Melo Alves, foi pintado por Jô Soares. “Esse desenho já está com a minha família há muitos anos”, diz Millan. “Foi pintado na fase em que ele e o [nota do blog: José Roberto] Aguilar trabalhavam meio juntos [fim dos anos 60].”

A imagem, muito bonita, aliás, mostra uma figura de perfil comendo um coração. Ao fundo, há um sol vermelho.

Balcão.  Rua Melo Alves, 150, Jardim Paulista, tel. 3063-6091.

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Os gastrolegais

9 de outubro de 2009 | por Miguel Icassatti às 21h59
Harmonia

Harmonia

 

Quatro semanas atrás, foi lançada a edição 2009/2010 do especial “Comer & Beber” da Veja Paulo. Como de costume, a última página trouxe uma crônica assinada por Walcyr Carrasco.

Sob o título “Os gastrochatos”, Walcyr faz uma bem-humorada e ácida crítica ao hábito que algumas pesoas têm de combinar bebida com pratos, ou seja, de harmonizar essas duas coisas. Diz ele: “Na teoria, é lindo. Na prática, uma chatice. Faz a alegria dos gastrochatos, que gostam de exibir dotes culinários.”

Com algum atraso, quero dizer que Walcyr está certo. Mas também está errado.

Digo isso já vestindo a carapuça: sim, quando estou à mesa, me dedico a pensar na harmonização da bebida com a comida. Portanto, sob esse ponto de vista, assumo, sou um gastrochato!

Por outro lado, também me considero um gastrolegal. Walcyr, essa história de harmonizar comida com bebida não é c~hatice não, é o maior barato!

De fato, vira e mexe encontro por aí enochatos e gastrochatos aos montes. Essa gente, pensando bem, nada ou pouco difere daqueles tipos que “entendem” a dialética subliminar existente em filmes como Hulk e Homem-Aranha ou que conseguem captar o “orgasmo intelectual estético” num traço de Matisse.

Serão todos eles primos?

Prefiro acreditar, porém, que há muito mais gastrolegais do que gastrochatos no mundo. Poderia comparar esses últimos a uma receita que desandou, ou àquele chopinho mal-tirado. É algo que acontece, mas está longe de ser regra.

Já contei aqui no blog que faço parte de uma confraria que se dedica a harmonizar vinhos com comida de restaurantes com alma de boteco.

Essa confraria, aliás, completou dois anos em julho passado. Como escreveu meu confrade Beto Gerosa em seu blog do vinho (http://veja.abril.com.br/blog/vinho/degustacao/bons-vinhos-baixa-gastronomia-e-grandes-amigos/), “ao contrário do que possa se imaginar não é uma reunião de enochatos que ficam tricotando a história de cada rótulo ou discutindo se a fermentação malolática tem ou não seu valor. Trata-se, antes de tudo, de um encontro entre amigos com uma paixão em comum: o vinho. Simples assim.”

Nesses encontros mensais, não fazemos outra coisa senão fofocar, beber, trocar ideias e dicas de viagens, comer, dar risadas, enfim, seguimos à risca a norma segundo a qual estamos ali, juntos, por puro prazer.

Além do mais, se minha turma se diverte tentando descobrir que rótulo cai melhor com o atolado de bode do bar Mocotó, por exemplo, qual é o problema?

Mesmo fora da confraria, costumo me divertir quando me encontro diante de dilemas do tipo: para acompanhar o croquete de mortalela do Astor, peço um chope ou uma caipirinha do Tarcísio? Uma dose de Claudionor ou uma Brahma: o que vai fazer as codorninhas do Bar do Jô descerem mais suaves pela goela?

Como Walcyr, sou guloso e tento fazer desse pecado uma diversão. Há quem goste de Playstation, de novela, de bater uma bola no fim de semana. Eu gosto de comer e de beber. Fazer isso em harmonia é melhor ainda!

Bom feriado.

Astor. Rua Delfina, 163, Vila Madalena, tel. (11) 3815-1364.

Bar do Jô. Rua Conselheiro Dantas, 479, Pari, tel. (11) 3311-0347.

Mocotó. Avenida Nossa Senhora do Loreto, 1100, Vila Medeiros, (11) 2951-3056.

 

PS: de saideira, roubo aqui um dos últimos conselhos do querido Saul Galvão, um dos grandes gastrolegais com quem tive o prazer de conviver: “bebam as garrafas, não as fiquem guardando.”

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60 minutos no Box 32

5 de outubro de 2009 | por Miguel Icassatti às 12h55
Foto: Tempo Editorial

Foto: Tempo Editorial

Algumas semanas atrás estive rapidamente em Florianópolis. Com pouco tempo livre em meio a compromissos de trabalho, almocei no Box 32, instalado no Mercado Público.

O mercado, aliás, não é do grandes mas tem sua arquitetura preservada. Ao chegar lá, tenha atenção apenas para não se perder no corredor que, a bem da verdade, foi transformado num camelódromo mais organizadinho. A área dos comes e bebes fica num galpão à parte, bem mais charmoso e cheiroso.

Na capital catarinense, o Box 32, que completou 25 anos em março passado, é parada obrigatória a quem circula ali pela região central e pela Beira-Mar norte. Não exagero, acho, ao dizer que figura entre os três pontos turistico-gastronômicos mais conhecidos da ilha, num pódio completado pelo Bar do Arante e o Ostradamus.

Se de fato a casa costuma receber 800 fregueses por dia, aquela quarta-feira parecia atípica. No balcão, ao meu lado, havia apenas uma garota, que finalizava seu copo de chope. Apenas duas mesinhas estavam ocupadas.

Nesse clima sossegado, pedi um chopinho – bem-tirado e servido numa taça – para acompanhar um pout-pourri de petiscos. Comecei pelo bom pastel de camarão – com 100 gramas de recheio –, parti para um bolinho de bacalhau (prefiro o do Léo e de outros aqui de São Paulo) e finalizei com uma porção de polvo do grego, divina, em que o molusco vem fatiado e banhado por um molho de diversas ervas.

A lamentar, apenas o fato de ver a garçonete passando com um prato de risoto de bacalhau em direção a uma mesa. Como a sugestão não estava no cardápio, perdi a chance. Da próxima vez, quem sabe?

Box 32. Mercado Público Municipal, box 32, Centro Histórico, Florianópolis, tel. (48) 3224-5588.

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Cadê?

29 de setembro de 2009 | por Miguel Icassatti às 19h33

Sobre a notificação extrajudicial emitida pelo advogado do Boteco São Bento (leia reportagem na Folha Online: http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u630810.shtml) ao blog “Resenha em Seis”, tenho a dizer três coisas

1. o que já disse, mais de um ano atrás, no post a seguir: http://vejasaopaulo.abril.com.br/blogs/boteclando/2008/02/o-cofrinho-do-patrao-%e2%80%93-e-os-10-dos-otarios/

2. cadê a minha notificação?

3. lamentável…

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Santiago parte 3 – pisco sour na saideira

28 de setembro de 2009 | por Miguel Icassatti às 19h23
Foto: Andrea D'Amato

Foto: Andrea D'Amato

 

Já com um sabor de saideira descendo pela garganta, fui explorar o Barrio Brasil, um pedaço da cidade que segue uma rotina mais parecida com a da Santiago dos anos 40 ou 50 – confie, leitor, mesmo sabendo que eu nasci nos 70. Suas ruas retas e planas acomodam um casario simples, de planta térrea e construções que se emendam umas nas outras.

Alguns desses imóveis abrigam famílias. Outros, bares e restaurantes charmosos. Indeciso sobre em qual deles entrar, acabei andando algumas quadras, até dar-me conta que já estava no Barrio Concha y Toro. Barrio, ou bairro, é modo de dizer. Estamos falando aqui de um microconjunto de vias estreitas e de paralelepípedo que circundam a Plazoleta de la Libertad de Prensa, também conhecida como Plaza de los Periodistas (Praça dos Jornalistas). Arandelas e iluminação amarelada mais sobrados com fachadas de estilos tão distintos quanto o gótico e o art déco compõem a atmosfera da área.

Apesar do nome, a famosa vinícola não está instalada ali. Na verdade, nesse pedacinho mágico da capital chilena moraram, entre os anos 20 e 40, Don Melchor (o fundador da marca, cujo nome batiza o rótulo mais famoso produzido pela casa) e seu irmão Enrique Concha y Toro.

Num prédio erguido nos anos 30, ao qual o acesso é feito por uma bela escada de mármore, foi inaugurado cerca de seis meses atrás o Club Santiago, um bar-restaurante em que se come uma tenra albacora (peixe também conhecido como atum-branco) e deliciosas, suculentas costelinhas de porco.

Como nos almoços e jantares anteriores eu havia consumido uma quantidade de vinho equivalente ao que bebo normalmente em um mês, decidi provar, finalmente, um pisco sour – não exagero ao dizer que o amor que o chileno tem pelo drinque é o mesmo que dedicamos à caipirinha. Essa mistura de suco de limão com pisco e açúcar combina mais com um dia de verão, evidentemente, mas eu não poderia sair de lá sem tomar uma delas. De quebra, trouxe uma garrafa d destilado na mala, para tentar fazer uns coquetéis por aqui.

Ao fim de quatro noites e cinco dias, voltei para casa com a lembrança de uma Santiago cinza e nublada – resultado da poluição e do smog, a névoa marcante – e com a impressão de que os chilenos são amáveis, pontuais e conservadores (as crianças, por exemplo, usam ainda terninho e gravata como uniforme escolar; o país, por sua vez, foi um dos últimos a legalizr o divórcio, em 2004). Mas formam um povo que sabe comer, beber e receber muito bem.

Club Santiago. Erasmo Escola, 2120, Barrio Concha y Toro, Santiago, tel. (02) 673-4700

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Santiago parte 2 – O dia em que fui abduzido pelo choro maltón

23 de setembro de 2009 | por Miguel Icassatti às 20h43

Nem bem eu havia alcançado o segundo quarteirão da via paralela à rua do hotel (Calle Santa Beatriz), durante a minha primeira caminhada por Santiago, quando avistei, do outro lado da rua, o letreiro enorme: “Ostras y Mariscos”.

Pela aparência do ponto julguei se tratar de uma peixaria, já que não havia nenhuma outra identificação na fachada. Continuei seguindo, pois, em direção à Avenida Providencia sem dar maior atenção ao lugar. Até que notei que três senhores de meia idade, engravatados, cruzaram a porta de madeira e quadradinhos de vidro.

Opa!, pensei, aí tem.

Atravessei o meio-fio, cheguei à porta, abri e entrei. Num salão com não mais de 4 metros de frente por 6 metros de comprimento, vi que à minha esquerda e à direita havia apenas dois refrigeradores repletos de camarões, mariscos e outros pescados congelados. À frente, no balcão, um sujeito de boné remexia nuns papéis.

– Perdão, senhor, estou enganado ou vi entrarem aqui três rapazes engravatados?

– Sim, eles entraram. Estão no restaurante.

– Onde? Não consigo vê-los e não me parece ter nenhuma porta para outro salão.

– Estão lá embaixo. Por aqui, por favor.

Absolutamente incrédulo, cruzei o balcão e vi, no chão, um buraco de cerca de um metro quadrado. Através dele, notei uma escada de madeira, que terminava num salão do qual pouco eu conseguia avistar. Apoiando a mão esquerda na parede, desci devagarinho cada um dos onze degraus. Embasbacado, ao chegar ao subsolo encontrei não só os três figuras, como mais oito, nove comensais distribuídos em duas mesas que dividiam o espaço exíguo com caixas de vinho.

O marujo

O marujo

Num terceiro ambiente, menor ainda, uma mesa comunitária de teto baixo acolhia uma turma celebrando um aniversário. À esquerda da escada, a cozinha.

Esse endereço inacreditável chama-se Bahía Pilolcura e, se o Google não me sacaneou, é pouco conhecido até mesmo entre os santiaguinos. Pertence a Alejandro Soto Velasquez, um pescador que vive no sul do país. Além de fornecer pescados a casas ligadas ao movimento Slow Food chileno, Velasquez vende produtos fresquíssimos e congelados e, de quebra, deixa sob a responsabilidade do amável chef Francisco Torres o preparo de algumas receitas.

Sentindo-me um marujo – é justamente essa a impressão, a de estar no porão de um barco pesqueiro – deixei a escolha do que iria comer por conta do chef.

Primeiro ele me trouxe um sensacional ceviche de lagostim (as porções custam cerca de 3500 pesos – ou 14 reais!), seguido das gambas al ajillo (camarão ao molho de alho, azeite e vinho branco, uma de minhas receitas preferidas e que, modestamente, fiquei craque no preparo).

Merece muita, mas muita atenção a porção de “choro maltón”, que apresenta mariscos gigantes cozidos no vapor (sim, os da foto). Esses mariscos escondidos em conchas de 9 centímetros de comprimento vêm das ilhas Calbuco, distante 1200 quilômetros de Santiago. São colhidos apenas no outono e no inverno, quando as águas do Pacífico atingem a temperatura de 9 graus centígrados! A essa temperatura, contou-me Don Francisco, os pescados conservam melhor seus nutrientes.

O choro maltón de Don Francisco

O choro maltón de Don Francisco

Por fim, provei também a “chupe de locos”, uma quentíssima e aromática caldeirada de frutos do mar.

Navegar, afinal, és preciso.

Bahía Pilolcura – Calle Antonio Bellet, 35, Santiago, Chile, tel. (02) 235-1345

 

Obs: post corrigido às 19h27 do dia 28 de setembro de 2009

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Santiago parte 1: os vinhos

7 de setembro de 2009 | por Miguel Icassatti às 22h01

Cinco dias e quatro noites não são suficientes para explorar uma cidade como Santiago, capital do Chile. Mas era o tempo que eu tinha e, ainda em São Paulo, tratei de planejar minimamente a viagem. Recolhi algumas dicas com amigos generosos – valeu, Humberto e Adames –, comprei duas ótimas edições especiais da revista Viagem e Turismo (uma sobre a cidade e outra tratando de todo o país), contatei duas vinícolas e embarquei no voo Buenos Aires-Santiago da Aerolíneas Argentinas.

A visão da Cordilheira dos Andes, através da janelinha da aeronave, é uma experiência que faz o coração acelerar. Assustadora – tentei lembrar-me do filme, acho que do fim dos anos 70, que narrava a história de um desastre aéreo na região, mas não consegui – e de uma beleza espetacular, a travessia sobre aquele interminável lençol de neve me marcou mais, certamente, que o sobrevoo sobre os Alpes, seis anos atrás.

Dali a dois dias eu tentaria esquiar pela primeira vez sobre a neve da estação de El Colorado (ninguém precisa saber qual foi meu desempenho, certo?), mas no dia do desembarque em Santiago, faminto, fiquei satisfeito ao saber que o Liguria, uma das dicas gastronômicas recebidas, estava localizado a poucas quadras do hotel – aliás, um achado. Chama-se Meridiano Sur, foi aberto há seis meses, tem apenas oito quartos e ocupa um casarão de três pisos no bairro da Providencia (diárias a partir de 108 dólares).

O Liguria é um lugar tão clássico quanto turístico. De seus vários ambientes, dois são particularmente bacanas. O dos fundos, de pé-direito colossal, tem a parede revestida por quadros e desenhos coloridos. Tem um ar vintage e me fez lembrar alguns sobrados do interior, obviamente, da Itália. Já no salão do bar, salta à vista um lindo balcão de traçado sinuoso, talhado em madeira escura. Seguindo seu contorno, banquetas altas acomodam confortavelmente quem para por ali para tomar um drinque.

Liguria: belíssimo salão

Liguria: belíssimo salão

Como era hora do almoço, acomodei-me na saleta lateral, destinada aos não-fumantes. Uma taça de Los Vascos Cabernet Sauvignon, acho que da safra 2006, e uma milanesa de porco deixaram uma excelente primeira impressão da cidade. Os preços de uma refeição, convém dizer, são equivalentes aos de São Paulo, com a diferença de que os vinhos, mesmo em taça, custam no máximo a metade do preço que no Brasil…

Por falar em vinho, dediquei boa parte da programação à visita de duas vinícolas. Primeiro, conheci a pequena porém belíssima Viña Aquitania, representada no Brasil pela importadora Zahil, e que produz, entre outros rótulos, o Sol de Sol, um dos melhores brancos do Novo Mundo.

Viña Aquitania: ao pé dos Andes

Viña Aquitania: ao pé dos Andes

Curioso imaginar, mas as instalações santiaguinas da vinícola ocupam 18 hectares dentro da capital chilena, a 20 minutos de metrô e 10 de táxi, a partir de Providencia. Aos pés da Cordilheira, é um passeio altamente recomendado para uma manhã ensolarada. Após uma hora e meia de caminhada pelos vinhedos, a cantina e as demais áreas de produção, a visita termina numa degustação da bebida, ao ar livre.

Dois dias depois, tomei um trem – a Cordilheira dos Andes, à direita, é companheira por boa parte da hora e meia de viagem – rumo à cidade de San Fernando, para conhecer a Santa Helena, segunda maior exportadora de vinhos chilenos para o Brasil, cujos rótulos são distribuídos no nosso mercado pela Interfood. Gigante, a vinícola se espalha por terras a perder de vista e ainda mantém videiras em terrenos próximos, cujo relevo me fez lembrar o do Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul.

Santa Helena: vinhedos a perder de vista

Santa Helena: vinhedos a perder de vista

Bem à frente da imponente sede da vinícola ficam vinhedos plantados noventa anos atrás, dos quais são colhidas uvas cabernet sauvignon que serão a base do rótulo Parras Viejas, ainda não lançado e do qual tive o prazer de provar.

Liguria – Avenida Providencia, 1373, Providencia, próximo à estação do metrô Manuel Montt, www.liguria.cl.

Viña Aquitania – www.aquitania.cl

Viña Santa Helena – www.santahelena.cl

PS: as fotos seguem mais tarde, pois não estou conseguindo postá-las daqui desta lan house de Jericoacoara

PS 2: fotos incluídas às 19h34 do dia 28 de setembro de 2009

 

 

 

 

 

 

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Tango no intervalo e Che no boteco

23 de agosto de 2009 | por Miguel Icassatti às 20h52

Aqui em Buenos Aires o domingo amanheceu ensolarado. Com os bares e restaurantes de Palermo Hollywood, bairro em que estamos hospedados, ainda fechados, eu e Camila decidimos fazer o que todo turista deve fazer na cidade, ainda que seja sua segunda estada por aqui: baixar em San Telmo e curtir a muvuca que toma conta do bairro, graças à feira de antiguidades.

Barracas cheias de quinquilharias, lojas de estilistas independentes, bailarinos de tango, vendedores de empanadas, turistas, músicos tocando bandônion (a sanfona dos tangueiros), brasileiros – aliás, a gripe realmente causou seus estragos. Levei doze horas para escutar o sotaque de um patrício na rua -, sol, 17 graus e friozinho à sombra, esse foi o cenário do início da tarde.

À procura do Café Lezama, um tradicionalíssimo restaurante da regiao, acabei parando mesmo no Bar Britânico, já que o primeiro estava com uma espera daquelas… A ideia nao era almoçar e, sim, fazer um lanche, pois queria tentar a sorte de assistir a Boca Juniors e Argentinos Juniors em La Bombonera.

Na hora em que parei à porta, nao tive dúvida: esse é o bar em que estive cinco anos atrás e no qual parei para comer e beber as mesmíssimas coisas que da outra vez: um sanduíche de presunto cru (15 pesos ou cerca de 10 reais) e uma caneca de chope Quilmes (9 pesos ou cerca de 5 reais).

cimg19821

Esse bar me marcou por uma coincidência que vim a descobrir meses depois da primeira visita, ainda em 2004, quando fui assistir ao filme Diários de Motocicleta. Ali aconteceu a cena em que o jovem Che Guevara (Gael García Bernal) tenta convencer Alberto Granado (Diego Luna) a fazer a viagem de moto pela América do Sul. Diante da vacilaçao do amigo, Ernesto aponta para um velho que está cochilando, bêbado, talvez, e diz algo como: “entao você prefere ficar aqui e envelhecer como aquele ali?”

Aquele ali, curiosamente, foi o garçom que me atendeu daquela vez e que fez uma ponta no filme. Desta vez ele nao estava lá e nao duvido que tenha morrido.

De San Telmo seguimos para o bairro da Boca. Em dia de jogo do Boca aquela regiao da cidade vira mesmo uma festa. Bloqueadas para o acesso de carros, as estreitas ruas do bairro se colorem de azul e amarelo com os torcedores marchando em direçao ao estádio.

Com o ingresso na mao, encontro um bloqueio a cerca de 200 metros de um dos portoes, em que policiais controlam o acesso de pessoas. Dali só passa quem tem o ingresso e quem é aprovado no teste instantâneo de bafômetro.

Sim, tive de assoprar em frente a um equipamento, que nao acusou nenhuma anormalidade, apesar do chope que havia tomado 4o minutos antes. Mas vi várias pessos sendo reprovadas e tendo de passar, aí sim, por um teste mais rigoroso, num bafômetro como o que temos por aí. Nao fiquei para ver o que lhes acontecia, afinal o jogo estava para começar.

Dentro do estádio, atrás do gol, pude entender (e nao sei se vou conseguir explicar) porque La Bombonera é um mito tao temido.

Da hora em que entrei ao fim da partida, a torcida Xeneize nao para de cantar – mentira; no intervalo houve uma pausa, já que pelo sistema de som do estádio ecoou uma inacreditável sequência de tangos de Carlos Gardel.

Ao fim do primeiro tempo, o Boca Juniors perdia por 2 a 0 e eu julgava a fatura liquidada pelo Argentinos Juniors.

cimg1992

Mas em 7 minutos do segundo tempo um tal de Marino – camisa 16, entrou no intervalo – tratou de empatar o jogo e levou o estádio inteirinho a gritar e a cantar cada vez mais alto. Mesmo quando o time perdia bola, um zagueiro fazia uma barbeiragem, a torcida cantava, cantava e cantava. Nao tenho dúvida que ela levouo time ao empate e só nao lhe deu a vitória porque Riquelme, suspenso, nao estava em campo.

Nao me venham flamenguistas, corintianos e atleticanos dizer que sua torcida demonstra – eu disse “demonstra” – o mesmo amor às suas camisas porque nao acho que essa seja a verdade. Já vi o Tricolor jogar contra o Corinthians algumas vezes, já estive em Fla-Flu no Maracana lotado e  em Atlético X Cruzeiro no Mineirao.

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Em vez de ofender jogadores do próprio time, entoar gritos de guerra ofensivos ao adversário e exibir intolerância, esses organizados deveriam copiar a melodia e o texto dos cantos dos boquenses, arrepiantes declaraçoes de afeto à equipe que escolheram para torcer, simplesmente, torcer.

Bar Britanico. Avenida Brasil esquina com Rua Defensa, San Telmo, Buenos Aires.

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One beer, please?

21 de agosto de 2009 | por Miguel Icassatti às 22h19

 

Éder, comemorando o golaço contra os escoceses na cioa de 82 (foto: J.P. Scalco/Placar)

Éder, comemorando o golaço contra os escoceses na cioa de 82 (foto: J.P. Scalco/Placar)

Na próxima terça-feira, 25, a partir das 20 horas, o Melograno, na Vila Madalena, vai promover mais um evento do ciclo “Viagem Pelo Mundo da Cerveja”. Trata-se da degustação de rótulos escoceses de cerveja, que abre a semana dedicada às marcas produzidas naquele país (até dia 29).

Por R$ 98,00 será possível experimentar as bebidas em combinações com petiscos e pratos servidos pela casa. O grande barato da noite será a apresentação da Old Dubh (http://www.harviestoun.com/OlaDubh/), cerveja que matura em barris de uísque.

A brincadeira será comandada pelos experts Edu Passarelli (dono do bar) e Cesar Adames, entusiasta de charutos e uísques. As inscrições são limitadas.

Infelizmente vou perder essa, digamos, baladinha. Assim que este texto entrar no ar, o blogueiro estará de férias, voltando à labuta em 21 de setembro. Nesse meio tempo, tentará postar alguma boa historinha dos botecos de Buenos Aires, Santiago e Jericoacoara.

Que o vírus não nos pegue. Até a volta, sãos e salvos!

Melograno. Rua Aspicuelta, 436, tel. (11) 3034-1837.

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A toca dos tigrões

13 de agosto de 2009 | por Miguel Icassatti às 23h02
foto: Fernando Moraes

foto: Fernando Moraes

 

Se depois de amanhã (ainda estamos na quinta-feira) o sol der as caras assim como o fez na tarde do sábado passado, é provável que o Nossa Senhora! se transforme mais uma vez num improvável e movimentado point de gatões de meia-idade na região do Morumbi.

Nas mesas que ocupam as duas calçadas, é certo, pude reparar que havia alguns trios de balzaquianas, tomando sua caipirinha e fumando seus Dunhill.

Numa rua até certo ponto escondida e de construções humildes (se comparadas com as mansões do bairro), pude perceber que o bar, apesar de seu ambiente predominantemente familiar e cool, é uma espécie de toca, que reúne cinquentões boa-pinta, certamente moradores da vizinhança.

Invariavelmente trajados de bermuda ou jeans de marca, camisa pólo com a gola levantada e as mangas descobrindo metade do bíceps e Ray-Ban, os tigrões costumam chegar aos poucos e a bordo de máquinas das quais o rugido do motor causaria inveja nesses felinos.

Depois que tomei dois chopinhos (Brahma, R$ 4,50) e belisquei uma porção de minihambúrgueres com cheddar (R$ 17,00 com dez unidades), soube até que o Titônio, pai do Felipe Massa, passou por lá – mas confesso, infelizmente não vi nem ouvi nenhuma Testarossa por perto.

Nossa Senhora! Rua Dom Armando Lombardi, 784, Morumbi, tel. 3721-4927.

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