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SHOWS

Na cadência de Rosa Passos

Em temporada no Teatro Fecap, a cantora baiana fala ao Portal sobre seu retorno ao Brasil

 

Por Marcela Besson

12.01.2007

 

Divulgação


Voz mansa, suave, quase preguiçosa. As longas viagens ao exterior e a larga experiência em palcos estrangeiros não roubaram de Rosa Passos a típica cadência baiana. Nascida em Salvador, a cantora já rodou 35 países, lançou treze álbuns e consolidou carreira internacional cantando jazz e música popular brasileira nos Estados Unidos, Japão e Europa. “A bossa nova não deixa de ser um jazz com suingue. E é isso o que eu canto lá fora. Claro, sem perder minhas raízes”, diz a cantora. Em temporada no teatro Fecap, a partir de quinta (18), Rosa promete mesclar canções de sua autoria às de consagrados autores brasileiros, com destaque para as músicas que gravou no recente álbum, Rosa (2006). Em entrevista ao Portal, ela fala sobre o show, a volta ao Brasil e confessa sua paixão por São Paulo.  
 
Portal Veja São Paulo - Você é baiana, mora em Brasília e passa a maior parte do tempo fazendo shows fora do Brasil. Qual a sua relação com São Paulo?
Rosa Passos -
Sou uma baiana paulistana (risos). Na verdade, tenho predileção incorrigível pelo meu país. Mas São Paulo, especificamente, sempre foi uma cidade que me abriu portas e esteve receptiva ao meu trabalho. Sou completamente apaixonada por São Paulo. Embora meu trabalho esteja fincado internacionalmente nos circuitos de jazz da Europa e dos Estados Unidos, eu tenho um público aqui que acompanha meus passos há bastante tempo, gosta do que eu faço, é carinhoso e me deixa completamente à vontade nas apresentações. Longe do palco, adoro andar no Jardins, fazer compras. Sou meio consumista. A Cantina do Piero é uma boa pedida para comer.


Portal Veja São Paulo - Expectativas para o show no Teatro Fecap?
Rosa Passos -
Essa temporada é muito importante para mim. Completo uma década de carreira internacional e, ao mesmo tempo, estou entrando numa fase de retomada da minha brasilidade. Na primeira semana de shows (18 a 21), quero fazer uma pequena homenagem à diva Elis Regina - que, por coincidência, faz aniversário de morte no dia 20. Na segunda (25 a 28), Tom Jobim estaria completando 80 anos se estivesse vivo. Então, será pura celebração. Também divido o palco com os meus músicos. Eles sempre têm um momento solo.

Portal Veja São Paulo - Como você vê a repercussão do seu trabalho no Brasil?
Rosa Passos –
Rosa, o meu disco mais recente e que faz parte do repertório desse show , foi lançado primeiro nos Estados Unidos e depois no Brasil. Para minha surpresa, ele está me trazendo de volta ao meu país. Moro em Brasília, mas passo mais tempo viajando pelo mundo. Portanto, esse ano quero investir bastante no Brasil. Estou contente com a repercussão desse álbum justamente porque é um disco de retorno às minhas raízes. Ele é bem intimista, só voz e violão, e tem despertado interesse nas pessoas em descobrir minhas produções anteriores. Estou animada.

Portal Veja São Paulo - Sua obra é marcada, entre outras coisas, por releituras de pérolas da MPB. É uma responsabilidade e tanto reiventar o clássico...
Rosa Passos - De fato, eu tenho trabalhos dedicados a Ary Barroso, Tom Jobim, Dorival Caymmi e João Gilberto. E é mesmo complicado fazer isso porque são músicas que já acumulam bastante releituras. Busco sempre um diferencial, me preocupo muito com a estética da música, com a interpretação, a dicção e com a riqueza de arranjos para não cair no lugar-comum. Procurei um caminho próprio e essa é a grande diferença entre o intérprete e o cantor. Sou disciplinada, detalhista, perfeccionista. Sou uma missionária da música. Se ela (música) me escolheu, tenho uma responsabilidade diante dela de transmitir o belo, o eterno. Fazer, enfim, um trabalho que nunca envelheça. Quero que as pessoas escutem minha voz hoje e sintam vontade de ouvi-la daqui há trinta anos. Como acontece com João Gilbero, Elis Regina...

Portal Veja São Paulo - A crítica, em geral, te considera um "João Gilberto de saias". Essa comparação, em algum momento, te incomoda?
Rosa Passos - Isso me acompanha há tanto tempo (risos). As pessoas deviam repensar esse slogan. No exterior ninguém diz isso, só aqui. Lá fora comentam que o meu trabalho tem mais uma conotação jazzística. É verdade que João Gilberto é minha referência maior. Aprendi a ouvi-lo desde a adolescência, assimilei muitas coisas dele. Essa comparação é uma grande honra para mim. Mas as pessoas podiam prestar atenção também numa outra face minha. Eu não faço só bossa nova. Eu faço música popular brasileira. Gravei Djavan, João Bosco, boleros, sambas. Existe ainda a Rosa Passos compositora. Tenho participado dos mais renomados circuitos de jazz. Eu gostaria que a mídia noticiasse isso e que as pessoas me enxergassem além desse rótulo.


Teatro Fecap (400 lugares). Avenida da Liberdade, 532, 0800-551902, Metrô Liberdade. Quinta a sábado, 21h; domingo, 19h. R$ 10,00 (qui.) e 40,00 (sex. a dom.). Bilheteria: 14h/21h (ter. e qua.); a partir das 14h (qui. a dom.). Televendas, 3089-6999. Estac. c/manobr. (R$ 12,00). Até dia 28. A partir de quinta (18). 14 anos.
 
 
 
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