No fim de um corredor, no segundo pavimento do enorme prédio da Polícia Civil na Cidade Universitária, fica o Museu do Crime. Atrás das portas duplas que separam o visitante da entrada, um acervo um tanto macabro discorre sobre drogas, falsificações, acidentes de trânsito, incêndios, armas, crimes e criminosos famigerados. Alguns desses temas podem ser um verdadeiro desafio para os estômagos mais sensíveis.
Antes de começar o passeio, é preciso desligar o celular e preencher um cadastro extenso. Menores de 16 anos não entram desacompanhados. Também não é permitido entrar trajando bermuda ou short. É quase como se a recepção perguntasse: "Tem certeza de que você quer fazer isso?" Em 2006, de acordo com o número de fichas preenchidas, 13 000 pessoas encararam a visita.
As seções "leves" do museu versam sobre drogas, falsificações, arrombamentos, identificação de pessoas. Ali você pode ver amostras e aparelhos utilizados para praticar ou apurar crimes. Em geral todos os itens têm uma legenda, mas ainda assim sobra uma ou outra coisa sem explicação – ajudaria se houvesse algum monitor ao alcance do visitante para tirar dúvidas. Se ficar muito curioso, volte até a recepção. O funcionário que fica ali pode ajudá-lo.
Uma atração interessante – e impressionante – é a exposição de fotografias de grandes incêndios, como o do Edifício Joelma, em 1974. As imagens dos acidentes de trânsito também chamam a atenção: há fotos antigas, do começo do século, com cenas aparentemente bucólicas de ruas antigas da cidade e um ou outro carro amassado – muitas vezes com um bonde ao lado. Mas, aos incautos, cuidado! A foto ao lado pode mostrar um acidente com vítimas fatais estiradas ao lado da ferragem retorcida. Não raro crianças participam das cenas.
A adrenalina aumenta na seção de delitos famosos. Há casos antigos, como o Crime da Mala, ocorrido em 1928, quando José Pistone asfixiou sua esposa Maria Fea Pistone até a morte. Para livrar-se do corpo, empacotou-o em uma mala e despachou pelo porto de Santos para um suposto Ferrero Francesco em Bordeaux, na França. A mala, apreendida pela polícia, é um dos artigos raros do museu. Dentro dela, um boneca de cera exemplifica como Maria Fea foi esquartejada para caber no limitado espaço.
Criminosos famigerados também marcam presença na seção, como é o caso de João Acácio Pereira da Costa, mais conhecido como o Bandido da Luz Vermelha, que foi preso em 1967 após ter roubado 300 casas e matado quatro pessoas. Ele costumava desligar a luz de mansões paulistanas e invadi-las portando uma lanterna vermelha.
Nessas seções, as histórias são contadas por meio de um breve resumo, e ilustradas com fotografias antigas e recortes de notícias de jornal. As imagens acabam impressionando mais pela precariedade técnica do registro do que pelo conteúdo que transmitem. Na frente dos painéis há sempre uma reprodução em cera do rosto de algum dos envolvidos no caso, vítima ou algoz.
Na seção dedicada à medicina legal, um aviso: menores de 16 anos não devem entrar no recinto. Pessoas sensíveis também não. Há fetos conservados em formol, fotografias ilustrativas de suicídios e homicídios e um grande painel sobre necropsia, no qual a reportagem do portal não conseguiu prestar muita atenção.
Recomenda-se que a visita não seja feita logo após o almoço. E nem de barriga vazia. Deu pra sentir?
Por que vale a visita? Apesar de terrivelmente impressionante, o museu apresenta umas boas lições, entre elas os efeitos e riscos das drogas. Também há alguns objetos históricos, como granadas utilizadas na Revolução de 1932, móveis antigos do departamento de polícia, e uma antiga viatura modelo Fusca.
O que ver? Há atrações para públicos de diferentes sensibilidades. Desde sapatos da década de 1920 adaptados para o transporte de drogas, até o corpo de uma criança de 9 meses assassinada pela mãe. Entre um extremo e outro, uma ampla coleção de armas.
Para quem interessa? Você já assistiu algum filme da série Faces da Morte e gostou? Já viu um episódio de Histórias de Arrepiar (Tales from the Crypt)? Então esse passeio é para você. Isso, claro, se tiver mais do que 16 anos ou um parente responsável e disposto a te acompanhar.
Museu da Polícia Civil
Praça Professor Reinaldo Porchat, 219 – 2o andar (Cidade Universitária)
3039-3460
13h/17h (segunda a sexta) e 9h/12h (todo segundo sábado do mês, exceto feriados prolongados)
Grátis
http://www.policia-civ.sp.gov.br/academia/museu_policia.htm