Dj Magal: ele, que foi um dos precursores da música eletrônica no Brasil, mostra com exemplos sonoros qual a diferença dos estilos.
No anúncio da festa, palavras nebulosas: tecno, trance, house, electronic body music... Se você é leigo nas múltiplas variações do bate estaca, aqui vai uma tentativa de ajudá-lo a entender o som das pistas. A origem da música eletrônica é incerta, mas sua mais elementar característica é a evolução. Os diferentes sons se misturam ao longo do tempo, do rhythm and blues de New Orleans aos sons tribais da Jamaica. A inquietação gera muitos rótulos, mas nem sempre eles conseguem definir o que está tocando – pode ser algo tão novo que ainda não ganhou nome. Hoje, aliás, qualquer um com computador pode dar uma de DJ. A diferença está em tocar no quarto para os amigos ou em Ibiza, a capital mundial da balada, na Espanha.
Mas se não podemos definir as origens, podemos ao menos saber em que estágio está? "É impossível. A música eletrônica vai para todos os lugares ao mesmo tempo", teoriza o DJ Magal, referência nacional que começou a tocar na década de 80 no Madame Satã. Ele diz que São Paulo ainda é a meca da música eletrônica no país. "Nossos clubes estão muito bem equipados. DJs do mundo inteiro querem tocar aqui."
Então... só nos resta dançar. Enquanto as luzes ainda estão acesas, você treina a teoria.
Acid House
House acelerado com som mais estridente. O nome do estilo vem do consumo de drogas, como o ácido LSD e o ecstasy, não raro encontrados nas festas eletrônicas. O smile, conhecido desenho de um rosto amarelo sorrindo, é considerado o símbolo máximo do estilo musical
| Música: Acid Thunder Artista: Fast Eddie |
Breakbeat
Quebradas ritmadas que misturam elementos do hip hop, funk e electro. Vários DJs de ritmos mais rápidos, como o tecno, usam o breakbeat para acalmar a pista por alguns minutos. Dele nasceu o Jungle e o Bigbeat.
| Música: Rapper´s delight Artista: Sugarhill Gang |
Bigbeat
Já ouviu bandas como Chemical Brothers, Prodigy ou Fatboy Slim? Elas têm muito do estilo, que é um breakbeat mais acelerado, com elementos do rock e do funk
| Música: Smack my bitch Artista: Prodigy |
Disco
Na década de 1970, era quase uma regra a balada ter som ao vivo. Quando alguns começaram a usar o vinil, nasceram as discotecas. O estilo, marcado pela influência do black music, tem arranjos melodiosos, presença de vocais e ritmos latinos, como a salsa.
| Música: I Feel Love Artista: Donna Summer |
Dub
Estilo musical hipnótico, repetitivo que nasceu na Jamaica durante a década de 1960. É repleto de eco e de reverberação, efeitos produzidos em estúdios.
| Música: Leaving Babylon Dub Artista: King Tubby |
Drum and bass
Ritmo acelerado com a presença de baixos fortes. É uma variação do jungle com alguns elementos do jazz. Soa como algo um pouco mais refinado - alguns costumam afirmar que na década de 1980 o jungle estava muito associado ao consumo de crack e, por isso, muitos passaram a chamar o estilo de drum (bateria, em inglês) and bass (baixo). Assim, evitavam ser taxados de drogados.
| Música: On the Double Artista: Grooverider |
Electro
Por volta de 1980, surgiu o estilo tão associado às trilhas dos jogos do videogame Atari. O nome máximo desse tipo de música é o Kraftwerk, grupo alemão fundamental para entender a música eletrônica. O tempo passou e, com o sucesso do disco jungle na década de 1990, o electro ficou meio esquecido. A partir de 2000, o estilo volta com tudo, graças a nomes como Miss Kittin, Peaches e Fischerspooner. O electro abusa no uso de sintetizadores.
| Música: The Robots Artista: Kraftwerk |
Electronic Body Music (E.B.M)
Esse é fácil: união de guitarras e batidas pesadas com vocais sombrios.
| Música: Murderous Artista: Nitzer Ebb |
Eurobeat
House despretensioso. DJs costumam falar que o estilo é oito ou oitenta. Para alguns, bem humorado. Para outros, extremamente brega. Faz enorme sucesso no Japão e nas aulas de ginásticas.
| Música: Gamble Rumble Artista: Move |
Garage House
Outro estilo que nasceu do house. A diferença é que o som lembra mais o rhythm & blues e o disco. O nome nasceu no clube Paradise Garage, em Nova York, até hoje a grande balada do estilo. O local é uma grande garagem que abre às 4h da manhã só para convidados. Lá dentro, há café da manhã e cinema. No lugar, surgiu o tipo de dança conhecida como Vogue, em que pessoas famosas dançam de maneira sensual se exibindo uma para as outras.
| Música: Follow Me Artista: Aly-us |
House
É a "versão 2.0" da disco music, geralmente em compasso quatro por quatro (perceba no exemplo de áudio como a seqüência de batidas volta a se repetir na quarta vez). A música se repete e parece não ter fim. O estilo é mais suave do que o tecno e tocado geralmente em encontros de amigos antes (chill-in) ou depois (chill-out) da balada.
| Música: Can you feel it Artista: Larry Heard |
Jungle
Não tem segredo: é o breakbeat muito mais acelerado e com influência da cultura jamaicana. Para ficar ainda mais fácil, imagine o som remixado de uma tribo indígena.
| Música: Wardance Artista: Angel Tears |
Lounge
Música relaxante, não necessariamente para dançar. Geralmente é a trilha sonora de fundo de bares de hotéis e cassinos. Maldade: lembra música de elevador.
| Música: Madrugada Eterna Artista: KLF |
New Beat
E.B.M. mais lento, um pouco menos dançante.
| Música: I sit on Acid Artista: Lords of acid |
Tecno
Estilo famoso pelas batidas aceleradas, que se popularizou em Detroit, na década de 1980. A regra é clara: o som precisa variar entre 120 e 140 batidas por minuto. Os DJs do estilo usam muita percussão e o mínimo de melodia (sucessão dos sons combinados).
| Música: No Ufos Artista: Model 500 |
Trance
É fácil definir o estilo pelo objetivo a que ele se propõe: fazer o ouvinte entrar em transe de tanto dançar. Quando a vítima estiver no auge da animação, a música ficará suave, quase parando, até ao ritmo frenético anterior voltar com tudo. Perceba no exemplo de áudio como a música segue a rota: máximo, mínimo e máximo.
| Música: The Vulcan Artista: Commander Tom |
Trip Hop
O estilo é o blues da música eletrônica. Mistura hip hop, jazz e vocais sussurrados. Tudo é esfumaçante, misterioso, mas ao mesmo tempo charmoso. Quando você assistir a vocalista Beth Gibbons cantando, da banda Portishead, vai entender melhor.
| Música: Teardrop Artista: Massive Attack |
Psytrance
Ficou ofegante de tanto dançar trance? Experimente então o psytrance, que é ainda mais dançante, ainda mais rápido, ainda mais empolgante. Mas a regra do "morde e assopra" continua valendo.
| Artista: GMS e Alien Project Música: Active Gem |
Fontes
- Música Eletrônica, de Marcelo Ferla. Editora Abril. Coleção Para Saber Mais – Super Interessante
- Música e Tecnologia: o Som e Seus Novos Instrumentos, de Paulo Zuben. Editora Irmãos Vitale.