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> Acesse as receitas a partir cardápio acima

 

> Sempre que uma palavra ou frase estiver em azul, passe o mouse para ler o comentário. Pode ser uma dica dos chefs ou alguma curiosidade sobre o filme

 

> No fim de cada ficha há uma seleção de links complementares, como a cena em que o prato é preparado ou servido na festa da Babette e também a indicação de lugares onde é possível provar alguma receita semelhante à preparada pela cozinheira francesa

Vídeos, receitas e indicações de bebidas e de lugares nos quais é possível provar pratos que aparecem nas telas. A estréia é com A Festa de Babette, de Gabriel Axel. Deu fome? Depois desta, virão outras. Escreva (saopaulo@abril.com.br) e sugira filmes que gostaria de ver aqui

 

Por | Viviane Zandonadi

Comer e beber é viver. O francês Jean Anthelme Brillat-Savarin (1755-1826), pioneiro da crítica gastronômica e autor do clássico A Fisiologia do Gosto, disse que "o prazer da mesa é de todas as idades e condições, de todos os países e de todos os dias; pode se associar aos outros prazeres e sobra como último para consolar-nos da perda dos outros". Um suspiro. E não é que é verdade? Quem aprecia as sensações provocadas pelo paladar sabe quanto vale uma deliciosa refeição (e pensar que tem gente que só se alimenta por obrigação!). É pura alegria. E esse contentamento é retratado de forma muito leve na fita dinamarquesa A Festa de Babette (1987), em que um dos jantares mais memoráveis do cinema é ambientado na casa de um pastor protestante que prega a salvação por meio da renúncia. Para nos ajudar a traduzir esse filme gourmet, convidamos Marie-France Henry, que comanda o mais clássico dos bistrôs franceses de São Paulo, o La Casserole.

 

Marie propõe neste especial um roteiro para quem deseja fazer em casa o jantar da chef Babette. Em termos de preço, essa versão é mais barata, porém ainda assim muito delicada e em sintonia com o filme. Ela contou com a ajuda do subchef Eri Gomes, o Pinguim, para executar uma das tarefas mais complexas na composição do banquete: desossar as codornas (prato principal). Para o estágio doce, Marie chamou seu colega, o confeiteiro Fabrice Le Nud, da Patisserie Douce France. Le Nud revela os segredos do baba ao rum, um bolinho muito leve normalmente servido com frutas e chantilly. É a sobremesa.

 

Nos livros : a base da pesquisa histórica feita pelo portal é a Larousse Gastronomique. Destacamos ainda a contribuição de Michele Bunemer, professora de história da gastronomia do Senac São Paulo. Ela explica algumas referências históricas e culinárias que aparecem no filme e contextualiza os fatos. Você vai encontrar esses comentários no caminho. Para ler, passe o mouse sobre palavras e frases em azul. Exemplo: gastronomia francesa. Se tiver outras teorias e informações que possam complementar o conteúdo, por favor escreva (saopaulo@abril.com.br). Vamos atrás da pista e publicamos o resultado aqui.

 

Nas taças: o jornalista Luiz Horta, especializado em vinhos, comenta as bebidas selecionadas por Babette. Horta também faz sugestões econômicas, lembrando que nem todo mundo tem a sorte de ganhar na loteria antes de preparar um belíssimo jantar.

 

Sobre o filme

Na segunda metade do século XIX, em um remoto vilarejo da Dinamarca, duas senhoras bem velhinhas passam o tempo fazendo caridade. Martina e Philippa são filhas de um pastor, o fundador de uma seita religiosa que “prega a salvação através da renúncia”. Ele ensinou as duas a abrir mão de quase tudo na vida, exceto rezar e cuidar dos pobres. Sua relação com a comida não podia ser mais distante. Como se fosse possível, sua fé sugere que se renuncie até mesmo ao paladar. Alimentar-se é uma necessidade e não tem nada a ver com sentimentos ou prazer. As coisas começam a mudar com a chegada da cozinheira francesa Babette (Stephane Audran), que, fugindo da guerra civil em seu país, é acolhida pelas filhas do pastor e passa a ser sua criada. Aos poucos ela, que teria sido chef do Café Anglais , um dos mais famosos restaurantes parisienses da história, tempera o insosso mingau de cerveja do dia-a-dia e leva à mesa arenques mais saborosos. Mas o clímax começa quando Babette ganha na loteria e resolve retribuir o carinho das irmãs com um autêntico jantar francês, para elas e seus amigos do vilarejo. O banquete é emblemático. O desfecho, idem.

 

A Festa de Babette (Babette’s Feast, 1987), de Gabriel Axel. Com Stephane Audran, Birgitte Federspiel, Bodil Kjer, Bibi Anderson, Jean-Philippe LaFont. Disponível em DVD. Distribuidora: PlayArte. Legendas em português.

 


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