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Quem não bebe vinho não vê o mundo girar...

Quinta-feira, 24 de Julho de 2008

Listinha de Vinhos para "Estudar"

O Ramón e o Kenzo, que são praticamente sócios do blog, fizeram comentários interessantes sobre como entender os vinhos europeus. o Ramón entrou no continente por Portugal e foi super feliz pesquisando as uvas autóctones de lá.
O Kenzo fez um pedido pra lá de conveniente: uma listinha destes vinhos pra "praticar". Não coloquei todas as regiões, por motivos óbvios de espaço. Segue uma listinha muito legal para começar a amar loucamente esse continente insano, vinificamente falando. Os critérios foram algumas regiões da Itália e da França, para vocês provarem e compararem. Em parênteses está o nome da importadora. Beijos aos dois.
FRANÇA
SUL/ RHÔNE:
Château Campuget Tradition Blanc R$ 66,00 (enoteca Fasano)
Circus Syrah R$ 60,00 (Terroir)
Château La Bastide - Corbières R$ 45,00 (Decanter)

BORDEAUX
Château Puycarpin R$ 56,00 (Zahil)
Châteaux Lideyre R$ 80,00 (Expand)
Châteaux de Lugagnac R$ 65,00 (Decanter)

ITÁLIA
TOSCANA:
Chianti Classico San Felice R$ 60,00 (Terroir)
Chianti Renzo Masi Fattoria di Basciano R$ 45,00 (Decanter)
Sangervasio Rosso R$ 64,00 (Zahil)

PIEMONTE:
Le Coste Dolcetto d'Alba Michele Chiarlo R$ 64,00 (Zahil)
Dolcetto d'Alba Valfieri R$ 71,00 (Vinea Store)
Dolcetto di Dogliani San Luigi US$ 26,90 (Mistral)


Semana que vem, faço outras regiões, combinado?

Quarta-feira, 23 de Julho de 2008

Para conhecer o "Velho Mundo"

A leitora Denize nos escreveu perguntando como começar a estudar vinhos do velho mundo sem gastar muito, já que está muito acostumada aos vinhos chilenos e argentinos. É uma ótima pergunta, já que o aspecto mais assustador dos vinhos do velho mundo são seus preços e a pouca clareza dos rótulos em termos de informação sobre uvas e modo de produção.

Em primeiro lugar, há de se lembrar que os estilos são muito diferentes e é essencial sermos tolerantes com estas diferenças. Se buscarmos os sabores dos vinhos argentinos nos vinhos europeus, a frustração será certa.
Depois, é sempre bom ter um pouquinho de teoria à mão, já que não há muita informação nos rótulos.
Com isto, nos falta adotar um critério: pode ser uma região, uma uva, uma safra.
A partir daqui, vem a parte mais fácil - beber.
Dou um exemplo: o critério é "Sul da França". Tome um dia um vinho de Corbières, outro dia de Saint Chinian, outro de Faugères, e assim vai. Olhando no seu livro, no seu mapa, você saberá as uvas, como é a região, o clima e, ao mesmo tempo degustará seus sabores.
Trocar impressões e conhecimento com os amigos é uma maneira infalível de conhecer qualquer nova região.
Escrevam contando a experiência.

Para conhecer o "Velho Mundo"

Segunda-feira, 14 de Julho de 2008

Super roteiro Bordalês

Minha querida amiga Maria Amélia, lá de Porto Alegre, está organizando uma importante viagem turístico-cultural-enólógica (na ordem que preferirem) à região de Bordeaux. Dêem um olhada no roteiro que ela me enviou:

25/09 quinta
- saída do Brasil às 19 :15 de Porto Alegre

26/09 sexta - Paris / Bordeaux
TREM até Bordeaux; Acomodação no hotel Best Western Grand Hôtel français

27/09 sábado – Rota dos vinhos de Bordeaux / Graves: Degustação nos seguintes châteaux Château Pape Clement; Château Haut Brion; Mission Haut Brion com degustação, almoço na região (entre 30 a 60 euros. Menu não está incluso no pacote). Noite livre

28/09 domingo – Passeio em Bordeaux a pé e passeio de barco no rio Garonne e dependendo do horario almoçaremos num restaurante na borda do rio (o almoço não está incluso) Noite livre

29/09 segunda- Visita Haut Mèdoc : Château Margaux com degustação; Saint Estephe com degustação; Saint Julien com degustação; À tarde, visita à região de Medoc (Grands crus classées) :
Château Rothschild com degustação; Mouton Rothschild com degustação; Château Latour com degustação (provavelmente conseguiremos fazer todos ou na indisponibilidade não faremos um). Noite livre

30/09 terça –Visita a Fronsac no Château La Riviére com visita à cave e degustação; Almoço em Saint Emilion (nao incluso), Visita de Saint Emilion (pitoresco vilarejo medieval produzindo vinho mundialmente famosos sua vinha e paisagem estao inscritas no Patrimonio Mundial da Humanidade pela Unesco - a visita sera feita à pé), passeio em Van pela regiao de Saint Emilion e arredores(Pomerol, Libourne, …) Noite livre

01/10 quarta– Chegada e Hospedagem em Margaux no Château Pavillon Margaux; Jantar no Chateau Marojallia – jantar de gala incluso no pacote 02/10 quinta feira- Saida 9h - Passeio a Dordogne - No caminho beirando o rio Dordogne encontraremos vários vilarejos medievais, com possíveis paradas; Chegando em Sarlat (cidade medieval ), acomodação no Hotel. Selves sarlat . Almoço : não incluso. Passeios pela região: visita ao Château Beynac (castelo medieval magnificamente conservado, onde foram realizados vários filmes) com degustação
Château Feudal de Castelnaud - com degustação. Jantar : Sarlat ou Roque Gageac (classificado como um dos mais lindos vilarejos da França, um vilarejo “colado” nas altas falésias com seus fortes trogloditas que se visitam. Não incluso no valor do pacote)

03/10 quinta- Continuação da visita de Dordogne, com seus vestígios trogloditas e grutas. Visita aos santuários de Rocamadour (extraordinário sítio medieval construído num penhasco) Gouffre de Proumeyssac ou Gauffre de Padirac . Almoço – não incluso. Noite livre

04/10/2007 sexta- embarque para Paris TREM . Partida para Brasil ( o vôo de Paris p/ Brasil sai as 23:00)
*** O que está incluso no pacote : passagem aérea saindo de Porto Alegre à Paris de ida e volta, trem TGV de Paris à Bordeaux ida e volta, seguro viagem Euro Assist com cobertura de 30 mil euros, 18 mil pontos no cartão TAM fidelidade, 05 noites de hospedagem com café da manhã em Bordeaux, visitas aos Châteaux descritos no programa, com degustação. Passeio de barco no Rio Garonne. Todos os traslados e passeios descritos no programa. 01 noite de hospedagem em Margaux com café da manhã. 01 jantar de gala no ChateauMarojilla. 02 noites de hospedagem com café da manha em Dordogne.
*** O que não é está incluso : taxa de embarque, despesa com gastos pessoais, refeições que não estão descritas no programa. Excesso de bagagem.
*** Valor por pessoa em apartamento duplo: € 2750,00 à vista ou 5 x, sob consulta, com possível alteração de valores devido ao aéreo.

Grupo limitado a 14 pessoas.
Confirmações até 15 de julho, com Maria Amélia
51 9331 6098


CONTATO
Maria Amélia Duarte Flores
mariaamelia@vinhoeartebrasil.com.br

São Paulo ganha nova enoteca

A importadora Decanter traz uma excelente notícia aos paulistanos: amanhã inaugura sua enoteca, no bairro do Itaim.
A idéia é a clássica: numa loja agradável, estarão aliados os conceitos de venda, educação, harmonização, enfim, cultura do vinho em geral, tudo num espaço só.
O calendário de julho vem recheado de "atrações" com visitas de produtores importantes. Dia 15 Albertyo Arizu, da Luigi Bosca estará por lá. Dia 22 Pio Boffa da bodega piemontesa Pio Cesare e dia 24 Paula de Martino, da vinícola chilena com o mesmo nome De Martino.

Onde:

Rua Joaquim Floriano, 834, Itaim Bibi – São Paulo.

MBA do vinho

Quem já trabalha com vinho ou quer trabalhar e acha importante ter um MBA (com validade internacional), aí vai uma ótima dica: a representante do MBA do vinho na Améria Latina, Dolores Velasquez, dá uma palestra no dia 22 próximo.

Lá se pode tirar dúvidas sobre conteúdo, preços, formas de pagamento.

Local: ABS/SP – Av. Faria Lima, nº 1.800, 8º Andar, Tel: (11) 3814 7853

Dia 22 de julho de 2008, às 20h

Confirmar presença pelo e-mail claudia@stellium.com.br

Maiores informações: (27) 8151 2539

Quinta-feira, 10 de Julho de 2008

Vega Sicilia para matar a sede

Não só de polêmica vive a sommelière. Um pouco de vinho não nos faz mal. E na terça feira véspera de feriado estive degustando Vega Sicilia com o proprietário, o enólogo e o responsável pelos vinhedos do lendário vinho.
Começamos tomando o Mandolás, branco seco da uva Furmint que Vega Sicilia produz na Hungria. Cor bem evoluída com um nariz maduro lembrando uma torta de pêras. Na boca é extremamente cremoso, gorducho comum amarguinho no final que, ouvi comentários, desagradou, mas a mim pessoalmente me apraz. Dá um comprimento maior ao vinho. É verdade, não tinha acidez e parecia meio plano, mas achei agradável no geral. Ficou gostoso com uma carne desfiada com uma vinagrete por cima.
Logo tomamos o Pintia 2004, celebrado vinho produzido pela Vega na região de Toro. Nariz ainda bem fechado, alcoólico, com muito chocolate, carvão e couro. Na boca é grande e cheio, com ótima acidez, mas desagradavelmente jovem, com taninos super apertados, grudentos e difíceis, no estilão pancada. Não combinou com nenhuma comida - com o ossobuco a doçura do álcool do vinho ficou mais evidente e a carne desapareceu.
O Alión 2003 estava impecável. Mais fresco, com umas notas de cereja muito madura, uma fruta em geral mais evidente. Na boca também tinha mais frescor, taninos bem intensos, mas firmes, como se comêssemos chocolate amargo. É longo, mas com certeza uns anos de garrafa lhe darão maior comprimento e integração. Também comido com o ossobuco salgado ficou mais doção.

O Vega Sicilia Valbuena 5to Año 2002 mostrou uma fruta incrível bem profunda e quente. Notas minerais de cinzas e chá preto, com um fundo de açúcar mascavo surpreenderam. Na boca tem um frescor incrível, acidez gostosa, taninos finos e gostosos, como se mordêssemos uma cereja madura. No entanto, acho que tempo em garrafa revelaria mais deste vinho ainda muito jovem.

Nariz também de chá preto, charuto e vermute do grande vinho da noite. Uns florais se mostraram com o tempo, mas o Vega Sicilia Unico Reserva 1996 demora a se abrir. Na boca é alcoólico, tem taninos muito finos, com grande qualidade, um sabor intenso que lembrava carne, toque de café frio no final, mas, com 12 anos de idade se mostra apenas um adolescente que precisa de tempo para amadurecer, mas que deixa claro a que veio.
Na Mistral: 11 3372 3400

Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

Elitista é não respeitar a lei

Com toda essa discussão sobre lei seca, ouvi tanta coisa às mesas de degustação e jantares que participo que acabei chegando a uma conclusão - tem gente que bebe vinho que é muito elitista. E eu estou de saco bem cheio disto.

Reparei que as pessoas que mais reclamam são os velhos beberrões de vinho com grana e velhos hábitos que se acham TÃO civilizados e especiais que o seu consumo privilegiado (muitas vezes irresponsável e inconsequente, já vi ) está acima de qualquer lei e fiscalização. E os que mais reclamam não são os que tomam 1 tacinha. Eles se sentam à mesa e tomam garrafas e garrafas de vinho.E agora ficam indignados.

Indignada estou eu de ver tanta falta de responsabilidade e falta de pensamento social e um pouco, que seja, altruísta. Ninguém disse isso ainda em aberto, mas o cara que bebe vinho, se acha melhor que todos os outros. Ele bebe listros de vinho, os outros são "bêbados". Tenha dó!

Terça-feira, 8 de Julho de 2008

Mais da lei..vamos ao debate

Obrigada por visitarem e discutirem a lei.
Vejam, mais uma vez: é claro que a lei já existia, é claro que a fiscalização era ridícula (como a maioria das coisas que dependem do poder público neste país surrealmente sem nexo e imbecil).

O que eu quero que vocês entendam é o seguinte: se, agora, com esta "nova" lei (podemos chamar assim?) haverá fiscalização, então esta colunista prefere que assim o seja. Se, para que haja fiscalização a lei precisa mudar (o que não tem sentido algum, eu sei, eu sei!!!! só precisava haver fiscalização da lei do jeito que estava, eu sei) , eu prefiro que a lei mude. Mesmo que meu negócio seja prejudicado, mesmo que eu, cidadã que paga impostos e não recebe NADA em troca, se salvar uma vida, para mim, valeu a pena. Sinto decepcioná-los.

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Quarta-feira, 2 de Julho de 2008

Ai, a lei da "direção seca"...

Queridos leitores, Nilson, querido, obrigada pelos comentários interessantíssimos. Não, o sujeito que comeu bombom não deve ser tratado como aquele que, digamos assim, encheu a cara. Expressei-me mal neste caso. (Até porque é bem difícil o bafômetro acusar de fato a presença de álcool com um ou dois bombons). Dêem uma olhada neste teste http://jornalhoje.globo.com/JHoje/0,19125,VJS0-3076-20080701-324765,00.html

Mas, como, perante a lei, ou perante o bafômetro, duas pessoas que têm o mesmo nível de álcool no sangue, uma pelos bombons e outra por um copinho de cerveja, podem ser diferenciadas? Como um simples e inofensivo chocólatra pode ser diferenciado de um alcoólatra que está apenas começando a noite? OU de um outro que só tomou uma tacinha de vinho antes de ir para casa? Como?
Se supusermos um absurdo do tipo "a partir de hoje está autorizado o consumo de bombons recheados antes de dirigir" - em quanto tempo encontraremos jeitinho de burlar a lei? Muito rapidamente, tenho certeza. Não dá para dizer: "você, consumidor sabido e consciente de bebidas alcoólicas, tem direito de consumir o equivalente a o,6gr/litro de sangue mas ele ali não porque ele é irresponsável" Porque o "ele ali" é um moleque irresponsável que não jantou e acabou de jogar bola e vai ficar bêbado com uma latinha de cerveja. Concordam que não dá?

Imaginemos a cena: o policial " o senhor tem 1 gr/l de álcool no sangue" (muito acima do permitido) e o cidadão "é que eu adoooro bombom recheado e comi vários". Vocês não vêem isto acontecer? Então, talvez tenha me expressado mal: o que come bombom ou lava a boca com um antisséptico alcoólico não deve ser punido igual ao que consome em excesso. Mas, volto ao exemplo, se permitirmos algumas exceções, o que fazer com a lei em si? Sugiro aos que estão contra a lei, de pelo menos, tentar mudar alguns hábitos e esperar os resultados. Que tal.

Terça-feira, 1 de Julho de 2008

E essa lei, hein?

Vamos aos fatos.

A lei, como era antes:
Se o motorista fosse pego com dosagens acima de 0,6 gr/l (sangue) ou 0,3 mg/l (ar), seria multado, teria sua carteira apreendida por um ano e seu carro retido, podendo ser retirado por alguém habilitado e sóbrio.
Como é agora:
Teoricamente é lei seca, o motorista será autuado por qualquer quantidade de álcool, porém aguarda-se regulamentação do CONTRAN para se estabelecer tolerâncias, que provisoriamente é 0,2 gr/l (sangue) 0,1 ml/l (ar).


Prisão, antes:
O motorista só iria preso se causasse acidente estando alcoolizado.
Agora:
O motorista será preso se for pego apresentando concentração de álcool igual ou superior a 0,6 gr/l de sangue ou 0,3 mg/l de ar. A penalidade será de detenção de seis meses a três anos, além da multa de r$ 957,70 e retenção da carteira de habilitação.

(fonte: http://www.apka.org/noticias/2008/entendendo-a-nova-lei-sobre-alcool-e-direcao)

Basicamente, o que mudou foram as quantidades. Já ouvi protestos dos mais variados: e se você quiser sair para jantar? E se o seu corpo produzir álcool depois de tomar um remédio (não sei se isso pode acontecer, mas já ouvi). E se você comer um bombom de chocolate? Bem, queridos leitores: se alguma coisa dessas acontecer, não dirijam.
Sou 100% a favor da lei. Tudo bem, ela basicamente já existia e nunca foi aplicada, nem as pessoas punidas. Agora, claro que também sabemos que já já cai no esquecimento. Mas, se tudo isto servir para evitar 1 acidente, digam-me: já não terá valido a pena?

Álcool e bebida não se misturam. A lei deve ser igual para todos - para o cara que come bombom e para o que toma álcool em excesso. Eu tenho certeza que a maioria das pessoas que estão me lendo consomem vinho de forma consciente e moderada, por prazer, sem exagero. Mas a partir do momento que se bebe, não se dirige.
Eu já decepcionei muita gente com minha posição, mas eu prefiro assim. Juro. Talvez porque eu não dirija já há muitos anos, estou acostumada a andar de ônibus e metrô, então a lei não me abala em nada.
Mas, a aqueles que ela abala, pensem comigo: se continuar, se der certo, pode ter um resultado importante. Vamos apoiar, usar transporte público para sair, ou revezar os amigos para dirigir, ir para bares mais perto de casa ou, ainda (mas, mais caro) rachar um taxi. Não custa tentar.

Segunda-feira, 30 de Junho de 2008

Os vinhos da Confraria

Poucos não foram, nem ruins muito menos. Os vinhos servidos na cerimônia de encontro do Confrades da Confraria do Periquita e entronização dos novos estavam divinos. Na chegada, Periquita rosé, fresco e preciso.
Durante o jantar, primeiro, com a Sopa de Ervilhas à Soares Franco, tomamos o sempre delicioso Periquita Reserva 2005. Delicado, boa fruta e estrutura justinha, nem mais nem menos. Eu gosto do ligeiro toque verde que a Trincadeira dá. Ele é encontrado aqui no Brasil mais ou menos a R$ 45,00

Depois tomei o pra lá de superbo, delicioso e incógnito RA 2004. É um vinho que, na verdade é um conceito ainda em experimentação para o que será, futuramente, um ícone ou, por assim dizer, um "super" Periquita.
Provavelmente uma volta às origens, já que é feito 100% com Castelão (a uva que levava o nome de Periquita por causa do vinho). Nariz com pimenta do reino e couro, um fundo de fruta e baunilha. Toques de carvão bastante mineral. Na boca é cheio, taninos bem apertados, quente mas com ótima acidez e final lembrando café frio.

Para a sobremesa tomamos o Mosacatel Roxo, um fortificado feito com esta uva super rara. Vinho muito perfumado e intenso, lembra resina, própolis e carvão. Na boca é muito cremoso, super quente e com boa acidez, retrogosto lembrando carvão de novo e própolis. Comprimento em boca praticamente eterno.... Acompanhou divinamente um queijo local ( de Azeitão) super ácido, gordo e cremoso. Tudo inesquecível

Sexta-feira, 27 de Junho de 2008

A Confraria




Cheguei lá e minhas pernas tremiam. O friozinho que lembrava um friozinho de outono limpava o ar. Mas, nessa época do ano já deveria fazer calor, é primavera no dia 31 de Maio. Era primavera quando José Maria da Fonseca nasceu. Com esta temperatura, parece que a safra vai ser ruim por aqui.
Mas as minhas pernas não tremiam por causa do frio. Eu estava nervosa, e era um dia importante para mim. Para aquelas pessoas, meu trabalho é importante, meu trabalho faz a diferença e estava sendo reconhecido. E foi por isso que eles me chamaram para estar lá com eles, para fazer parte do grupo deles.
Na confraria do Periquita todos são meus amigos, todos são uma família e reconhecem o trabalho daqueles que trabalham pelo vinho.
A acolhida não poderia ter sido mais quente. Toda a família, Antonio, seu filho Antonio Maria, e Domingos Soares Franco nos recebiam um a um. No pátio da linda casa bebericamos Periquita rosé (espero que chegue "cá" um dia) e, por sorte, Carlos Cabral, a maior assumidade em vinho do Porto no Brasil estava lá sorridente, com sua não menos simpática e sorridente esposa Leda, o que me acalmou de certa forma os nervos.


As sensações de que aquilo tinha uma dimensão importante e internacional, mas ao mesmo tempo era algo muito de família ficaram acentuadas pelo fato de eu estar sendo entronizada ao lado de ninguém menos que a mãe dos proprietários Antonio e Domingos Soares Franco, mas também ao lado de alguém tão internacional como Mel Dick, o maior importador e distribuidor de vinhos dos Estados Unidos, que, por sua vez, é o maior mercado do mundo. Ele simplesmente é o número 2 da lista das 50 pessoas mais influentes do vinho segundo a revista inglesa Decanter.
E esta humilde colunista estava lá, com as pernocas tremelicantes outra vez.


Uma banda toca e caminhamos todos para dentro das adegas onde seremos entronizados. Eu fui logo a segunda. Nos chamam ao palco, contam quem somos, nossas carreiras, batem palmas e assinamos o livro do XVI Capítulo Anual da Confraria do Periquita. Depois disso, à mesa! Mais uma vez, honra total: Antonio Soares Franco ao meu lado esquerdo e Domingos à minha frente para conversar à vontade. Uma longa mesa com 150 pessoas, dentro de uma adega com barris gigantescos de Periquitas que descansam antes de chegar às nossas sedentas bocas.

O cardápio é famoso por sua sopa de ervilhas à Soares Franco, receita obviamente escondida e secreta. É temperadinha com hortelã, leva chourizinho, ovo cozido, com a gema que se esparrama por cima e me fez perder a compostura, já que, literalmente, babei aquela delícia. Depois comemos supremos de Pintada, tipo uma galinha, só que mais saborosa, de origem africana, famosa na França como "pintade", que os irmãos me contaram que se lembravam perfeitamente da primeira vez que seu pai os levou a comer aquilo e nunca esqueceram. Domingos dizia, "pintade, eu me lembro" e se ria gostosamente, como sempre faz.

A sobremesa foi um absurdamente saboroso e beirando o erótico Bombom de chocolate com caroço de framboesa.. Uma textura misturada e exata de cremosidade e crocância, tudo delicioso.
Minhas pernas já não tremiam. Fazia, de certa forma, calor. Coração aquecido, bochechas rosadas, riso solto, rodeada de litros e litros de vinhos, me dei conta: como é gostoso ser parte de um grupo.

ps: os vinhos que tomamos, também aos litros, conto no próximo capítulo...

Quarta-feira, 25 de Junho de 2008

Avant Premier Doce


Lançamento delicioso da Bodega Terrazas da Argentina. Esteve por aqui, num almoço entre amigos da LVMH, o charmoso Manuel Louzada que, pelo nome, vocês podem concluir, é português. O que um português faz na Argentina trabalhando para um grupo francês? Atualmente, é diretor de enologia das bodegas e veio ao Brasil nos contar um pouco sobre a novidade.
O lançamento em questão é um vinho feito de colheita tardia, de uvas Petit Manseng plantadas em Mendoza no ano de 2000. Mais conhecida pelos maravilhosos vinhos da região de Jurançon, no sudoeste de França (precisamente na fria região aos pés dos Pirineus), ela parece ter gostado do clima mais quente de Mendoza.
O resultado é um vinho branco bem intenso, com nariz mostrando muita manga madura, pêssego e licor de amêndoas (tipo frangélico). Tem umas notinhas de frutos secos, como se fosse nozes caramelizadas.
Na boca a surpresa é maior: excelente volume e, mais importante, a acidez é bem presente, fazendo explodir mais ainda os sabores do vinh e deixando clara a importância do frescor dos vinhos resultantes de vinhas plantadas em altitude. Muito comprimento e intensidade de sabor no final, quase esmagou a sobremesa de folhado de frutas. Ficou bem com uma espécie de "pé de moleque" servido no final com o café.
O preço, apesar de entendermos as dificuldades de produção que encarecem o produto, é de amargar R$ 130,00 a garrafa de 375 ml.
Lançamento em Setembro - organizem as economias: até lá dá para juntar um dinheirinho para celebrar a chegada da primavera.

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Quarta-feira, 18 de Junho de 2008

Que raiva

Um passeio ingênuo ao supermercado e uma surpresa pra lá de desagradável. Já tinha ouvido falar, mas nunca havia visto uma.
Fazia bastante tempo que não sentia tanto nojo de um texto. O vinho é uma bebida que contém álcool, sim, porque é o resultado da fermentação dos açúcares do suco da uva. No entanto o vinho está longe, mas longe demais de ser vista apenas como uma bebida alcoólica. O vinho acompanha o homem desde o começo dos séculos e eu tenho minhas dúvidas se seríamos de fato como somos (nós, seres humanos) se o vinho não existisse. Temos defeitos e qualidades, mas os teríamos diferentes se o vinho não existisse.
Filosofia à parte, essa plaquinha generalizando a bebida alcoólica é nojenta. Eu convivo diariamente com produtores de vinhos, sommeliers, vendedore e, sobretudo, aqui em minha escola, com consumidores de vinho. E, das centenas de pessoas que conheço, a grande esmagadora maioria são pessoas com famílias pra lá de normais, saudáveis, com filhos lindos, avós incríveis e tios encantadores. E, sim, eu conheço pessoas que sofrem de alcoolismo, e cujas famílias acabam sofrendo também, mas quero deixar claro que as bebidas alcoólicas, muito menos o vinhos, não destroem famílias, não são prejudiciais a elas nem à sociedade. Ao contrário: o vinho constroe e fortalece relações, as estreita, faz bem à libido e à fertilidade dos casais, reforça a alegria de se estar junto da família.
Quem é prejudicial são as pessoas que não sabem consumir nem vinho nem álcool, nem nada.