Imperdíveis do Alentejo
Ir ao Alentejo é delicioso. Fui, precisamente, a Reguengos de Monsaraz. A comida, as pessoas, as praças com suas igrejas e sinos. Em termos de vinhos, não é todo dia que tomamos aqueles fermentados em ânforas de barro. Tive a oportunidade de visitar, com António Maria Soares Franco, a cave José de Souza, que, desde 1986, também pertence à José Maria da Fonseca, que faz, mais ao norte, em Terras do Sado, o Periquita. Estava com a gente o enólogo Paulo Amaral que nos contou detalhes dos vinhos.
Começamos pelo vinho mais básico deles, feito sem nada de passagem por barricas, pura fruta. Feito com Aragonês, Trincadeira, Castelão e um "bocadinho" de Syrah. A safra é 2007, que deve estar desembarcando no Brasil logo, logo. Nariz bem frutado e limpo, um toque torrado de amendoim, leve mineral, mas sobretudo, muita fruta. Na boca tem taninos bem fininhos, é fresco, rico em fruta e final curto, mas gostoso. Por aqui, a delicia custa R$ 21,00 - imperdível!
Depois partimos para o José de Souza 2004. O corte de uvas é Trincadeira em 60%, 30% de Argonês e um pouquinho de Gran Noir (mais pra frente falo mais sobre esta uva). Parte dele é fermentado nas ânforas de barro que, praticamente, só esta casa ainda as tem. Metade do vinho passa por carvalho.
Nariz com notas de ervas aromáticas, um tom verde (que, depois percebi, vem da Trincadeira), amora, chocolate com menta e cedro. Na boca é muito cheio, com taninos super redondos, rico e final intenso e longo. Por aqui, no Brasil, o vinho custa por volta de R$ 70,00.
Já o José de Souza Mayor é totalmente fermentado nas ânforas, ou talhas, como eles as chamam. Têm um metro e oitenta, 2 metrso de altura. Nelas cabem aproximadamente 900 litros de "massa", ou seja, suco e cascas para fermentar. Como limpam? Um homem precisa entrar lá dentro. A composição é 50% de trincadeira, 30 de Gran Noir e 20% que fermentam separadamente por 10 dias e ficam em maceração por mais 2 semanas. Depois vão para barricas separadas de carvalho americano e francês por uns 12 meses (incluindo a mítica "Icone" da Seguin Moreau). Ao final deste período, decide-se o corte final. Resultado: nariz com notas minerais, um toque de barro fresco, menta, muita fruta e balsâmico. Na boca é muito cheio, com excelente acidez, grande e mostrando bom potencial, já que ainda está tudo bem jovem e arisco (taninos, álcool e acidez). O preço por aqui: R$ 120,00 - 150,00.
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2 Comentários:
As mudanças do Piriquita fizeram um bem danado para este vinho. Quando era só Castelão, não me encantava, me parecia um pouco duro, uma rusticidade que não me cativava. Agora, é um delicioso companheiro do dia-a-dia, especialmente quando disponível no Free Shop de chegada por menos de R$10. Como dizem por lá, um vinho muito apetecível!
Que interessante, já havia lido sobre as ânforas de barro, mas para mim não existiam mais, ou não se usasse mais. Quase que como os tais "vinhos dos mortos", vi há algum tempos que ainda sofrem o tal processo no entorno da Vila de Boticas não é? Deve ser algo único um vinho desses. Nossa, realmente é um vasto universo, o do vinho. Muito bacana, as histórias estão ótimas, rss. Sucesso sempre Alexandra! Bjão.
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