XVI Avaliação Nacional de Vinhos. Safra 2008

A décima sexta edição da Avaliação Nacional de vinhos, safra 2008, organizada pela Associação Brasileira de Enologia, já chegou chegando, com 50% a mais de amostras do que a edição anterior. A idéia da avaliação não é premiar, mas escolher e apresentar o que há de mais significativo dentro de cada safra. Neste ano foram 318 amostras de 62 vinícolas de várias regiões do país. Santa Catarina, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco e Paraná aparecerem junto com os já tradicionais vinhos do Rio Grande do sul. Estive lá, à mesa dos jurados, para comentar as 16 amostras que foram selecionadas como mais representativas da safra pelos 78 enólogos que degustaram os vinhos, em um processo de várias fases.
Confesso que algumas categorias, como a primeira, de vinho base, eram um pouco mais difíceis de julgar, já que eu não sei exatamente dizer como deve ser um vinho base de espumante para que o espumante seja de qualidade. Lógicamente procuramos usar os mesmos critérios, como ter um nariz “franco” (sem nenhum aroma estranho), limpo e com algo de aromas ainda varietais e boa acidez, mas não muita, porque o gás carbônico produzido depois acaba evidenciando muito mais a acidez excessiva, segundo me explicou Dominique Foulon, que trabalhou muitos anos na Möet & Chandon em Champagne. Uvas pouco degustadas, como a Ancelota, também às vezes são difíceis de analisar, já que não temos nenhuma referência de tipicidade, mas enfim, segui os mesmos critérios, tentando sempre identificar a qualidade da fruta, dos taninos, sua maturidade e equilíbrio em geral.
É importante, e faço questão de, frizar a belíssima organização da ABE para o evento. Eram quase 1000 pessoas degustando ao mesmo tempo e, o serviço, feito pelos jovens estudantes de viticultura do CEFET fizeram um trabalho no mínimo lindo. Vamos às minhas impressões.
Categoria: Vinho Base para Espumante
1. BASE ESPUMANTE (Chardonnay/Pinot Noir/Riesling Itálico) Vinícola Perini: aromático e perfumado, bem limpo com um toque mineral. Em boca tem boa cremosidade, acidez média, correta. Final um pouco alcoólico, mas que acaba conduzindo bem os aromas e dá comprimento e persistência.
2. BASE ESPUMANTE (Chardonnay/Pinot Noir/Riesling Itálico) Möet Hennessy do Brasil : muito aromático, bem maduro com notas de maçã. Em boca tem bastante volume, pouca acidez e não é muito longo. (eu achava que isso não era bom, mas o Sr. Foulon deu 92 pontos para esta amostra).
Categoria: Branco Fino Seco Não Aromático
3. VIOGNIER – Cia. Piagentini: Nariz bem floral, toque de jasmim, manga verde e maçã. Na boca é bem redondinho, com um toque fresco de acidez, mas um finalzinho um pouco quente, alcoólico. Comprimento bom, lembrando maçã.
4. RIESLING ITÁLICO
Vinhos Salton : nariz limpo, lembrando um pouco de maçã fresca, toque floral e exótico, tropical. Na boca é cremoso, bom volume, pouca acidez, falta um pouco de frescor e uma leve sensação de doçura no final (que eu acho que não precisava).
5. CHARDONNAY –Don Guerino: Nariz super maduro, lembrando banana e muito álcool, brandy, pesado. Na boca também, muito gordo e volumoso, faltava frescor, com final alcoólico, também lembrando brandy.
6. CHARDONNAY –Casa Valduga: Um leve toque floral, de talco no início e depois uma leve nota reduzida, um pouco fedidinho. Na boca estava fresco, também com uma certa doçura de álcool.
Categoria: Branco Fino Seco Aromático
7. MOSCATO ITÁLIA –Fazenda Ouro Verde: Nariz aromático, com notas delicadas florais e de maçã. Na boca é seco, tem boa acidez, é magrinho, bem acabado, com final um pouco alcoólico.
8. MOSCATO GIALLO Vinhos Salton : nariz com um pouco de jasmim, um pouco de cheiro de farmácia e fruta passada. Na boca é cremoso e com bom frescor, mas um pouco plano, falta vida, faísca, apesar de não ter nenhum defeito grave.
Categoria:
9. Rosé Seco (Merlot –Cabernet Sauvignon) – vinícola Dal Pizzol: cor cereja muito clara. Nariz limpo, lembra melancia e morango, um pouco alcoólico, mas também com um toque floral. Textura lisa, bom volume, acidez média, mas um final um pouco amargo, desagradável, com taninos finos.
Categoria: Tinto Fino Seco Jovem
10. PINOT NOIR –Fortaleza do Seival Vineyards: cor exuberante, muito escuro e violáceo. Nariz com boa fruta, um pouco exagerado para um Pinot, mas notas de cravo agradáveis. Na boca tem um restinho de gás carbônico, boa acidez, taninos secantes, um pouco desintegrado, com amargor no final. É bom lembrar, no entanto, que a maioria destes vinhos ainda está no tanque, e nada prontos para beber.
Categoria: Tinto Fino Seco
11. CABERNET FRANC –Cooperativa Vinícola Aurora: muito fruta madura, bem intenso, ainda está no tanque, tem um excesso de concentração e está um pouco fechado. Na boca é liso, tem bons aninos, bom volume, acidez equilibrada com finalzinhoa amargo lembrando café.
12. CABERNET FRANC Vinícola Valmarino: outro Franc de muita concentração. Negro na cor, com bordas violáceas intensas, lindo no visual. Nariz muito exótico, lembrando pimenta malagueta, floral e geléia de jaboticaba. Na boca é rico, tem ótima acidez
13. MERLOT –Rasip Agropastoril : muito escuro e violáceo. Nariz lembrando banana, bem intenso, com notas de chocolate e alcoólico. Faltou a fruta. Na boca é bem liso, tem boa acidez, mas é muito tostado, carregado com taninos duros, alcoólico e amargo – bem desequilibrado no geral, mas o vinho ainda está nos tanques.
14. MERLOT Vinícola Miolo : Um cheiro de queijo no princípio, bem estranho. Depois abriram-se umas notas de chocolate amargo e café. Na boca é liso, tem boa acidez, taninos médios, não muito prontos, com finalzinho curto lembrando cacao.
15. ANCELLOTTA Catafesta Indústria de Vinhos: Cor totalmente negra. Tinha cheiro daquela bala de morango 7 belo, caramelo, floral e um pouco de couro. Na boca tinha frescor, um toque de acidez, o que faz dele um vinho gostoso, apesar do final curto.
16. TANNAT Vinícola Gheller: fechado, reduzido, lembrando chulé. Depois abre, mas não muito. Tem aromas queimados, de borracha e café. Na boca é redondo, tem uma textura doce, agradável, apesar de ser um pouco quente, com taninos jovens. Final tem comprimento médio. Promete, assim que tomar um pouco de oxigênio.






2 Comentários:
Que bacana Alexandra! É exatamente esse tipo de evento que fará do vinho brasileiro um grande vinho. Muito me alegra. Um grande abraço.
obrigda querido! um beijo
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