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Quem não bebe vinho não vê o mundo girar...

Segunda-feira, 6 de Outubro de 2008

XVI Avaliação Nacional de Vinhos. Safra 2008


A décima sexta edição da Avaliação Nacional de vinhos, safra 2008, organizada pela Associação Brasileira de Enologia, já chegou chegando, com 50% a mais de amostras do que a edição anterior. A idéia da avaliação não é premiar, mas escolher e apresentar o que há de mais significativo dentro de cada safra. Neste ano foram 318 amostras de 62 vinícolas de várias regiões do país. Santa Catarina, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco e Paraná aparecerem junto com os já tradicionais vinhos do Rio Grande do sul. Estive lá, à mesa dos jurados, para comentar as 16 amostras que foram selecionadas como mais representativas da safra pelos 78 enólogos que degustaram os vinhos, em um processo de várias fases.
Confesso que algumas categorias, como a primeira, de vinho base, eram um pouco mais difíceis de julgar, já que eu não sei exatamente dizer como deve ser um vinho base de espumante para que o espumante seja de qualidade. Lógicamente procuramos usar os mesmos critérios, como ter um nariz “franco” (sem nenhum aroma estranho), limpo e com algo de aromas ainda varietais e boa acidez, mas não muita, porque o gás carbônico produzido depois acaba evidenciando muito mais a acidez excessiva, segundo me explicou Dominique Foulon, que trabalhou muitos anos na Möet & Chandon em Champagne. Uvas pouco degustadas, como a Ancelota, também às vezes são difíceis de analisar, já que não temos nenhuma referência de tipicidade, mas enfim, segui os mesmos critérios, tentando sempre identificar a qualidade da fruta, dos taninos, sua maturidade e equilíbrio em geral.
É importante, e faço questão de, frizar a belíssima organização da ABE para o evento. Eram quase 1000 pessoas degustando ao mesmo tempo e, o serviço, feito pelos jovens estudantes de viticultura do CEFET fizeram um trabalho no mínimo lindo. Vamos às minhas impressões.
Categoria: Vinho Base para Espumante

1. BASE ESPUMANTE (Chardonnay/Pinot Noir/Riesling Itálico) Vinícola Perini: aromático e perfumado, bem limpo com um toque mineral. Em boca tem boa cremosidade, acidez média, correta. Final um pouco alcoólico, mas que acaba conduzindo bem os aromas e dá comprimento e persistência.
2. BASE ESPUMANTE (Chardonnay/Pinot Noir/Riesling Itálico) Möet Hennessy do Brasil : muito aromático, bem maduro com notas de maçã. Em boca tem bastante volume, pouca acidez e não é muito longo. (eu achava que isso não era bom, mas o Sr. Foulon deu 92 pontos para esta amostra).

Categoria: Branco Fino Seco Não Aromático

3. VIOGNIER – Cia. Piagentini: Nariz bem floral, toque de jasmim, manga verde e maçã. Na boca é bem redondinho, com um toque fresco de acidez, mas um finalzinho um pouco quente, alcoólico. Comprimento bom, lembrando maçã.

4. RIESLING ITÁLICO
Vinhos Salton : nariz limpo, lembrando um pouco de maçã fresca, toque floral e exótico, tropical. Na boca é cremoso, bom volume, pouca acidez, falta um pouco de frescor e uma leve sensação de doçura no final (que eu acho que não precisava).

5. CHARDONNAY –Don Guerino: Nariz super maduro, lembrando banana e muito álcool, brandy, pesado. Na boca também, muito gordo e volumoso, faltava frescor, com final alcoólico, também lembrando brandy.

6. CHARDONNAY –Casa Valduga: Um leve toque floral, de talco no início e depois uma leve nota reduzida, um pouco fedidinho. Na boca estava fresco, também com uma certa doçura de álcool.

Categoria: Branco Fino Seco Aromático

7. MOSCATO ITÁLIA –Fazenda Ouro Verde: Nariz aromático, com notas delicadas florais e de maçã. Na boca é seco, tem boa acidez, é magrinho, bem acabado, com final um pouco alcoólico.

8. MOSCATO GIALLO Vinhos Salton : nariz com um pouco de jasmim, um pouco de cheiro de farmácia e fruta passada. Na boca é cremoso e com bom frescor, mas um pouco plano, falta vida, faísca, apesar de não ter nenhum defeito grave.

Categoria:
9. Rosé Seco (Merlot –Cabernet Sauvignon) – vinícola Dal Pizzol: cor cereja muito clara. Nariz limpo, lembra melancia e morango, um pouco alcoólico, mas também com um toque floral. Textura lisa, bom volume, acidez média, mas um final um pouco amargo, desagradável, com taninos finos.

Categoria: Tinto Fino Seco Jovem

10. PINOT NOIR –Fortaleza do Seival Vineyards: cor exuberante, muito escuro e violáceo. Nariz com boa fruta, um pouco exagerado para um Pinot, mas notas de cravo agradáveis. Na boca tem um restinho de gás carbônico, boa acidez, taninos secantes, um pouco desintegrado, com amargor no final. É bom lembrar, no entanto, que a maioria destes vinhos ainda está no tanque, e nada prontos para beber.

Categoria: Tinto Fino Seco

11. CABERNET FRANC –Cooperativa Vinícola Aurora: muito fruta madura, bem intenso, ainda está no tanque, tem um excesso de concentração e está um pouco fechado. Na boca é liso, tem bons aninos, bom volume, acidez equilibrada com finalzinhoa amargo lembrando café.

12. CABERNET FRANC Vinícola Valmarino: outro Franc de muita concentração. Negro na cor, com bordas violáceas intensas, lindo no visual. Nariz muito exótico, lembrando pimenta malagueta, floral e geléia de jaboticaba. Na boca é rico, tem ótima acidez

13. MERLOT –Rasip Agropastoril : muito escuro e violáceo. Nariz lembrando banana, bem intenso, com notas de chocolate e alcoólico. Faltou a fruta. Na boca é bem liso, tem boa acidez, mas é muito tostado, carregado com taninos duros, alcoólico e amargo – bem desequilibrado no geral, mas o vinho ainda está nos tanques.

14. MERLOT Vinícola Miolo : Um cheiro de queijo no princípio, bem estranho. Depois abriram-se umas notas de chocolate amargo e café. Na boca é liso, tem boa acidez, taninos médios, não muito prontos, com finalzinho curto lembrando cacao.

15. ANCELLOTTA Catafesta Indústria de Vinhos: Cor totalmente negra. Tinha cheiro daquela bala de morango 7 belo, caramelo, floral e um pouco de couro. Na boca tinha frescor, um toque de acidez, o que faz dele um vinho gostoso, apesar do final curto.

16. TANNAT Vinícola Gheller: fechado, reduzido, lembrando chulé. Depois abre, mas não muito. Tem aromas queimados, de borracha e café. Na boca é redondo, tem uma textura doce, agradável, apesar de ser um pouco quente, com taninos jovens. Final tem comprimento médio. Promete, assim que tomar um pouco de oxigênio.

Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

Joaquim 2005


Interessante este Cabernet Sauvignon de santa catarina. Nariz discreto, nada exuberante, bem elegante, com um pouco de floral (confesso que tenho encontrado uns florais nos cabernet brasileiros), como se fossem aqueles sabonetes antigos, um cheiro de rosa, algo assim. Taninos bem fininhos, boa acidez, textura fininha, com um pouco de álcool sobrando no final, a boca fica quente. Sobra também madeira no retrogosto, tanto no sabor que se sobrepõe à fruta quanto na textura um pouco pegajosa e finalzinho amargo - o produtor poderia ter se mantido na linha frutada. Mas, no geral, agradável. Feito com Cabernet Sauvignon e Merlot e 10 meses em carvalho francês. R$ 62,00 em média. Pagaria uns R$ 35,00.

Terça-feira, 30 de Setembro de 2008

Viagem! Feriadão 15 novembro

Acabei de conhecer um pessoal de uma agência de viagens que se dedica a levar as pessoas por lugares mais vitivinícolas da Argentina, um pouco fora do roteiro turístico comum.
Como já comentei aqui, nada melhor que teoria e prática unidas para entender definitivamente o vinho. Um pouco de teoria no estilo: "acá producimos nuestros vinos, acá son las barricas, etc etc" e depois: prática, ou seja, tomar vinho.
Mendoza é definitivamente charmosa, assim como Buenos Aires, também incluída no pacote.
Imperdível pra quem gosta de vinho, comida e tudo o que está em volta destes prazeres.

Em vez de um guia turístico, um guia enófilo: ninguém menos que Walter Tommasi, degustador de vinhos e colunista da Vinho Magazine e do Jornal Vinho e Cia, guia a turma para as principais bodegas, na linha de Andeluna, Tapiz, O.Fournier, Vinícola Reyter e Família Zuccardi , sempre com almoços e degustações.
O preço do apê duplo é bem mais interessante que o single.. e afinal de contas, quem vai a uma viagem destas desacompanhado???


Serviço:
No pacote são 4 noites em Mendoza, no Hotel Park Hyatt Mendoza, e 3 noites em Buenos Aires, no Hotel Sofitel, incluindo: * Passagens aéreas: São Paulo / Buenos Aires / Mendoza / Buenos Aires / São Paulo;* Translados in-out;* City-tour;* 4 noites no Hotel Park Hyatt Mendoza;* 3 noites no Hotel Sofitel em Buenos Aires.

Preço por pessoa em apto duplo a partir de US$ 2.390,00E a partir de US$ 3.640,00 por pessoa em Single
Saída: 15 de novembro
Chegada: 22 de novembro
Forma de pagamento:À vista ou 40% de sinal no ato da reserva e o saldo em cartão Visa ou Mastercard em parcelas (preço calculado baseado em 14 participantes).
Mais informações: NOB HILL Tour OperatorTel: (11) 3473-9400www.nobhill.com.br

Sexta-feira, 26 de Setembro de 2008

ll Simpósio Internacional Vinho e Saúde

Estou em Bento Gonçalves neste semana para assistir ao II Simpósio Internacional Vinho e Saúde. Organizado pela Associação Brasileira de Enologia e com apoio da Embrapa uva e vinho, o simpósio acontece a cada dois anos. Neste ano traz pesquisadores de sete países que abordarão aspectos como o uso dos polifenóis do vinho na dermatologia e cosmética (Vinoterapia), propiedades antitumorais dos compostos do vinho, efeito antioxidante de elementos do vinho (reseveratrol) e, não apenas o lado bom, mas também por exemplo, substâncias do vinho que podem causar alergia e toxinas.
Benefícios do consumo de suco de uva e também serão abordados.

Nesta manhã tive a oportunidade de assistir a três brilhantes palestras. A primeira, com Morgane Pasini Franzoni , sobre a Vinoterapia, a segunda sobre Suvo de uva e estresse oxidativo, com Caroline Dani, da Universidade de Caxias do Sul e a terceira com a Dra. Isa Beatriz Noll sobre Toxinas e Alergêneos.

Terça-feira, 23 de Setembro de 2008

O Dagueneau morreu!


Nossa, que tristeza. Fiquei sabendo só hoje que o Didier Dagueneau morreu em um acidente de avião. Que droga!

Ele deu uma aula pra gente na escola de sommeliers do centro federal de pesquisas agronômicas, na Suíça, onde eu estudava.

Ele é o maior produtor de Pouilly Fumé, produtor dos mais incríveis Sauvignon Blanc do mundo, se não o melhor. Ele cultivava em biodinâmica desde 93 seus 11 hectares de vinhas.

Seu vinho mais conhecido é o Sílex, algo realmente difícil de descrever. Era produzido com uvas de vinhas velhas, de 35 a 65 anos plantadas em um solo com alto conteúdo de sílex. O vinho fermentava e depois envelhecia em barricas. Enfim, todo um cuidado.
O drama é pensar que ele não vai mais produzir vinhos nem assim, nem de outra forma...
luto.

Segunda-feira, 22 de Setembro de 2008

Tapas e vinhos em NY

Não, eu não briguei com meu marido aos tapas na nossa lua de mel. Refiro-me às tapas espanholas, o que poderíamos traduzir como "petiscos". No TiaPol (http://tiapol.com) comemos as mais deliciosas tapas espanholas no charmoso bairro de Chelsea, em NY.

Um cardápio incrível com elementos simples como linguicinha frita aromatizada com jerez ou mesmo azeitonas, até outros mais elaborados, como atum selado, recheado com uma pastinha de boquerones em vinagre e tapenade... bem delicioso.

Sobre os vinhos, incrível carta com espanhóis e várias taças a preços ótimos.
Tomamos Manzanilla la Cigarrera com azeitonas. Un Rueda chamado "Con Class" 2007 maravilhoso com amêndoas tostadas, um txacolina (vinho branco do país basco) também 2007 com o chorizo (linguicinha).
Partimos para os tintos e tomamos um Bierzo tinto chamado Peique, e um outro tinto Menguante da uva Garnacha, da região de Cariñena: biodinâmico e delicioso...
continuamos, mas confesso que parei de anotar...
Tia Pol
205, 10th Avenue - Chelsea - NY

Quinta-feira, 18 de Setembro de 2008

Château Pichon Longueville Comtesse de Lalande

Uau! acho que não cometi nenhum erro de grafia.. Difícil de escrever mas facilíssimo de tomar. Esteve aqui,na semana passada, a convite da importadora World Wine, Gildas d'Ollone, diretor do Château Pichon Longueville Comtesse de Lalande, de Pauillac, Bordeaux, França.

Começamos pelo Ch. Bernadotte 2004, de Haut Médoc, vinho mais "em conta" deles (R$ 120,00). Tem boa fruta no nariz, um poquinho reduzido, tinha um pouco de acetona e depois um trufado. Na boca é deliciosamente ácido e gostoso, apesar dos taninos ainda jóvens e nervosinhos. Mas com o carpaccio com molho de azeitonas pretas que foi servido ficou mais fácil.

O Reserve de la Comtesse, também 2004 (R$ 240,00) é, segundo d'Ollone, o vinho que leva a cara da casa, ou o que mantém seu estilo. Boa fruta no nariz, bem limpo, com notas de cravo e um toque alcoólico. Esse álcool, em boca, dá um excelente volume e comprimento, como se ajudasse a impregnar a boca e o nariz com todos os aromas. Taninos bem finos, pouca acidez e longo, muito sútil no final, bastante perfumado. Foi o melhor da tarde, mais pronto, melhor pra comer.

O Pichon 2004 (que vai custar por volta de R$ 600,00) tinha o nariz bem clássico, com fruta, canela, um pouco de maçã vermelha, toques de toffee, tudo ainda muito jovem. A boca ainda está difícil, não harmoniza com nada, mas com potencial claro.

Depois tomamos o Pichon 2001 de uma garrafa Magnum. O nariz estava mais fechado, mais apimentado, com menos fruta que o 2004. Depios apareceram uns florais, algo de lavanda (de sabão de lavanda, aqueles de avó) e incenso - tudo muito agradável. Na boca estava fino, taninos fininhos, excelente acidez, longo, com o álcool cumprindo perfeitamente sua função de "condutor" de aromas garganta abaixo, nariz acima...

Na minha modesta opinião, o Reserve foi o vinho que estava melhor ali, naquele momento: já pronto, combinando bem com comida, mas com ainda algum potencial de envelhecimento.

Terça-feira, 16 de Setembro de 2008

Vinhos de Nova Iorque

Como já disse pra vocês, estive em NY há pouco. Por lá provei várias comidas e bebidas, todas interessantes. Talvez a que mais me intrigou, por motivos óbvios, foi o vinho produzido no estado de Nova Iorque. Não o vinho em si, mas um bar com uma carta de mais de 200 rótulos produzidos única e exclusivamente no estado.

Seu nome: Vintage New York Wine Bar. Seu slogan: Drink Local ("beba local")

A produção de vinhos por lá se concentra nas regiões de Long Island, ilhota que se estica para depois do lado leste da cidade e Finger Lakes, uns lagos compridos que ficam lá no norte da região, fronteira com o Canadá.
A carta de vinhos deles tem uma série de "flights", ou seja, mini sequência de vinhos, que você escolhe o tema (geralmente é a uva) e eles te trazem 3 tipos.
Tomei uma série de cabernet sauvignon e realmente foi horrível. Todos super verdes, sem estrutura, magros, com taninos agressivos.

Por outro lado, tive a chance de tomar vários Riesling extremamente agradáveis. A maioria de Finger Lakes. Todos tinham o estilo mineral que esta uva consegue mostrar, tinham florais brancos delicados, perfumados, um pouco de frutas, tipo manga e maçã verde.
As marcas que eu achei mais interessantes foram:

Hermann J. Wiemer 2006
Lamoureaux Landing 2006
Shaw 2005 (gostei menos, mas era ok)

Detalhe apenas para o serviço: um lixo. O garçon que tinha acabado seu turno se sentou com a garçonete que estava comendo do meu lado no balcão e começou a tirar o sapato, as meias e limpar os dedos como se eu não estivesse sofrendo o suficiente com aqueles Cabernet Sauvignon.
482 Broome Street - SoHo

Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008

Safras do Periquita

Domingos Soares Franco, enólogo da Josè Maria da Fonseca e seu sobrinho António, diretor do Periquita, estão aqui em São Paulo para ver seus clientes de perto. Além de darem aulas aqui na escola, se encontram com sommeliers e visitam lojas. Degustamos Periquita 2004 e 2005 com cortes diferentes. ) 2004 tem 70% da uva Castelão (que tinha, por causa da marca do vinho, o nome Periquita), 20%de Aragonês e o resto em Trincadeira. Nariz frutado, com notinhas de framboesa, bem leve. Na boca é magro, levinho, tem taninos bem finos, boa sensação alcoólica, mas um pouco curto no final.

Já o 2005, com 85% de Castelão e 7,5% das outras duas tem um estrutura totalmente diferente. Muito mais o estilo Periquita pré 1999 (quando era 100% Castelão e eu gostava bem mais). No nariz é muito mais intenso, explosivo, demora mais para se abrir. Abre com bastantes fruta, uns aromas de ferrugem e maçã vermelha. Na boca é bem firme, tem uma acidez gostosa, delicada, ainda jovem, mas com excelente estrutura e eu me atreveria a dizer, com um potencial de envelhecimento. (Depois de provar um Periquita da década de 80 totalmente maravilhoso, comecei a pensar no potencial destes vinhos)

Degustamos o Reserva também. Um corte delicioso de 50% Castelão, 30 Touriga Nacional e 20 de Touriga Franca, a queridinha do Domingos. Começa fechado e abre para uns minerais, cinzas, depois uns florais e baunilha. Sinto de novo a maçã vermelha do Periquita 2005. Na boca tem muita estrutura, é bem firme, mas com volume médio, e muito jovem também. O final tem taninos ainda secantes e duros. Pra quem gosta de estrutura.

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Sexta-feira, 5 de Setembro de 2008

Agenda da Escola do Vinho

Conforme alguns leitores me pediram, vou deixar aqui postada a agenda da escola do vinho. Para visualizar, é só clicar na imagem.
Bom final de semana a todos e estão todos convidados a virem nos visitar!

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Quinta-feira, 4 de Setembro de 2008

É do Peru!



Aqui na minha escola do vinho tenho sorte de encontrar muita gente interessante. Esta semana, estamos recebendo o curso da Federação Italiana de Sommeliers, que tem como professor Roberto Rabacchino que, entre várias outras qualificações, foi duas vezes eleito melhor sommelier do mundo. Mas, além dele, estão os alunos, sempre figuras interessantíssimas que me dão prazer de sua visita. Neste edição, tive o prazer de conhecer Gladys Torres, sommelière peruana que vive na Itália, jornalista da imprensa agroalimentar da Itália e da revista Il Sommelier (www.ilsommelier.com) e esposa de Rabacchino.
E a sorte da sua presença foi que ela trouxe embaixo do braço um vinho do Peru. Degustei sem saber o que era e o nariz é bem interessante, com fruta, canela e alguns aromas de carne. Na boca, confesso, me pareceu um pouco rústico, talvez com taninos duros e sobrava uma certa madeira, uma doçura de canela - faltou frescor. Mas é bem interessante mesmo assim, saber que o Peru vem fazendo vinhos n região Sul do Peru, quase fronteira com o Chile. O clima não é parecido, no entanto. É mais quente e no inverno não faz frio. As uvas são Tannat e Petit Verdot. Bem interessante. O preço, apesar de não estar disponível no Brasil, é o equivalente a R$ 25,00.

Segunda-feira, 1 de Setembro de 2008

NY, NY o coreano

Nova Iorque é definitivamente o centro atual do mundo. E é lá mesmo onde o mundo todo se encontra. Chineses estão a uma avenida de distância dos italianos e os coreanos têm uma rua inteira só pra eles. É na 34, perto da Broadway onde opções não faltam para comer o famoso churrasco e outras especialidades coreanas.
Lá estávamos, prontos para nos defumarmos na fumaça de carvão que vem à mesa para que nós mesmos façamos nossas carnes. Um tipo de caixa de ferro vem à mesa, que tem um buraco também de ferro, cheia de carvão em chamas. Cada carne é preparada em diferentes superfícies: a de vaca numa chapa que vai sobre o carvão e a de porco numa grelha, também sobre o carvão.
Vários pratinhos de acompanhamentos: acelga, patas de carangueijos, pudim de feijão, muita alface (na hora de comer, eles colocam tudo dentro da folha e fazem tipo um "charutinho"), um suflê de ovos na panelinha de ferro, tudo muito, repito, MUITO apimentado.


A única coisa que pode possilvemente suportar todo esse calor é uma bebida bem alcoólica, servida bem gelada. Ficamos "na Coréia" na bebida também e pedimos uma garrafinha de Soju, um destilado de trigo, grãos e arroz. É incrível como estas comidas apimentadas ficam bem bebidas fortes. A bebida, alcoólica no começo, fica domada e quase docinha no contato com os molhos de sabor intenso.
Grande harmonização. Grande jantar!
Não se esqueçam, porém, que há ótimos coreanos aqui em SP também, para vocês provarema a harmonização. O Lua Palace, na Aclimação (Armando Ferrentini, 182) e o Cho Sun Ok, também na Aclimação, 502 1° andar

Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008

NY, NY o russo


Leitores, fui pra Nova York na minha lua de mel. Foi o máximo. Nada de nomes de chefs famosos. Fomos parando em lugares que não tínhamos a menor idéia de como seria. Então trago algumas dicas legais. Na primeira noite, fomos no mais exótico dos lugares - pelo menos pra nós. No Russian Tea Room, eu não vi nenhuma xícara de chá.
Todo o contrário. Ao chegar lá, optamos pela harmonização de caviar com vodka ( US$ 75,00). Três vodcas, três tipos de caviar. Eu lembro pouco dos nomes, e não anotei, o que é um erro fatal para mim. Mas do que lembro, a primeira vodka era a ciroc, de uva, sabor muito intenso e combinou pouco com os sabores das ovinhas. A segunda era uma orgânica, mas não me lembro o nome, excelente, suave. E a terceira era uma chamada Russian Standard, bem limpa e gostosa. Os blinis vieram quentinhos e cheirosos e as ovas fresquinhas. Não vou pôr o nome de todas aqui, entrando no site deles vocês têm todos os menus, o de coquetéis, das comidas, das vodkas, etc. De todas as maneiras, a segunda vodka, de trigo, foi a que mais combinou com os três. A dica é tomar goles muito pequenos. Fica uma delícia.



Serviço impecável, decoração pra lá de exótica (como vocês podem ver na foto), valeu muito a pena. O Guy, maridão, comeu umas vieiras absolutamente maravilhosas, com crosta de bacon e mostarda, e eu comi um esturjão crocante por fora e molhadinho por dentro, , não menos esplêndido. O site deles é o máximo, tem toda a informação, a carta de vodkas, de pratos - ou seja, tudo pra ficar com vontade de ir. Visitem se puderem. E os preços estão melhores que o de São Paulo (onde por aqui comemos 3 tipos de caviar com três tipos de vodka por menos de R$ 120,00?) www.russiantearoomnyc.com/

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Terça-feira, 26 de Agosto de 2008

Mais agenda.

Leitores, queridos. Desculpem o sumiço, eu estava em lua de mel. E, como fui para NY, trouxe um milhão de novidades. Enquanto as organizo, deixo aqui postado um convite para um evento bem legal que a importadora Zahil traz ao Brasil. Beijos! (para visualizar o convite, é só clicar na imagem!)


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Segunda-feira, 18 de Agosto de 2008

Casamento, vinho kosher e o tempo


Ao me casar, no último sábado, ganhei do meu sogro uma garrafa de vinho israelense, da vinícola Carmel, que havia sido comprado no dia do Brit Milá do meu marido, ou seja, no dia da circuncisão dele. Isto significa que o vinho tem 25anos.
Mas, aqui vem o mais complicado: é um vinho feito com a uva concorde, ou seja, não vinífera, o que, teoricamente, deixa claro que o vinho não aguentaria tantos anos.
É um daqueles vinhos doces kosher, geralmente conhecidos pela sua doçura que beira o desagradável.
É claro que, ao recebê-lo fiquei, emocionada. Mas teríamos que bebê-lo! Depois de muito enrolar, decidi abri-lo com as famílias. O vinho nem tinha rolha, só uma cápsula (o que também é comum neste tipo de vinho)..... e aí....
A cor dele era marrom escuro, quase negro, como uma coca cola sem gás. O nariz estava obviamente oxidado, com notas de aceto balsâmico. Eu não consegui deixar de achá-lo interessante, ou, no mínimo, emocionante.
Fiquei pensando nas vinhas naquele ano em Israel, o sol batendo nelas, o vinho sendo produzido, o pai comprando o vinho justamente para o casamento do filho (que provavelmente ele jamais imaginou que aconteceria numa noite iluminada pela lua cheia - com um breve momento de interrupção de luz pelo eclipse - na praia da Baleia, no Brasil...)

Agora estávamos ali, as duas famílias de duas culturas tão diferentes em volta daquela garrafa. E, apesar de toda a oxidação, de todo o cansaço do vinho, ele tinha uns cheirinhos gostosos, não de fruta, mas de castanhas portuguesas afundadas em aceto balsâmico, ou algo assim.... E na boca. Ai, na boca... na boca era doce. Mas já não aquele doce plano dos vinho ruins kohser. Estava absolutamente delicioso, de uma doçura gentil, quente, gostosa, melada, mas fresca, com gosto de tempo de espera, de algo que se quer muito, de um desenvolvimento que, apesar de seus defeitinhos, tem um fundo quentinho, e um gosto de surpresa boa.
Parecia um jerez muito velho, toques de oxidação, doçura viva na boca e um final que lembrava nozes.
Taí um exemplo de vinho que simplesmente desafia todas as nossas teorias sobre como deve ser um vinho para envelhecer ou, simplesmente, de o que é um vinho bom.

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