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Quarta-feira, 23 de Julho de 2008

Hamburgo - primeiras impressoes





Levei pelo menos 24 horas para, enfim, tomar o primeiro copo de cerveja em Hamburgo. Na segunda-feira, dia em que cheguei à cidade (perdoem a acentuacao errada, mas nao sei configurar o teclado do computador para o portugues), nao quis saber de sair durante o dia. Fiquei babando sobre meu sobrinho Torben, que nasceu há dois meses e pouco.



À noite, caminhei pela vizinhanca. Minha irma nao poderia morar num lugar mais representativo do que é esta cidade: vive num apartamento no bairro de St. Pauli, a dois quarteiroes do rio Elba. O belo prédio de tijolos à vista em que fica o apê, aliás, foi sede da cervejaria Astra. Sinto-me como se estivesse entre a Vila Madalena (St. Pauli) e Puerto Madero (o cais cheio de cafes, mas nada charmosos, na margem do rio). A Reeperbahn está a 3 minutos deste computador, com suas dezenas de bares, cafés e sex shops. Essa rua, conta-me meu cunhado, é a mais famosa da Alemanha, por sua história ligada à boemia, público punk e suspeito.



St. Pauli tem um time do coracao, St. Pauli, que já chegou a disputar a Bundesliga, mas há anos nao sai da segunda divisao. Seu estádio é acanhado, e um meio-termo entre a Rua Javari e o Canindé. Por isso, é inevitável a comparacao desse clube com a Lusa ou o Juventus. É o primeiro time de alguns locais e o segundo no coracao de todos por aqui. Semana passada, para comemorar a inauguracao de uma nova ala do estádio, jogou um amistoso contra a forte selecao de Cuba. Ganhou de 7 a 0…



A primeira cerveja, eu dizia, tomei só ontem, mas nao em St. Pauli. Durante um passeio pela regiao do porto, esticamos até o bairro Português e sentamos numa mesinha na calcada em frente ao bar Rei dos Presuntos. O garcom iraniano que falava português serviu-me uma tulipa de Holsen, uma marca local. É uma cerveja amarga, mas nao tanto quanto a Astra (da qual tomei duas garrafinhas ontem à noite, em casa) nem como a Jever, originária da cidade de… Jever. Aqui é fato comum que cada cidadezinha ou bairro tenha uma bebida com seu próprio nome.



Provei a Jever ontem à noite no bar Jimmy Elsass, que fica numa esquina do bairro de Sternschanze, com suas confortáveis casas de dois ou três andares. A Jever tem sabor de malte tostado, lembrou-me amendoim – tem algumas garrafinhas na geladeira, mais tarde vou tirar a prova par ater certeza se é isso mesmo.



Esse aconchegante bar, que parece ma taverna, é especializado em flammkucher, uma espécie de aperitivo alsaciano que lembra uma pizza de massa ultrafina. Pode ter, portanto, diferentes coberturas. Escolhi queijo de cabra com presunto da floresta negra e, para acompanhar, um vinho genérico da uva riesling, seco e que fez bom papel.



Na volta para casa, caminhamos uns 40 minutos. Em seu carrinho, o pequeno Torben vinha dormindo enquanto o pai cantava uma versao daquelas cancoes que turmas de amigos boêmios adoram entoar, que dizia mais ou menos assim: “Nao existe cerveja em Sao Paulo… Nao existe cerveja em Sao Paulo…“



Tudo bem que estamos na Alemanha, mas daqui a uns dezoito anos o pequeno Torben poderá ver que seu pai está um tanto equivocado.

Segunda-feira, 21 de Julho de 2008

De hannover para Hamburgo



A partir deste momento, o blogueiro entra em férias e retorna ao trabalho no dia 18 de agosto próximo.

Nesse meio tempo, tentará postar alguns textos dos bares que encontrar pelo percurso entre Hamburgo, Berlim, Praga, Piemonte e outras paragens. Quando possível, acrescentará fotos.

Antes, porém, vale dizer que a saideira aconteceu, apropriadamente, no Zur Alten Mühle, taverna na qual é possível tomar um dos três ou quatro melhores e mais bem tirados chopes de São Paulo.

Acomodei-me numa mesinha de canto porque o balcão estava cheio, mas gostei de observar o lugar por essa perspectiva diferente. Fazia mais de ano, certamente, que não me sentia acolhido por aquele ambiente de sotaque e ar montanheses, com ripas de madeira maciça no teto e nas colunas.

Pratos alemães, sopas e delícias como a porção de bolinhos de carne com gorgonzola estão no cardápio que, entre as bebidas, traz outras opções além do chope. Mas chope é o que você deve pedir. Com pressão e temperatura equilibrado, o líquido vira brilhando até você dentro de um copo do tipo hannover, aquele mais bojudo e que tem pezinho.

Bis später!

Zur Alten Mühle
Rua Princesa Isabel, 102
Brooklin, tel. (11) 5044-4669.

Quinta-feira, 17 de Julho de 2008

Três gotas são três gotas são três gotas



“Por que seus dry martini são sempre idênticos?”, perguntaram certa vez ao lendário barman Harry Craddock, do The Savoy Hotel, em Londres. Ele respondeu: “Porque há vinte anos minha garrafa de vermute é a mesma.”


Se este diálogo octagenário aconteceu mesmo ou não, eu não sei. Mas dá para ter uma idéia da longevidade de uma garrafa de vermute na prateleira de um bar. Se um dry martini leva 100 mililitros de gim, três gotas de vermute é o máximo que uma taça deve ter desse ingrediente.


Pois no Dry, a primeira garrafa de Noilly Prat se foi após 4 meses. Pelas minhas contas, o grande Kascão, barman desse bar instalado na esquina da Padre João Manuel com a Tietê, preparou no período 5 000 dry martini. Kascão, como todos os grandes barmen, costumam pingar 3 gotas de vermute para completar o drinque mais famoso do mundo.


Para calcular o volume de uma gota de vermute, fiz uma experiência muito simples: desci ao ambulatório do edifício da Editora Abril e pedi à enfermeira que introduzisse três gotas de um remédio qualquer em uma seringa de aplicação de insulina, de 1 mililitro. Verifiquei que as três gotas alcançaram 0,13 mililitro. Considerando uma margem de erro, arredondei para 0,15 mililitro, o que dá 0,05 mililitro por gota. Como o conteúdo líquido de uma garrafa do vermute Noilly Prat é de 750 mililitros e uma gota de vermute tem 0,05 mililitro, logo, em uma garrafa há 15 000 gotas de Noilly Prat.


Ou seja, 5 000 dry martinis em 4 meses é muita coisa. Mestre Derivan, barman do Esch Café e a maior autoridade em coquetelaria no Brasil, garante que sua garrafa de vermute, que está meio cheia e meio vazia, é a mesma há mais de um ano. Ele também pinga três gotas no seu drinque, assim como Souza, que só abriu a segunda garrafa no Veloso depois de três anos.


Existe um provérbio, conta-me aliás o Souza, segundo o qual um apreciador de dry martini deve ter em sua casa uma garrafa de um bom gim e outra de um bom vermute – o conteúdo dessa última, porém, jamais deve chegar ao fim.


Kascão e seus dry martini não são as únicas atrações do Dry. Na verdade, sua genialidade se revela na criação do baby dry, versão miniaturizada do drinque mais famoso do mundo. Com o perdão da palavra, e em tempos de lei seca, esse negócio é um veneno. Dias atrás, uma segunda-feira, eu e meu amigo Fabrício perdemos a conta de quantas doses tomamos – o meu prejuízo, por exemplo, bateu nos três dígitos. Se cada baby dry sai a R$ 17,00... sim, tomei seis baby (céus!).


Roberto Suplicy, um dos sócios do bar, não se limita a ser um anfitrião. Sentado num canto do balcão, o velho boêmio diverte-se manipulando o mixer de I-Pod que trouxe de Miami – sim, se você levar o seu no bolso, pode atacar de DJ. (Valeu, Fabra, pelo bis de Over The Hills and Farway...) Rocha, o fiel escudeiro de Roberto e ex-barman do Supremo, hábil preparador de manhattan, é quem divide o balcão com Kascão, sempre impecável sob seu summer jacket e camisa de piquê.


A menos que você não abra mão de se acomodar numa mesa, ou que esteja acompanhado ou queira encontrar belas companhias, deve entrar, pegar sua comanda e parar no balcão. É verdade que a zoeira acontece mesmo lá mais para o fundo do bar, capitaneada por habitués como modeletes, boyzinhos e Pereios. Mas para quem andava órfão, como eu, de um bom balcão para pensar na vida, o do Dry vale pelo conforto de um colo.


Dry. Rua Padre João Manuel, 700, Jardim Paulista, tel. (11) 3729-6653.

Segunda-feira, 14 de Julho de 2008

A garçonete Supersincera

“Esse risoto? Hummm... Não é gostoso, não! Melhor pedir outra coisa.”


Até a tarde de ontem, não me lembro de ter ouvido, de um garçom, um comentário tão franco quanto esse. Pois foi isso mesmo que me disse a garçonete do Girassol do Alentejo, enquanto eu examinava o cardápio da casa, um restaurante de ambiente despojado, com 7 ou 8 mesinhas num salão que parece ocupar o que um dia foi a garagem de uma residência da Vila Madalena.


Quando visito um estabelecimento pela primeira vez, tento observar o que as pessoas nas mesas mais próximas estão consumindo, a fim de saber, por exemplo, quais são os pratos ou bebidas mais legais da casa. Em seguida, com uma expressão de dúvida, peço ao garçom ou ao maître para me sugerir alguma coisa que seja a marca registrada do lugar, ou o petisco mais gostoso. E, não raro, esse cidadão aponta o dedo bem na direção do item mais caro do cardápio. Pronto: quando isso acontece vai-se embora metade da minha boa-vontade, começo a desconfiar que o cara quer me empurrar logo o que há de mais caro, a fim de faturar um troquinho extra no serviço.


Fato raríssimo, infelizmente, é ouvir do garçom uma verdade tão verdadeira quanto a da Supersincera – não vou dizer seu nome sob pena de, sei lá, levar uma bronca de sua patroa por conta de sua supersinceridade.


Essa mesma figura, aliás, disse-me que o chef português Paulo Mateus já não estava mais à frente do negócio. Ele havia fundado a casa na Rua Girassol uns quatro anos atrás, época em que servia pratos com bacalhau a preços muito justos. “Ele era competente, mas não tenho saudade nenhuma. Era um patrão difícil...”, prosseguiu a Supersincera.


Na cozinha agora está o chef Reginaldo, que foi treinado por Mateus. Decepcionei-me com o arroz de pato, muito seco (R$ 28,00), mas quase não consegui parar de comer os bolinhos de bacalhau (R$ 15,00 a porção com 8 unidades mais 2 copos de chope Brahma, ruinzinho).


Os bolinhos, aliás, tinham sabor e textura mais parecidos com os das pataniscas, quitutes fritos que levam bacalhau, batatas e farinha de trigo. A Supersincera garantiu que o chef preparava a massa ali naquela hora, pois o estoque do dia havia acabado. Como estavam deliciosos, eu acreditei.


Girassol do Alentejo. Rua Wisard, 261-A, Vila Madalena, tel. (11) 3814-7710.

Sexta-feira, 11 de Julho de 2008

Botecos universais



Passei cinco dias da semana retrasada em Campinas, onde pude conhecer os melhores bares, restaurantes e casas de comidinhas locais. Ontem retornei à cidade para o evento de lançamento da quinta edição anual de Veja Campinas, que, aliás, chega às bancas neste sábado.


Não mais que uma hora de estrada separam São Paulo e a cidade que, pela primeira vez, pude explorar com alguma calma. Hospedei-me próximo ao Bosque dos Jequitibás, um míni Parque da Água Branca ao qual fugi em três fins de tarde. Corri em meio a cotias livres pelas alamedas e pude ouvir, de onde quer que estivesse, o rugido da leoa enquanto o maridão dormia o sono dos felinos. Caminhei muito pelo bairro do Cambuí – os Jardins de lá – e pelo centro.


Nesse perímetro está um dos dois botecos universais de Campinas. O outro fica no Taquaral, região norte. Esse conceito um tanto megalomaníaco e abstrato é inspirado numa lista que o globetrotter David Drew Zingg fez, em sua coluna da revista Playboy em abril de 2000, com os melhores bares do mundo. No rol de tio Dave estavam lado a lado, por exemplo, o Bofinger, que para os pragmáticos é uma brasserie, na Bastille, em Paris, e o Bar Léo.


“Quando o velho bebedor de cerveja Tio Dave bater as botas, ele espera que seu espírito seja enviado para o Bar Léo. Ali, ele tem certeza, será feliz para todo o sempre”, disse.


Em minha opinião, tio Dave quis dizer o seguinte: “para um bar pertencer a esta lista ou ser chamado como tal, seu balcão, seu barman, sua cerveja, seus petiscos ou seus drinques devem ter uma verdade, uma alma, um selo de qualidade incomensurável, um elo que os una e que os torne como que integrantes de uma confraria intangível.”


O que há de comum, por exemplo, entre o Léo e o Bofinger? É algo inexplicável, que somente horas e horas gastas em um balcão de bar trarão a explicação.


Pois em Campinas, eu dizia, há pelo menos dois botecos universais. São eles o Nosso Bar (que nome maravilhoso!) e o Bar do Cação.


O primeiro foi eleito o melhor bar de happy hour da cidade. Fica num corredor lateral do Mercado Campineiro, tem um cardápio com cerca de 160 cervejas, além de uns 50 vinhos na carta, e não mais que um balcão em formato de L para que o público se acomode. Faça o que for possível para sentar-se numa das banquetas, reserve um minuto de silêncio, peça uma caneca de Krombacher (peça duas e ganhe a terceira) e você vai entender o que David Zingg quis dizer.


O Bar do Cação, ou Cação Chopperia, tem aquele ar pueril das manhãs de sábado, quando muitas vezes uma Coca-Cola cai melhor do que a primeira dose do dia. Giulio, o filho do fundador e atual administrador do local, é uma espécie de devoto. Entre o balcão e as mesas, recebendo muito bem quem chega à sua casa, ele está lá todos os dias, servindo chope e camarão empanado aos fregueses, religiosamente.

Cação Chopperia. Avenida Armando Sales de Oliveira, 55, Taquaral, tel. (19) 3255-7346.

Nosso Bar. Rua Barão de Jaguará, 988, boxe 2 (Mercado Campineiro), centro, tel. (19) 3233-9498.

Quinta-feira, 10 de Julho de 2008

Meu dia de barman




Na imagem acima, da esquerda para a direita, estão minha mãe, sua amiga Beth e José Bispo Clementino dos Santos, o Jamelão. Esta foto foi clicada cerca de dois anos atrás, na minha casa.


Era um domingo e eu acordei com vontade de fazer uma moqueca. Convidei meia dúzia de amigos e, após a confirmação da presença deles, segui para o Mercado Municipal para comprar uns camarões.

No caminho de volta para casa, meu celular tocou. Era Airton, meu amigo, respondendo tardiamente à convocação: “estarei lá, sim, mas posso levar um amigo?”

Confesso que fiquei contrariado porque tinha calculado mais ou menos a quantidade de camarão conforme o número de presentes.

Enquanto eu preparava a moqueca, as pessoas começaram a chegar. Até que o porteiro informou da chegada do Airton.

Quando abri a porta para recebê-lo, à sua frente estava Jamelão. “Este aqui é que é meu amigo, tudo certo?” Desconcertado, recebi a dupla rapidamente, pois tinha de voltar ao fogão. A saber: o Airton era uma espécie de cicerone do sambista em São Paulo, que na época se apresentava toda quarta-feira no Bar Brahma.

Assim que Jamelão acomodou-se num canto da mesa, foi-lhe oferecida uma bebida. Entre cerveja, cachaça e uísque, quis tomar... caipirinha.

Repare, leitor, no copo vazio à frente dele. Sim, banquei o barman e arrisquei. Na hora, só conseguia lembrar das dicas de barmen como Derivan (do Esch Cafe) e Souza (do Veloso): 1. corte o limão em dois, num lance longitudinal; 2. retire a membrana que atravessa a fruta e que a torna mais amarga; 3. fatie; 4. jogue uma colher (sopa) de açúcar e macere mais com jeito do que com força; 5. encha de gelo e complete com cachaça.

Jamelão, aos 92 anos, tomou 4 dessas naquela tarde. Acho que acertei a mão.

Bar Brahma. Avenida São João, 677, Centro, tel. (11) 3333-0855.

Esch Cafe. Alameda Lorena, 1899, Jardim Paulista, tel. (11) 3062-2285.

Veloso. Rua Coneceição Veloso, 56, Vila Mariana, tel. (11) 5572-0254.

Segunda-feira, 7 de Julho de 2008

O kebab, de novo




Conforme prometi num post anterior, dias atrás voltei ao Kebab Salonu.

Havia passado por lá em abril, a caminho do Espaço Unibanco de Cinema, que é vizinho, e esperava apenas comer um kebab no balcão mesmo, como é comum em muitas cidades da Europa, enquanto aguardaria a hora de seguir para a sala. Só que o maître me disse que ali não, que só atendiam os clientes à mesa.

Como tudo que chega de fora recebe uma certa ‘abrasileirada’, imaginei que, bom, criamos a kebaberia-chique. Gentilmente, porém, dias depois o leitor Ricardo Amaral, que é irmão do chef e dono do Kebab Salonu, deixou um comentário neste blog explicando que a proposta da casa difere daquela que eu esperava, que o Kebab Salonu era mais uma brasserie que uma kebaberia de rua.

De fato, a casa instalada no mesmo endereço em que existiu o saudoso bar Longchamp, tem ambiente confortável, com paredes coloridas e iluminação indireta. Paredes vazadas e divisórias criam a sensação de que há algumas saletas reservadas, ideais para um programa de casalzinho.

Acomodei-me no fundo, pedi um kebab de kafta (R$ 18,00) e uma cerveja Xingu (R$ 5,00). Depois de 25 minutos de espera – a carne é grelhada na hora, daí, a demora numa noite em que a maior parte das mesas estava livre – meu pedido chegou.

Enrolado no pão pita como qualquer outro kebab, o do Salonu é enorme, um exagero de grande. Enquanto o molho e a folha de alface – gelada – caíam sobre minhas mãos, tive a sensação de estar comendo aqueles hambúrgueres indomáveis que, de tão grandes, acabam lambrecando o comensal até os cotovelos. Sinceramente, acho que poderia ser menor – como diz o melhor açougueiro do mundo, no excelente livro 'Calor', de Bill Buford, quando o assunto é carne, "menos é mais". Achei que a carne estava um pouco ressecada, na verdade, mas os temperos estavam legais.

Na hora de pedir a conta, uma chateação: eu teria de pagá-la diretamente no caixa. Sobre o valor total, a casa cobrou os 10% de serviço. OK, fui atendido na mesa, mas tive de me levantar para pagar. Não seria justo deixar só 5%?

Kebab Salonu. Rua Augusta, 1416, Consolação, tel. (11) 3283-0890.

Sexta-feira, 27 de Junho de 2008

Dois hambúrgueres na madrugada fria


Pegando carona na nota que Beto Ranieri postou em seu blog aqui no Portal Veja São Paulo, em que ele falava do Bar Balcão como um dos refúgios paulistanos para um lanche no fim de noite, dias atrás sai da redação por volta das 2 da manhã com uma vontade danada de comer alguma coisa no caminho de casa.

Não queria desviar para a Vila Madalena, por isso segui para o Teta Jazz Bar. O Guilhes, meu chapa aqui da redação e sósia do Jack Black, havia saído umas duas horas antes de mim, dizendo que passaria por lá para tomar a saideira.

Arrisquei e de fato deu tempo de tomar dois copos de chope com o Guilhes e ainda pedir um cheeseburguer bem sarado, com bife alto e queijo bem derretido.

Por falar no Teta, este é um do bares mais acolhedores da região de Pinheiros ao qual eu voltava depois de uns dois anos. Fica de frente para o Cemitério São Paulo, tem uma atmosfera de pub (o balcão e ótima opção para se acomodar, caso você esteja sozinho) e no ambiente do fundo rolam shows e sensacionais jam sessions de jazz.

De volta ao Balcão, duas semanas atrás consegui me acomodar num dos vértices daquele fabuloso móvel em formato zigue-zague, que obviamente empresta o nome ao bar. Fabuloso não só por conta de seu design, mas também por ser um dos pontos mais democráticos da cidade, já que mesmo que você esteja sozinho, sempre vai ter alguém ao seu lado ou a sua frente disposto a bater um papo enquanto toma um chopinho (bem que a casa poderia trocar o copo, quem sabe um rabo de peixe?) ou uma das caipirinhas feitas pelo barman Jonas.

E como bem lembrou o Beto Ranieri, da cozinha saem mesmo coisas muito boas. Desta vez não pedi o sanduba de pastrami – arrisco dizer que é um clássico da casa – mas novamente encarei um hambúrguer com um delicioso molho de gorgonzola caindo sobre a carne, que estava tostada por fora e bem rósea, úmida, por dentro.

Dois hambúrgueres numa noite fria. Quem topa?

Balcão. Rua Melo Alves, 150, Jardim Paulista, tel. (11) 3063-6091.
Teta. Rua Cardeal Arcoverde, 1265, Pinheiros, tel. (11) 3031-1641.

Terça-feira, 24 de Junho de 2008

De volta ao Recife I



Até a noite de sexta-feira passada, eu não havia decidido o que fazer no fim de semana, conforme escrevi duas notas abaixo – aliás, agradeço ao leitor (ou leitora?) Mesa Para 1 por sua dica para que eu conhecesse o Capibar; pena que só tenha lido o comentário ontem.

De carona com meu amigo Carlinhos, naquele dia segui para o Fiteiro (foto), eleito o melhor boteco pelo júri de Veja Recife.

No meio do caminho entre Boa Viagem e a Tamarineira, bairro em que está localizado o Fiteiro, passei pela área de Brasília Teimosa, no Pina. Sem exagero, digo que é dessa favela – sim, favela – que se tem o entardecer mais sensacional de Recife.

É atravessando seus becos – e uma avenida que foi aberta nos últimos anos no lugar em que existiam palafitas – que se chega à Casa de Banhos, este sim, pensando bem, o melhor lugar para ver o Sol se pôr. Fica num dique entre o rio e o mar. Não foi bem só esse pôr-do-sol, mas também a cerveja gelada, as companhias de então, o caldinho de sururu, que me fizeram perder um vôo de volta, nove anos atrás... Tive de pegar um seguinte, descer no Rio e de lá seguir num ônibus para São Paulo, pois já era tarde da noite. Nem me lembro que justificativa dei ao chefe pelo vacilo mas, assim como agora, estava viajando a trabalho.

Desta vez perdi o entardecer, mas vi a Lua nascer e tornar-se cheia, amarela, matadora, ali no Pina, como dizia, a caminho do Fiteiro, onde mais tarde iria encontrar Emerson, Lena e Carol. Esse botecaço funciona num casarão dos anos 40 ou 50, de frente para uma praça que, imagino, foi bucólica algum dia, talvez no tempo em que no casarão simplesmente morava uma família.

Abri os trabalhos com o bom caldinho de feijão temperado por charque e ovo de codorna, que vem acompanhado de torresmo. Depois encarei um minissanduíche de pernil, seguido de uns pedaços de queijo-de-coalho.

De lá, eu e meus amigos voltamos para Boa Viagem e paramos no Boteco Maxime, que tem a melhor happy hour da cidade, na opinião dos jurados de Veja Recife. Não tenho como concordar nem como discordar disso, até por que chegamos ali por volta das onze da noite.

Mas o Boteco Maxime tem como irmão mais velho o Boteco, como tal faz a linha boteco-chique, pé limpo como dizem os cariocas, e serve um chope redondinho. Difícil resistir – e eu não resisti – às constantes ofertas dos garçons, que circulam pelo salão e pela área externa levando bandejas lotadas de coxinhas de caranguejo, empadinhas, bolinhos de bacalhau e de macaxeira com camarão.

Mas o melhor de tudo, obviamente, é que fica de frente para o mar e para a brisa de Boa Viagem.

Boteco Maxime. Avenida Boa Viagem, 21, Boa Viagem, Recife, tel. (81) 3465-1491.

Casa de Banhos. Arrecifes do Porto do Recife, quilômetro 1, Brasília Teimosa, Pina, Recife, tel. (81) 3075-8776.

Fiteiro. Rua Afonso Celso, 264, Tamarineira, Recife, tel. (81) 3442-4799.

PS: um bar que tem um poético endereço como “Arrecifes do Porto do Recife” só pode ser mesmo sensacional

Segunda-feira, 23 de Junho de 2008

Cachaça com sobrenome

Uma semana atrás, no restaurante A Figueira Rubaiyat, reuniram-se o barman Pereira, do Astor, o restaurateur Belarmino Iglesias e Carlos Cabral, expert em vinho do Porto. A missão do trio – na verdade um quarteto, pois a composição final teve a participação do cachacier Mauricio Maia – era preparar o blend especial da Cachaça da Tulha Edição Única 2008.

Sob a orientação do químico Erwin Weimann, eles testaram diversas combinações de cachaça envelhecidas em diferentes tipos de madeira, como carvalho e bálsamo.

Daqui a pouco, no Pirajá, será lançada oficialmente a versão final da Cachaça da Tulha elaborada por Pereira, Cabral, Maia e Iglesias. O blend compõe-se de 70% de cachaça-base envelhecida em carvalho europeu por três anos e 6 meses em tonel de amburana; 15% de aguardente envelhecida no bálsamo, 10% em jequitibá e 5% em carvalho americano.

Esse período em que a cachaça fica armazenada em madeira garante a presença de aromas, cores e sabores na bebida. No caso da Cachaça da Tulha Edição Única 2008, obviamente o alto percentual de carvalho europeu – o mesmo tipo de madeira utilizado para envelhecer o uísque – deve conferir, numa degustação, certa lembrança desse outro destilado.

A amburana, por sua vez, pode ser usada para equilibrar a acidez e suavizar o teor alcoólico. A passagem pelo bálsamo confere características contrárias, deixando o líquido com gosto mais forte. Já o jequitibá disfarça o gosto de bagaço de cana – muito comum nas pingas mais simples. O pequeno percentual de carvalho americano, imagino, deve deixar a cachaça com uma cor próxima à do rum.

A quem quiser experimentar a cachaça – que teve a primeira edição única em 2007 – vai a dica: somente 2 500 garrafas serão produzidas e vendidas a R$ 90,00.

Lançamento da cachaça da Tulha – Edição Única 2008. Pirajá. Avenida Brigadeiro Faria Lima, 64, Pinheiros, tel. (11) 3815-6881.