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Segunda-feira, 6 de Agosto de 2007

Dois irmãos



Era pouco mais de meio-dia, de um dia muito bonito, ensolarado como foi o sábado passado, aliás, quando cheguei ao Bar Léo. Como previa, a calçada estava repleta de gente e não havia uma só mesa disponível. Driblei a muvuca, desviei-me do China, o garçom baixinho e ligeiro que corria segurando vários copos ao mesmo tempo, e encontrei 30 centímetros livres no balcão, bem em frente à vitrina na qual são expostos os canapés montados pelo seu Luís. Esse espaço foi suficiente para que em menos de dois minutos uma caldeireta repleta de chope (R$ 4,40) se materializasse à minha frente, com o líquido e o colarinho formando aquela onda uniforme e perfeita no copo.
Desnecessário dizer que o Bar Léo é a grande referência paulistana quando o assunto é chope. Cada viagem ao bar na esquina das ruas Aurora e dos Andradas é um evento. O zunzunzum faz parte, puxar conversa com o vizinho de balcão faz parte, o canapé blumenau e o bolinho de bacalhau (R$ 4,00), servido somente às quartas e sábados, também. Até a aquiescência dos casais à regra que proíbe o beijo na boca, ali dentro, faz parte... Mas, voltando à bebida: prefira o chope da máquina da direita, a que fica mais perto da porta e é operada pelo Fernando. É que a bebida tirada da chopeira que está na outra ponta do balcão nem sempre sai perfeita.
Dois chopes depois – nunca bebi tão pouco neste lugar... –, deixei o Léo em direção ao Bar Barão, na Rua Barão de Duprat. Para resumir, o Barão foi fundado em 1968 pelo Leopoldo Urban, o mesmo que criou o Bar Léo. E aqui vai um parêntese: toda vez que vou ao Léo, estico para o Barão. E toda vez que vou ao Barão, sigo para o Léo. Afinal, não seria cortês visitar apenas um dos bares-irmãos, certo?
O chope (R$ 3,80) do Barão mantém idêntico padrão de excelência ao do Léo mas, ali, sempre haverá uma mesa à sua espera. No Barão o ritmo é outro, mais tranqüilo. Companhia indispensável para a bebida é o bolinho de carne, de casca sequinha e recheio bem úmido. Uma delícia!
No Barão, lamento apenas a troca das caldeiretas de vidro fino por aquelas mais grossas nas quais se vê o logotipo da Brahma. Pode parecer preciosismo, mas a espessura do vidro faz toda a diferença, nem que seja psicológica: copo leve = chope leve; logo, posso tomar mais chope antes que a cabeça pese. Faz sentido.

Bar Barão. Rua Barão de Duprat, 561, centro, tel. 3227-9687. 11h/23h (sáb. 10h/20h; fecha dom.).

Bar Léo. Rua Aurora, 100, Santa Ifigênia, tel. 3221-0247. 10h45/20h30 (sáb. até 16h; fecha dom.). www.barleo.com.br

Quinta-feira, 28 de Junho de 2007

Muitos arais

A tarde de sábado é o melhor período da semana para botecar.
Digo isso com conhecimento de causa: minhas sagradas manhãs do sabadão, das 10 ao meio-dia, são dedicadas ao futebol com os amigos, amigos dos tempos de colégio, no Pari - aliás, o Pari tem uma cultura gastronômica que ainda há de ser descoberta. Vou falar muito dela aqui.
Pois bem, do campinho, costumamos seguir diretamente para a barraca de coco do Sorriso. E ali decidimos, afinal, onde vamos botecar. Normalmente botecamos até o fim de tarde, por umas duas, três horas. Nesse período, os bares ainda não estão lotados, conseguimos parar o carro na rua sem ter de recorrer aos famigerados manobristas e flanelinhas, e ainda voltamos para casa a tempo de tirar aquele cochilo restaurador, entre 6 e 8 da noite, horário em que nada de bom acontece nesta cidade, convenhamos... Depois desse sono restaurador, apenas uma dúvida nos aflige: o que vai ser da noite de sábado?
Para estrear esta seção, é justo que eu fale de um endereço no... Pari. Anteontem, o destino da botecagem foi o Carlinhos (Rua Rio Bonito, 1641, tel. 3315-9474), bar-restaurante família que, recentemente, foi ampliado. A casa é famosa por conta das carnes - picanha fatiada e fraldinha -, servidas com tomate e cebola assados. Não digo que você deva dispensar as carnes, mas terá sido um grande equívoco se não comer o arais, uma criação do próprio Carlinhos, armênio de nascimento. É uma espécie de sanduíche de pão sírio prensado na chapa, recheado com cafta. O pão vem quentinho, crocante, e a carne, entre mal-passada e ao ponto. Desafio qualquer um a comer um só. E para acompanhar, a oferta de cervejas está cada vez melhor. Chegue antes das 13 horas se não quiser enfrentar meia horinha de fila.