Dois irmãos

Era pouco mais de meio-dia, de um dia muito bonito, ensolarado como foi o sábado passado, aliás, quando cheguei ao Bar Léo. Como previa, a calçada estava repleta de gente e não havia uma só mesa disponível. Driblei a muvuca, desviei-me do China, o garçom baixinho e ligeiro que corria segurando vários copos ao mesmo tempo, e encontrei 30 centímetros livres no balcão, bem em frente à vitrina na qual são expostos os canapés montados pelo seu Luís. Esse espaço foi suficiente para que em menos de dois minutos uma caldeireta repleta de chope (R$ 4,40) se materializasse à minha frente, com o líquido e o colarinho formando aquela onda uniforme e perfeita no copo.
Desnecessário dizer que o Bar Léo é a grande referência paulistana quando o assunto é chope. Cada viagem ao bar na esquina das ruas Aurora e dos Andradas é um evento. O zunzunzum faz parte, puxar conversa com o vizinho de balcão faz parte, o canapé blumenau e o bolinho de bacalhau (R$ 4,00), servido somente às quartas e sábados, também. Até a aquiescência dos casais à regra que proíbe o beijo na boca, ali dentro, faz parte... Mas, voltando à bebida: prefira o chope da máquina da direita, a que fica mais perto da porta e é operada pelo Fernando. É que a bebida tirada da chopeira que está na outra ponta do balcão nem sempre sai perfeita.
Dois chopes depois – nunca bebi tão pouco neste lugar... –, deixei o Léo em direção ao Bar Barão, na Rua Barão de Duprat. Para resumir, o Barão foi fundado em 1968 pelo Leopoldo Urban, o mesmo que criou o Bar Léo. E aqui vai um parêntese: toda vez que vou ao Léo, estico para o Barão. E toda vez que vou ao Barão, sigo para o Léo. Afinal, não seria cortês visitar apenas um dos bares-irmãos, certo?
O chope (R$ 3,80) do Barão mantém idêntico padrão de excelência ao do Léo mas, ali, sempre haverá uma mesa à sua espera. No Barão o ritmo é outro, mais tranqüilo. Companhia indispensável para a bebida é o bolinho de carne, de casca sequinha e recheio bem úmido. Uma delícia!
No Barão, lamento apenas a troca das caldeiretas de vidro fino por aquelas mais grossas nas quais se vê o logotipo da Brahma. Pode parecer preciosismo, mas a espessura do vidro faz toda a diferença, nem que seja psicológica: copo leve = chope leve; logo, posso tomar mais chope antes que a cabeça pese. Faz sentido.
Bar Barão. Rua Barão de Duprat, 561, centro, tel. 3227-9687. 11h/23h (sáb. 10h/20h; fecha dom.).
Bar Léo. Rua Aurora, 100, Santa Ifigênia, tel. 3221-0247. 10h45/20h30 (sáb. até 16h; fecha dom.). www.barleo.com.br









4 Comentários:
Como "BUTEQÊRO" com décadas e décadas de cotovelo no balcão, aprecio hoje mais cerveja que chopp.
Porém, o néctar precioso de água, lúpulo e cevada maltada me atrai em qualquer de suas inúmeras apresentações.
Não concordo que o CARÍSSIMO chopp do Bar Léo seja o melhor de Sampa. É mais um mito (como aquele de achar João Gilberto um gênio) que se perpetuou.
O colarinho (IMPRESCINDÍVEL) é GG(gritantemente gigantesco). Eu quero tomar chopp e não espuma. Ela é fundamentalmente necessária, para manter a gaseificação, a temperatura, mas eu quero chopp!
O chopp é irregular (não sabia dessa que há diferença entre as duas choperias). O bolinho de bacalhau e o rococó são fabulosos.
E o Bar Barão na única vez que lá fui vez deixou eu sair sem pagar uma conta de R$ 23,00 porque meu cartão de crédito não passava. Voltei mais de 60 dias depois para acertar a conta. O dono me parabenizou pela honestidade e me deu um chopp de cortesia.
A confiança deles e o reconhecimento que recebi pela minha honestidade são dignos de nota.
O que não é digno de nota é o seu chopp. Bem fraquinho, infelizmente.
Gosto muito do blog. Parabéns, colega de "buteco".
PAZ!
AMOR!
ALEGRIA!
SAÚDE!
J. C.
A sequência dos bares é importante, já que o Léo fecha às 16h. Ontem fui ao Barão e segui para o Léo... q já estava fechando. Assim, resolvemos ir pro Sujinho ali na Rio Branco só para tomar um chopp black e saborear aquela tradicional entrada: o repolho, a cebola, pãozinho c/ manteiga e mussarela de búfala...
Pois é...
A mitificação continua...
Há umas duas semanas publiquei um comentário desandando o chopp caro e irregular do Bar Léo e criticando a nefasta adulação que se faz em torno de João Gilberto.
Mas parece que o que impera aqui é algo que costuma-se chamar de censura.
Os comentários só são publicados se forem do agrado do dono do blog? Ou se com ele concordarem?
A opinião contrária não é respeitada?
Pena...
PAZ!
AMOR!
ALEGRIA!
Prezado João Carlos,
Desculpe-me, mas não lembro de ter lido seu comentário anterior.
Grato,
Miguel Icassatti
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