Edmilson Costa

Quais as decisões que o senhor julga urgentes para São Paulo?
A governança comunista entende que São Paulo cresceu de maneira desordenada, expulsando os pobres para regiões cada vez mais distantes. A cidade foi privatizada e seus equipamentos sociais terceirizados. Tudo isso foi feito no interesse do capital e dos especuladores imobiliários. A principal medida a ser tomada é o resgate da cidade como espaço público e o espaço público como um direito fundamental da pessoa humana. A partir desse princípio, todas as medidas, em cada uma das áreas de atuação da prefeitura, serão no sentido de tornar pública a cidade e seus espaços.
Qual questão pretende atacar de imediato, caso seja eleito?
O principal problema é a violência que se expressa na miséria da população e na opulência das elites e está na raiz de todos os outros problemas da cidade. Por isso, achamos fundamental inverter a lógica do mercado e do lucro e implantar a governança comunista: o poder popular, a democracia direta, o povo de São Paulo tomando em suas mãos as rédeas do destino da cidade, por meio de conselhos populares, instrumentos fundamentais para a construção de uma cidade camarada, embrião da São Paulo socialista. Os conselhos terão poder decisório no estabelecimento das prioridades do orçamento popular que iremos instituir, definindo os investimentos. Também irão gerir os equipamentos públicos de saúde, educação, segurança, cultura, lazer e meio ambiente.
Temos consciência da imensa dificuldade da implantação dessa instância, uma vez que as classes dominantes sempre procuraram convencer a população de que apenas os técnicos têm capacidade de gerir uma cidade como São Paulo. Os comunistas entendem essa questão de maneira diferente: temos convicção de que o povo tem enorme clareza sobre quais são as suas prioridades, cabendo aos técnicos apenas viabilizá-las.
Quais as soluções que o senhor aponta para o trânsito?
Nós entendemos que a cidade de São Paulo vive o caos e a barbárie no setor de transporte, em função do crescimento desordenado da cidade, da privatização do transporte público e do interesse das multinacionais do automóvel. Os ônibus transportam as pessoas como se fossem gado e a passagem é cara. O transporte precário é funcional para as multinacionais automobilísticas porque incentiva o uso do automóvel e lhes rende lucro. Nós vamos implantar os conselhos populares de transporte, que definirão as prioridades orçamentárias para o setor.
Como primeira medida, iremos municipalizar o transporte público, reduzir o preço das passagens até atingir a tarifa zero, dar prioridade de passagem aos meios de transportes coletivos em todas as principais ruas e avenidas, renovar a frota de ônibus, recapacitar motoristas e cobradores e instituir a jornada de seis horas para esses profissionais. Vamos implantar os VLTs (veículos leves sobre trilhos) em formato radial e circular, integrados ao sistema de ônibus. Isso melhorará o sistema de transporte, reduzirá o uso do automóvel e da poluição. O transporte público, gratuito e de qualidade, tem que ser a prioridade.
De acordo com nossos leitores e usuários do transporte público, há um número reduzido de veículos e boa parte deles em péssimo estado de conservação.
As empresas privadas de transporte, como têm o lucro acima de qualquer outra coisa, transportam a população em ônibus velhos e precários. Nossa proposta de municipalização, com a prioridade do transporte público em relação ao individual, melhorará a qualidade do serviço. Com ônibus e trens confortáveis, pontuais, rápidos e limpos.
No entanto, é necessário a municipalização do Metrô. Não tem o menor sentido um metrô estadual, que só opera na cidade de São Paulo. É necessário um programa de transição na área metropolitana que envolva os governos municipal, estadual e federal para a construção de novas linhas circulares para desafogar os troncos tradicionais e dar à população um serviço de transporte de qualidade. Nós iremos colocar o peso político de São Paulo e a pressão mobilizadora das massas para atingir esses objetivos.
Mesmo com a fiscalização, assim que os guardas passam, os camelôs retornam ao posto e tomam as calçadas da cidade.
A proliferação dos vendedores ambulantes está diretamente ligada ao modelo econômico neoliberal implantado no País, que ampliou o desemprego, jogando milhares de trabalhadores na informalidade. As pessoas são obrigadas a ganhar a vida como comerciantes de rua. Se existisse emprego decente para todos, o número de camelôs seria residual e o problema não existiria. A governança comunista vai criar os centro populares de vendas em várias regiões da cidade, de forma a encaminhar positivamente esse problema, mesmo sabendo que ele só será resolvido com uma política global de crescimento econômico e distribuição de renda.
Milhares de crianças esperam por uma vaga na rede municipal de ensino infantil e tantas outras estão na fila para uma vaga nas creches.
O abandono da educação por parte do poder público, seja ela na pré-escola, no ensino fundamental e médio, faz com que os brasileiros se envergonhem do baixíssimo nível escolar. Junto a isso, proliferaram escolinhas, creches privadas que são muitas vezes bem piores que qualquer equipamento público sucateado. Nossa governança comunista entende que educação é um direito humano fundamental e, portanto, deve ser pública, gratuita e de qualidade. Nossa proposta é desprivatizar (sic) a educação. Implantar a educação integral, de dia inteiro, Instituir os conselhos populares de educação. Vamos construir ao longo dos quatro anos 50 centro populares de cultura, visando a democratização e a aproximação da cultura junto à população.
Com relação às creches, é um absurdo um município rico como São Paulo não proteger as suas crianças. É dever da prefeitura oferecer creche para todas as crianças à partir dos 4 meses de idade. A governança comunista é a única que tem capacidade de fazê-lo, já que entende ser este um direito fundamental.
A governança comunista tem o ser humano como o centro de sua proposta e, neste sentido, os profissionais de educação são os maiores responsáveis pela qualidade neste setor. Nossa proposta é de ampla valorização tanto dos professores, como dos funcionários das escolas e das creches. Maior contratação, valorização salarial e incentivo à qualificação permanente destes profissionais são fundamentais para transformar a educação em São Paulo num exemplo para o país.
O que o senhor pensa da Lei da Cidade Limpa? Pretende mantê-la? Modificá-la?
Manter a cidade limpa é um dever da municipalidade, mas a cidade não pode ser limpa apenas na questão visual. Para termos a cidade limpa é necessário o saneamento básico na periferia, evitar os esgotos a céu aberto, possibilitar água tratada para todos e serviços sociais básicos, reduzir a poluição do ar, acabar com o despejo de entulho nas vias públicas e terrenos vazios.









3 Comentários:
Eu não sabia que o velho Partidão tinha candidato para prefeito em São Paulo e sabia menos ainda que esse candidato é tão qualificado, fiquei realmente impressionado com a clareza das respostas, elas vão direto ao ponto.
Parabéns!
Para começar, quero parabenizar a Veja São Paulo pelo trabalho nas eleições municipais, demonstrando uma imparcialidade no processo. Parabens ao candidato comunista Edmilson Costa pela bela entrevista e parabens ao seu partido por tê-lo escolhido para representá-lo. É com grande satisfação de vêr que o velho partidão tem pessoas a altura para defender as propostas mais lúcidas para a grande população de São Paulo.
Professor Edmílson, tive o prazer de ser sua aluna eestou muito orgulhosa da sua candidatura. Parabéns pela entrevista.
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