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Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008

Ivan Valente


Quais as decisões que o senhor julga urgentes para São Paulo?

A mais urgente é a discussão da dívida pública. Essa dívida é imoral e ilegal. Aumentou durante o governo Maluf/Pitta, inclusive no que ficou conhecido como escândalo dos precatórios. Hoje a dívida consome 2,3 bilhões de reais em juros anuais, ou seja, 13% do orçamento vai para pagar banqueiros, enquanto a cidade enfrenta problemas sérios na saúde, na educação, no transporte público e no setor de habitação. Acredito que além de urgente essa é uma decisão ousada, uma vez que nenhum outro candidato á prefeitura terá coragem fazer o debate e uma auditoria da dívida pública, uma vez que recebem financiamento de banqueiros. Também vamos implantar o planejamento participativo para que a população possa discutir os problemas e as soluções da cidade.

Qual questão pretende atacar de imediato, caso seja eleito?
A terceirização dos serviços públicos, em especial no setor de saúde. Temos que redirecionar a verba pública que vai para as entidades parceiras (privadas) que gerenciam, por exemplo, as AMAs, para as Unidades Básicas de Saúde, a reconstituição das equipes multiprofissionais, a realização de exames a compra de equipamentos necessários. Na educação, nossa primeira medida será retomar os 30% de recursos orçamentários para o investimento em desenvolvimento e manutenção do ensino. A gestão Marta reduziu este percentual para 25% do orçamento, e o governo Serra/Kassab, manteve. Só assim será possível ampliar o número de vagas nas escolas, reduzir o número de alunos por sala de aula e valorizar o magistério.

Como resolver o caos no trânsito?
A primeira medida é desestimular paulatinamente o uso do automóvel. Precisamos discutir se queremos manter o carro – que é individual – como matriz do transporte em nossa cidade. O espaço urbano deve ser construído pensando nas pessoas que vão ocupá-lo e não nos carros. Hoje gasta-se mais construindo espaços para abrigar automóveis do que para a habitação de pessoas. Isso envolve uma mudança de cultura, ou seja, não é algo possível em curto prazo. É necessário, por exemplo, pressionar o governo federal para que não dê subsídios de 30% (como foi dado no ano passado) para as indústrias automobilísticas.

Por outro lado, não adianta inventar soluções paliativas para o problema, que resolvem durante um período muito curto, afinal são 700 mil novos carros emplacados a cada dia. Sabemos que a maior parte dos cidadãos não vai deixar o veículo em casa se não houver um transporte coletivo de qualidade. Por isso, é preciso planejar uma solução de médio prazo que é a ampliação da malha metroviária urbana, o transporte público de massas sobre trilhos. Além de ampliar os corredores exclusivos de ônibus e investir em ciclovias.

De acordo com nossos leitores e usuários do transporte público, o sistema oferece um número reduzido de veículos e boa parte deles em péssimo estado de conservação.
A primeira medida é garantir 10% da frota estatal no sistema de transporte por ônibus. Isso permite que seja feito o controle interno dos custos e estratégias para qualificação do serviço. Isso foi feito com sucesso em diversas cidades. A frota municipal deve atingir o nível de excelência no serviço de modo a definir os parâmetros que as empresas privadas devem seguir. O município deverá fazer parcerias com empresas produtoras de ônibus, escolas de engenharia e design e pleitear mais recursos do BNDES para a modernização permanente da frota. Ampliar e melhorar a estrutura dos pontos e terminais de ônibus, com informação nos pontos das linhas, tempos e percursos é medida urgente. Além de instalar progressivamente sistema informatizado que exibe o tempo de chegada de cada ônibus. Também é preciso ampliar a acessibilidade das pessoas com deficiência.

Outra questão muito importante a ser trabalhada é a redução progressiva das tarifas do transporte coletivo. Sabemos que 1/3 das viagens diárias em São Paulo são realizadas a pé, porque a passagem é muito cara. Nem todos têm condições financeiras para usar o transporte coletivo. O gasto médio com transportes pela população chega a 25% do salário mínimo. O transporte público deve ser subsidiado e o preço da tarifa definido pelo poder de pagamento do usuário. Haverá subsídio e redução no custo das passagens municipais. Os recursos serão advindos do Fundo Municipal de Transportes.

O que o senhor pensa sobre a Lei da Cidade Limpa? Pretende mantê-la? Modificá-la?
A lei Cidade Limpa foi uma proposta interessante para a cidade de São Paulo, tão marcadamente reconhecida pela sua poluição visual. No entanto, enfrentei alguns problemas na campanha, pois alguns fiscais de prefeitura e até mesmo a Guarda Civil Metropolitana (GCV) tentaram impedir a panfletagem da propaganda eleitoral por nossos militantes. Acredito que a lei deva ser usada para o bem comum e não como forma de controle e cerceamento da manifestação política. Além disso, há uma reclamação geral de que a lei foi implantada de forma autoritária, sem ouvir os cidadãos. Na nossa administração vamos realizar o planejamento participativo e nele vamos discutir propostas de adequação das leis que venham a surgir.

Mesmo com a fiscalização, assim que os guardas passam, os camelôs retornam ao posto e tomam as calçadas da cidade. O que o senhor pretende fazer para solucionar este problema?
Em primeiro lugar é preciso deixar claro que os camelôs, que estão no comércio informal, estão ali para trabalhar e ganhar o sustento da família. Então, não podemos tratá-los como criminosos, como a atual gestão vem fazendo. Precisamos pensar soluções para a geração de emprego e renda na cidade para diminuir gradativamente o número de trabalhadores no comércio informal. Outra ação importante é fazer o cadastramento desses trabalhadores e criar um local especial e eficiente para que eles possam manter suas barracas de venda. Não adianta criar esse espaço longe do centro urbano e dos consumidores.

Hoje milhares de crianças esperam por uma vaga na rede municipal de ensino infantil e tantas outras estão na fila para uma vaga nas creches. Qual sua proposta para solucionar esta lacuna na educação municipal?
A primeira medida, como já foi dito, é retomar os 30% do orçamento investidos em educação, hoje restritos a 25%. Não há educação de qualidade nem ampliação da oferta de vagas, se não houver investimento na área por parte do município. Nós pretendemos investir na ampliação da rede de atendimento à educação infantil, o que significa criar também condições para atender às crianças, preferencialmente, em período integral. Hoje, o atendimento às crianças de 0 a 5 anos tem sido feito principalmente em creches conveniadas. O que era para ser provisório, para dar conta urgentemente da demanda, tornou-se definitivo.

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