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Porque comer bem é parte importante de qualquer viagem, este blog reúne comentários sobre atrações turísticas, restaurantes e bares destacados nas edições de VEJA O MELHOR DA CIDADE (publicadas em 19 regiões brasileiras e nas cidades de Lisboa e Porto, em Portugal) e de VEJA O MELHOR DO BRASIL, lançada regularmente em dezembro.

Quinta-feira, 24 de Julho de 2008

O tradicional ragu italiano e a Sophia Loren

Primeiro, a inspiração: o longa Sábado, Domingo e Segunda fala basicamente do ciúmes e do temperamento acalorado dos napolitanos a partir da história da família de Peppino e Rosa Priore, interpretados por Luca de Filippo e Sophia Loren. Outro personagem importante é o famoso ragu italiano, prato que a personagem de Sophia Loren começa a preparar no sábado, para o tradicional almoço de domingo.

O cotidiano do casal, seus filhos e outros parentes, é retratado num sobrado em um vilarejo de Nápoles. Rosa é exuberante, e uma verdadeira artista na cozinha. É bastante ciumenta – e o marido, esquentadinho, porém apaixonado, também o é. O filme mostra, portanto, os preparativos para o tradicional almoço de domingo. Rosa servirá sua especialidade: o ragu, junto de uma bela massa. Durante a refeição, Peppino, o marido, carrega nas tintas e diz que sua esposa está tendo um caso com outro homem. Os dois brigam e... vamos ao ragu (a fita está disponível em DVD para quem se interessar por filmes com a temática gastronômica...)!

Veja uma das primeiras cenas do filme, em que a mama interpretada por Sophia Loren discute com outras donas de casa sobre o melhor jeito de preparar o ragu:



O prato e suas variações

Ragu deriva do francês ragoût, que significa guisado. Trata-se de um molho de tomate de longo cozimento, usado como acompanhamento de massas ou pratos como polenta, por exemplo. O ragu pode ser preparado com diversos tipos de carne: a bovina, de codorna ou de cordeiro. Há ainda versões com peixe, frango e verduras. É o que nos contou por telefone o chef italiano Mauro Cingolani, professor do Instituto Italiano de Culinária para Estrangeiros, que tem uma unidade no Rio Grande do Sul.

O ragu leva horas para ser preparado. Para começar, antes de ser cozida junto com o molho de tomate, a carne fica marinando nos temperos. É preciso, portanto, muita paciência. O ragu é cozido em fogo baixo, mexendo constantemente. O objetivo de passar tanto tempo na panela é acentuar o sabor e deixar a textura mais densa. Antigamente as panelas ficavam no fogo por até 12 horas, mas hoje não se vê chefs cozinhando-as por mais de quatro horas.

O ragu mais conhecido é à bolonhesa, originário de uma região chamada Emilia Romagna, onde está localizada a província de Bolonha. Nele a carne é incorporada ao molho, desfiada ou moída.

Outra versão que é bastante requisitada é o ragu napolitano. Além da carne bovina, essa receita leva também costeletas de porco e vinho tinto. As carnes são retiradas antes de servir e saboreadas à parte.

Dicas do chef Salvatore Loi, do Grupo Fasano, que pilota o melhor restaurante do Brasil, o italiano Fasano, na avaliação do júri de VEJA:

- Para preparar o ragu perfeito, tem de respeitar o tempo de cozimento de cada carne. O frango e o cordeiro são mais delicados, de cozimento mais rápido. O ragu de boi já requer tempo bem maior.

- Usar sempre um bouquet garni (ervas e temperos frescos que são colocados na panela amarrados por um cordão e retirados ao fim do cozimento) para enriquecer o sabor da carne.

Restaurantes que servem o molho no país:

>>Belém: o Dom Giuseppe, que também ficou com o título de melhor da cidade serve espaguete com ragu de cordeiro.

>>Campinas: o melhor da cidade, que também ficou com o título de melhor italiano é o Bellini Ristorante, que serve nhoque com ragu de ossobuco e papardelli com ragu de coelho.

>>Curitiba: o Famiglia Fadanelli serve polenta com ragu de ossobuco ou cabrito.

>>Espírito Santo: o restaurante O Mercador levou o título de melhor italiano da região. O raviolani de mussarela é coberto de ragu de carne e gratinado.

>>Rio de Janeiro: o Gero serve ragu de coisecoi (carne de vitelo marinada no vinho tinto) com risoto parmegiana, ragu de ossobuco com risoto de açafrão e ragu de cordeiro com espaguete.

>>São Paulo (a capital concentra o maior número de restaurantes italianos e está nela o melhor restaurante do Brasil):

>Due Cuochi Cucina – ragu de coelho com fettuccine e ragu de rabada com espaguetini.

>Fasano – ragu de cordeiro com espaguete fresco, ragu de pato com massa fresca prensada e ragu de lagosta com espaguetini.

>Jardim de Napoli - ragu de carne com fusilli.

>Pasquale - o cliente pode escolher a massa de sua preferência, mas a sugestão é o orecchiette acompanhado de ragu de cordeiro.

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Receita de Ragu à Bolonhesa

Ingredientes

600g de carne de porco magra
600g de carne de vitelo
100g de extrato de tomate
1/4 de garrafa de vinho tinto
100g de cebola
50g de toucinho
50g de manteiga
50g de cenoura
30g de salsão
10g de salsinha
8g sálvia
10g de manjericão
10g de cogumelos porcini secos
Pimenta-do-reino preta e sal a gosto

Modo de Preparo

Deixar os porcini em molho em pouca água morna e reservar. Amarrar as ervas aromáticas. Preparar um “battuto” com o toucinho, a cebola picada finíssima, assim como a cenoura e o salsão e fritar bem na manteiga, numa panela. Juntar as carnes cortadas grosseiramente e deixar dourar. Acrescentar o vinho e deixar evaporar.

Adicionar o molho de tomate, os cogumelos em pedaços, sal e pimenta. Cozinhar em fogo baixo por cerca de uma hora adicionando, se necessário, água fervente ou caldo.

Observações

- O “bolonhesa” pode ser enriquecido com a adição de fígado de frango ou substituindo parte do toucinho por presunto cru.
- O molho de tomate concentrado, que no passado era preparado e conservado em garrafas por muitas famílias, hoje é impropriamente substituído por tomates pelados ou extrato de tomate diluído com água. Este último, de qualquer forma, é preferível aos tomates pelados já que apresenta menor acidez.

(*) Esta é uma receita fornecida pelo Instituto Italiano de Culinária para Estrangeiros

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Quarta-feira, 23 de Julho de 2008

No tabuleiro da baiana tem...

Na canção No Tabuleiro da Baiana (1936), o mineiro de Ubá Ary Barroso (1903-1964), um dos principais nomes da nossa música e famoso por traduzir em suas composições a vida do povo brasileiro, exibia algumas delícias da cozinha baiana. Para lembrar, um trecho da música que estourou no carnaval de 1932, na voz de Carmen Miranda:

No tabuleiro da baiana, tem
Vatapá, oi
Caruru
Mungunzá, oi
Tem umbu
Prá Ioiô
Se eu pedir você me dá?
O seu coração Seu amor de Iaiá? (...)


Hoje, portanto, nossa idéia é identificar os principais componentes do tabuleiro – as especialidades preparadas pelas baianas com trajes típicos (a saia longa e o turbante: tudo branco) e geralmente vendidas nas ruas. O costume é bastante antigo, começou com a atividade das escravas negras e muitos quitutes também têm origem em costumes do candomblé.

No tabuleiro das baianas tem...

...acarajé: massa frita feita com feijão fradinho, frita em azeite de dendê e recheada com vatapá, camarão seco, pimenta, cebola, tomate. Pode levar caruru

...abará: é a massa do acarajé, só que cozida e não frita

...bolinho de estudante: feito com tapioca e coco, é frito e passado no açúcar e na canela. O bolinho tem esse nome porque é uma receita muito barata, mas ele também é conhecido como "punhetinha".

...cocada: o coco seco é cozido em água com mel de rapadura ou açúcar. A mistura é despejada no tabuleiro e cortada em quadrados nem sempre regulares. Essa é a receita mais tradicional, outras versões também levam leite condensado ou ovos.

...caruru: quiabo cozido, camarão seco e castanha-de-caju

...efó: preparado com camarão seco, ervas e verduras (normalmente taioba, língua-de-vaca e e mostarda), mais azeite de dendê e pimenta

...mungunzá: espécie de mingau feito de grãos de milho branco, açúcar, leite de coco, polvilho e canela

...umbu: fruto do umbuzeiro (do tupi ymbu, água que dá de beber). É bastante suculento

...vatapá: recheio do acarajé e também pode acompanhar outros pratos. Para prepará-lo, a farinha de mandioca ou de pão é deixada de molho em água. Só então incorpora-se à ela azeite de dendê, cebola, alho, coentro, camarão seco, gengibre, leite-de-coco, castanha-de-caju, amendoim e pimenta
Bia Parreiras
Na edição de VEJA, O Melhor de Salvador, é escolhido o acarajé mais saboroso da cidade. O atual dono do título é o quitute da Barraca da Regina. A baiana teve seu primeiro tabuleiro aos 13 anos, na Praia de Patamares. Hoje administra o negócio e prepara a massa, com a ajuda de quinze parentes.

Nos três endereços (em Rio Vermelho, Pituaçu e Graça), são vendidos em média de 900 acarajés por dia. Há também bolinho de estudante, cocadas, abará, vatapá, entre outros.
Xando Pereira
Os jurados da capital baiana também escolhem a melhor cocada. E ela está na barraca da Cira. A quituteira por lá é Jaciara de Jesus Santos, que aprendeu a cozinhar com a mãe e tem seu tabuleiro desde 1956. Hoje, as receitas já passaram para a quarta geração: a neta de Cira, Aline, está no comando da mais nova unidade da “rede”.

É Cira quem prepara os quitutes em sua casa e os distribui para os três endereços na cidade (Rio Vermelho, Itapuã e Lauro de Freitas). São servidos também abarás, doce de tamarindo e bolinho de estudante. A cocada campeã é vendida em três versões: puxa (com muitos pedacinhos de coco e rapadura), branca e morena (de coco queimado).

Algumas baianas que preparavam quitutes para vender nos tabuleiros acabaram abrindo seus próprios restaurantes e hoje oferecem cardápios mais variados. O Varal da Dadá talvez seja o mais famoso deles. Adalice dos Santos já vendeu até marmita e mingau em seu tabuleiro, mas em 2000 inaugurou o Varal da Dadá. O salão do restaurante fica na casa onde ela morava com a família, no bairro Federação, e algumas roupas coloridas penduradas em um varal fazem parte da decoração. Na sexta-feira, tem bufê com sete clássicos da comida baiana, entre eles moqueca, bobó de camarão e galinha ao molho pardo. A cocada em calda servida na versão branca e preta recebeu três votos do júri como a melhor da cidade.

Outros restaurantes que começaram com os tabuleiros das baianas são:

>>Alaíde do Feijão: a casa no Pelourinho pertence a Alaíde Conceição, que ainda era adolescente quando assumiu um tabuleiro ao lado do Elevador Lacerda. Na sexta-feira o restaurante serve "comida de azeite": xinxim de galinha, caruru, vatapá e feijão fradinho.

>>Casa da Dinha do Acarajé: Lindinalva de Assis montou seu restaurante próximo ao tabuleiro, no Rio Vermelho. A dica é começar com a casquinha de siri e provar também a moqueca de camarão.

>>Acarajé da Cema: o tabuleiro de Maria Iracema ampliou o cardápio ao se mudar para um casarão em Lauro de Freitas. As receitas regionais disputam a preferência da clientela com novas opções da cozinha variada, caso da picanha grelhada acompanhada de arroz e batata.

Bom, esse papo de comida baiana deve provocar o apetite de muita gente que não tem a sorte de estar agorinha em Salvador, com um tabuleiro bem fornido ao alcance das mãos. Uma boa opção para essas pessoas é o restaurante Bargaço, que tem unidades no Recife, em Brasília, São Paulo, Fortaleza, João Pessoa (e Salvador) e serve acarajés de dar água na boca.

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Terça-feira, 22 de Julho de 2008

Inverno quente em Canela e Gramado

Temperatura baixa, inverno quente. Canela e Gramado são cidades vizinhas, localizadas na Serra Gaúcha e ambas são famosas pelo frio: o termômetro costuma marcar temperaturas muito baixas no inverno. Este ano, até o mês de junho, a temperatura mínima chegou a um grau negativo. A arquitetura alemã dá uma forcinha aos que querem brincar de ‘faz-de-conta que estou fora do Brasil’.

Hoje vamos tratar de algumas atrações desses dois destinos. Para chegar a ambos há vôos partindo de diversas capitais. É voar até Porto Alegre e seguir de carro ou ônibus por mais uma hora e meia, sendo que o trecho principal é percorrido na BR-116. (*)

Canela fica a 140 quilômetros de Porto Alegre. Atrai tanto gente que só quer aproveitar o friozinho para descansar e fazer um programa romântico como os que procuram esportes de aventura.

O que ver:
Alex Silveira
>>A Cascata do Caracol (foto), com 131 metros de altura, é considerada cartão-postal da cidade. É a maior cachoeira do Rio Grande do Sul e fica no Parque do Caracol. Há um mirante de onde os visitantes podem ver a queda d’água e um elevador panorâmico que aproxima os turistas da cascata. Quem quiser ir até a base da cachoeira, precisa de muita disposição. O trajeto é feito por uma escada de 750 degraus (a subida de volta demora em média 40 minutos). A cada 100 metros a um ponto de descanso. Há ainda quatro trilhas para quem quiser se aventurar.
Telefone: (54) 3278-3035

Preço dos ingressos: 8 reais (crianças até 5 anos não pagam, entre 6 e 11 e idosos pagam meia entrada). A visita ao elevador panorâmico é paga à parte e custa 6 reais por pessoa.

>>A três quilômetros do centro fica o Alpen Park, onde é possível passear de trenó por 900 metros. No percurso há uma queda em que o veículo atinge até 40 quilômetros por hora, mas os passageiros podem controlar a velocidade. É possível fazer também tirolesa e o arvorismo.
Telefone: (54) 3282-9752

Preços: o parque cobra por atividade: o trenó custa 14 reais, a tirolesa 20 e o arvorismo 40.

Onde ficar

Para hospedagem em Canela, a dica é o Laje de Pedra Mountain Village. O apartamentos são modernos e os hóspedes têm mimos como piso aquecido e menu de travesseiros. Há disponibilidade a partir do dia 27 de julho. As diárias para o casal com café da manhã custam entre 220 e 330 reais.
Telefone: (54) 3278-9900

Gramado tem mais vocação para o romance do que para esportes de aventura. O clima é perfeito para os casais, com hotéis aconchegantes e restaurantes sofisticados. Recebe, anualmente, 2 milhões de turistas.
Valdemir Cunha
Portal na entrada de Gramado

Em agosto, no entanto, a cidade fica agitada com o Festival de Cinema, que acontece na segunda semana. É o principal evento do gênero no país, realizado desde 1973. Nesse período a cidade fica tomada por atores, diretores e jornalistas. O festival premia produções ibero-americanas, com sessões que acontecem no Palácio dos Festivais e são abertas ao público que pode votar no filme preferido. Neste ano, começa no dia 10 e vai até 16 de agosto. Quem quiser visitar a cidade nesse período precisa apressar-se porque a procura por hospedagem é grande.

O que ver

Na cidade, vale a pena visitar o Museu Hollywood Dream Cars. O espaço expõe carros americanos produzidos entre as décadas de 1920 e 1970, ao som de clássicos dos anos 60. São 26 veículos e 8 motocicletas Harley-Davidson. Diverte adultos e crianças.

Telefone: (54) 3286-4515
Preço do ingresso: R$ 15,00 adultos, R$ 12,00 crianças até 12 anos e R$ 7,50 idosos.

Onde comer

Gramado possui um restaurante estrelado no Guia Quatro Rodas. É o Belle du Valais, que tem um ambiente romântico, à meia-luz. A especialidade da casa são as fondues. Além das opções de queijo e chocolate, a fondue de carne pode ser servida com filé mignon, frango, cordeiro ou vitela. Os cubinhos são grelhados em uma pedra vulcânica. Há outros pratos, como o carré de cordeiro com purê de menta e molho de alecrim.

Telefone: (54) 3286-1744
Faixa de preço por pessoa: 76 a 100 reais

Para quem quiser provar uma refeição típica da região, vale a pena experimentar o café colonial do restaurante Bela Vista. Mas é importante chegar com o estômago vazio, pois a variedade é absurda: são mais de 80 pratos diferentes. Além dos tradicionais pães, doces e café com leite, a mesa inclui também receitas como bife a milanesa, polenta frita e lombo de porco. Os clientes podem se servir à vontade, inclusive de vinho, e pagam o preço fixo de 32 por pessoa.

Telefone: (54) 3286-1608

Onde ficar

A dica de hospedagem em Gramado é o Serrano Resort. O hotel tem entre suas atrações quatro restaurantes – italiano, japonês, especializado em carnes e de cozinha internacional. Os valores da diária incluem café da manhã e jantar e os hóspedes podem escolher entre os menus das quatro casas. Há disponibilidades apenas a partir do dia 27 e as diárias variam entre 520 e 820 para o casal.

Telefone: (54) 3295-8000

(*)Como chegar

Gramado fica a 130 quilômetros de Porto Alegre
Canela fica a 140 quilômetros de Porto Alegre

Os turistas costumam pegar vôos com destino à capital gaúcha e de lá fazem o traslado até a cidade serrana. A viagem entre Porto Alegre e Gramado dura aproximadamente uma hora e meia.

Passagens a partir de...

Saindo de São Paulo - 710 reais
Saindo de Belém - 1940 reais
Saindo de Brasília - 840 reais
Saindo de Fortaleza - 2080 reais

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Segunda-feira, 21 de Julho de 2008

Quitutes pernambucanos: bolo-de-rolo e bolo Souza Leão

Há quase dois meses, no fim de maio, o bolo Souza Leão foi considerado patrimônio imaterial do estado de Pernambuco. Juntou-se assim ao bolo-de-rolo que já tinha esse título há algum tempo. São portanto receitas protegidas, conservadas e valorizadas por sua importância histórica, cultural e, claro, gastronômica.

Souza Leão

A receita tradicional do Souza Leão leva açúcar, ovos, leite de coco e massa de mandioca. Tem coloração amarela e consistência próxima à de um pudim, cremosa.
Mauro Holanda
Bolo Souza Leão: patrimônio imaterial de Pernambuco

O doce foi criado por uma família portuguesa que chegou à região para trabalhar com cana de açúcar. A fórmula permaneceu em segredo por muito tempo. Era a época dos grandes engenhos, da cultura de açúcar no Brasil...

A senhora de engenho Rita de Cássia Souza Leão teria inventado a receita ao misturar ingredientes locais, como a mandioca e o leite de coco, ao jeito português de preparar sobremesas com ovos e muito açúcar. Hoje, existem diversas versões do bolo que foram sendo adaptadas a partir da original.

Em um de seus livros, o sociólogo pernambucano Gilberto Freyre comenta que receitas como a do bolo-de-rolo e a do Souza Leão ficavam sempre escondidinhas atrás de uma cortina de ciúme das sinhás do engenho. O preparo era complexo e as sinhás consideravam as fórmulas tão valiosas quanto jóias de família. Foi aliás um livro de Gilberto Freyre, o clássico Açúcar – Uma Sociologia do Doce, que ajudou a popularizar o Souza Leão, com algumas receitas. A primeira edição da obra é de 1939.

Bolo-de-rolo

É uma espécie de rocambole. As camadas finíssimas de pão-de-ló são preenchidas com goiabada. A receita também foi inspirada em doces portugueses, mas ganhou o recheio genuinamente brasileiro.
Léo Caldas
O bolo-de-rolo da Casa dos Frios levou o título de melhor de Recife

No especial de VEJA, O Melhor de Recife, há a eleição do melhor bolo-de-rolo da cidade, título da delicatessen Casa dos Frios, com uma unidade em Boa Viagem e outra no bairro de Graças. Até o papa João Paulo II, quando esteve na cidade em 1980, provou o doce de lá. São quatro camadas de massa e pesa cerca de 1 quilo. É vendido inteiro, numa embalagem especial. A receita da Casa dos Frios foi criada por Fernanda Dias, dona da loja. Ela adaptou uma versão do tradicional do bolo de modo que pudesse ser produzido com mais facilidade. O resultado, de massa fininha e recheio bem cremoso, está na mesa de muitos moradores, turistas e até gente de outros estados, que "encomenda" o doce a algum amigo ou parente.

Aliás, a Casa dos Frios oferece diversas versões do bolo-de-rolo e também vende o Souza Leão. O bolo-de-rolo por lá tem com recheio de chocolate, doce de nozes, maracujá, ameixa ou até mesmo doce de leite. Conversamos com a loja e a brigada que trabalha com a Fernanda Dias deu algumas dicas para que o o bolo-de-rolo fique perfeito. Ai vão as sugestões:

- A massa tem de ser assada em camadas finas e não pode ficar muito tempo no forno. Isso porque pode ressecar e quebrar na hora da montagem do bolo.

- A goiabada tem que ser derretida com água até ficar cremosa e precisa ser espalhada em camadas uniformes.

- Na hora de servir, o mais indicado é cortar em fatias finas, quando mais fina melhor. Para acompanhar, o bolo pode ser servido com queijo do reino.

Publicamos abaixo duas receitas básicas para quem quiser preparar em casa. Uma de bolo-de-rolo e outra do Souza Leão. Sabemos que existem muitas fórmulas de família. Muitas mães, avós e tias são especialistas na arte de acertar o ponto desses doces. Portanto está aberto o espaço para quem desejar compartilhar o segredo da massa perfeita enviando receitas para o blog.

Para quem estiver em outros estados e também quiser provar o bolo-de-rolo, ai vão alguns endereços que servem a tradicional receita:

- Em Natal, o São Braz Coffee Shop
- Em Curitiba, o Café da Esquina
- No Rio, o Esch Café
- Em São Paulo, o Sweet Pimenta

Feito em casa ou comprado vai bem com um café fresquinho, não?

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Receita do bolo-de-rolo

Ingredientes

2 xícaras de farinha de trigo
2 xícaras de açúcar
6 ovos
200 gramas de manteiga
300 gramas de goiabada

Modo de Preparo

Bater as claras em neve e reservar. Misturar o açúcar e as gemas na batedeira, acrescentar a manteiga e deixar batendo até virar uma massa homogênea. Colocar a farinha e por fim, misturando com a colher, as claras em neve.

A massa deve ir ao forno em uma forma rasa untada e polvilhada com farinha de trigo. A mistura é bem consistente e deve ser espalhada com uma espátula para que a camada fique fina e uniforme.

Assar em forno pré-aquecido em temperatura média por cerca de cinco minutos. É preciso cuidado para que a massa não queime e fique ressecada, se isso acontecer o bolo pode quebrar na hora de enrolar.

Em fogo brando, derreta a goiabada com um pouco de água até que ela fique cremosa e homogênea.

Montagem

Assim que o bolo sai do forno, ele deve ser colocado sobre um pano ou um pedaço de papel manteiga polvilhado com açúcar. Com a massa ainda quente, espalha-se uma fina camada de calda de goiabada sobre ela. O bolo deve ser enrolado cuidadosamente. Repete-se o processo com uma nova massa até que o bolo ganhe o diâmetro desejado.

*Esta é uma receita básica do bolo fornecida pela equipe da Casa dos Frios.

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Receita do bolo Souza Leão

Ingredientes

500 gramas de massa de mandioca
5 gemas
leite de dois cocos (equivalente a duas garrafinhas)
800 gramas de açúcar
400ml de água
500 gramas de manteiga

Modo de Preparo

Dissolver o açúcar na água em fogo brando até virar um melado. Jogar a calda na massa de mandioca e depois acrescentar o leite de coco e as gemas. Passar a mistura duas vezes na peneira.

Colocar a massa em uma forma alta untada com manteiga e polvilhada com farinha de trigo. O bolo deve ser assado por cerca de uma hora em fogo médio. Quando ficar bem dourado, está pronto.

*Esta é uma receita básica do bolo fornecida pela equipe da Casa dos Frios.

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Sexta-feira, 18 de Julho de 2008

As capitais culturais do Brasil, por região

O júri da última edição de VEJA, O Melhor do Brasil elegeu por todo o país os restaurantes e os hotéis mais bacanas e charmosos, os roteiros de natureza e tantas outras atrações que já foram assunto por aqui. Mas houve também a escolha de cinco destinos culturais. E é esse o paladar, digamos assim, da conversa de hoje: as capitais culturais do Brasil, por região.
André Penner
O interior do Teatro da Paz, em Belém

No Norte, a capital cultural é Belém. Muitos turistas procuram a cidade pelas belezas naturais da região, mas a riqueza histórica e a gastronômica também são fortes atrativos. A capital paraense passou por uma repaginação que começou no ano 2000. A Estação das Docas, a beira da baía do Guajará, e o Pólo Joalheiro, antes um presídio esquecido, foram reformados. As construções neoclássicas lembram o tempo do auge do ciclo da borracha. O Teatro da Paz, por exemplo, foi inaugurado em 1878 e tem afrescos nas paredes e no teto, piso de madeira nobre e lustres de cristal. Uma boa dica para quem tiver planos de visitar a cidade no mês de outubro é conferir a Círio de Nazaré, maior festa religiosa do Norte do Brasil, costuma reunir dois milhões de pessoas e acontece todo segundo domingo de outubro.

Em cartaz:

>>Cine Estação: localizado na Estação das Docas. A programação não fica presa ao circuito comercial. Os ingressos custam 5 reais. Está em cartaz a fita Valsa Para Bruno Stein. É um drama do diretor Paulo Nascimento, com Walmor Chagas e Ingra Liberato. A sala recebe filmes de festivais como o Anima Mundi, a Mostra Curta Pará Cine Brasil e o Festival de Belém do Cinema Brasileiro.

>>Exposição Color Bar: em cartaz no Espaço Cultural do Banco da Amazônia até o dia 8 de agosto. A mostra reúne quatro vídeos da artista Melissa Barbery: "Vermelho", "Apartamento 1102", "Dionísio" e "Paisagem RGB". Os curtas são projetados em salas separadas. O telefone é (91) 4008-3670.
Bárbara Wagner
Na região Nordeste, Recife, a capital mais antiga capital brasileira, é também a capital cultural, com seu rico patrimônio histórico e arquitetônico. Os jurados consideram imperdível uma caminhada pelo bairro Poço da Panela, perto do tradicional Casa Forte, e repleto de casas históricas preservadas. A Fundação Gilberto Freyre (foto), onde fica a casa em que morou o sociólogo, também é uma referência. Uma das principais atrações da cidade é o Carnaval Multicultural que acontece desde 2001. Shows de artistas da região como Otto, Lenine e Alceu Valença acontecem junto com apresentações do já centenário frevo e do maracatu. Em 2008, a festa levou à Recife 1,5 milhão de pessoas.

Em cartaz:

>>Reflexões Parisienses nº1 – a mostra traz imagens de Paris feitas pelo fotógrafo pernambucano Marcus Brandão. São trinta fotos feitas com sobreposição de planos. Entre as imagens estão monumentos como o Arco do Triunfo e a silhueta da igreja Sácre Coeur. A exposição está em cartaz na Aliança Francesa que fica no bairro de Derby, até o dia 29 de agosto e é grátis. Telefone: (81) 3222-0918

>>O Fogo da Vida - a peça trata do romance entre a escritora, poetisa e psicanalista Lou Andréas-Salomé e o poeta Rainer Maria Rilke, na segunda metade do século XIX. A montagem tem texto de Sônia Bierbard e Gustavo Falcão, e direção de João Motta. Bierbard, que está comemorando 30 anos de carreira também assina a produção e divide o palco com o ator André Riccari. As apresentações acontecem no Teatro do Parque e os ingressos custam 10 reais. Em cartaz somente até 27 de julho. Telefone: (81) 3232-1553.
Ana Araújo
O Congresso Nacional, em Brasília
Brasília foi eleita pelos jurados do especial de VEJA, O Melhor do Brasil, o melhor destino cultural da região Centro-Oeste. Com mais de 2 milhões e 300 mil habitantes, prédios monumentais, largas avenidas e noventa hotéis, tem-se ali uma efervescente cena gastronômica e cultural. A movimentação política ajuda a tornar o lugar um centro onde as coisas acontecem. Imperdível, na avaliação do júri é o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro que acontece sempre no mês de novembro e este ano chega à sua 41ª edição.

Em cartaz:

>>José Dumont – O Homem que Virou Cinema: uma mostra de cinema no Centro Cultural Banco do Brasil, na Asa Sul, homenageia o ator paraibano José Dumont. Desde o dia 15 de julho e até 3 de agosto estão em cartaz vinte filmes com o ator. Destaque para as cópias restauradas de O Homem que Virou Suco, Memórias do Cárcere, Abril Despedaçado, Morte e Vida Severina e A Hora da Estrela. Os ingressos custam 4 reais e o telefone é (61) 3310-7087.

>> Não sobre o Amor: a peça é dirigida por Felipe Hirsch e faz uma reflexão sobre exílio, solidão e amor. Os atores Leonardo Medeiros e Arieta Correa dão vida a um casal de escritores. O texto é baseado em Letters not about love, livro que reúne a correspondência - entre cartas verídicas e ficcionais - trocada por Victor Shklovsky e Elsa Triolet, no início do século XX. A peça fica em cartaz também no Centro Cultural Banco do Brasil até o dia 3 de agosto. O telefone é (61) 3310-7087.
Bia Parreiras
No Sudeste, São Paulo foi escolhida como a capital mais rica em atividades culturais, agitada até na alta madrugada. Dos 9 milhões de turistas que visitam a capital todo ano, metade viaja a negócios. Só para ter uma idéia, a cada três dias uma nova feira ou convenção acontece na cidade. A Mostra Internacional de Cinema, maior evento voltado para a sétima arte do país, acontece sempre no mês de outubro. No último ano, o festival recebeu 220 mil pessoas que assistiram aos mais de 400 filmes em cartaz. São Paulo tem, na região da Luz, uma trinca cultural fortíssima: a Pinacoteca do Estado (foto), a Estação Pinacoteca e o Museu da Língua Portuguesa, único no mundo, pelo menos por enquanto, dedicado a um idioma. Em dois anos de vida, já atraiu mais de um milhão de visitantes. Estreou por lá, na última terça, a mostra em homenagem ao escritor Machado de Assis. É o preferido dos paulistanos e, além de oferecer exposições temporárias, usa recursos multimídia (áudio, vídeo e computador) para contar a história e colocar as pessoas em contato com a língua portuguesa. Ali pertinho tem também a Sala São Paulo, sede da Orquestra Sinfônica do Estado e que recebe também as mais importantes formações do mundo.
Rafael Jacinto