Uma viagem ao México
Não faltam filmes que relacionam a gastronomia com as outras coisas da vida. Isso já foi assunto aqui várias vezes (um deles foi quando lembramos do ragu italiano preparado pela Sophia Loren em Sábado, Domingo e Segunda). No ano passado, o crítico de cinema Rubens Ewald Filho e a jornalista Nilu Lebert publicaram um estudo interessante sobre isso. Reuniram no livro O Cinema Vai à Mesa (Ed. Melhoramentos) histórias e receitas de 25 filmes que viajam por várias cozinhas do mundo. Do clássico do gênero A Festa de Babette ao moderninho Maria Antonieta. Eles comentam também o 'protagonista' do comentário de hoje, a fita de Alfonso Arau Como Água Para Chocolate.
Vamos usá-la para retratar a cozinha mexicana e indicar restaurantes no Brasil onde é possível provar diversos pratos da terra dos mariachis (falando nisso, a trilha sonora de hoje é Besame Mucho, com o Trio Los Panchos)
Como Água para Chocolate (1992), de Alfonso Arau
Sinopse: tem roteiro baseado em livro homônimo de Laura Esquivel. A história se passa no interior do México, e narra o amor proibido entre Tita (Lumi Cavazos) e Pedro (Marco Leonardi). Proibido porque, segundo a tradição familiar, a caçula Tita deve permanecer solteira para cuidar da mãe na velhice. Pedro acaba se casando com a irmã mais velha. Mas, por intermédio da culinária, o casal mantém o romance, quase em tom de lenda. O filme mistura erotismo, romance e um pouco de história (Revolução Mexicana). A cena clássica acontece no casamento da irmã da protagonista. Tita faz o bolo e deixa cair lágrimas sobre a farinha. Resultado: quando os convidados comem, caem em pranto.
Curiosidade: o longa recebeu esse nome porque no México, país natal do diretor, a expressão é utilizada para dizer que alguém está excitado sexualmente.
Ingredientes recorrentes no filme: alho, mel, pimenta, milho (base da alimentação mexicana) e pétalas de rosa (!)
Receitas que Tita prepara para Pedro:
>> chabela (torta de pêssego)
>> codorna com pétalas de rosa
No livro O Cinema Vai à Mesa, as sugestões de receitas são:
>> guacamole
>> tequila
>> pão-doce com frutas cristalizadas
Sobre a cozinha mexicana, a chef Antonieta Pozas comenta algumas características:
“No Brasil, é comum encontrarmos a cozinha tex-mex e não a mexicana original. A tex-mex é relativamente nova, está associada à migração mexicana para os EUA e ao esquema fast food. A original é mais purista, menos junk, feita à base de muito milho, pimentas e carnes.”
“No norte do México, reina o trigo. No sul, o milho. Eu venho do centro do México, que mistura um pouco desses dois ingredientes, bases da nossa cozinha. A tortilla, que pode ser feita dos dois, é bem popular. Serve de prato, de colher, de taco. Eu faço minhas tortillas com o milho branco, que compro na Zona Cerealista ou na feira boliviana. A gente não usa o milho amarelo que vcs costumam comer na praia, no pratinho com manteiga e sal. A gente usa a variedade branca porque essa amarela se desfaz muito fácil.”
“Vi o filme Como Água para Chocolate. As receitas que a Tita faz são bem especiais. Codorna com pétalas de rosa não é um prato que se come com freqüência no México. Eu faço codorna com pimenta desidratada, é uma versão mais simples, mais comum. A chabela, que também aparece no filme, é como se fosse uma receita de torta de família, e varia muito de região pra região. O que fica é mesmo o apelo popular do abacate, comumente usado em sopas, sanduíches, ceviches, tacos. Mas vale lembrar: o guacamole não é um molho que se come todo dia, como a maioria das pessoas acredita. Ele acompanha alguns pratos específicos feitos com carne e alguns restaurantes mexicanos servem o guacamole como entradinha”
Vamos usá-la para retratar a cozinha mexicana e indicar restaurantes no Brasil onde é possível provar diversos pratos da terra dos mariachis (falando nisso, a trilha sonora de hoje é Besame Mucho, com o Trio Los Panchos)
Como Água para Chocolate (1992), de Alfonso ArauSinopse: tem roteiro baseado em livro homônimo de Laura Esquivel. A história se passa no interior do México, e narra o amor proibido entre Tita (Lumi Cavazos) e Pedro (Marco Leonardi). Proibido porque, segundo a tradição familiar, a caçula Tita deve permanecer solteira para cuidar da mãe na velhice. Pedro acaba se casando com a irmã mais velha. Mas, por intermédio da culinária, o casal mantém o romance, quase em tom de lenda. O filme mistura erotismo, romance e um pouco de história (Revolução Mexicana). A cena clássica acontece no casamento da irmã da protagonista. Tita faz o bolo e deixa cair lágrimas sobre a farinha. Resultado: quando os convidados comem, caem em pranto.
Curiosidade: o longa recebeu esse nome porque no México, país natal do diretor, a expressão é utilizada para dizer que alguém está excitado sexualmente.
Ingredientes recorrentes no filme: alho, mel, pimenta, milho (base da alimentação mexicana) e pétalas de rosa (!)
Receitas que Tita prepara para Pedro:
>> chabela (torta de pêssego)
>> codorna com pétalas de rosa
No livro O Cinema Vai à Mesa, as sugestões de receitas são:
>> guacamole
>> tequila
>> pão-doce com frutas cristalizadas
Sobre a cozinha mexicana, a chef Antonieta Pozas comenta algumas características:
“No Brasil, é comum encontrarmos a cozinha tex-mex e não a mexicana original. A tex-mex é relativamente nova, está associada à migração mexicana para os EUA e ao esquema fast food. A original é mais purista, menos junk, feita à base de muito milho, pimentas e carnes.”
“No norte do México, reina o trigo. No sul, o milho. Eu venho do centro do México, que mistura um pouco desses dois ingredientes, bases da nossa cozinha. A tortilla, que pode ser feita dos dois, é bem popular. Serve de prato, de colher, de taco. Eu faço minhas tortillas com o milho branco, que compro na Zona Cerealista ou na feira boliviana. A gente não usa o milho amarelo que vcs costumam comer na praia, no pratinho com manteiga e sal. A gente usa a variedade branca porque essa amarela se desfaz muito fácil.”
“Vi o filme Como Água para Chocolate. As receitas que a Tita faz são bem especiais. Codorna com pétalas de rosa não é um prato que se come com freqüência no México. Eu faço codorna com pimenta desidratada, é uma versão mais simples, mais comum. A chabela, que também aparece no filme, é como se fosse uma receita de torta de família, e varia muito de região pra região. O que fica é mesmo o apelo popular do abacate, comumente usado em sopas, sanduíches, ceviches, tacos. Mas vale lembrar: o guacamole não é um molho que se come todo dia, como a maioria das pessoas acredita. Ele acompanha alguns pratos específicos feitos com carne e alguns restaurantes mexicanos servem o guacamole como entradinha”
Marcadores: Como água para chocolate, culinária mexicana, filmes que tratam de comida







4 Comentários:
E, Viviane,
Uma coisa bacana também sobre a comida mexicana é que pratos como taccos e guacamole não exigem grandes áreas de cozinha para o preparo.
No Rio mesmo, havia uma pequenina lanchonete na Cobal do Humaitá que servia ótimos taccos e guacamole.
Então eu queria aproveitar para deixar uma sugestão para você: Um dia,escreva sobre esses bistrôs de museus e centros culturais no Brasil.
Veja só, eu não posso comentar sobre os de São Paulo, porque não vou a Sampa desde 96 (que coisa!), mas, no Rio, acho tudo tão repetitivo...
É sempre aquela mesma coisa...quiche, alguns salgadinhos assados, no máximo uma saladinha verde. Podiam servir, por exemplo, guacamole com torradinhas!
Fica a sugestão, e uma ótima noite para você!
Abraço,
Eliane.
Oi, Eliane. Muito bacana a sugestão, obrigada. Será um prazer fazer essa pesquisa em SP e acionando as fontes regionais também. A cozinha carece de atenção e imaginação nos museus, então, não é mesmo? De modo geral, acho que os museus no Brasil não são lá muito bem estruturados para receber.
...não quero ser injusta, mas quem sabe com essa promessa de investimento em recuperação e infra-estrutura para algumas instituições por parte do governo... Bom, aqui em SP, lembro que o café da Pinacoteca é simpático (às vezes o atendimento é confuso), o restaurante do MAM no parque do Ibirapuera idem e o Masp tem uma unidade do Uni, com seu bufê variado ali na região da paulista... Mãos à obra. Um abraço e até a próxima :-)
Obrigada, Viviane.
A verdade é que adoro passar um bom tempo dentro de museus, e por isso me incomoda tanto a precariedade das opções nos bistrôs.
Quanto à Sampa, como te disse, minhas últimas referências são de 96. Naquele ano, almocei um dia no MAM Ibirapuera, e, em outro, no MAC, na USP. Ok, mas são restaurantes, atendem a quem está de visita pela manhã e pode esticar até o almoço, ou o jantar.
Mas já aconteceu de eu passar uma tarde inteira em museus no Rio, Brasília, Porto Alegre, Salvador, e não ter algo legal para lanchar dentro dos museus.
Isto porque eles só tinham restaurantes maiores, e que só abriam para almoço ou jantar, ou porque os próprios pequenos cafés existentes não ofereciam opções legais.
Por tudo isso, Viviane, concordo totalmente com você - os museus recebem mal.
Quero ir a São Paulo ainda este ano, pois estou doida para conhecer o Museu da Língua Portuguesa e do Museu do Futebol.
Até lá, vou anotando as suas dicas!
Um abraço,
Eliane.
Postar um comentário
Links para esta postagem:
Criar um link
<< Início