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Porque comer bem é parte importante de qualquer viagem, este blog reúne comentários sobre atrações turísticas, restaurantes e bares destacados nas edições de VEJA O MELHOR DA CIDADE (publicadas em 19 regiões brasileiras e nas cidades de Lisboa e Porto, em Portugal) e de VEJA O MELHOR DO BRASIL, lançada regularmente em dezembro.

Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008

Rodízios variados

Se tudo der certo, daqui a não muito tempo a cidade de Curitiba terá uma rua chamada Albino Ongaratto, uma homenagem ao inventor do rodízio de carnes, que morreu em junho deste ano. Nos anos 60, Ongaratto tinha uma churrascaria na cidade de Registro, na divisa entre São Paulo e Curitiba, e teria criado a novidade para evitar as confusões produzidas por um garçom que nunca acertava nos pedidos dos clientes.

Embora exista muita gente que critique os rodízios, deve-se considerar que eles fazem bastante sentido quando se trata de cortes de carnes assados inteiros. Afinal, a carne na brasa assa de dentro para fora e, teoricamente, se a grelha for bem administrada, todos os clientes sempre podem escolher pedaços bem ou mal passados, sempre quentinhos, além de servir-se apenas dos cortes dos quais gostam mais.

Uma outra vantagem indiscutível é econômica, tanto para a churrascaria quanto para aqueles clientes que avaliam seu prazer gastronômico em medidas de quantidade.

Mario Rodrigues
A picanha é um dos cortes mais requisitados pelos clientes do Fogo de Chão

Uma prova inequívoca do sucesso e até da qualidade a que se pode chegar nos rodízios de carne é o grupo Fogo de Chão, que hoje tem três churrascarias em São Paulo, uma em Brasília, outra em Belo Horizonte e nada menos do que 10 nos Estados Unidos, onde ainda vai inaugurar mais três nos próximos meses.

A Fogo de Chão é a expressão máxima dessa modalidade de serviço que, curiosamente, além das carnes, se destaca também por ter balcões de saladas capazes de deixar felizes da vida os mais radicais dos vegetarianos.

Mas o rodízio foi muito além da própria carne, para alegria dos que adoram quantidade e desespero dos gourmets que consideram a refeição um momento sagrado, durante o qual é muito chato ser interrompido a todo momento por garçons oferecendo mais uma linguicinha, um pedacinho de frango. Na grande maioria das churrascarias e outros estabelecimentos de rodízio, aquela bandeirinha verde e vermelha que deveria ser um sinal para o prosseguimento do serviço é mais desrespeitada que semáforo de madrugada.

O outro ramo tradicional dos rodízios, o de pizza, cujo serviço pioneiro, pelo menos em termos de quantidade, foi o célebre Grupo Sérgio, que se instalou nos anos 70 em dezenas de cidades paulistanas. No começo, adolescentes faziam até torneios para ver quem comia mais e eu conheci um sujeito que deu conta de 33 pedaços de pizza, antes de rumar para o pronto-socorro.

Hoje as pizzas em sistema de rodízio estão espalhadas pelo país inteiro, mas embora pareça fazer sentido esse tipo de serviço, porque a pizza teoricamente está sempre quentinha, não há um único estabelecimento que opere nesse sistema que tenha vencido como melhor pizzaria de alguma das 20 cidades onde os jurados de Veja elegem os melhores estabelecimentos. Na melhor das hipóteses, uma casa de uma cidade ou outra levou um voto isolado, de um único jurado.

O Sushi Naka serve rodízio aos domingos

Mesmo assim, os rodízios continuam avançando sobre outros ramos culinários. Já nem é tão recente a chegada, por exemplo, aos restaurantes japoneses, e alguns até conseguiram preservar a qualidade nesse sistema. É o caso por exemplo do restaurante Sushi Naka, de Belo Horizonte, que vence como melhor da cidade há dez anos. É rodízio, mas só aos domingos – quando o movimento justifica a produção em massa – e só trabalha com ingredientes importados, como ovas e raiz forte do Japão.

No Árabe, o rodízio inclui receitas tradicionais e inovadoras

Outro ramo em que o rodízio parece fazer sentido é o de comida árabe, cuja mesa é tradicionalmente composta por uma grande diversidade de pratos. A restaurante chamado Árabe, de Goiânia, por exemplo, conquistou o título de melhor da cidade na sua especialidade adotando esse tipo de serviço. O Árabe dá ao cliente a opção de escolher entre 20 pratos diferentes, entre eles arroz com galinha, quibes, esfihas, grão de bico e os tradicionais charutinhos de uva. E, para acompanhar o banquete, a casa também oferece vinhos libaneses, um bom assunto para o Renato Machado, num dos seus boletins.

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