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Quinta-feira, 16 de Abril de 2009

Direitos (e deveres) do comensal



Tem gente que fica irritada em restaurante. Briga com o garçom, amarra uma cara feia quando ele faz alguma sugestão. E, pior, nem pede desculpa, como cantam Caetano Veloso e Jorge Mautner em Todo Errado. Ok, existe aquela regra de que o cliente tem sempre a razão. Mas às vezes, convenhamos, o cliente exagera também.

Lançamento da Editora SENAC Rio, o livro Um Menu de Aventuras – Como me Tornei Expert na Arte de Servir, é uma obra curiosa porque é quase um manual de comportamento para quem gosta de frequentar restaurantes, para as pessoas que apreciam boa comida e bom atendimento e também para quem trabalha nessa área.

A autora é a Phoebe Damrosch, que trabalhou durante 18 meses como garçonete no badalado restaurante Per Se, que fica em Nova York, Estados Unidos, e tem como chef de cozinha o aclamado Thomas Keller. Phoebe traz histórias curiosas sobre o universo frenético da cozinha de um grande restaurante e começa o livro, já na página logo após o sumário, com uma declaração de direitos do comensal. São dez os mandamentos:

1. Direito a ter sua mesa respeitada
2. Direito à água
3. Direito à comida que você pediu, na temperatura pretendida
4. Direito a um banheiro limpo e que funcione perfeitamente
5. Direito a talheres, copos, louça, toalha e guardanapos limpos
6. Direito à luz suficiente para a leitura do menu
7. Direito a ouvir seus acompanhantes falarem
8. Direito a ser servido até o horário de fechamento divulgado pelo restaurante
9. Direito a permanecer em sua mesa o tempo que desejar
10. Direito a sal e pimenta

Mas além dos direitos, a autora lista também alguns deveres, aos quais ela chama, de forma simpática, de dicas.

“Quando você não gostar da comida, não fique zangado com o garçom. Não foi ele que preparou. Peça para falar com o chef ou com o gerente”

“Telefone se você não for aparecer para uma reserva”

“Não faça cara de nojo ao ouvir as sugestões do dia. Outra pessoa da mesa pode gostar e querer fazer o pedido.”

Anote a dica:
Um Menu de Aventuras – Como me Tornei Expert na Arte de Servir (Editora Senac Rio, 2009, R$ 32,00)
O livro foi eleito um dos 100 mais interessantes pelo New York Times

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Quarta-feira, 8 de Abril de 2009

Pergunte ao crítico

Lembra do Anton Ego (a voz era de Peter O'Toole) em Ratatouille? Suas garfadas eram as que geravam mais expectativa. Poderosíssimo. "I don't like food, I love it. If I don't love it, I don't swallow." Ele personifica o estereótipo do crítico de gastronomia.

Back to the real world, sabemos que a relação do crítico, ou jornalista especializado nesse tipo de cobertura, com o público é uma relação de confiança. Ele vai, muitas vezes na frente, prova, tira conclusões e escreve ou fala das impressões. Mas como ele toma suas decisões?

Quando era a maior autoridade em restaurantes do New York Times, a crítica de gastronomia Ruth Reichl era, muito provavelmente, a figura mais temida nos salões mais ou menos badalados dos Estados Unidos.

Sua foto chegou a ser pregada nas cozinhas, de modo que a brigada avisasse os cozinheiros se por acaso ela aparecesse na casa. Uma palavra de Ruth sobre o lugar faria muita diferença. Era a reputação em jogo. Foi nessa época que a autora escreveu Alho & Safiras, livro em que reúne aventuras e desventuras na avaliação dos restaurantes de Nova York. Ruth -- encontrada hoje na revista Gourmet e em muitos scrolls no Twitter -- tinha uma rotina, digamos, cinematográfica (ou teatral) na apuração das casas.

Quando soube da história da foto nas cozinhas, lenda ou não, achou por bem começar a usar disfarces. Como uma atriz, “incorporava” pessoas diferentes que, de tão presentes em sua vida, chegaram a ir com ela ao consultório do analista. Criava histórias de uma vida inteira para os personagens. Uma solitária ricaça traída pelo marido, uma workaholic, uma senhora humilde. Todas as facetas ajudavam Ruth a testar os restaurantes, o serviço, o tratamento dado a diferentes tipos de pessoas. O disfarce virou marca registrada de seu trabalho como crítica, que incluía ainda, no mínimo, cinco visitas antes de desfilar suas impressões sobre um lugar. Ela era a mais poderosa de todas.

Todos os críticos trabalham assim? Provavelmente não. Cada um tem um método. Ruth desenvolveu uma técnica infalível? Não sei.

O que sei é que as informações que essas pessoas entregam nos ajudam a decidir onde ir (ou não ir) e o que comer (ou não). Portanto achamos de grande utilidade preparar um boletim especial em que críticos de gastronomia e repórteres especializados em restaurantes respondem o que todo mundo quer saber.

Como trabalham essas pessoas que dizem qual é o melhor ou pior destino?

- Quantas vezes um restaurante é visitado antes que seja feita a crítica a respeito dele? Por que?
- Você usa algum "disfarce"?
- Quem paga a conta?
- Durante uma visita, o "investigador" pode se identificar? Se sim... em que situação?
- Que importância é dada ao serviço/atendimento, na hora de cravar a avaliação final de um lugar?

Qual pergunta você gostaria de fazer a um crítico de gastronomia? Escreva pra gente. Vamos tentar trazer todas as respostas. Tchau :-)

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Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

Voltei, Recife











Foram duas semanas no Recife, na casa da irmã, como boa tia coruja de Vitória e Valentina. Filhas de pais paulistas, são meninas do Brasil. Uma é cearense de Fortaleza. A outra é pernambucana recém-nascida.

Minha segunda temporada de verão em Pernambuco foi, desta vez, mais concentrada na cidade. Cheio de atrações (bares, restaurantes, praias bacanas nos arredores, museus e passeios), o belo Recife está tomado por gente e por muitos carros . Clima de altíssima temporada, com direito a disputa até para entrar no supermercado -- nada que uma paulistana ou moradora de alguma grande cidade não esteja habituada. A diferença, positiva, é que é mais fácil escapar para a contemplação.

A capital do Pernambuco é repleta de passeios bacanas -- muitos destinos estiveram fechados vários dias nas duas últimas semanas (como a Fundação Gilberto Freyre e a Oficina de Cerâmica Francisco Brennand). Reabrem agora inaugurando a temporada 2009. Recife é também ponto de passagem para quem vai para as praias da região, para Fernando de Noronha ou outros lugares do nordeste como o litoral do Rio Grande do Norte e da Paraíba -- nada mal, aliás, queimar o asfalto até Pipa e passar o dia na Ponta do Pirambu em Tibau do Sul.

Ainda em Pernambuco, a querida e charmosa Olinda logo ali, ao seu dispor o ano inteiro, oferecendo como recompensa por subir as ladeiras históricas e sobreviver ao assédio dos guias lá na base, além da vista deslumbrante, a melhor tapioca da cidade (Alto da Sé).

>>passeios
>>restaurantes

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Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008

Uma breve retrospectiva gastronômica, com Etta James

At Last... com Etta James. Imaginei essa grande música invadindo os carros dos ouvintes da CBN. Transformando o tédio do trânsito em um início de tarde inspirador – certo, agora fui um tanto ambiciosa, mas quem sabe. Já tratamos outro dia dos efeitos positivos da boa música em nossas vidas: faz bem à saúde, para aplacar o stress etc. Aqui vai mais uma dose.



At last my love has come along
My lonely days are over
And life is like a song


Alguns dos destaques da série VEJA, O Melhor do Brasil , em 2008, ficaram bem posicionados, também, nas avaliações do Guia 4 Rodas. Restaurantes que deram o que falar em 2008. São casas que inovaram, que emplacaram títulos regionais, surpreenderam ou reforçaram a já conhecida boa reputação. Chama atenção o fato de que dois endereços bem avaliados no Guia 4 Rodas (a novidade do ano e o melhor da região norte) foram apontados por VEJA como restaurantes charmosos e românticos: os melhores para ir a dois.
Nélio Rodrigues
Mesa sob jabuticabeira no Hermengarda, em Belo Horizonte

>>Belo Horizonte: Hermengarda
Prêmios: eleito o melhor para ir a dois no especial de VEJA na capital mineira, foi apontado pelo Guia 4 Rodas como a novidade do ano.
Sobre a casa: o restaurante de cozinha contemporânea em Carmo Sion ganhou este nome em homenagem à avó do chef-proprietário, Guilherme Melo. Com o sócio, Ronaldo Soares, ele executa um cardápio que privilegia os ingredientes brasileiros em instigantes combinações. Como entrada, a lula grelhada recebe recheio de camarão, palmito e mussarela (27 reais). A sugestão do chef é o filé de badejo grelhado com moquequinha de caju acompanhado de mandioca e caju cozidos (46 reais). Funciona em uma casa da década de 40, e no quintal, sob uma jabuticabeira, uma mesa antiga de madeira (que pertenceu à avó de Guilherme) comporta doze pessoas.
Telefone: (31) 3225-3268

>>Manaus: Bistrô Ananã
Prêmios: eleito o melhor para ir a dois pelo júri do especial de VEJA, também foi apontado pelo Guia 4 Rodas como o melhor da região norte.
Sobre a casa: à frente da cozinha está a paraense Sofia Bendelak, premiada como chef do ano em 2007. O cardápio contemporâneo e de influência cabocla é bem enxuto e varia de acordo com as ofertas da estação. De entrada, Sofia serve pães caseiros de castanha, açaí e pupunha, acompanhado de patê e azeite aromatizado (8 reais) ou ainda o miniburguer de caranguejo com salada de folhas verdes (18 reais). A sugestão de prato principal é o filé de pirarucu em crosta de castanha, que chega à mesa escoltado por arroz de jasmin e tomate confit (38 reais). Para finalizar, há verrine de coco com manga (musse de coco com pedaços de manga), que custa 12 reais.
Telefone: (92) 3234-0056

>>Rio de Janeiro: Olympe
Prêmios: eleito o melhor francês da capital fluminense pelo júri do especial Comer & Beber de Veja Rio, ficou também com o título de melhor casa do Rio de Janeiro na eleição do Guia 4 Rodas.
Sobre a casa: o restaurante no Jardim Botânico é comandado pelo chef francês Claude Troisgros. No cardápio, destacam-se as combinações da gastronomia francesa com ingredientes brasileiros. Uma sugestão é o cherne temperado ao molho de passas e acompanhado de banana d’água dourada com caramelo (92 reais) ou ainda a codorna recheada com farofa de cebola e passas, acelga confit, minicebola e molho de jabuticaba (89 reais).
Telefone: (21) 2539-4542

E MAIS: quem observa as eleições promovidas pelos especiais de VEJA e pelo Guia 4 Rodas, pode concluir que o chef Tsuyoshi Murakami, do Kinoshita, e o restaurante Fasano, ambos em São Paulo, aparecem como grandes destaques da gastronomia brasileira no ano de 2008. Os dois faturaram as únicas duas premiações gastronômicas do especial O Melhor do Brasil: chef e restaurante do ano.

>>Kinoshita
Prêmios: eleito chef do ano no especial O Melhor do Brasil, também recebeu o título de chef do ano no especial Comer & Beber, de Veja São Paulo e no Guia 4 Rodas.
Sobre a casa: Tsuyoshi Murakami (foto) é dono e chef do Kinoshita, na Vila Nova Conceição, é uma figura singular. Ele nasceu no Japão, mas aos 3 anos mudou com a família para o Rio de Janeiro. Ele morou em Tóquio, onde trabalhou no centenário Ozushi, hoje fechado. Passou ainda por Nova York e Barcelona. Quando retornou ao Brasil, foi trabalhar no Kinoshita, na Liberdade e acabou casando com Suzana, a filha do patrão. Em 2007, Murakami se uniu ao empresário Marcelo Fernandes, ex-sócio do D.O.M., para abrir o Kinoshita da Vila Nova Conceição. Em cenário luxuoso, ele apresenta alta cozinha. É possível optar pelo menu degustação, que pode incluir vieira combinada a ovas de salmão e gema crua de ovo de codorna; sashimi de atum banhado em shoyu especial; camarão enrolado na folha de shissô (manjericão oriental) recheado de ovas de peixe-voador; e trio de polvo, tomate japonês e aspargo verde. Os preços do menu degustação variam entre 180 e 290 reais, dependendo da quantidade de pratos. No cardápio estão recomendações como picles de lichia enfeitado de pepino cru (17 reais) e o kobe beef (45 reais).
Telefone: (11) 3849-6940

>>Fasano
Prêmios: eleito o melhor restaurante de alta gastronomia no especial Comer & Beber, de Veja São Paulo e restaurante do ano pelo Guia 4 Rodas e pelo júri do especial de VEJA, O Melhor do Brasil.
Sobre a casa: o restaurateur Rogério Fasano, dono de outros treze endereços gastronômicos em São Paulo e no Rio de Janeiro, é o maestro de cada um dos detalhes do restaurante. Para uma refeição perfeita, colaboram o ambiente decorado pelo arquiteto Isay Weinfeld, o atendimento comandado pelo maître-gerente Almir Paiva, os rótulos escolhidos pelo pelo sommelier Manoel Beato e principalmente as receitas criadas pelo chef Salvatore Loi. No cardápio, há opções como o lombo de coelho recheado de cogumelo porcini com nhoque de azeitona preta (custa 120 reais) e o pennette ao foie gras de ganso (custa 120 reais).
Telefone: (11) 3062-4000

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Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008

Onde encontrar: ostra

Aqui no Brasil, há alguns grandes pólos produtores de ostra. Santa Catarina e Cananéia (litoral de São Paulo) fornecem para o Sul e Sudeste. No Norte e Nordeste também há cultivo de ostras, para consumo local.

O sabor muda de acordo com o local, as características da água e do clima. No Sul do país costumam ser maiores e têm mais sabor de água do mar. Já em Cananéia, no litoral paulista, as ostras perdem um pouco essa característica por crescerem em água menos salgada, típica de regiões próximas a manguezais.

Santa Catarina (único especial de VEJA que elege a melhor ostra)

>>Ostradamus: em Ribeirão da Ilha, ficou com o título de melhor ostra do estado segundo o júri de VEJA. No cardápio, aparecem 18 receitas com o molusco. Há opções como as ostras gratinadas com queijo argentino (23 reais a dúzia), ostras cozidas com redução de aceto balsâmico (25 reais a dúzia). Outra versão que faz sucesso são as ostras que, depois de marinadas em mel, são defumadas no próprio restaurante e servidas com pão de amêndoas (custa 26 reais a dúzia). As ostras frescas podem ser servidas no gelo com martini e gotas de limão (21 reais a dúzia). Aos sábados a noite acontece o festival da ostra. Além dos pratos do cardápio, o chef Jaime José Barcelos cria outras sete receitas para os clientes, que podem se comer à vontade e pagam 40 reais.

Na alta temporada, chegam a ser vendidas 1 450 dúzias de ostras em uma semana. Para manter a qualidade dos moluscos, Barcelos procurou o laboratório de microbiologia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). Foi instalado um depurador no restaurante, onde as ostras descansam por 12 horas antes de serem servidas. No tanque, ficam imersas em água do mar filtrada e eliminam as impurezas. Além disso, lâmpadas ultravioleta garantem a exterminação das bactérias na concha. Todos os meses, duas dúzias de ostras do Ostradamus são levadas ao laboratório da Universidade para serem analisadas.
Telefone: (48) 3337-5711

São Paulo
Rogério Voltan
>>Eñe: o restaurante no Itaim Bibi foi indicado como um dos melhores espanhóis da cidade na última edição do especial de VEJA. Entre as tapas (pequenas entradas), há o tartar de ostras (foto) -ostras frescas picadas finamente, temperadas e servidas com tomate cereja na própria concha. Custa 20 reais, a porção com duas ou três ostras (depende do tamanho).
Telefone: (11) 3816-4333
>>Confira aqui a receita do tartar de ostras do Eñe, em vídeo.

Rio de Janeiro

>>Yumê: o restaurante japonês no Jardim Botânico serve ostras empanada ao molho de tamarindo. A entrada custa 22 reais, com três unidades. Há ainda ostras in natura, que chegam à mesa em um prato com gelo e limão. Custam 23 reais seis unidades.
Telefone: (21) 3205-7321

Salvador

>>Mistura: o restaurante ficou com o título de melhor pescado da capital baiana na última edição do especial de VEJA. São servidas diariamente ostras gratinadas com parmesão no bufê de antepastos (custa 89,90 o quilo), que privilegia as receitas com peixes e frutos do mar. Há ainda porções de ostras in natura, servidas no gelo com limão (23 reais seis unidades)
Telefone: (71) 3375-2623

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Domingo, 28 de Setembro de 2008

A que horas fecha o restaurante?

Depois da sessão das nove da noite, no cinema, o jantar não sai antes das onze, certo? Se não tiver um porto seguro já programdo, normalmente consulta-se um guia de restaurantes para saber até que horas funciona a cozinha que o seu apetite deseja. O que me intriga é que, em geral, os estabelecimentos informam um horário de fechamento que tem a ver com as portas da casa e não com a função das panelas: a cozinha quase sempre encerra os trabalhos antes. Não faz muito sentido.

Tenho o hábito de jantar relativamente tarde, então sempre ligo antes para avisar que estou indo. Vou dar um exemplo. Sábado passado vi Linha de Passe no Shopping Frei Caneca e a sessão terminou pouco depois das 23h30. Decidi conhecer uma casa nova no Itaim. Horário de fechamento informado pelo lugar: uma da manhã, aos sábados. Para evitar transtornos, telefonei. "Vou chegar pouco depois da meia-noite, tudo bem?". A resposta foi: "Sim, vamos avisar a cozinha".

No fim das contas a refeição foi ótima, pela qualidade da comida. Só que a brigada comportou-se mal. Atendeu corretamente, até. No entanto não fez a menor questão de esconder que estava com pressa: o lixo foi retirado enquanto as mesas estavam ocupadas, os garçons conversavam em voz alta sobre quem conseguiria sair mais cedo naquela noite e o mâitre, pelo telefone de comunicação com os cozinheiros, avisou em alto e bom som que a cozinha podia recolher os intrumentos. "Parece que ninguém mais vai pedir sobremesa". Foi por aí. Mesmo considerando que pode ser simplesmente azar, episódio isolado, acho muito incorreto.

Não seria mais simpático (e muito mais útil), se os restaurantes informassem o horário de fechamento da cozinha e não a hora em que trancam as portas? Por mais absurdo que pareça, na maior parte dos casos, não é a mesma coisa. Só que, peloamordedeus, por que entraríamos em um restaurante se a cozinha (!!!) já se recolheu? Mais: é muito desagradável ser atendido por uma equipe que não esconde a ansiedade por partir. Demonstra despreparo e falta de respeito com o cliente. E aposto que prejudica a digestão.

(Um outro lado: uma amiga contou que certa vez chegou a um restaurante perto das onze e meia da noite, antes do fechamento. O garçom disse 'lamento, senhora. A cozinha já fechou'. Ora, pensou ela, então porque a porta continua aberta, como se quisesse receber? Foi embora. Quando já tinha alcançado a rua, um senhor abordou-a e perguntou porque tinha desistido do lugar. Ela explicou. Ele levou-a de volta: era o dono da casa. Não só resgatou a cliente na rua, como atendeu um outro casal na mesma noite. Hmm.)

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Terça-feira, 23 de Setembro de 2008

Onde provar o arroz negro

>>Rio de Janeiro: o Quadrucci, no Leblon, indicado pelo júri de VEJA como um dos melhores italianos da cidade, serve risoto de arroz-negro com polvo, lula e queijo mascarpone. 45 reais.
Telefone: (21) 2512-4551
Faixa de preço por pessoa: entre 61 e 100 reais
Marcos Pinto
>>Rio de Janeiro: o Aquim Café, no Leblon, serve um risoto de arroz negro com cordeiro e alecrim (foto), custa 48 reais. Em um sofisticado ambiente que combina a rusticidade do piso de madeira de demolição com móveis folheados a ouro, a proposta é atender a qualquer tipo de fome, do café da manhã ao jantar, passando pelo lanche da tarde.
Telefone: (21) 2512-4670

>>São Paulo: o restaurante Sal Gastronomia é comandado por Henrique Fogaça, eleito chef revelação pelo júri de VEJA. Fica em Higienópolis. O atum em crosta de gergelim guarnecido de palmito pupunha com arroz-negro custa 50 reais.
>>Aprenda a preparar a bruschetta de polvo e o cupim com farofa de banana servidos no restaurante
Telefone: (11) 3151-3085
Faixa de preço por pessoa: entre 51 e 75 reais

>>São Paulo: Amadeus, em Cerqueira César. A melhor casa de pescados da capital paulista serve dois pratos com arroz negro. O robalo assado em um saquinho de filme plástico (foto) chega à mesa com molho de tomate, alcaparra e azeitona preta. Ganha a companhia de arroz-negro e custa 64 reais. Outra opção é o camarão ao vinho branco com curry e alho-poró acompanhado de arroz negro, custa 79 reais.
>>Aprenda a preparar o camarão ao curry acompanhado de arroz negro servido no restaurante.
Telefone: (11) 3061-2859 e 3088-1792
Faixa de preço por pessoa: mais de 125 reais

>>Curitiba: o restaurante contemporâneo Edvino é comandado por Cláudia Krauspenhar, eleita chef revelação pelo júri do especial de VEJA na cidade. Fica no Batel. O arroz-negro é servido com frutos do mar (camarão, lula, polvo) e perfume de gim. Preço: 69 reais.
Telefone: (41) 3222-0037
Faixa de preço por pessoa: entre 50 e 70 reais

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Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008

Afiando os talheres: festivais de gastronomia em São Paulo

Quem estiver aqui em São Paulo nos próximos dias poderá aproveitar dois eventos de gastronomia, dos quais participam vários restaurantes da cidade: a Restaurante Week, em cartaz até 31 de agosto, e o São Paulo Bom de Mesa, que acontece nos dias 26, 27 e 28 de agosto.

Restaurant Week

Quando
: até o dia 31 de agosto
Como funciona: para esta edição, mais de cinqüenta restaurantes prepararam cardápios com entrada, prato principal e sobremesa a um preço fixo: almoço por 25 reais e jantar por 39.
O evento também atende uma causa social. Os clientes podem fazer uma doação opcional, acrescentando 1 real ao valor da conta que é repassado para a Fundação Ação Criança. Quem quiser e puder fazer doações maiores só precisa somar o valor ao preço da conta.

Alguns endereços participantes:
Divulgação
>>Le Petit Trou: as opções são um fricassée de peixe com creme de espinafre e purê de abóbora japonesa como prato principal do almoço e filé de garoupa ao ragu de legumes ou Coq au Cidre (foto), que é um frango caipira feito com sidra, para o jantar. Fica em Pinheiros.
Telefone: (11) 3097-8589
Faixa de preço por pessoa: de 76 a 125 reais

>>AK Delicatessen: a casa em Higienópolis serve picadinho de vitela com molho de páprica acompanhado de sptzel da vovó (massa fresca, espécie de nhoque sem batata), ovo pochê e chips de banana.
Telefone: (11) 3231-4497
Faixa de preço por pessoa: de 51 a 75 reais

A primeira edição da Restaurante Week aconteceu em São Paulo no ano passado e registrou, segundo os organizadores, um aumento de 30% no movimento dos restaurantes participantes – em relação ao mesmo período do ano anterior. É inspirada na Restaurant Week de Nova York, que surgiu há 16 anos, e cuja idéia se espalhou para diversas cidades do mundo. (Washington, Boston, Londres e Amsterdã).

Recife foi a segunda cidade brasileira a receber o evento, no mês passado. A capital do estado de Pernambuco vai repetir a dose no ano que vem. As próximas paradas da Restaurant Week são Salvador, Curitiba, Rio de Janeiro, Fortaleza, Belo Horizonte e Brasília.

Números das edições anteriores em SP:
- Restaurantes participantes: 45 na primeira edição e 49 na segunda.
- Refeições servidas: 15 mil na primeira edição. Na segunda, mais de 25 mil.
- Total arrecadado para causas sociais: a primeira edição paulistana arrecadou apenas 6 mil reais, mas já na segunda o total de doações foi de quase 22 mil reais.
- Estimativa de público para esta edição: 80 mil pessoas.

>>Confira a lista completa de restaurantes participantes da SPRW

São Paulo Bom de Mesa

Quando
: em São Paulo nos dias 26, 27 e 28 de agosto. Em seguida, em Valinhos e Campos do Jordão nos dias 29, 30 e 31 de agosto.
Como funciona: cada um dos chefs, dos nove restaurantes de São Paulo que participam do evento, desenvolve junto com um convidado (chef de algum restaurante de outra cidade do Brasil) um cardápio exclusivo. O preço varia de um lugar para o outro.

O tema deste ano é o centenário da imigração japonesa. Cada prato deverá conter pelo menos um ingrediente típico do país. Quem optar pelo prato especial vai ganhar o Prato da Boa Lembrança, que vem com o nome do restaurante anfitrião e do convidado. Essa já é uma prática conhecida.E tem gente que já coleciona os pratos.

Para a quinta edição do São Paulo Bom de Mesa, 3 000 pratos foram feitos por artesãos da região de Petrópolis, no Rio de Janeiro. Se faltar pratos, os clientes ganharão um “vale” e receberão a lembrança depois.

Alguns restaurantes participantes:

>>Amadeus: a chef Bella Mazano recebe o chef André Saburó do restaurante Taberna Japonesa Quina do Futuro, de Recife. No menu do festival, que será servido apenas no jantar de terça a quinta-feira, aparecem pratos como os camarões e cubos de salmão ao molho quente de saquê licoroso. O preço é 145 por pessoa pela refeição com cinco pratos, incluindo a sobremesa.
Telefone: (11) 3061-2859 e (11) 3088-1792
Faixa de preço por pessoa: mais de 125 reais

>>Arábia: a chef Leila Youssef Kuczynski recebe o chef Celso Freire do restaurante Boulevard, de Curitiba. O menu do Festival também será servido só no jantar. O prato principal é a paleta de cordeiro confit com molho de alho doce, purê de lentilha e crocante de cebola. O preço do menu completo é 85 reais, mas se os clientes optarem somente pelo prato principal, que custa 55 reais, também ganham o prato de porcelana.
Telefone: (11) 3476-2201
Faixa de preço por pessoa: de 51 a 75 reais

O São Paulo Bom de Mesa é organizado pela Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança, fundada nos anos 90 pelo chef italiano Danio Braga, que buscava estimular aqui no Brasil o hábito de levar uma lembrança depois de uma boa refeição. Assim surgiu o Prato da Boa Lembrança.
Hoje a Associação tem dezenas de restaurantes membros e promove festivais como este para fazer intercâmbio entre as cozinhas de diferentes cidades brasileiras. O Festival São Paulo Bom de Mesa já está em sua quinta edição.

A última edição em números:

- Restaurantes participantes: os mesmo desta edição, nove em São Paulo. Isso porque só participam os membros da Associação.
- Refeições foram servidas: 2 000 menus completos = 2 000 pratos distribuídos
- Qual a estimativa de público para esta edição? é esperado um crescimento de cerca de 20%, sendo esperadas 2 500 pessoas

>>Lista completa de restaurantes participantes do São Paulo Bom de Mesa

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Segunda-feira, 28 de Julho de 2008

Vamos começar pelo couvert

É segunda-feira e damos início aos trabalhos pelo o couvert. Muitas vezes gasta-se bem mais do que 10% do valor da refeição, por pessoa, para petiscar enquanto a comida "de verdade" não vem. Ou seja, não é só a água que puxa o valor da conta.

Resolvemos passear pelo Brasil, conferindo junto ao melhor restaurante de cada capital ou região avaliada pelo júri dos especiais de VEJA se o couvert é servido ou não, quais são os itens, preços e afins. Em média, o valor é 12 reais. Claro que ninguém escolhe o restaurante pelo couvert, mas talvez a informação mais surpreendente desse levantamento seja o fato de que todos os restaurantes consultados afirmaram que se só uma pessoa na mesa quiser consumir os acepipes, ela pode pedir sem nenhum problema e o valor não será repassado para os outros (é natural, na teoria, mas fico imaginando o garçom vigiando a mesa, cuidando para ninguém tocar no pãozinho a não ser que aceite pagar :)).

Será que vale entregar-se ao antepasto para acalmar a fome?

O mais caro
Está no Vale do Paraíba, em São Paulo, e custa 28 reais por pessoa. É no A Fonte Bistrô, em São José dos Campos, melhor restaurante da região. São dezessete itens no couvert, entre eles frios importados como o presunto cru e também queijos, como o brie Président. Além disso há pães, manteiga, sardela e pasta de berinjela. Se os clientes pedirem o couvert, podem tomar água San Pellegrino em taças de cristal austríaco Riedel à vontade durante toda a refeição.

A casa fica em um espaço escondido em uma pequena rua residencial e os clientes só são atendidos com reserva. Em um menu especial, há receitas exclusivas, como as lascas de tartufo branco sobre escalope de foie gras e mignon de vitela, guarnecidas de risoto de tartufo branco.
Telefone: (12) 3913-2211
Faixa de preço por pessoa: mais de 70 reais

>Obs. O melhor restaurante do Brasil, segundo o júri de VEJA, é o italiano Fasano. Fica nos Jardins, em São Paulo. A casa cobra 23 reais por pessoa por pão italiano preparado na casa, manteiga e um patê cujo sabor varia diariamente.

O mais barato
Está no Recife. É o antepasto do Wiella Bistrô, na Praia de Boa Viagem, a 5,50 por pessoa. Chegam à mesa torradas gratinadas com queijo parmesão e alho, brioches e ciabatas feitos na casa. Para acompanhar: patês de queijo e de tomate seco, manteiga aromatizada com ervas e terrine de frutos do mar ou de frango. Custa 5,50 reais por pessoa.

O Wiella serve receitas com sotaque francês. Uma sugestão para o prato principal é a codorna recheada com suflê de legumes e molho de jabuticaba. Para acompanhar, a carta de vinhos lista 230 rótulos dos Velho e Novo Mundos.
Telefone: (81) 3463-3108
Faixa de preço por pessoa: de 50 a 70 reais

O couvert de outros vencedores do Melhor da Cidade:

>>Na região do ABC, em São Paulo, o Baby Beef Jardim serve alho assado, manteiga, patês de sardela e de pupunha com champignon. Para acompanhar são servidos pão francês, pão com gergelim, pão de queijo e torradas de alho, todos feitos na casa. O preço do couvert é 12,50 por pessoa.

A casa levou cinco prêmios na última edição de VEJA na região: melhor carne, carta de vinhos, melhor variado, chef do ano (Geraldo Rocha) e o melhor do ABC. Há uma seleção de pratos que não ultrapassam 400 calorias, um deles é o linguado com purê de damasco e cenoura.
Telefone: (11) 4436-7869
Faixa de preço por pessoa: mais de 70 reais

>>Em Belém, Dom Giuseppe não serve couvert. Os comensais podem começar a refeição com as entradas do cardápio.

A casa, em Batista Campos, levou cinco títulos: melhor restaurante da cidade, melhor italiano, melhor carta de vinhos e chef do ano (Fábio Sicília). O chef procura incorporar às suas receitas ingredientes produzidos por pequenos produtores da região. O cardápio, porém, não deixa de preservar pratos e ingredientes italianos.
Telefone: (91) 4008-0001
Faixa de preço por pessoa: entre 30 e 50 reais

>>Em Belo Horizonte, o Taste-Vin, que fica em Lourdes, cobra 13 reais por pessoa por tomate desidratado, patê de fígados, musse de pepino e baguete italiana, pão com frutas secas, focaccia e torradas.

Dono da primera adega climatizada (na capital mineira), em que o cliente pode entrar para escolher seu vinho, prioriza receitas típicas da França. A sugestão de prato principal é o pernil de cordeiro sete horas, que assa durante esse tempo apenas regado com vinho branco, sobre fundo de cebola, alho, tomate, cenoura, aipo e alho-poró.
Telefone: (31) 3292-5423
Faixa de preço por pessoa: mais de 60 reais

>>Em Brasília, os clientes do Universal Diner pagam 6,50 reais e começam a refeição com pão ciabata preparado no próprio restaurante, que chega à mesa acompanhado de manteiga de ervas e azeite extra virgem de oliva. O preço é por porção e não por pessoa e custa .

A casa é comandada por Mara Alcamim, eleita chef do ano. A decoração tem estilo kitsch com direito à jacaré de pelúcia e um Fusca cor-de-rosa preso ao teto. Vale provar o camarão com curry, arroz picante com abacaxi e farofa de coco com amendoim.
Telefone: (61) 3443-2089
Faixa de preço por pessoa: mais de 70 reais

>>Em Campinas, interior de São Paulo, o Bellini Ristorante, em Cambuí, serve caponata (de berinjela, abobrinha, damascos, pimentões e castanha-do-pará), alho assado, alice com cebolinha e a manteiga são servidos diariamente, mas o sabor do patê é sempre diferente. Alguns dos mais preparados são o de peito de perú, kani e queijos. Outro petisco que sempre varia são os queijos ou frios que também chegam à mesa. Para acompanhar: pão italiano e crostata (massa bem fina assada com queijo parmesão). Custa 9 reais por pessoa.

O restaurante levou os títulos de melhor da cidade, melhor italiano e melhor carta de vinhos. Entre os cerca de sessenta pratos do cardápio, se destacam o namorado ao capo d'orso (com tomate, manjericão, alho, azeite, azeitonas pretas e camarão) e a minipolenta rústica com queijo gorgonzola.
Telefone: (19) 3755-8027
Faixa de preço por pessoa: mais de 70 reais

>>Em Curitiba, o restaurante Boulevard, vencedor desde 1998, tem couvert com pães italiano, multigrãos e ciabata são servidos com manteiga e azeite extra virgem de oliva aromatizado com alecrim. No almoço custa 6,50 por pessoa, mas no jantar é mais caro (R$ 11,80) pois inclui um complemento que sempre varia e pode ser receitas como o bolinho de bacalhau ou a carne cruda (carne crua marinada em temperos, semelhante á um cebiche de carne).

Além de ser o melhor da cidade é também o melhor francês e tem a melhor carta de vinhos. O cardápio dá igual destaque às culinárias francesa e italiana e traz surpresas, como o menu paranaense, uma seqüência de quatro pratos elaborados com ingredientes típicos do estado. Como prato principal, uma boa pedida é o coelho assado com cogumelos e quirerinha da Lapa (grão típico do Paraná que antes era utilizado para dar de comer aos pássaros).
Telefone: (41) 3224-8244
Faixa de preço por pessoa: entre 40 e 60 reais

>>No Espírito Santo, o restaurante Aleixo que fica na Praia do Canto em Vitória serve pão italiano ou ciabata com manteiga de ervas e azeite extra virgem de oliva. O preço é por porção e não por pessoa e custa 6,60; suficiente para dois.

O restaurante eleito o melhor da cidade também arrebatou os títulos de melhor carta de vinhos e melhor contemporâneo. Da cozinha comandada pelo chef Juarez Campos, bicampeão na eleição do chef do ano, saem receitas elaboradas, muitas com cocção a baixas temperaturas. No cardápio, figuram pratos como o bacalhau à aleixo (lombo de bacalhau cozido em imersão de azeite com cebola, batatas, alho e tomates-cereja).
Telefone: (27) 3235-9500
Faixa de preço por pessoa: mais de 70 reais

>>Em Fortaleza, a Cantina Caravaggio, no bairro da Varjota, serve um bufê de antepastos com cerca de 20 opções. O preço por quilo é 65 reais.

O cardápio da casa lista mais de cinqüenta itens. As massas são frescas e preparadas artesanalmente, à exceção do penne, do espaguete e do capellini, importados da Itália. A sugestão é o ossobuco com risoto arbóreo preparado no molho da própria carne.
Telefone: (85) 3242-4703
Faixa de preço por pessoa: entre 40 e 60 reais

>>Em Goiânia, o restaurante Piquiras, no Setor Oeste, cobra 9 reais por pessoa pelo couvert que inclui torradas, pães de queijo e pães franceses produzidos no Empório Piquiras, que chegam à mesa acompanhados de patê de fígado de galinha, mussarela de búfala, molho rose, tomates fatiados, presunto de parma e azeitonas.

O restaurante serve pratos da culinária internacional elaborados pelos chefs Lúcio da Fonseca e Vanessa Barcelos. Com inspiração na cozinha mediterrânea, há receitas como a paella à piquiras, que além do arroz leva frutos do mar e pescados como a patola de caranguejo, lagosta, camarão, polvo, lula, mexilhão e peixe; serve duas pessoas.
Telefone: (62)3223-8168
Faixa de preço por pessoa: entre 40 e 60 reais

>>Em Manaus, o restaurante Village, em Adrianópolis, o patê de atum e a pasta de berinjela são servidos com pão de queijo, azeitonas verdes e cubos de queijo. Custa 15 reais por pessoa.

O Village alcançou o tricampeonato como melhor da cidade. O cardápio inclui cerca de sessenta receitas, entre saladas, peixes de rio e de mar, risotos, massas e carnes variadas. Saído do forno, o filé de pirarucu ao molho de azeite vem coroado com um camarão graúdo e guarnecido de legumes no vapor.
Telefone: (92) 3234-3642
Faixa de preço por pessoa: entre 50 e 70 reais

>>Em Natal, o restaurante Abade, em Ponta Negra, ficou com o título. No couvert da casa são servidas torradas, mussarela de búfala, pasta de berinjela, azeitonas, pasta de ricota, tomate seco, queijos e frios. O preço é 7 reais por pessoa.

Rosa Maria Macêdo Holanda quis criar uma casa com cardápio que desse destaque para os pratos com bacalhau. Assim, no Abade, ele aparece em entradas como as lascas na manteiga e em pratos principais como o bacalhau com todos (lombo alto assado no azeite com alho acompanhado de batatas laminadas, legumes e verduras; para duas pessoas), campeão de pedidos.
Telefone: (84) 3219-4469
Faixa de preço por pessoa: entre 40 e 60 reais

>>O restaurante Koh Pee Pee, eleito o melhorde Porto Alegre não serve couvert.

A casa tem decoração do restaurante reproduz o interior das moradias tailandesas, com madeira rústica e fibras naturais. Especiarias importadas do país asiático, como leite de coco natural, pastas de curry, açúcar de coco e molho de ostras, conferem a cada receita autenticidade no sabor. Como prato principal, vale provar o khao pad goong é um arroz frito com legumes e camarão.
Telefone: (51) 3333-5150
Faixa de preço por pessoa: entre 50 e 70 reais

>>O Rufino’s Restaurant, na praia da Enseada no Guarujá, ficou com o título de melhor restaurante da Baixada Santista. O couvert custa 12 reais por pessoa e inclui sardinha escabeche (o peixe é frito e, depois de retirados os espinhos, é aberto e deixado no azeite por dois dias. Vai para a mesa temperado com legumes picados), marisco e lula ao vinagre, grão de bico, pão, manteiga, torradas de alho e azeitonas.

A casa é especializada em peixes e frutos do mar, com receitas de origem e inspiração ibéricas. Um prato tradicional é o espaguete ao vôngole. Para prepará-lo, os moluscos são cozidos no vapor para que se abram, e a água do mar que sai da casquinha é reservada para cozinhar o macarrão.
Telefone: (13) 3351-5771
Faixa de preço por pessoa: mais de 60 reais

>>No Rio de Janeiro, não há eleição do melhor restaurante da cidade, portanto consultamos as casas comandadas pelos premiados como chef revelação na capital fluminense. O Miam Miam, em Botafogo, não serve couvert.

O restaurante ficou com o título de chef revelação para Roberta Ciasca e melhor para ir à dois. A casa é decorada com móveis dos anos 50 e 60. Os rolinhos de rosbife com rúcula e parmesão em azeite de ervas casam bem com o drinque da casa, feito com saquê, manjericão, suco de maracujá e grenadine ou com o pink martini (gim, vermute seco e framboesa).
Telefone: (21) 2244-0125
Faixa de preço por pessoa: entre 40 e 60 reais

>>Em Santa Catarina, o Bistrô d'Acampora, em Florianópolis, serve um couvert diferente a cada dia. São preparados terrines de salmão, siri ou champignon, foie de frango, tomates confitados e torradas. Custa 12 reais por pessoa.

A casa não tem cardápio fixo. O ambiente do restaurante é acolhedor e ao mesmo tempo refinado, com mesas de madeira, cadeiras de diferentes formatos e outros elementos de decoração clássica. A adega climatizada acomoda mais de 2 500 garrafas de 620 rótulos diversas partes do mundo. Sempre se pode contar com pelo menos três alternativas de entrada e como prato principal há uma opção de ave, uma de carne e uma de pescado.
Telefone: (48) 3235-1073
Faixa de preço por pessoa: mais de 60 reais

>>Salvador: o restaurante Amado, no bairro do Comércio, é comandado por Edinho Engel. Para começar a refeição, chegam à mesa pasta de gorgonzola e de salmão, caponata de legumes, escabeche de peixes, manteiga e azeite acompanhados de pão de azeite, de nozes, integral e ciabata, todos feitos na casa.

A cozinha de base clássica explora os sabores e as texturas dos ingredientes regionais. Há pratos criativos como a moqueca de camarão com cajus e purê de inhame. A carta de vinhos lista 220 rótulos de dezesseis países, que ficam armazenados em duas adegas climatizadas com capacidade total para 2 000 garrafas.
Telefone: (71)3322-3520
Faixa de preço por pessoa: entre 40 e 60 reais

>>Em São Paulo, assim como no Rio, não há melhor da cidade. O AK Delicatessen é comandado por Andrea Kaufmann, eleita chef revelação pelo júri de VEJA, a casa ocupa um charmoso sobrado em Higienópolis. O couvert inclui patê de fígado, salada de pepino, homus e pães de cebola e integral feitos na própria casa. Custa 9 reais por pessoa.

Os pratos servidos são releituras das tradicionais receitas judaicas. Da cozinha saem o goulash de vitela guarnecido de spätzle e creme azedo e o medalhão de filé envolto numa fatia grossa de pastrami coberto por queijo brie gratinado ao molho cremoso de cogumelos e latkes, um tipo de bolinho de batata ralada.
Telefone: (11) 3231-4497 e (11) 3129-7359
Faixa de preço por pessoa: entre 40 e 60 reais

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Sexta-feira, 11 de Julho de 2008

O melhor de Campinas

O assunto hoje é Campinas. Conhecida como uma ‘metrópole do interior’, a cidade que fica a 100 quilômetros de São Paulo tem mais de um milhão de habitantes e uma agitada vida cultural, noturna e de lazer. Ir jantar, petiscar ou bebericar por lá é um programa rotineiro para muitos moradores de municípios vizinhos, como Jundiaí, Paulínia, Valinhos e Vinhedo...

Pois bem: a novidade gastronômica é que está chegando às bancas amanhã a mais nova edição de VEJA, o Melhor da Cidade de Campinas. Neste ano foram selecionados 439 endereços, entre restaurantes, bares, lanchonetes, padarias e afins. A divulgação dos vencedores, os melhores em cada especialidade, foi feita ontem à noite em uma festa na Sociedade Hípica.

Vou falar sobre o grande premiado da noite, um restaurante, e quem quiser conhecer mais endereços eleitos pelo júri e também obter informações completas do roteiro gastronômico no site de Veja Campinas.
Manoel Marques
Ambiente do Bellini Ristorante, o grande vencedor da noite

O Bellini Ristorante, no Cambuí, emplacou quatro troféus:

- é o melhor restaurante da cidade
- é o melhor restaurante italiano da cidade
- tem a melhor carta de vinhos
- e tem também a melhor chef (*)

O cardápio da casa possui sessenta pratos, renovados duas vezes ao ano. Alguns dos destaques são o namorado ao capo d'orso (com tomate, manjericão, alho, azeite, azeitonas pretas e camarão); e a minipolenta rústica com queijo gorgonzola. Para encerrar a refeição, a sugestão é a zuppa rossa, uma sopa de frutas vermelhas, iogurte, hortelã e espumante. A carta de vinhos campeã oferece mais de 370 rótulos que ficam abrigados em uma adega climatizada que guarda cerca de 600 garrafas. A chef Cristina Róseo, que trocou uma carreira de cientista social pelas panelas, comanda uma equipe de trinta pessoas e viaja muito pra buscar inspiração para os pratos do Bellini.

(*) Neste ano houve um empate na votação dos jurados e dois chefs receberam o título de melhor da cidade. A Cristina Róseo divide o posto com Jurandir Meirelles, que por dezessete anos trabalhou nas cozinhas do Grupo Fasano aqui de São Paulo. Hoje ele pilota as panelas da Forneria San Pietro, que fica na Vila Brandina.

Quer saber qual o preço de uma refeição por pessoa em restaurantes como a Forneria e o Bellini?
Por pessoa, um jantar sai a partir de 70 reais. O cálculo inclui couvert, um prato de custo médio, sobremesa, água mineral e serviço. Sem vinho.

Confira outros vencedores anunciados ontem

>>Melhor chope e melhor sanduíche
>>Melhor bar para dançar
>>Melhor padaria

>>O roteiro completo está aqui

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Sexta-feira, 4 de Julho de 2008

O Jardim Paulista, em São Paulo

Quando falei dos Leblons do Brasil, exclui São Paulo. Hoje vamos falar então do Leblon dos paulistanos: o Jardim Paulista.

Em uma rápida busca no site de Veja São Paulo, encontram-se 77 restaurantes no bairro. A maioria deles é especialista em cozinha italiana, são 21 no total entre cantinas, restaurantes e um de alta gastronomia. Entre os 17 restaurantes vencedores na votação do especial de Veja Comer & Beber em São Paulo, cinco estão no Jardim Paulista.
Mário Rodrigues
Salada fatuche servida no restaurante Arábia

Na Rua Haddock Lobo número 1 397 está localizado o restaurante Arábia. As receitas libanesas são da proprietária Leila Youssef Kuczynski. Da cozinha saem pratos como a salada fatuche que leva alface, rúcula, tomate, pepino e pão sírio torrado, com molho de romã. Para encerrar, vale provar o arroz-doce com amêndoa e pistache.

O Brasil a Gosto, do qual já falei várias vezes aqui no boletim, também fica no Jardim Paulista, mais precisamente na Rua Professor Azevedo do Amaral. A casa serve releituras de pratos regionais e utiliza ingredientes tipicamente brasileiros em receitas com toque contemporâneo. Vale provar o badejo em posta alta com crosta de baru, uma castanha típica da região do cerrado.
Mário Rodrigues
Foie gras com crocante de arroz selvagem e avelã do restaurante D.O.M.

Na Rua Barão de Capanema fica o restaurante D.O.M., do consagrado chef Alex Atala. A casa que levou o título de melhor contemporâneo da cidade serve pratos como o foie gras banhado por consomê de peixe bonito com cobertura crocante de pipoca de arroz selvagem com avelã. E não acabou ainda, por cima disso tudo vai uma bola de sorbet de cambuci, uma frutinha brasileira de sabor ácido. Apenas um exemplo da criatividade do chef que já foi premiado internacionalmente.

Na Rua Vitório Fasano, também no Jardim Paulista, fica o Hotel Fasano. Dentro dele, o restaurante de mesmo nome que além de levar o título de melhor italiano de alta gastronomia na última edição do especial da Veja São Paulo, foi escolhido também como o melhor do Brasil pelo júri do especial de Veja, O melhor do Brasil. Por lá é possível provar receitas como o stracotto de cordeiro cozido lentamente por sete horas em vinho tinto e ervas. Para acompanhar, chega à mesa raviole de batata com molho da própria carne.

Por fim, o quinto endereço premiado no Jardim Paulista é o do Antiquarius, que fica na Alameda Lorena. A casa tem matriz carioca e levou o título de melhor restaurante português da cidade. A dica por lá é provar o prato clássico que já virou marca registrada do Antiquarius: o bacalhau ao forno. A posta alta é servida com uma camada de cebola por cima e vem acompanhada de brócolis, tomate, batata e ovo cozido. Para encerrar a refeição, nada melhor que os doces de gema preparados no restaurante, o toucinho do céu se destaca entre as opções.

Para quem quer usufruir dessa fartura de casas premiadas, duas opções de hospedagem: primeiro o hotel Unique, que fica na Avenida Brigadeiro Luís Antônio e que é de longe o mais bem decorado e arquitetonicamente arrojado da cidade. As diárias para o mês de julho durante a semana saem a partir de 880 reais para o casal. Uma opção mais acessível é o hotel Quality Jardins, que fica na Alameda Campinas, próximo à Avenida Paulista. Por lá, as diárias para o casal também durante a semana saem a partir de 310 reais.

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Quinta-feira, 3 de Julho de 2008

Restaurantes no Chile e na Argentina

Na terça-feira, nosso comentário tratou de algumas atrações de Buenos Aires. Hoje quero ampliar um pouco aquela conversa e estender o assunto também para o Chile. Como esses são dois destinos muito procurados agora nas férias de julho, quero indicar alguns sites que possuem bons guias de restaurantes. Assim como os sites de Veja indicam os melhores restaurantes de diversas cidades brasileiras, nada mais útil para os turistas do que encontrar endereços na web que apontem boas casas entre bares e restaurantes. Assim, todo mundo já sai de casa programado.

Em Buenos Aires, quero falar primeiramente do Guia Oleo, que também tem uma versão impressa que pode ser encontrada em revistarias e livrarias da cidade. No site, os turistas encontram quase três estabelecimentos cadastrados. Cada um tem uma pequena resenha com fotos do ambiente. Os internautas podem se cadastrar no site, dar notas para cada restaurante e deixar seus comentários. É possível filtrar sua busca por regiões, por tipo de cozinha, por faixa de preço ou mesmo procurar o restaurante em um mapa da cidade. O guia é bastante detalhado e além dos restaurantes oferece também um guia de vinhos, com informações sobre alguns rótulos argentinos e endereços para compra.

O jornal argentino La Nacion também oferece um guia de bares e restaurantes on-line. O site oferece resenhas bastante completas ilustradas com imagens das casas. Do mesmo modo, o jornal O Clarín tem um bom serviço em seu guia de restaurantes em seu site. São endereços em Buenos Aires que podem ser agrupados entre as regiões da cidade ou o tipo de comida servida. As resenhas das casas são bem completas, com foto do ambiente dos restaurantes e há espaço para o comentários dos internautas.

Se mesmo assim o turista não encontrar o que procura há outros bons sites com informações sobre restaurantes de Buenos Aires como o restaurant.com.ar e o vidalbuzzi.com.ar.

Para quem está planejando uma viagem para esquiar em Bariloche agora no mês de julho, também há alguns endereços da web que fornecem informações sobre os restaurantes da região. O Guia Epicureo tem mais de 100 restaurantes cadastrados, todos em Bariloche. As casas são classificadas em faixas de preço e também em uma escala de qualidade que varia entre um e quatro garfinhos e a maioria está publicada com resenha e fotografias. O site também tem algumas receitas de pratos típicos da região.

Também para informações sobre os estabelecimentos de Bariloche, outra dica é o Guia Sabores. O Guia que também tem versão impressa indica os melhores restaurantes, casas de chá, cafeterias e chocolaterias de Bariloche. Grande parte dos estabelecimentos tem uma pequena resenha e imagens do ambiente para ajudar na hora em que os turistas forem decidir onde comer. Além dos restaurantes, o site disponibiliza receitas e indica algumas lojas de vinhos na região.

Para finalizar o boletim, em Santiago do Chile também tem uma boa sugestão de site para buscar informações sobre os restaurantes da cidade. O Santiagourmet indica os melhores restaurantes, bares e comidinhas (lanchonetes, pastelarias, cafeterias, sorveterias...) da capital chilena. Os estabelecimentos estão classificados em faixas de preço e divididos também por regiões ou por tipo de cozinha. Há pequenas resenhas com fotos de cada casa e os internautas também podem deixar seus elogios, reclamações e dar uma nota para cada restaurante.

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Terça-feira, 1 de Julho de 2008

Buenos Aires para brasileiros

Hoje eu quero falar de um destino internacional que tem caído cada vez mais no gosto dos brasileiros. Com o real valorizada em relação ao peso argentino, Buenos Aires se tornou um uma ótima opção para as férias. A capital argentina recebeu, só no ano passado, 500 000 turistas brasileiros.

É possível encontrar bons hotéis com diárias em torno de 200 reais. Um pacote ainda no mês de julho para o casal passar quatro dias na cidade se hospedando no hotel El Conquistador, que é quatro estrelas e tem localização central sai 1 500 reais. O valor inclui ainda traslado hotel/aeroporto e um city tour.

A Veja Rio publicou há duas semanas atrás uma matéria com dicas para os brasileiros que desembarcam na cidade, isso porque um terço do meio milhão de turistas brasileiros que visita a cidade é composto de cariocas. Quero dar algumas dicas de passeios e restaurantes na capital argentina que reuni entre as sugestões da Veja Rio e da revista Viagem e Turismo.

Buenos Aires é uma cidade plana, por isso a dica principal é caminhar. Mas, se a distância for muito grande, vale a pena pegar um táxi pois a tarifa é bem menor do que as que costumamos pagar aqui no Brasil e há uma oferta enorme de automóveis. Não deixe de caminhar pela Avenida Nove de Julho que, como gostam de dizer os argentinos, é a “mais larga do mundo” para ver o obelisco.
Pablo de Sousa
A primeira parada do roteiro é o Caminito (foto), a rua com casas multicoloridas no bairro de La Boca. As construções são pequenos cortiços que hoje, muito semelhante ao que aconteceu no Pelourinho na Bahia, abrigam lojas que vendem souvenirs e obras de arte. Os artistas também se espalham pela rua, onde é possível comprar telas, bijuterias e ver casais de bailarinos dançando tango. Uma boa pedida é esticar o passeio e visitar o estádio do Boca Juniors, o La Bombonera, que fica no mesmo bairro.

Outro passeio que não pode deixar de constar no roteiro dos brasileiros que visitam Buenos Aires é a Feria de La Plaza Dorrego. Todos os domingos, as ruas de paralelepípedo do bairro San Telmo recebem cerca de 270 barraquinhas da principal feira de antiguidades da cidade. O bairro é repleto de casarões dos séculos XVIII e XIX e fica lotado de turistas todos os domingos. A feirinha começa às 10 da manhã e fica montada até as 17 horas. Uma outra boa dica é explorar o circuito de antiquários nos arredores, onde há menos turistas.
Pablo de Sousa
O Malba (foto), Museu de Arte Latino-Americana, em Palermo, também é uma boa dica para quem passeia por Buenos Aires. A coleção de 222 peças é de Eduardo Costantini e inclui obras como a tela Abaporu, de Tarsila do Amaral que foi comprada em 1995 por 1,43 milhão de dólares. Há ainda a obra intitulada Autoretrato com Chango y Loro, da mexicana Frida Kahlo. O segundo andar do museu abriga exposições temporárias renovadas constantemente. A entrada custa 15 pesos

Para os fãs dos livros, CDs e DVDs, vale dar uma passada na livraria El Ateneo Grand Splendid. A rede de livrarias El Ateneo tem um espaço especial no seu endereço na Avenida Santa Fé. O imóvel que abriga a loja foi construído em 1919 para funcionar como um teatro. Hoje, os camarotes são espaços reservado para leitura e o palco, onde Carlos Gardel se apresentou inúmeras vezes, abriga um charmoso café. A livraria é a maior da América Latina, com cem mil títulos, muitos dele em inglês.
Pablo de Sousa
Linhas inspiradas no tango: a Ponte de la Mujer fica em Puerto Madero

Um bom lugar para um passeio é Puerto Madero. Os antigos armazéns da zona portuária estavam abandonados quando começou um grande projeto de revitalização das construções. Hoje, eles abrigam bares e restaurantes, muitos com terraços que dão para o rio. O calçadão é uma boa opção de passeio durante o dia ou a noite. Alí fica a Ponte de la Mujer, que tem um projeto arquitetônico moderno, inspirado na silhueta de um casal dançando tango.
Pablo de Sousa
Essa última dica pode até soar como um clichê. Mas não dá para sair de Buenos Aires sem assisitir a um bom show de Tango. Há muitas opções: entre aqueles que focam a destreza e a sensualidade dos bailarinos estão a Esquina Carlos Gardel, com ingressos a partir de 220 pesos, e o Piazolla Tango Desde, com entradas a partir de 180 pesos, que funciona dentro de um antigo teatro-cassino com pé-direto altíssimo e dois andares de camarotes. Em ambiente intimista, os shows do tradicional Café Tortoni, são bem mais em conta, os ingressos custam a partir de 45 pesos.

Mas não só as atrações culturais que atraem os turistas. Buenos Aires também chama muito a atenção de quem adora fazer umas comprinhas. Artigos de couro, que são muito em conta na região, são encontrados em profusão na tradicional Calle Florida. As grifes internacionais se estabeleceram em elegantes lojas da Avenida Alvear. O bairro da Recoleta abriga pequenas lojas que são muito charmosas e podem reservar boas surpresas aos turistas.

Os restaurantes também são outra grande atração de Buenos Aires. Na cidade é possível comer muito bem sem gastar tanto como se gasta numa cidade como São Paulo, por exemplo. E não vá pensando que o cardápio das casas se resume ao famoso bife de chorizo ou às carnes assadas na parrilla, a típica churrasqueira argentina. Há cozinhas de diversas nacionalidades e restaurantes para todos os gostos e bolsos.

Algumas das casas que vale visitar são:

>>Aramburu – o chef Gonzalo Aramburu estudou na escola de gastronomia parisiense Lenôtre e trabalhou com mestres como Daniel Boulud, em Nova York, e Charlie Trotter, em Chicago. No endereço em San Telmo, ele prepara verdadeiras obras-primas contemporâneas para o menu degustação, que sai por apenas 90 pesos, cerca de 48 reais.

>>Cabaña Las Lilas – a casa em Puerti Madero pertence ao premiado grupo paulista Rubaiyat e oferece cortes com preços um pouco acima da média. O bife de chorizo custa 76 pesos e a tapa de cuadril, 70 pesos ambos preparados na parrilla.

>>Casa Cruz – no Palermo, o chef Germán Martitegui prepara pratos de apresentação refinada, técnicas inovadoras e ingredientes locais. É o que ele chama de culinária argentina urbana moderna.
Bruno Agostini
>> El Sanjuanino – o restaurante na Recoleta serve as mais famosas empanadas portenhas (foto). O salgado, no formato de pastel, tem massa fina e recheios variados, mas a de carne é o carro-chefe. São servidos também outros pratos da cozinha campesina, como locro (cozido à base de canjica de milho) e tamales (espécie de pamonha salgada).

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Quarta-feira, 18 de Junho de 2008

Onde comer e se hospedar durante a SPFW

Até as parelelepípedos da capital paulista já sabem que começou ontem a São Paulo Fashion Week, o maior evento de moda da América Latina, que deve receber mais de 50 mil visitantes até a próxima segunda-feira, dia 23. Aqui vão algumas indicações para quem está programando visitar o evento, tanto para se hospedar quanto para comer bem nas proximidades.
Daniel Kfouri
O prédio da Bienal do Ibirapuera é o cenário dos desfiles da SPFW

Para a hospedagem, o hotel Unique, no Jardim Paulista, tem tudo a ver com o perfil do pessoal interessado por moda e design. Na edição do ano passado de Veja O Melhor do Brasil, o hotel foi apontado como o mais indicado para quem visita a São Paulo Fashion Week. O Unique tem um arrojado projeto com forma de arco invertido e janelas redondas idealizado pelo arquiteto Ruy Othake. E o melhor de tudo é a proximidade, o hotel fica a apenas dois quilômetros da entrada principal do Parque Ibirapuera, onde acontecem os desfiles. Quanto à disponibilidade, ontem o Unique só tinha vagas para quem chega a partir de amanhã, quinta-feira, com diárias à partir de 770 reais para o casal no quarto standard. O preço não inclui café-da-manhã, que custa 40 reais por pessoa.
Renata Ursaia
Fachada do hotel Unique: projeto de Ruy Othake

Outra opção bastante prática é o hotel Sofitel, que fica bem de frente para o prédio da Bienal. Na teoria, daria para ir a pé até o evento, atravessando uma passarela. Mas a área é tão mal cuidada que é melhor tomar um táxi.

Agora as opções para comer. Para quem se hospeda no Unique, vale conhecer o restaurante Skye, comandado pelo chef francês Emmanuel Bassoleil. Observando a bela vista, pode-se experimentar pratos como a polenta ao ragu de vitelo. Para a entrada a dica é a panacota de queijo feta guarnecida de folhas verdes, pêra cozida ao açafrão e calda de damasco.

Dentro do parque Ibirapuera, uma opção óbvia e bastante interessante para o almoço é o próprio Restaurante do MAM, que está alguns passos das passarelas. Mas nas imediações, para os almoços de negócios e para os jantares mais relaxados, depois de um dia inteiro de desfiles, há alguns dos melhores da cidade. Por exemplo, o Brasil a Gosto, que adapta a para paladares mais delicados algumas opções típicas da culinária brasileira, como a carne-seca desfiada e refogada com cebola, acompanhada de batata doce na manteiga de garrafa.
Divulgação
Ambiente do restaurante D.O.M., do chef Alex Atala

Bem de acordo com o clima está também o D.O.M., melhor cozinha contemporânea da capital paulista e único restaurante brasileiro a figurar na lista dos 50 melhores do mundo. Vale provar o atum grelhado em crosta de gergelim que é servido com um mix de cogumelos.

Para finalizar o boletim, sobretudo para a turma que precisa vigiar a silhueta com esmero de modelo, uma opção interessante é o Ráscal, melhor restaurante de comida rápida da cidade que tem um endereço na rua Leopoldo Couto de Magalhães, não muito longe do prédio Bienal do Ibirapuera. Na casa, os clientes podem se servir em um bufê de saladas, que inclui pratos como o cuscuz marroquino com abacate. Há ainda bufê de massas, de grelhados e trinta sabores de pizza.

>>Saiba as novidades da SPFW aqui.

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Quarta-feira, 11 de Junho de 2008

Vegetariano, macrobiótico ou natural?

Já falei aqui no boletim sobre alguns restaurantes que limitam ou mesmo eliminam as carnes e outros produtos de origem animal dos cardápios. Mas hoje quero dar informações mais precisas sobre cada tipo de alimentação natural. Com a ajuda do Dr. Eric Slywitch, que é responsável pelo departamento de nutrição da Sociedade Vegetariana Brasileira, coletei algumas informações sobre cada um dos tipos de alimentação.

Os vegetarianos de verdade, também chamados de estritos ou vegetarianos puros são aqueles que não utilizam nenhum derivado animal na sua alimentação – nem ovo nem leite. No Rio de Janeiro, o restaurante Vegan Vegan segue à risca essa orientação. A nutricionista Thina Izidoro é praticante da alimentação vegetariana desde 1979. Ela é adepta da corrente vegan e exclui até o uso de mel nos preparos. No restaurante carioca, há sempre duas opções de prato do dia. Além disso, o cardápio oferece receitas como o tempe (bolo fermentado de soja) grelhado, iscas shiitake ou shimeji, glúten acebolado, panqueca de cogumelo e omelete de tofu (sem ovos, só com o queijo de soja) servidos com arroz integral e salada. Às quartas, sextas e sábados serve feijoada feita de tofu semidefumado e shiitake, couve mineira, arroz integral, farofa crocante, gelatina com ágar-ágar (extrato de algas com consistência parecida ao da gelatina animal) de laranja.
Mário Rodrigues
Feijoada vegetariana servida no restaurante Gaia, em São Paulo

Os ovolactovegetarianos não comem nenhum tipo de carne, mas admitem ovos, leite e laticínios na sua alimentação. O restaurante Gaia, no bairro de Pinheiros, em São Paulo, segue essa alimentação. Por lá, há sempre algumas opções de menu para os clientes escolherem, que são diferentes todos os dias. São duas entradas, três pratos principais e duas sobremesas. Há receitas como rocambole de ovo com queijo cottage e espinafre, lasanha de vegetais e estrogonofe de proteína de soja. Os únicos pratos fixos são a feijoada vegetariana, às quartas e sábados, e o nhoque da fortuna no dia 29 de cada mês.

Já o lactovegetariano, como o nome já diz, topa leite mas não ovo. Em Brasília, o restaurante Amor à Natureza segue esse tipo de alimentação. A casa utiliza queijos e leite na preparação dos pratos, mas ovo não entra na cozinha. O restaurante tem mesinhas espalhadas sob as árvores e os clientes podem se servir em um farto bufê. Fazem sucesso a maionese preparada com iogurte natural e tofu e a feijoada com salsicha vegetariana e glúten. Outro prato bem diferente servido na casa é a moqueca de cajú. Na receita, a fruta substitui os peixes e frutos do mar.

O que muita gente não sabe é que a alimentação macrobiótica pode ou não ser vegetariana. O cardápio dos macrobióticos é baseado nos cereais integrais, principalemente no arroz. A macrobiótica divide os alimentos em grupos e apresenta indicações específicas quanto à proporção de cada um destes grupos que deve ser ingerida diariamente. Uma das bases científicas é o consumo da combinação sódio e potássio em proporções semelhantes às que o organismo saudável apresenta. A macrobiótica não recomenda também o uso de leite, laticínios ou ovos, que são pouco comuns nas receitas. Em Belo Horizonte, o restaurante Fonte de Minas segue esse tipo de alimentação. A casa oferece 200 variedades de pratos alternadamente em oito opções diárias. As receitas levam algas e ingredientes orgânicos. Como entrada, vale provar a sopas missoshiru (pasta de soja salgada) ou a de painço. A sugestão de refeição é a combinação de três pratos segundo o equilíbrio yin/yang. Às quintas, o restaurante também serve peixes.

Mas estas são apenas algumas das correntes de alimentação vegetariana. Há ainda a alimentação crudivorista, na qual são utilizados apenas alimentos crus, ou aquecidos no máximo a 42ºC. A utilização de alimentos em processo de germinação (cereais integrais, leguminosas e olegainosas) é comum nessa dieta. Outro tipo de alimentação é a frugivorista, que baseia o cardápio nos frutos. Nesse caso, o conceito de frutos segue a definição botânica e inclui castanhas, sementes e grãos. Os frugivoristas não comem folhas ou raízes. Mas estes tipos de alimentação ainda são pouco comuns no Brasil.

E, por fim, apesar de não serem considerados vegetarianos, os restaurantes naturais oferecem boas opções para quem quer uma alimentação mais saudável sem carne vermelha. Os restaurantes naturais são os mais comuns pelo Brasil. Em Porto Alegre, o restaurante Vida oferece um bufê onde também aparecem opções de peixe e frango. Há sempre pelo menos 50 sugestões entre saladas, pratos quentes e sobremesas. Os sucos naturais estão incluídos no preço. A salsicha vegetariana, feita com beterraba, castanha do pará e queijo, faz a alegria dos freqüentadores. Nas sobremesas, além das frutas da estação, há doces caseiros como o pudim de leite condensado.

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Quarta-feira, 4 de Junho de 2008

Para ir a dois

Está chegando o dia dos namorados e que ainda não fez reserva para aquela saidinha romântica deve começar a ficar preocupado. Para facilitar a procura, hoje vou indicar alguns dos estabelecimento eleitos na especialidades "melhor para ir a dois" de algumas cidades e estou deixando a lista completa com todos os lugares eleitos nas 20 regiões em que temos edições de O Melhor da Cidade.
Gualter Naves
O ambiente do Café do Museu, em Belo Horizonte

Começando por Belo Horizonte, o lugar eleito foi o Café do Museu, que ainda outro dia foi comentado aqui no boletim. A casa, muito charmosa, fica dentro do no Museu Histórico Abílio Barreto. Às quintas-feiras, como é o caso do próximo dia 12 de junho, o lugar recebe recebe músicos que tocam jazz para os clientes. Uma sugestão para os pombinhos é pedir de entrada a panelinha de cogumelos (mix de funghi porcini, cogumelos paris, shiitake e shimeji). Depois escolher um prato do menu especial que será divulgado no dia 9 de junho, conforme o espírito do casal, e encerrar com a tarte tatin, famosa torta francesa em que as maças ficam embaixo da massa, servida com sorvete de canela.

Em Curitiba, o melhor lugar para ir a dois é o Full Jazz. Inspirado nos bares de jazz de New Orleans e Chicago, destaca-se pela decoração na qual uma parede de nichos, atrás do bar, é preenchida com garrafas do chão ao teto. No dia dos namorados, quem irá animar a festa é Bibba Chuqui e banda, a partir das 22 horas, depois do jantar. O cardápio tem diversos drinques elaborados com champanhe, perfeitos para noite romântica, como kir royale, que combina o espumante francês com creme de cassis.
Selmy Yassuda
Hall de entrada do bar e restaurante Miam Miam, no Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, a dica é correr para reservar uma mesa no Miam Miam, o restaurante de Botafogo comandado por Roberta Ciasca, a chef revelação da última edição do especial Comer & Beber. O ambiente com luz amena e som baixinho foi decorado com móveis dos anos 50 e 60 e é convidativo para casais. Para o dia dos namorados, o cardápio tem três opções de entrada, cinco de pratos principais e três sobremesas. Exemplos: bifinhos de vitela empanados com salsa provençal e servidos com legumes grelhados no azeite trufado e, alternativa para os vegetarianos, noodles de legumes com cogumelos frescos e creme de ervas.

Em Salvador, o lugar romântico é o Bar da Ponta, construído sobre um píer desativado, o anexo do Trapiche Adelaide tem paredes de vidro e vista para a Baía de Todos os Santos e para o Elevador Lacerda. No dia dos namorados, vale a pena chegar cedo e observar o pôr-do-sol das mesinhas do Bar da Ponta. Não deixe de provar o camarão new orleans, receita presente no cardápio do Trapiche Adelaide desde a sua inauguração, é servido com molho velouté de peixe e pimenta. As ostras frescas trazidas de Santa Catarina são outra boa pedida. Para casais. Bebam marguerita.
Fernando Moraes
A alameda logo na entrada doSalommão, em São Paulo, é o espaço preferido dos casais

Em São Paulo, o bar Salommão, de Higienópolis, fica a meio quarteirão da Paulista e foi inaugurado em março do ano passado, com sucesso imediato entre os enamorados. Na entrada está o ambiente preferido dos casais – uma alameda à meia-luz, cheia de plantas e árvores frutíferas, embalada por MPB ao vivo. Como o ambiente fica ao ar livre, os proprietários tiveram uma boa sacada para as noites frias não atrapalharem o clima de romance. Eles oferecem mantas de lã para os casais se aquecerem. Depois partilhar uma garrafa de vinho, vale conhecer os vários ambientes do centenário casarão. Para o dia dos namorados, a casa terá um prato especial ainda não definido, mas já está certo que todos os casais terão sobremesa por conta da casa: um muffin duplo com calda de chocolate em cima e de frutas vermelhas em volta.

Outras opções pelo Brasil são:

>>ABC – o eleito pelo júri foi o Giramundo. A casa com 500 metros quadrados é dividida em cinco ambientes temáticos. Há a sala árabe, onde acontecem apresentações de dança do ventre; o jardim decorado com palmeiras; uma área com ladeira; um espaço reservado para quem quiser fumar narguilé; e o pátio externo rodeado de arcos romanos.

>>Belém – o Boteco das Onze, que fica na Cidade Velha, foi escolhido pelo júri do especial de Veja o melhor bar para os casais na capital paraense. A casa tem ambiente romântico com luz baixa e uma área externa, onde os clientes podem apreciar a bela vista para a Baía de Guajará e para o Complexo Feliz Lusitânia.

>>Brasília – o Rayuela é uma mistura de bar, café e restaurante. No andar superior, há um mais cantinho intimista, com espreguiçadeiras e música ambiente, perfeito para os namorados. Entre os drinques, vale provar o cronópios, que combina água tônica sabor cítrico, uva verde, vermute seco, vodca e hortelã.

>>Campinas – a dica na cidade é visitar o Cafezal em Flor na noite dos namorados. A casa foi eleita pelo júri do especial de Veja a melhor para ir a dois. O espaço começou como um café, mas passou a funcionar também como bar. A noite o clima fica romântico com a iluminação de velas. A novidade da casa são as cervejas especiais, como a irlandesa Guinness, a alemã Erdinger e as brasileiras Baden Baden e Therezópolis.

>>Espírito Santo – o Bangalô, em Vitória, foi inaugurado em janeiro deste ano, mas mesmo com o pouco tempo de funcionamento já ganhou o título de melhor lugar para ir a dois da região. A casa terá música ao vivo o repertório é MPB, com voz e violão. Para beliscar, uma boa pedida são as pérolas de abóbora (bolinhos de abóbora recheados com carne-seca e servidos com molho de catupiry).

>>Fortaleza – na capital cearense, um bom programa para o dia dos namorados é uma visita ao Café Pagliuca. Ao som de música ao vivo, os clientes podem degustar petiscos como o carpaccio de salmão e o bolinho de macaxeira com carne-de-sol.

>>Goiânia – o Dalí Bar & Taberna, no Setor Nova Suíça, é perfeito para a comemoração dos casais goianenses. Para beber, a dica é a a sangria, especialidade da casa. O cardápio tem opções da culinária espanhola, como o spaghetti à escaramella, feito com a massa ao molho especial, azeite, costelinha de porco e ervas.

>>Manaus – o Ton Biz, que fica em Tarumã, foi o escolhido pelos jurados do especial de Veja como o melhor espaço para os casais na capital do Amazonas. O ambiente no melhor estilo cabana tem teto de palha e paredes de bambu é decorado com cadeiras de vime. O mezanino é mais reservado e por isso um dos espaços preferidos dos casais.

>>Natal – o Guinza Blue, em Ponta Negra é um bar anexo ao restaurante Guinza – eleito o melhor oriental da cidade. O ambiente aconchegante, com confortáveis sofás e cadeiras a meia-luz, faz sucesso entre os casais que procuram um lugar tranqüilo para tomar um drinque, petiscar e namorar.

>>Praia – na região da Baixada Santista, o bar Juá, que fica na Ilha Porchat, em São Vicente, foi eleito o melhor para ir a dois. Com 35 anos de existência, o bar-discoteca tem uma bela vista das baías de Santos e São Vicente. A casa tem um cardápio extenso, onde se destacam petiscos como o filé aperitivo ao molho madeira e as iscas de frango e de peixe.

>>Porto Alegre - o Mercatto D’Arte é um bom destino para a noite dos namorados. Boa parte do sucesso com os casais se deve ao ambiente, decorado com peças de antiquário, que se renova constantemente, já que tudo ali está à venda. Para beber as dicas são a caipirinha de morango com saquê e o clericot de vinho branco.

>>Recife – o Boratcho, na Pina, é a dica para quem for passar o dia dos namorados em Recife. O bar tem decoração colorida e iluminação discreta. O cardápio tem sotaque mexicano e oferece opções como o cantinflas, que é um taco de carne moída. Para beber, a teiquirosca é feita com tequila e frutas (morango, acerola, serigüela ou umbu-cajá)

>>Santa Catarina – o clima romântico do Vecchio Giorgio, em Florianópolis é composto pelo ambiente decorado com além de objetos antigos como geladeiras, lustres e telefones, parede com tijolos de demolição e convidativos sofás e poltronas. O forno a lenha completa o pacote. De lá saem pizzas, beirutes e pães.

>>Vale do Paraíba – o Bar da Lareira em Campos do Jordão fica dentro do Grande Hotel. Uma grande lareira aquece o ambiente e para o friozinho do inverno vale a pena provar o drinque chocolate grande hotel, que leva, além do doce, gin, licor nocello e chantilly.

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Quinta-feira, 29 de Maio de 2008

O bairro do Batel, em Curitiba

Continuo hoje falando daqueles bairros que concentram bares e restaurantes com um charme a mais, os Leblons do Brasil – lembrando que a conversa de ontem, sobre a Savassi, o Leblon de BH rendeu uma interessante informação sobre a história do bairro que mais tarde vou postar aqui no blog. Mas hoje vou falar do Leblon de Curitiba, o bairro do Batel, que abriga 53 restaurantes e 38 bares de qualidade, conforme o site Veja Curitiba.

Vou falar de alguns campeões.

O restaurante Badida, que fica na Avenida Batel, foi escolhido pelos jurados como o que serve a melhor carne da capital paranaense. O proprietário Joel Troib aprendeu com o pai, fundador do restaurante, tudo o que sabe sobre assados. Cortes como a picanha e o bife de chouriço são importados da Argentina. Os assados são servidos à la carte e há sempre um combinado do dia, que oferece carne acompanhada de salada mista, salada de cebola, batatinha, salada de berinjela com passas e pimentão, pães e azeitona. Como sobremesa, a sugestão é o brownie com sorvete. Para acompanhar, a carta de vinhos lista cinqüenta rótulos, a maioria chileno e argentino.
Jader da Rocha
O Babilônia Gastronomia & Cia, em Curitiba, une diferentes funcionalidades

O Babilônia Gastronomia & Cia também fica no bairro do Batel, mais precisamente na Alameda Dom Pedro II. A casa funciona 24 horas e recebeu o título de melhor fim de noite da cidade – um título que bem poderia ser também Melhor Começo de Manhã ou Fim de Tarde. O espaço tem múltiplas funcionalidades. Além de bar, restaurante e cafeteria, tem loja de vinhos com 150 rótulos, e revistaria, mas também vende perfumes, charutos e utensílios de cozinha. A cozinha obedece a uma escala do cardápio. O sushi-bar fica aberto das 17 às 3 horas. As receitas picantes do restaurante Miss Saigon podem ser degustados todos os dias, das 19 horas à 1 hora da manhã. Vale provar o camarão miss saigon, com camarões cozidos em molho típico tailandês, leite de coco, tamarindo, kaffir e capim-limão, servido com casca de laranja e coco ralado torrado. Acompanham arroz de coco e nuggets de banana. Das 23 às 6 horas são servidas massas, sopas e batatas suíças. A cafeteria tem opções o dia inteiro e oferece café-da-manhã nos fins de semana e feriados, das 5 às 11 horas.

Para ouvir a melhor música ao vivo da cidade, o endereço também fica no Batel. É o Santa Marta, instalado em uma casa octogenária da Rua Bispo Dom José. O palco montado no salão principal é reservado à MPB às terças, ao samba-rock às quartas, ao pop às quintas e à surf music aos domingos. No segundo andar, há sala de sinuca, bar e um camarote, que é muito disputado para festas de aniversário. O cardápio é outro destaque do bar, que homenageia a padroeira dos cozinheiros. As sugestões de petisco são o bolinho quiró, quitute de mandioca recheado com carne-seca, e a chapa de carneiro (paleta inteira assada com legumes grelhados e purê de batata). Para beber, serve chope Stella Artois e o coquetel chorinho, feito com rum, suco de laranja, limão e abacaxi e grenadini. Aos sábados, abre para o almoço com bufê de barreado e apresentação de chorinho.

Agora, para quem procura o melhor lugar para paquerar, a dica é o TAJ, também na Rua Bispo Dom José. Nas noites de domingo, o salão principal vira uma pista de dança comandada pelo DJ Thiago Rangel. Nas outras noites, o bar segue mais a linha restaurante e, no jantar, quem se senta no salão pode apreciar a vista para duas araucárias iluminadas. A culinária asiática domina o cardápio. Uma das sugestões para petiscar são os minirrolinhos primavera, com recheios de frango ou de siri, servidos com molho agridoce e teriaki. Uma opção de prato principal é o ghengiskhan's pasta, massa oriental com mignon e legumes grelhados ao molho de saquê e tonkatsu. O thaj chicken green curry vem com cubos de frango e legumes ao molho green curry, feito com leite de coco e especiarias. É servido com arroz. A lista de bebidas tem coquetéis, cervejas e chopes.
Jader da Rocha
O ambiente do Sheridan's Irish Pub, no bairro do Batel em Curitiba

Por fim, o melhor chope de Curitiba também etá no Batel, mais precisamente no Sheridan's Irish Pub, na Avenida Bispo Dom José. A casa tem nove variedades da bebida, além de quarenta marcas de cerveja nacionais e importadas. Antes de ser servido, o tradiconal chope irlandês Guinness descansa por cerca de um minuto. Nesse intervalo, a bebida se separa da espuma, cuja densidade mantém a temperatura ideal até o último gole. A paixão pela bebida se estende ao cardápio, com receitas que levam cerveja. É o caso do prato guinness stew (tiras de mignon ao molho de cerveja stout, acompanhadas de broa preta).

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Terça-feira, 27 de Maio de 2008

Bares e restaurantes no Leblon

Uma coisa que a gente aprende fazendo especiais de gastronomia é que toda grande cidade brasileira tem uma espécie de bairro do Leblon, um lugar que concentra a maior parte dos estabelecimentos premiados pelas edições de Veja, O Melhor da Cidade em cada praça. Por exemplo, em Fortaleza, o bairro Varjota é uma espécie de Leblon daquela cidade. Em Porto Alegre, o bairro Moinhos de Vento é o Leblon local. Então, para estes próximos dias, programei uma espécie de seriado tratando dos diversos Leblons de todo o Brasil. E para começar, vamos falar do próprio bairro do Leblon, no Rio de Janeiro. A região tem nada menos do 132 estabelecimentos indicados no site Veja Rio como as melhores opções gastronômicas locais. Entre três dezenas de bares e restaurantes premiados pela edição anual do especial de Veja Comer & Beber, cinco ficam no Leblon.
O corte exclusivo da Giuseppe Grill, feito com perna de cordeiro

A Giuseppe Grill levou o título de melhor carne/rodízio da cidade é um exemplo. A casa fica na Avenida Bartolomeu Mitre e tem também um endereço no centro da cidade. No Leblon, o ambiente é refinado, com obras de artistas plásticos brasileiros nas paredes e uma adega com 450 rótulos de vinho. Os cortes nacionais ou importados da Argentina são assados no grill ou na churrasqueira a carvão diante dos clientes. Para acompanhar, são servidas guarnições com gostinho de comida caseira, como é o caso do arroz com ovo, da farofa de cebola e do creme de espinafre. Boas pedidas são a maminha, a picanha e um novo corte criado pela casa com pernil de cordeiro, o transversale.

O restaurante Celeiro, de onde uma vez apresentei um boletim, também fica no Leblon, mais precisamente na Rua Dias Ferreira. Tudo começou há 25 anos, quando as irmãs Lúcia e Bia Herz já não supriam a demanda de pedidos por seus bolinhos de cenoura que eram assados em casa e vendidos na Barraca do Pepê, em São Conrado. Foi então que elas decidiram alugar uma lojinha no Leblon. A dupla, com a ajuda da mãe, Rosa Herz, criou outras receitas para compor o cardápio. Entre pães, salgados, bolos e doces, são as saladas que dominam a cena. São combinações de folhas, frutas, verduras e legumes produzidas em hortas e pomares livres de agrotóxicos. No bufê, onde há diariamente cinqüenta variedades – mais dois pratos quentes e oito opções de molho –, é possível deparar com clássicas receitas como feijão-branco e tomate seco, frango e castanha de caju, quinoa e rabanete, misturadas às imprevisíveis, e não menos apetitosas, novidades criadas pelo trio a cada semana.
Sushi de ovo de codorna e azeite de trufa branca do Sushi Leblon

O Sushi Leblon, que fica na mesma rua que o Celeiro, levou o título de melhor japonês do Rio de Janeiro. São servidos sushis e sashimis de atum, salmão, olho-de-boi, robalo, namorado, pargo, tainha, serra, linguado, xerelete, enguia, vieira, camarão, polvo. O sushiman Francivaldo das Chagas aprendeu a técnica com Jun Sakamoto, que brilha em São Paulo. A casa está sempre renovando o cardápio. O chef do chef Ricardo Sanz, responsável pelo Kabuki, sucesso em Madri, foi convidado para comandar um festival no restaurante do Leblon. A aprovação entre a clientela foi tanta que suas receitas foram mantidas entre as sugestões da casa. Vale provar o sushi de agulhão com ovo de codorna e azeite de trufa branca, criação de Sanz, o ceviche de ouriço-do-mar em limão siciliano, gengibre e pimenta dedo-de-moça ou o sashimi morno de peixe, vieira e camarão em cítricos e fio de azeite quente.

O restaurante português Antiquarius também fica no Leblon, na Rua Aristides Espínola. Os portugueses Carlos Perico e Antonio Pimenta dirigiam uma antiga pousada em Elvas, na região do Alentejo, próximo à fronteira com a Espanha. Há trinta anos, inauguraram uma casa no Rio. O ambiente discreto e elegante, com imagens sacras, prataria inglesa e móveis doutros séculos, o serviço impecável e a farta culinária que vai muito além do bacalhau atraem sempre novos clientes. Vencedora do título há onze anos, desde a primeira edição do prêmio Comer & Beber, a casa do Leblon tem também um endereço na Barra.
O ambiente do Jobi, eleito o melhor boteco da cidade

Por fim, para encerrar a lista com os estabelecimentos vencedores no especial Comer & Beber que ficam no bairro do Leblon, quero falar de um bar. O Jobi, que não tem hora para fechar. O boteco é chefiado pelos irmãos Narciso e Manuel Rocha. Aberto em 1956, o Jobi está sempre cheio: há o público do horário do almoço; os que fazem do lugar um ponto de encontro pós-praia; e aqueles que terminam a noite seduzidos pelo chope e por seus apetitosos quitutes, como o bolinho de carne-seca com catupiry e o rissole de frango. Expostas no balcão ficam as empadinhas de camarão, frango e palmito, outro xodó dos freqüentadores. Mas nada bate a cultuada porção de carne-seca acebolada com farofa.

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Quinta-feira, 22 de Maio de 2008

A estação do pinhão

Agora que estão chegando as festas juninas, os supermercados das regiões mais quentes começam a oferecer uma variedade de vegetal que parece exótica para muita gente, mas na verdade nada mais é do que uma semente muito comum nas áreas mais frias, o pinhão. As festas juninas são o modo pelo qual a maioria conhece o pinhão, mas o fato é que ele é bastante utilizado na culinária das regiões em que há araucárias, também conhecidas como pinheiros-do-paraná.
O pinhão ganhou espaço até nas receitas mais elaboradas

Em Visconde de Mauá, divisa dos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, há todos os anos, sempre no mês de maio, o Concurso Gastronômico do Pinhão. Os restaurantes da região criam pratos incorporando o ingrediente e chefs renomados dão aulas de culinária. A edição deste ano acabou recentemente e contou com a participação de chefs como Flávia Quaresma e César Santos. Vale marcar na agenda para o ano que vem.

Todos os meses de junho, há também a Festa do Pinhão em São José dos Pinhais, no Paraná. Na região, as araucárias que estão ameaçadas de extinção, ainda permanecem comuns. Nessa época também são servidos diversos pratos com o pinhão. Além disso, a cidade recebe shows, atrações e elege a Rainha do Pinhão. Este ano, a décima primeira edição do evento começa no dia 6 de junho e dura três dias.
Leandro Fonseca
A carne de javali preparada no La Gália também pode levar molho de pinhão

Eu comentei há pouco tempo aqui no boletim o Lá Gália, que foi escolhido como o restaurante que serve a melhor truta da região da montanha no especial de Veja, Mar, Vale e Montanha. A casa, que fica em Campos do Jordão, também incorpora o pinhão em algumas de suas receitas. O proprietário e chef da casa, Paulo César da Costa, sugere a truta à gália, recheada de lâminas de salmão, coberta por molho bechamel, gratinada ao forno com queijo roquefort e guarnecida de arroz de pinhão.

No Rio, a dica é provar a pizza de pinhões assados e triturados, com lingüiça de javali, queijo de cabra cremoso e orégano da Eccellenza Pizzaria, que fica em Botafogo. Mas atenção, porque ela só entra no cardápio durante o inverno, geralmente a partir do mês de junho.

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Quarta-feira, 21 de Maio de 2008

O melhor do Espírito Santo

Ontem a noite, houve a festa de lançamento do especial de Veja, O Melhor do Espírito Santo. Foram revelados os estabelecimentos eleitos pelo júri da edição deste ano, que já chega às bancas no fim de semana.
Valter Monteiro
A enorme adega do Aleixo ocupa toda a parte de trás do restaurante

O vencedor como melhor restaurante da região, além de levar os títulos de melhor contemporâneo e melhor carta de vinhos foi o Aleixo, na Praia do Canto. Quando foi inaugurada, em 2005, a casa tinha como proposta exaltar o vinho. Uma enorme adega climatizada que acomoda 2 000 garrafas ocupa toda a parede do fundo do restaurante. Da cozinha comandada pelo chef Juarez Campos, bi-campeão na eleição do chef do ano, saem pratos elaborados, muitos com cocção a baixas temperaturas. O cliente pode optar por duas opções de menu-degustação: um com peixes e frutos do mar e outro com carnes e aves. No cardápio, figuram pratos como o bacalhau à aleixo (lombo de bacalhau cozido em imersão de azeite com cebola, batatas, alho e tomates cereja) ou ainda o lombo de cordeiro marinado em ervas e servido sobre ratatouille de legumes. Vale começar pela carne cruda all'albanese (carne crua picada e aromatizada com alho, limão siciliano e azeite de trufas brancas). Para finalizar, a dica é a trilogia de chocolates, que traz o ingrediente em três texturas e temperaturas diferentes: como suflê, musse e sorvete. O sommelier chileno Bóris Azevedo pode auxiliar na escolha de algum dos 200 rótulos da carta.

Uma especialidade que é característica da eleição de Veja entre os capixabas é a melhor moqueca. Este ano mais uma vez o Pirão foi eleito o restaurante que serve a melhor moqueca da região. Se você perguntar por Hercílio Alves da Silva na região de Vitória é provável que ninguém saiba te dizer quem é. Mas é só falar no Pirão para que o reconheçam na mesma hora. Uma marca registrada de Pirão é sua caricatura. Criada há mais de 20 anos por Milson Henriques, ela aparece no cardápio, guardanapos e na parede do restaurante. O proprietário conta que o desenho era estampado até nas suas folhas de cheque. Nas paredes da casa vêem-se também fotografias do anfitrião com fregueses famosos (de Elke Maravilha ao presidente da República). É só pedir que ele também mostra seus seis cadernos repletos de fotografias e autógrafos de celebridades que visitaram o restaurante. O estabelecimento tem nas moquecas de badejo e robalo as mais procuradas -- 50 quilos de peixe, aliás, chegam diariamente ao restaurante. A moqueca de camarão também é bastante requisitada.
Gilvan Barreto
O ambiente do Lareira Portuguesa tem pinturas inspiradas nos azulejos portugueses

Uma das novidades na lista de vencedores é o Lareira Portuguesa, tradicional restaurante português de Vitória, que fica na Enseada do Suá. Os proprietários Romeu e Liseta Fonseca são portugueses, mas estavam morando em Angola em 1975, quando eclodiu a guerra civil. Como ele era militar, decidiu deixar o país levando sua mulher e os dois filhos, Fernando e Sandra. O destino escolhido foi o Brasil. A família se estabeleceu em Belo Horizonte e depois de três anos no país, foram passar férias em Guarapari. Mesmo com tempo chuvoso, a família gostou da cidade e decidiu se estabelecer, assumindo o comando de um pequeno restaurante português. Foi assim que começou a história do Lareira Portuguesa, que está completando 30 anos, 19 deles com uma estrela no Guia Quatro Rodas e 20 com endereço em Vitória. Este ano foi premiado também com o título de melhor casa de pescados pelo júri de Veja Espírito Santo. Liseta, que é formada em nutrição e sempre gostou de cozinhar, preparava os pratos no início, seguindo as receitas que aprendera em Portugal. Hoje, a casa conta com uma equipe de cozinheiras treinadas por ela. O cardápio lista 16 pratos com bacalhau -- por mês são vendidos uma média de 800 quilos do peixe, que é importado da Noruega. Para acompanhar, há uma carta de vinhos com 120 rótulos, na qual se destacam os portugueses. As garrafas ficam acomodadas em três adegas climatizadas: só a do salão armazena 800 garrafas.

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Terça-feira, 20 de Maio de 2008

A Ilha das Caieiras, em Vitória

O boletim de hoje foi feito diretamente de Vitória. Como já tinha prometido antes, quero comentar a Ilha das Caieiras.

Caieiras era uma ilha, próxima à uma área de mangue e isolada do continente. Hoje, depois de um processo de aterro, se tornou uma pequena península de Vitória, na região da Grande São Pedro, periferia da cidade. A área ficou conhecida em um primeiro momento por suas desfiadeiras de siri, profissão que permanece até hoje. Com tempo, muitas das desfiadeiras abriram seus restaurantes na região, que se tornou um pequeno pólo gastronômico. A grande maioria das casas fica à beira da Baía de Vitória.

Quero indicar três casas no bairro.

O Mirante da Ilha tem como proprietários os cariocas César e Bel Azevedo. O restaurante fica instalado no segundo e terceiro andares da casa do casal e tem vista para a baía e para o manguezal. De entrada, a sugestão é a casquinha de siri com farinha temperada e vinagrete. Prato principal: moqueca de robalo ou badejo com molho de camarão (serve duas pessoas). Outras opções são a frigideira de siri com camarão, o arroz de marisco ou ainda a famosa torta capixaba.
A tradicional moqueca capixaba é servida nos restaurantes da Ilha das Caieiras

Outra casa da região é a Moquecaria Teresão. O restaurante se chamava só Teresão, mas quando a nova dona, Betânia Varejão, assumiu ela fez mudanças no nome e no cardápio. Para começar, a sugestão é o camarão no bafo (camarão lameirão - do mangue - flambado com conhaque, acompanhado de vinagrete e farofa). Como prato principal, a sugestão é a moqueca de badejo ou robalo com molho de camarão, arroz e pirão. Outras opções são a mariscada capixaba (parecida com a torta capixaba, mas sem palmito, azeitona e bacalhau), e a moqueca de camarão lameirão. O restaurante serve torta capixaba o ano inteiro, isso porque o prato é típico da época da Semana Santa. A casa tem um terraço com mesas e uma bela vista para o manguezal.

Mais uma casa na região é o Pirão da Ilha, que fica ao lado do píer da Ilha das Caieiras. Por lá, Conceição Ferreira, ex-desfiadeira de siri, e o marido Rogério da Silva, pescador, mais conhecido como Pirão, servem porções de camarão lameirão frito, moqueca de robalo com molho de camarão, risoto de camarão e torta capixaba. Depois do almoço, os clientes podem fazer um passeio pelo manguezal num barco do próprio restaurante.

>>Mais detalhes sobre os restaurantes aqui.

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Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

O calor de Cuiabá

Na sexta-feira passada e em diversos outros boletins, apresentei sugestões de passeios em lugares frios. Mas hoje quero dar uma sugestão para quem detesta passar frio. Não há melhor lugar, no Brasil, para se esconder do inverno do que a cidade de Cuiabá, tida como a mais quente do país. Há uma foto publicada em alguns sites da internet que mostra um termômetro de rua em Cuiabá marcando 34 graus centígrados – à noite...

A temperatura média anual da cidade é de 26 graus e, entre agosto e outubro, chega facilmente ao 40.

Mas, além de passar calor, Cuiabá tem atrações bem interessantes para turistas.
Milton Shirata
Pôr-do-sol em Cuiabá

O Guia Quatro Rodas indica, por exemplo, dois bons lugares para comprar artesanato indígena. Um é a Loja Artíndia, da Funai, que vende objetos fabricados por etnias de todo o país. São peças como colares, cestas, bolsas de palha, bancos de madeira e chocalhos. Do Mato Grosso há peças Xavante, Karajá e das 16 etnias do Parque do Xingu. A outra possibilidade é a Casa do Artesão, que fica num casarão antigo onde se encontram peças artesanais de todo o estado, sobretudo cerâmica cerâmica, tecelagem, doces e licores caseiros.

Cuiabá é também um das portas de entrada para a Chapada dos Guimarães, que fica a apenas 69 quilômetros da capital matogrossense. O cenário combina cerrado, cachoeiras, cânions e formações rochosas. Para quem gosta de turismo de aventura, é possível praticar rapel.

Vale lembrar também que de Cuiabá se tem acesso muito fácil ao Pantanal, uma das principais reservas de biodiversidade no mundo. A menos de 100 quilômetros da capital estão as cidades de Barão de Melgaço e Cáceres, ambas muito adequadas para quem quer fazer safáris fotográficos quanto para pescadores que desejam fisgar alguns dos grandes peixes da região.

Na hora de fazer uma paradinha para repor as energias, Cuiabá tem dois restaurantes estrelados no Guia Quatro Rodas.

>>O Mahalo tem uma estrela no Guia e oferece receitas criativas em um ambiente sofisticado. O nome da casa é uma saudação havaiana. A chef Ariani Malouf comanda a cozinha e prepara pratos como o camarão crocante com abobrinha e shitake. Outra boa pedida é a perdiz recheada com farofa e ervas acompanhada de risoto de queijo brie e brócolis.
Divulgação
Prato do restaurante Mahalo em Cuiabá

>>O Al Manzul recebeu duas estrelas e o título de melhor restaurante árabe do Brasil. Para a preparação das receitas, ingredientes como folhas de uva, trigo, semolina, água de laranjeira, suco de romã e gergelim são importados do Líbano, da Síria e da Jordânia. Entre os pratos oferecidos na casa se destaca o carneiro assado por 15 horas. Outras boas opções são a pasta de berinjela com suco de romã e o falafel (bolinho de fava). Para encerrar a comilança, doces caseiros como o ataif.

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Quinta-feira, 15 de Maio de 2008

Corrientes 348

O boletim de hoje foi feito diretamente da churrascaria Corrientes 348, em Brasília. O nome da casa é referência ao primeiro verso do famoso tango argentino chamado A Media Luz. A casa foi eleita a que serve a melhor carne da cidade pelos jurados da edição especial de Veja, O Melhor de Brasília.
Divulgação
O ambiente da churrascaria em Brasília

Tiago Boita Laude, é um dos proprietários da casa. De família gaúcha, ele já tem experiência no ramo de churrascarias. Mas na casa brasiliense buscou criar um ambiente que lembrasse o máximo possível as casas da Argentina. Na Corrientes 348, você se sente como se estivesse em uma churrascaria da Calle Florida, em Buenos Aires. Uma agradável varanda com mesinhas é o local ideal para fazer as refeições.

No cardápio, também predominam os cortes argentinos. Boas pedidas são o ojo de bife, que é um miolo de contra-filé portenho, e o bife de churizo. Vale provar também a bisteca de cordeiro e a picanha de cordeiro. Para acompanhar a comilança, a carta de vinhos oferece bons rótulos, onde também se destacam os argentinos.

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Terça-feira, 13 de Maio de 2008

As melhores casas de Campos do Jordão

Ontem já falei do melhor restaurante, Baronesa Von Leithner, e da melhor carta de vinhos, do Charpentier, ambas em Campos do Jordão. Então para quem vai curtir o frio do próximo feriado em Campos do Jordão, aí vão outras opções.

A churrascaria Beto Perroy, em Descansópolis, ficou com o título de melhor carne da região. A casa fica no caminho para o Horto e tem na localização uma de suas atrações. Instalada em uma construção de madeira, inspirada em um pub australiano, fica dentro da mata de araucárias em um ambiente tranqüilo. A churrasqueira no estilo fogo de chão à moda gaúcha surge logo na entrada. Os clientes podem contemplar os espetos de fraldinha, picanha, cordeiro e lingüiça, que em pé, na vertical, assam lentamente. O sistema, comum no sul do país, faz com que a carne não fique em contato direto com o fogo, assim, a gordura, em lugar de se perder nas chamas, escorre pelas peças, ajudando a cozinhá-las. O resultado é um produto final mais macio. O bufê completo inclui carnes, saladas e sobremesas à vontade. A casa tem ainda pratos preparados no fogão a lenha, como o rondelli e a abobrinha gratinada. Na seção das sobremesas, há maria-mole, doce de leite, banana assada com canela e bolos.

Para comer a melhor sopa da região serrana, a dica é o La Coupole, em Capivari. Com vinte anos de funcionamento, o restaurante é um dos mais tradicionais de Campos do Jordão. A campeã de pedidos é o creme de mandioquinha com funghi. A criação mais recente é a sopa de aspargos frescos e vinho branco, gratinada com parmesão. Para sobremesa, a dica é a banana caramelada com sorvete de creme.

Os jurados do especial de Veja escolheram a truta do La Gália como a melhor da região. A casa que fica no bairro de Capivari mantém os peixes em embalagens a vácuo, o que dispensa o congelamento. Desse modo, o filé mantém o frescor e a textura. Entre os pratos, o proprietário e chef Paulo César da Costa sugere a truta à gália, recheada de lâminas de salmão, coberta por molho bechamel, gratinada ao forno com queijo roquefort e guarnecida de arroz de pinhão. As criações com o peixe fazem tanto sucesso que a casa chega a servir 400 pratos em um fim de semana.

O melhor fondue é o do Toribinha, que fica no Hotel Toriba. O estabelecimento surgiu em 1965 e fez sucesso nesses 42 anos servindo só fondue. A casinha de madeira em estilo alpino comporta apenas 40 pessoas. Por isso, os lugares são disputados. Na temporada, a reserva deve ser feita com uma semana de antecedência. Além das versões clássicas, como a de queijo, o cardápio do Toribinha traz variações mais leves. Há a fondue de pescados, na qual cubos de salmão, truta, linguado e camarões são imersos em caldo de peixe ou em um dos sete tipos de molho: ervas, cerefólio, limão, salsinha, raiz-forte e shoyu, limão com gengibre e tártaro. Na sobremesa, vale apostar no clássico de chocolate com frutas.

O Confraria do Sabor foi escolhido como o melhor internacional pelo júri do especial de Veja, O Melhor do Mar, Vale e Montanha. Também em Capivari, o restaurante se destaca pelo preparo high-tech dos alimentos. Estudioso das técnicas culinárias modernas, o chef e proprietário Fernando Couto importou, entre outros equipamentos, um forno digital que permite o controle preciso da temperatura. O equipamento permite, por exemplo, o cozimento de carnes a baixas temperaturas e tempo prolongado, opção que preserva a textura, maciez e suculência sem comparação. Um caso exemplar é o ossobuco de cordeiro, assado em embalagem a vácuo a uma temperatura de apenas 75 graus centígrados. Para chegar à mesa, a peça permanece 20 horas no forno. É servida com molho da própria carne, risoto de açafrão e cebola caramelada. O ambiente, no entanto, passa longe da ficção científica. O casarão clássico parece saído de uma capital européia. O estilo, assim como o menu, mistura referências italianas, francesas e espanholas. De sobremesa, a sugestão idealizada pela chef pâtissière Cristina Couto, esposa de Fernando, é o brigadeiro. O doce de leite condensado ganha guarnição de vários acompanhamentos: paçoca, pistache, dois tipos de granulados de chocolates belgas e coco queimado.

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Terça-feira, 6 de Maio de 2008

Cozinha sérvia, armênia, escandinava e turca em SP

Como a gente já comentou várias vezes neste boletim, São Paulo é a meca da gastronomia na América Latina, com quase 15 mil restaurantes. No site da Veja São Paulo e na edição anual Comer & Beber são apresentados pelo menos 500 deles considerados de nível internacional. Mas mesmo com toda essa oferta, existem alguns ramos da gastronomia que têm apenas um único representante nessa lista de elite. Hoje quero falar um pouco dessas casas tão exclusivas, tanto para quem mora em São Paulo e gostaria de experimentar uma cozinha única na cidade como para quem visita a capital e quer fazer um programa que só é possível mesmo na maior metrópole do país.
Prato do restaurante Beograd, que serve receitas sérvias

Começamos pela cozinha sérvia, que tem na cidade apenas o restaurante Beograd, na Avenida Indianópolis. A casa ocupa um antigo sobrado residencial. Durante a semana, monta um bufê trivial com pratos brasileiros. É só nos fins de semanas e feriados que a proprietária, a sérvia Erzebet Rigo, oferece especialidades de sua terra natal e de países como a Hungria, incluídas nas mesas frias e quentes. É o caso do feijão-branco com lingüiça e do goulash. Também faz algumas opções à la carte, caso do cevapcici, uma espécie de croquete ou cafta de carnes. De sobremesa, torta de papoula e strudel de maçã.

Outro caso de estrela solitária é o do armênio Casa Garabed, que fica na Rua José Margarido, no Bairro de Santana. As receitas armênias são bem parecidas com as árabes. Tem uma variação da cafta, o chamado kebab, que combina carne moída e especiarias. Vem acompanhado de uma pasta, que pode ser babaganuche.

Mais um exemplo único é o Svanen Scandinavian Food, que funciona dentro do Clube Escandinavo, na Rua Morais de Barros, bairro do Campo Belo. O smorgasbord, servido na casa, é um bufê com mais de trinta pratos típicos. É oferecido nos jantares de sexta e sábado e no almoço de domingo e inclui seis preparações de arenque e frikadeller (almôndegas mistas de porco e boi). Do menu, bof lindstrom (hambúrguer de carne bovina recheado de beterraba, alcaparra e aliche).
O Kosebasi oferece um cardápio de especialidades turcas

Por fim, mais um caso de especialidade gastronômica com um único representante na lista, o turco Kosebasi integra uma rede que tem filiais em Atenas e Nova York. A casa paulistana fica no Shopping Nações Unidas, no Brooklin, e oferece degustação de mezzés, composta de oito entradas típicas. Estão na lista acili ezme (pasta de tomate apimentada) e koseganush (pasta de berinjela e coalhada ao molho de gergelim). Os pratos principais são sempre grelhados, chamados de kebabs. De cordeiro, é possível experimentar a versão do chef, guarnecida de arroz cozido em caldo de carne com macarrão cabelo-de-anjo.

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Segunda-feira, 21 de Abril de 2008

O fondue

Como muita gente já notou, sobretudo no centro-sul do país, o tempo já começa a esfriar um pouquinho. Está chegando a hora de, entre outras diversões, atacar aquelas comidas típicas de inverno, quentinhas e geralmente calóricas também. Então hoje e amanhã vou dar sugestões de lugares para quem gosta de um verdadeiro fundue.

Para quem não sabe, o fondue é originário da Suíça. O primeiro registro histórico encontrado a respeito do prato é do século XVII. A receita surgiu na região dos Alpes Suíços, onde havia uma larga produção de queijos. Os queijos que sobravam ou acabavam ficando velhos eram derretidos e conservados com álcool. Para esse preparado era utilizada uma bebida chamada kirsch, que se parece muito com a aguardente só que feita com cerejas. Assim surgiu o primeiro fondue. Depois o álcool do kirsch foi substituido por vinho branco e acabaram aparecendo outras versões do prato, como o fondue de carne e o de chocolate. Hoje, fondue tem quase tanta variação quanto pizza. O último de que tive notícia é o fondue de camarão.

E uma curiosidade para quem deseja ser gramaticalmente correto: na verdade, o certo seria dizer "a" fondue e não "o", já que em francês essa é uma palavra do gênero feminino. Aportuguesada, a palavra acabou aceitando os dois gêneros – então está todo mundo certo, quem diz "o" e quem diz "a".

Fondue combina com regiões serranas, por causa do frio, e também porque é uma comida com um certa característica romântica – tem aquele negócio de provar um pouquinho do outro, fazer a troca de espetinhos...

Por isso vou falar de fondues em lugares de montanha.
Edi Pereira
O fondue do Toribinha, eleito o melhor do Vale do Paraíba

Começo por Campos do Jordão. Na edição de Veja, O Melhor da Cidade, Mar, Vale e Montanha, há a eleição da melhor casa de fondue da região logo acima do Vale do Paraíba. O mais recente restaurante vencedor foi Toribinha, que fica dentro do hotel Toriba, um dos mais tradicionais da cidade. A construção com estilo suíço, em uma das regiões mais altas de Campos, dá ainda mais charme ao fondue da casa. Mas, atenção, é preciso fazer reserva. Uma das sugestões como prato principal é o fondue bourguignonne com camarão, que traz ainda carne e frango em cubos, além de batata frita, torradas e catorze molhos. Outra indicação que foge ao tradicional é o fondue com salmão, truta, badejo, linguado, camarão, caldo de peixe, batata rosti, torradas e molhos. Para completar a refeição, o fondue de chocolate, que é doce sem ser enjoativo. A receita mescla meio amargo e ao leite e é servida com frutas como banana, morango, laranja, uva, abacaxi e maçã verde.

Na Serra Gaúcha também tem fondue bom. Em Gramado, o restaurante Belle du Valais se destaca nesse ramo. Foi eleito o melhor restaurante suíço do Brasil pelo Guia Quatro Rodas e tem ambiente romântico, com meia luz, ideal para um jantar a dois. O carro-chefe são os fondues. Mas há também pratos como a La Pierrade (carne e frango cozidos em pedra vulcânica, com molhos salgados e doces). A adega guarda uma ampla seleção de vinhos com destaque para algumas boas opções produzidas na região da Serra Gaúcha.
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No Auberge Suisse, em Nova Friburgo, é possível comer um bom fondue e apreciar a natureza

Na região serrana do Rio, mas precisamente em Nova Friburgo, há também uma boa opção para quem é fã de fondues. No restaurante do hotel Auberge Suisse são servidos caprichados fondues de queijo e de carne, além de um extenso cardápio com especialidades suíças. O hotel que foi fundado há 15 anos, quando os suíços Yvonne e Urs Amann decidiram morar em Nova Friburgo e fica em uma área de 500 000 metros quadrados de muito verde.

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Sexta-feira, 18 de Abril de 2008

O melhor de Brasília

A premiação das melhores casas do Distrito Federal aconteceu ontem a noite. Na cerimônia, foram reveladas as casas eleitas pelo júri do especial de Veja, O Melhor da Cidade.

Por lá, o restaurante eleito o melhor da cidade pelo júri já tinha levado o título de melhor contemporâneo, mas venceu pela primeira vez na principal categoria do especial de Veja. É o Universal Diner, comandado por Mara Alcamim, que também foi escolhida a melhor chef da cidade. Mara se formou em Nova York e, quando voltou ao Brasil, decidiu montar uma casa diferente. Assim, surgiu o restaurante que fica na Asa Sul de Brasília e tem decoração kitsch, com direito à jacarés de pelúcia, fusca cor-de-rosa no teto e até discos de vinil para apoiar os pratos. A cozinha também foge das receitas mais certinhas e tradicionais. O prato mais pedido é o sexy shrimp, que leva camarões ao molho de queijo brie, champanhe e caviar, acompanhados de um risoto de morangos e sálvia. A dica da chef é provar o camarão com curry, arroz picante com abacaxi e farofa de coco com amendoim.
Ana Araújo
Ambiente kitsch do Universal Diner, em Brasília

Uma das novidades entre os restaurantes eleitos pelo júri é o Corrientes 348, que fica na Asa Sul e levou o título de melhor carne da cidade. Um dos sócios da casa é o gaúcho Tiago Boita Laude, que vem de uma família com experiência em churrascarias. Ele conheceu o restaurante 348 Parilla Porteña em uma visita a São Paulo e propôs uma parceria aos proprietários da casa. Dessa união surgiu, em 2006, o Corrientes 348 em Brasília. O restaurante é especializado em cortes argentinos e tem decoração inspirada nas antigas casas de Buenos Aires. O menu também segue o clássico estilo portenho, com as típicas empanadas para entrada e como prato principal o ojo de bife (miolo do contra-filé) preparado na brasa e que pode ser servido com batatas ao murro ou arroz parrillero (ovo, cebola, lingüiça e batata palha). Para acompanhar, a carta de vinhos tem mais de cem rótulos.

Outra novidade na capital federal: a edição do especial de Veja deste ano elegeu pela primeira vez o chef revelação da cidade. O escolhido pelos jurados foi o dinamarquês Simon Lau Cederholm. Ele começou cedo a trabalhar na cozinha, aos 13 anos já lavava pratos em um restaurante na Dinamarca. Aos 20 anos, decidiu viajar pelo mundo e partiu para o Caribe com o intuito de chegar ao Brasil de bicicleta. Chegou ao país por Roraima e lembra-se que o primeiro prato regional que provou foi paçoca. Desde então, decidiu explorar mais os ingredientes tipicamente brasileiros. Ele continuou a viagem até o Rio de Janeiro, mas no ano seguinte regressou para a Europa para estudar arquitetura. Ao se formar na Dinamarca, mudou-se para Brasilia onde assumiu a posição de vice-cônsul. Em 2003, deixou a carreira diplomática e, seis meses depois, inaugurou o restaurante Aquavit, que fica no Setor de Mansões do Lago Norte de Brasília. A casa serve receitas que mesclam sabores escandinavos e brasileiros e as instalações também funcionam como residência de Simon, que cultiva uma farta horta de temperos no jardim.

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Sexta-feira, 4 de Abril de 2008

Os porto-alegrenses vencedores

Ontem a noite, na Associação Leopoldina Juvenil, os eleitos pelo júri do especial de Veja na capital gaúcha foram revelados. A festa premiou os melhores bares, restaurantes e comidinhas da cidade.

Entre as novidades, é legal destacar a categoria chef revelação, que teve como vencedor Carlos Kristensen (foto), do restaurante Hashi, casa que também concorreu ao título de melhor da cidade. Kristensen era executivo de uma multinacional e, em 1996, tirou a gravata e se mudou para a Austrália, onde trabalhou em restaurantes de Sidney e Melbourne. Depois, fez uma longa viagem, passando pela Malásia, Índia, Nepal e Tailândia, onde se formou chef de cozinha. Em 2000, voltou para o Brasil e abriu seu restaurante japonês, Hashi, que até hoje funciona na alta temporada em Garopaba, no litoral de Santa Catarina. Somente cinco anos depois que o chef inaugurou sua casa em Porto Alegre. O cardápio do Hashi porto-alegrense mistura as cozinhas asiática, francesa e brasileira, criando receitas que Carlos define como art cuisine e resultando num belíssimo espaço contemporâneo.

Uma curiosidade é que a Tailândia parece ter um relacionamento especial com Porto Alegre, ou vice-versa. Também o chef Eduardo Sehn, dono do restaurante premiado mais uma vez com o título de melhor estabelecimento da cidade, viveu naquele país e lá aprendeu a fazer os pratos que oferece no Koh Pee Pee. Diversos ingredientes de seu cardápio, como leite de coco, pasta de curry, açúcar de coco e molho de ostras vêm diretamente da Tailândia. Vale provar o goong pad grateum, que é um camarão com alho e gengibre. E para finalizar a refeição, o cliente pode pedir o kluai kock tod, que é uma banana em calda de açúcar de palmeira acompanhada de sorvete de creme.

Vale contar também que o prêmio de melhor loja de vinhos, entregue pela primeira vez, ficou com a Vinhos do Mundo, uma casa do bairro Moinhos de Vento que oferece 1500 rótulos diferentes, procedentes de 15 países.

Pizza com sotaque basco foi a eleita pelo júri de Veja

E, já que os gaúchos também gostam de terminar a semana com uma pizza, quero sugerir para a noite de hoje, lá em Porto Alegre, a pizzaria premiada ontem, a Bazkaria, da Fernanda Etchepare, que combina a oferta de pizzas com entradas de sotaque espanhol, como as tapas e pinchos. Uma boa alternativa na casa é comer a pizza acompanhada de uma sangria. As pizzas também tem sotaque basco, com recheios que incluem até pescados. Vale provar a Sueño del urso, que leva molho de tomate, salmão defumado, pimenta-preta e catupiry, ou ainda a Bruja del mar, com bacalhau, mussarela de búfala, molho de tomate e azeitonas.

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Quinta-feira, 3 de Abril de 2008

O melhor de Porto Alegre

Acontece hoje à noite, em Porto Alegre, a festa de premiação dos melhores da capital gaúcha. É a primeira edição do ano de Veja O Melhor da Cidade. Os grandes vencedores serão conhecidos apenas durante o evento, mas eu já posso antecipar a lista de finalistas na disputa do título de melhor restaurante da cidade.

Maurício Simonetti
Cena de Porto Alegre: ponte sobre o Rio Guaíba

São eles: o italiano Atelier de Massas, a churrascaria Barranco, o restaurante de cardápio variado Baumbach Ratskeller, o português Calamares, os francêses Chez Phillippe e Le Bateau Ivre, o contemporâneo Hashi, o tailandês Koh Pee Pee e duas casas especializadas em pescados, Marco’s e Pampulhinha.

Mas há outras novidades em Porto Alegre. Uma delas é a eleição da melhor loja de vinhos da cidade, especialidade em que foram votadas a Conte Freire, a Expand, a João Costi Bebidas e a Vinhos do Mundo. Outra é a estréia de um jurado eleito pela própria comunidade dos usuários do site de Veja Porto Alegre. Esse jurado, que informalmente recebeu o nome de jurado on-line, é o designer gráfico Airton Jordani, que enfrentou mais de mil concorrentes inscritos no site. Para chegar ao posto, ele fez comentários sobre 69 estabelecimentos, teve sua lista de recomendações adicionada por 15 internautas e recebeu mais de 300 votos de avaliação positiva das resenhas que fez.

O Aírton conquistou então o direito de participar de um júri que teve integrantes bastante categorizados, como a editora de gastronomia do Jornal Zero Hora, Bete Duarte, o engenheiro Carlos Alberto da Motta, que já fez nada menos do que 30 cursos de gastronomia e enologia, o crítico Carlos Pires de Miranda, do Jornal do Comércio, o escritor e editor Ivan Pinheiro Machado, co-autor de uma dezena de guias gastronômicos, a coordenador do curso de tecnologia em gastronomia da Universidade do Vale dos Sinos, Luciana Teichmann, o cronista e gourmet Luis Fernando Veríssimo, bom de garfo e de letras também sobre comida. Estão na lista também o coordenador do curso de Hotelaria da PUC gaúcha, Luis Gustavo Silva, o advogado Luiz Inácio Franco de Medeiros, fundador da Confraria Bom Gourmet e diretor, por mais de 30 anos, do Museu de Arte do Rio Grande do Sul, a nutricionista Ursula Juliane Silva, coordenadora da área de gastronomia do SENAC local e o bacharel em direito Waldyr Borges Jr., que além de fazer um churrasco impecável e possui uma biblioteca com mais de 100 títulos sobre gastronomia.

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Segunda-feira, 31 de Março de 2008

Feriado de Tiradentes

Está chegando aí mais um feriado. Dentro de três semanas, vem o feriado de Tiradentes, que este ano cai numa segunda-feira.

Vamos fazer uma sugestão que pode parecer muito óbvia mas que, tenho certeza, pouca gente já considerou seriamente. Que tal passar o feriado de Tiradentes na cidade mineira de Tiradentes? Trata-se, afinal, de um ponto turístico muito interessante. A partir de uma vila formada em 1702 para abrigar mineradores, hoje a cidade reúne boas pousadas e restaurantes de muita qualidade.
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Casarões antigos no centro histórico de Tiradentes

A cidade tem também um centro histórico bastante preservado, no qual acontecem durante o feriado diversos eventos da Semana da Inconfidência, com espetáculos de dança, shows de chorinho e até a inauguração do primeiro cinema da cidade. As festividades começam no dia 12 de abril e só se encerram no dia 22, quando acontece a Corrida da Inconfidência.
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A programação do Festival Internacional de Cultura e Gastronomia inclui aulas de culinária

Tiradentes ficou bastante famosa por sediar o Festival Internacional de Cultura e Gastronomia, que ocorre no mês de agosto, mas os bons restaurantes que se instalaram na cidade nos últimos anos tornaram a comida uma atração muito interessante em qualquer época.

Embora tenha menos de 8 mil habitantes permanentes, Tiradentes tem mais de 60 restaurantes.

Vamos destacar três:

O primeiro é o Theatro da Villa, do chef Carlos Eduardo Castro Silva. A casa é especializada em cozinha contemporânea com toque mais criativo. A dica por lá é experimentar o chateaubriand de filé mignon ao molho de pimenta verde e conhaque. A receita é servida com uma batata assada recheada de creme de pupunha, requeijão e tomilho fresco e um alho roxo confitado com especiarias.

O restaurante San Felice é especializado na culinária do sul da Itália. O forte da casa são as massas frescas, produzidas no local. Uma sugestão é o ravióli de cordeiro, que pode ser servido com molho gorgonzola. Além das massas, a casa serve risotos e o prato que é marca registrada do restaurante: uma alcachofra recheada com farofa de farinha de rosca com alcaparras, champignon e azeitonas.

Mas não dá para ir embora de Tiradentes sem saborear a legítima culinária mineira servida no restaurante Dona Xêpa, no centro da cidade. As especialidades da casa são o tradicional feijão tropeiro, servido com lombo, lingüiça, costela, couve, torresmo e arroz, e o frango orapronobis (é feito um caldo com as folhas e o frango que é servido acompanhado de arroz e angú).

E agora duas opções de hospedagem para o feriado.
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A pousada Pequena Tiradentes tem arquitetura inspirada nas vilas do século XVIII

A Pousada Pequena Tiradentes é uma das mais charmosas da cidade. Como o próprio no nome diz, o projeto da pousada reproduz uma pequena vila do século XVIII, com construções no melhor estilo colonial. Ainda existem algumas vagas para quem gostou da idéia, mas é bom correr porque os dois tipos de acomodação mais simples já estão lotadas. Agora, o pacote mais barato para o feriado sai por volta de 1 700 para o casal.
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O hóspedes podem optar pelas suítes em vagões na pousada Trem do Imperador

Outra boa opção é a Pousada Trem do Imperador. O proprietário da pousada é engenheiro ferroviário e, aproveitando o conhecimento na área, projetou três suites montadas dentro de vagões de trem. Além dessas acomodações diferentes, a pousada tem também suítes e apartamentos dentro da casa. Por lá, os preços dos pacotes variam de 750 a 960 reais para o casal no feriado de Tiradentes. Corra porque ainda tem vagas, mas são poucas.

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Sexta-feira, 28 de Março de 2008

Mais brasileiros fora do país

Ontem falei de dois restaurantes que servem receitas típicas do Brasil em Paris, Londres e Nova York. Hoje, quero comentar principalmente as churrascarias brasileiras que se instalaram em outros países. Me parece que os estrangeiros adoram o modo de preparo da carne brasileira.
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Barbacoa em Tóquio: carnes brasileiras no Japão

Começo pelo Japão, onde os sushis e sashimis são comuns, mas também é servido o famoso bife de kobe. Em Tóquio, há uma filial da churrascaria brasileira Barbacoa Grill. O churrasco é a principal atração da casa que recebe todos os dias turistas e locais. Ao som de música brasileira no ambiente, os clientes podem saborear também uma legítima caipirinha. As carnes são servidas em esquema de rodízio e para acompanhar a comilança há um bufê de saladas. Para os japoneses, o festim de carne da churrascaria é um exotismo e tanto.
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A fachada da churrascaria Fogo de Chão, em Dallas

As churrascarias, aliás, são o tipo de restaurante brasileiro que melhor vem se adaptando em terra estrangeira. Na cidade americana de Dallas, no Texas, há uma verdadeira colônia brasileira de churrascarias. A premiada cadeia Fogo de Chão tem uma filial na cidade. A churrascaria Boi na Braza, a Brazil Brasileiro e a Texas de Brazil são outros estabelecimentos de lá, só para dar alguns exemplos. Outra grande rede de restaurantes especializado nos melhores cortes do país que também se estabeleceu em território americano é a carioca Porcão, que tem endereços em Miami e em Nova York.
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Atrações da churrascaria Rio's, que tem endereços em Sidney e Melbourne

Em Melbourne e em Sidney, na Austrália, também há endereços para se saborear o legítimo churrasco do Brasil. São as instalações da churrascaria Rio’s, que, além do tradicional rodízio e bufê de saladas, oferece atrações que prometem manter a clientela animada noite adentro. Por lá, passam baterias de escolas de samba que batucam os tamborins enquanto algumas passistas se apresentam. Independentemente do show, a casa tem música ambiente legítima do Brasil o dia todo.

Para finalizar, em Montreal, no Canadá, também há opções para quem quer degustar a culinária brasileira. O restaurante Bayou Brasil existe desde 1992 e serve um cardápio variado de guloseimas típicas do Brasil. Além da feijoada completa que é servida todos os dias, a casa prepara Peixe à Baiana, Churrasco além de aipim frito, pudim de leite e caipirinha.

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Quinta-feira, 27 de Março de 2008

Restaurantes brasileiros no exterior

Este boletim trata do que há de melhor em gastronomia no Brasil, mas de vez em quando vale pular a cerca para tratar também do que há de melhor do Brasil no exterior. Como a turma viaja cada vez mais para fora do país, é bom saber que existem alguns refúgios onde matar a vontade de comer um pouco de arroz com feijão. Vamos falar de alguns restaurantes brasileiros que fazem sucesso em terra estrangeira.
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O visual irreverente e descontraído do Favela Chic

Começando por Paris. Lá, uma casa chamada Favela Chic caiu no gosto dos parisienses já há algum tempo. O restaurante serve comida brasileira afrancesada, toca música nacional (samba, chorinho, axé) e é freqüentado, sim, por brasileiros no exílio mas também e principalmente por franceses de verdade, daqueles que levam baguete embaixo do braço nos filmes que a gente vê no cinema. A casa tem um espaço comunitário – grupos diferentes compartilham as mesmas mesas, feitas de madeira rústica – e decoração com elementos da cultura brasileira misturados em composições irreverentes. A paranaense Rosane Mazzer é a idealizadora do Favela Chic, que abriu as portas em 1995. O estabelecimento fez tanto sucesso que já foi descrito em publicações como o New York Times, Vanity Fair, Le Monde e Elle, entre outras. O chef gaúcho Jorge Mazzi é o responsável pelo cardápio que exibe, ao lado das indefectíveis feijoada e moqueca de peixe, criações como "Atayde é um luxo" (peixe no vapor, purê de batata-doce e espinafre) e "Cinderela vegetariana" (creme de abóbora servido com palmito passado no azeite de oliva). Há três anos, o Favela Chic inaugurou uma filial em Londres.
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O ambiente do Brazil Brazil, em Nova York, tem estilo tropical

Em Nova York, há uma rua inteira com restaurantes e lojas de produtos brasileiros: a 46. É nessa rua que acontece o carnaval brasileiro na Big Apple. Um dos destaques por lá é o Brazil Brazil. O cardápio do restaurante conta com opções de caipirinhas, feijoada, frango com quiabo e polenta mineira. Além disso há massas, saladas, frutos do mar e carnes grelhadas. A decoração da casa é clara e bem iluminada, com algumas palmeiras e tons de amarelo, com clima de verão brasileiro.

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Terça-feira, 25 de Março de 2008

Confrarias gastronômicas

As confrarias são grupos que reúnem pessoas para curtir interesses parecidos. A origem do termo foram as irmandades religiosas, que tiveram surgiram na idade média e que existem até hoje. Pouca gente se recorda, por exemplo, que as Santas Casas de Misericórdia nasceram da atuação de irmandades ligadas à Igreja Católica.

Mas com o passar do tempo, o termo confraria acabou extendido também e principalmente a grupos de amantes da boa mesa e da boa bebida.

Nos dias de hoje, esses encontros ocorrem em restaurantes, nas casas de alguns confrades que são capazes de gastar fortunas para construir uma cozinha ou montar uma adega e também em escolas de gastronomia que descobriram um bom filão de faturamente no aluguel de salões, equipamentos e assistentes para turmas de amigos que vão cozinhar e falar de comida.
Octavio Cardoso
Os membros das confrarias se encontram para degustar vinhos e novas receitas

Na semana passada, eu recebi dois alunos da Escola Superior de Propaganda e Marketing que estudam, como trabalho de conclusão de curso, a criação de uma espécie de shopping gourmet, dotado de várias cozinhas e salões de refeições, justamente para abrigar confrarias de gastronomia.

Isso dá uma mostra de quanto o interesse pela gastronomia cresceu nos últimos tempos. Numa estimativa bastante grosseira, é possível falar que o Brasil tem hoje pelo menos 200 confrarias gastronômicas bastante ativas, segundo a quantidade de contatos que fazemos na seleção de jurados do projeto O Melhor da Cidade.

Algumas têm requisitos muito duros para admitir novos integrantes, como estatutos rígidos, taxas de adesão que podem chegar a 5 000 reais e mensalidades de 300 reais. Mas parte desse dinheiro acaba sendo usado para financiar as farras gastronômicas do pessoal.

As confrarias ainda são, em sua maioria, um espaço dominado pelos homens, mas as mulheres começam a formar suas próprias turmas. Um bom exemplo é a Confraria Madame Pompadour, um grupo de quinze mulheres entre 20 e 60 anos, que se reúnem a cada vinte dias em São Paulo para degustar champanhe. Outra voltada para as bebidas e só de mulheres é a Primeira Confraria das Mulheres Enófilas de São Paulo que costuma reunir vinte mulheres, em encontros mensais, com degustações de vinhos tintos e brancos.

No Rio, a Confraria do Prazer organiza jantares temáticos. Os acontecimentos recentes inspiram o cardápio dos encontros. Quando o papa João Paulo II morreu, por exemplo, o encontro aconteceu em um restaurante polonês. O grupo de quinze convivas tem logomarca própria, boné, avental e camiseta.

Em São Paulo, o dono do shopping Iguatemi, Carlos Jereissati, integra uma confraria que se reúne no restaurante D.O.M., para beber grandes vinhos e saborear a comida do chef Alex Atala. Uma curiosidade é que, para gastos em torno de 600 reais a cada refeição, Jereissati deixa gorgetas de até 400 reais.
Paulo Vitale
Receitas de Alex Atala são degustadas pela confraria que tem Carlos Jereissati como membro

Muitos dos jurados das edições especiais de Veja, O Melhor da Cidade, são membros de confrarias. No ano passado, por exemplo, em Curitiba, tivemos a ajuda na eleição das melhores mesas do jurado Evandro Caminha, que foi um dos co-fundadores da confraria Companheiros da Boa Mesa, no Rio de Janeiro, ao lado do filólogo Antonio Houaiss e do humorista Millôr Fernandes.

Em 1958, Antônio Houaiss havia fundado a Confraria dos Gastrônomos, da qual se retirou em 1975, porque o grupo de colegas aprovou como integrante o ex-presidente da república, general Emílio Garrastazú Médici. Quatro anos depois, Houaiss decidiu montar a Companheiros da Boa Mesa, que promove encontros até hoje.

Por fim, eu quero deixar um pedido quem integra ou conhece uma confraria, para que deixem as informações registradas aqui no blog, para que a gente possa fazer um grande catálogo de confrarias e promover a troca de informações entre elas.

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Sexta-feira, 21 de Março de 2008

Almoço de Páscoa

Nas últimas semanas, falei aqui sobre restaurantes de pescados para o almoço da sexta-feira santa. Espero que neste momento pelo menos uma parte dos ouvintes esteja desfrutando dessas sugestões, e vou tratar agora de algumas sugestões para o almoço do domingo de Páscoa.

Na edição que começou a circular no último sábado, as revistas Veja Rio e Veja São Paulo publicaram roteiros com restaurantes que têm pratos especiais para o próximo domingo. Entre eles, vou falar de algumas casas que os críticos das duas revistas resolveram destacar para este final de semana.

Prato do restaurante Tambiú, em São Paulo

Em São Paulo, o destaque do editor Fábio Wright foi para o restaurante Espaço Tambiú, uma casa inaugurada no ano passado, no bairro de Perdizes, nos fundos e dois lances de escada abaixo de uma loja de presentes, especializada em peixes de água doce. Duas coisas deixam essa característica bem clara: primeiro o nome, já que tambiú é um dos nomes para o lambari do rabo amarelo – e todo mundo sabe que lambari é um peixinho bem pequeno e saboroso de águas muito limpas –, e depois o aquário de 3 000 litros que decora o salão, repleto de tilápias. Com pacu, pintado e saint-pierre no cardápio, a comida da casa ganhou três estrelas na avaliação de Fábio Wright, e vale uma visita no próximo domingo.

No Rio de Janeiro, onde a capa da edição de Veja Rio foram as casas especializadas em bacalhau, o destaque do roteiro da semana ficou com o restaurante comandado pelo chef baiano Daniel Américo, o La Cigale, do bairro do Leblon. Aberto em 2006, o La Cigale também ganhou três estrelas na avaliação da comida. Trata-se de uma casa bastante apertada – e isso é uma garantia de que simplesmente não há estoque de comida: os ingredientes são sempre frescos. Na lista de pratos principais, destacam-se clássicos da cozinha francesa, como um steak tartar com torradas e coelho com ameixas e massa fresca. Na sobremesa, que ninguém se esqueça do creme brûlé e do petit gateau, classicamente franceses e mais do que adequados ao domingão de Páscoa.

Feliz Páscoa para todos e até segunda-feira.

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Sexta-feira, 14 de Março de 2008

O último capítulo dos pescados

Vamos fazer hoje o último capítulo sobre pescados, na expectativa do feriado da Semana Santa, já que na próxima sexta-feira, a esta hora, quem ainda não tiver decidido aonde vai comer o seu peixinho muito provavelmente já não encontrará mais reservas em nenhum restaurante eleito entre os melhores de pescados em todo o Brasil.

Em Goiânia, o estabelecimento que recebeu mais votos do júri nessa categoria foi a Companhia do Peixe, que fica no Setor Bueno. Os pescados servidos por lá viajam desde o Pará ou das regiões Sul e Sudeste do país. Na cozinha, os peixes ganham a companhia de ingredientes importados e dos temperos bem medidos pelos chefs Renato Garcia e Renivaldo Nery. A sugestão de entrada é a porção de bolinhos de bacalhau. A refeição segue com o pirarucu à companhia do peixe. O filé do peixe é grelhado, coberto com semente de papoula e regado com molho gorgonzola. Como acompanhamento, são servidos shitake gratinado, arroz e brócolis. Outra opção de prato principal é o bacalhau grelhado em posta, preparado com azeite de oliva e servido com batata sautée e arroz com brócolis. Uma boa pedida para encerrar o banquete é o morango flambado com sorvete.
Paulo Rezende
Prato do restaurante Companhia do Peixe, em Goiânia

O Papaguth, no bairro de Bento Ferreira, em Vitória, foi o restaurante que recebeu mais votos do júri do especial de Veja, O Melhor da Cidade. O proprietário é o mineiro Júlio Lemos, que deixou a profissão de engenheiro mecânico para se tornar chef de cozinha. Na casa, prestes a completar duas décadas, a tradicional moqueca capixaba não é a única opção. No cardápio, é possível encontrar quase todos os frutos do mar em receitas elaboradas pelo próprio Júlio. Um dos destaques é o camarão ao papaguth, gratinado com purê de mandioca e milho, servido na panela de barro (para duas pessoas). Há várias entradas, como a porção de puã empanada e as ostras ao natural. Como sobremesa, vale experimentar o famoso quindim da dona Nonô.

Em Natal, o restaurante Camarões Potiguar, na praia de Ponta Negra, foi escolhido como o melhor para saborear pescados. A casa é uma filial do tradicional Restaurante Camarões, também de Natal, e foi construída para acomodar a clientela que não parava de crescer. O restaurante ocupa um casarão de madeira com paredes de barro, decorado em estilo rústico. Nos dois andares, é possível apreciar a vista para o mar durante as refeições. No cardápio – como o nome da casa anuncia –, a especialidade é o camarão. O crustáceo, cultivado em fazendas aquáticas, é fornecido pela mesma empresa há mais de uma década. Ele aparece em receitas regionais e em pratos da cozinha internacional. Entre as novidades está a opção au gratin (o camarão é salteado com vinho branco, palmito, mostarda de Dijon e molho bechamel, gratinado com queijo gruyère e servido sobre arroz à grega e batata palha). Para quem prefere um toque regional, a sugestão é o camarão cajueiro. À milanesa, ele leva grãos de castanha, molho de maracujá e é servido com arroz de brócolis e purê de macaxeira gratinado com queijo de coalho. O menu está escrito em três idiomas, além do português – italiano, inglês e espanhol.
Luis Morais
Frutos do mar ao azeite de ervas, do restaurante Camarões Potiguar

A Toca da Garoupa, no centro de Florianópolis, foi eleita a melhor casa de pescados de Santa Catarina. Tudo começou em 1987, quando um grupo de amigos que tinha como hobby a pesca submarina e nunca encontrava compradores para os peixes de mais de 30 quilos que traziam do fundo do mar. A saída foi abrir um restaurante na Praia de Jurerê. O sucesso levou a turma a mudar-se, nove anos depois, para a região central da cidade. Hoje, os peixes são fornecidos pela indústria pesqueira, mas a preocupação com o frescor e o cuidado com a preparação dos pratos permanecem. Uma das combinações do cardápio inclui uma entrada de coqui de camarão, moqueca de garoupa como prato principal e creme de frutas vermelhas com cassis para encerrar a refeição. Para petiscar, há alternativas como ostras gratinadas.

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Segunda-feira, 10 de Março de 2008

Fim de semana pelo Brasil

Pode parecer um pouco cedo para marcar compromissos para o próximo final de semana, mas, sobretudo para o pessoal que pode fazer aquelas viagens rápidas, saindo na sexta e voltando no domingo à noite, quero dar alguns exemplos de programas que permitem aliar diversão com boa comida.

Por isso, aqui vão sugestões de programas de fim de semana em três cidades brasileiras. Eles servem só de exemplo porque quase sempre, sobretudo nos destinos turísticos, há boas alternativas de programação aos sábados e domingos.
Frederic Jean
Os paragliders vão invadir o céu na região da Rampa do Ubá

A primeira sugestão é a cidade de Vitória, no Espírito Santo, que está com a agenda do fim de semana que vem bem lotada. Já no dia 12, quarta-feira, começa o campeonato panamericano de paraglider e o brasileiro de asa delta na cidade. Quem for fã dos esportes radicais pode conferir tudo na Rampa do Ubá, que fica a 140 quilômetros da capital. É a primeira vez que o panamericano acontece, e parece estar fazendo bastante sucesso, com mais de 125 inscritos. A competição dura 10 dias e se você gostou da idéia e pretende visitar a cidade não pode deixar de fazer uma paradinha estratégica no restaurante Mr. Picuí, eleito o melhor regional da capital pelo júri do especial de Veja, O Melhor da Cidade. A casa, na Praia do Canto, tem como carro-chefe a picanha de sol à mr. picuí, acompanhada de feijão-arrumadinho, arroz, macaxeira frita, paçoca e pirão de queijo.

Em Fortaleza, a grande atração do próximo final de semana é o show do cantor espanhol Julio Iglesias, que ontem cantou no Credicard Hall, em São Paulo - e os ingressos já estavam esgotados desde o começo da semana. Então, quem for fã do cantor, tem que correr para garantir um lugarzinho na platéia da sua apresentação em terras cearenses. O show acontece na sexta-feira, dia 14, no Siará Hall, e o preço dos ingressos varia entre 200 e 350 reais. Para antes ou depois do espetáculo, uma boa sugestão é dar uma paradinha no restaurante Colher de Pau, que recebeu o título de melhor regional da cidade pelos jurados de Veja. É endereço ideal para quem quer provar receitas típicas da região. A casa, no bairro da Varjota, tem como uma das estrelas do cardápio o sirigado grelhado com molho de maracujá ou requeijão, mas não esqueça de guardar lugar para os doces caseiros de goiaba ou caju.
João Marcos Rosa
Prato do tradicional restaurante Xapuri, melhor brasileiro de BH

Em Belo Horizonte, o fim de semana também promete muitas atividades. Por lá vai acontecer o Encontro Mundial das Artes Cênicas. O evento começa dia 14 e vai até o dia 23 de março, promovendo debates com atores, diretores e professores de teatro. Além disso, acontecem oficinas ministradas por profissionais de diversas partes do mundo, dessa vez há franceses, dinamarqueses e japoneses no programa. Os interessados só precisam se inscrever no site oficial do evento e pagar uma taxa de 50 reais. Por lá, vale a pena provar as receitas do restaurante regional Xapuri, que já foi tema de comentário aqui no boletim. No bairro da Pampulha, a casa oferece as tradicionais receitas mineiras preparadas com muito capricho. Se você gosta das especialidades da região, aposte no mineirinho de cabo a rabo (costeleta de porco temperada com licor de pequi e acompanhada de angu frito, arroz, feijão e couve). A mesa de sobremesas que é repleta de doces caseiros como o de casca de limão e o de maracujá.

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Sexta-feira, 7 de Março de 2008

Casas de pescados pelo Brasil

Continuo hoje com o terceiro boletim da série sobre pescados. Afinal, daqui a exatas duas semanas, seguindo as tradições cristãs da Sexta-feira Santa, o peixe será o destaque das refeições.

Em Porto Alegre, o campeão foi o restaurante Pampulhinha, no bairro Floresta. A casa é comandada pela família de Jaime Marques Pinheiro. Nascido em uma área rural da região de Bairrada, em Portugal, ele cresceu em meio a oliveiras e parreiras. Seus pais eram pequenos produtores de vinho e desde pequeno teve contato com a bebida, que se tornou uma de suas paixões. A carta da casa conta com mais de 3 000 rótulos, todos selecionados por Pinheiro. Mas a especialidade da casa são mesmo os pescados. Como entrada, uma sugestão é a salada com lascas de atum, batata, azeitonas e ovos cozidos que serve duas pessoas. Uma novidade entre os pratos principais é a lagosta ao chef: cauda de lagosta refogada com alcaparra, alho-poró, ervilha torta e ervas finas, servida com arroz. Como não podia deixar de ser, com um português no comando do restaurante, o bacalhau também é um dos pratos mais pedidos. Vale provar o peixe à marques pinheiro, a receita leva lascas de bacalhau refogadas com alho-poró, cebola, feijão-branco, ervilha torta, batata, ovo, azeitona e alcaparra, com arroz branco. Para a sobremesa, o doce tradicional é o pastel de santa clara.
Jader da Rocha
Linguado da mama, servido no Bar do Victor, em Curitiba

Em Curitiba, o título ficou com o Bar do Victor, em São Lourenço. Durante anos o restaurante funcionou como um despretensioso bar de porções e petiscos comandado pelo catarinense Victor Schiochet, um ex-pedreiro que resolveu se dedicar à criação de receitas com pescados. Hoje, Francisco Urban, genro do fundador, está à frente da casa. As receitas originais, como o espetinho de camarão e as casquinhas de siri, continuam no cardápio, mas ganharam a companhia dos pratos mais sofisticados, elaborados pela chef Eva dos Santos. Uma boa pedida para começar é a casquinha de siri. Em seguida, a moqueca capixaba de camarão, é a sugestão como prato principal. E não dá para sair de lá sem experimentar a cheesecake artesanal com calda de frutas vermelhas como sobremesa.

Lá na região Norte, o Choupana foi a casa de pescados vencedora em Manaus. O restaurante, que fica em Adrianópolis, parece uma cabana, com teto de palha e pilares feitos com troncos de aquariquara, uma árvore da região. A riqueza e diversidade de peixes amazônicos é o grande diferencial do cardápio criado pela proprietária, Érica Magalhães. Muitas das receitas são de família. Para a entrada, fazem sucesso o tacacá, a casquinha de caranguejo e o bolinho de peixe. Entre as especialidades do menu estão o tradicional pato no tucupi e o tambaqui no tucupi (ambos servidos com jambu, arroz e farinha do uarini). Outras opções são o camarão especial na telha (feito com molho rosado e servido na telha com arroz e purê de batata) e a moqueca de peixe com camarão (que também leva cebola, tomate, pimentão, leite de coco e azeite-de-dendê; acompanhada de arroz e pirão). Para a sobremesa, a sugestão é a torta de cupuaçu com chocolate.

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Quinta-feira, 6 de Março de 2008

Mais restaurantes naturais

Continuando a falar de restaurantes naturais, hoje vou tratar de estabelecimentos em Goiânia e Salvador.

Em Goiânia, um dos restaurantes naturais que mais se destaca segue a mesma vertente do carioca Fontes. O Macrobiótico foi fundado, há mais de 30 anos, por Olga Leonardo Lima e seu filho, Júlio Cézar Pimentel e segue o seguinte lema: quem se alimenta bem não precisa de remédio. O bufê oferece 19 opções de pratos frios e quentes. Preparadas com ingredientes naturais, as receitas seguem o princípio da macrobiótica, equilibrando os valores nutricionais dos alimentos. Todos os dias são servidos legumes, verduras, frutas e grãos. Os destaques são o arroz integral, peixes assados, frango ao molho e a carne de soja.
Fábio Castelo
As saladas são uma aposta saudável para quem foge das carnes

Por fim, para quem estiver em Salvador e também for um fã da culinária natural, vale dar uma passadinha no restaurante Nirá. A proprietária, Veranúbia Mascarenhas, pesquisadora de alimentos há mais de 20 anos, cria receitas exclusivamente vegetarianas. Mas adeptos da comida natural sem radicalismos também encontram espaço em seu bufê, que inclui alguns pratos com peixe e frango. A salada de quinoa (aquele grão típico da Bolívia, que é assunto de 9 entre 10 vegetarianos por ser riquíssimo em proteína, ferro e cálcio) e o cuscuz marroquino com frutas secas podem aparecer no menu diário, assim como o bobó de cogumelos. O bufê inclui dezoito saladas e dezesseis pratos quentes. A torta musse de alfarroba (tipo de vagem com sabor adocicado), servida na sobremesa, atrai admiradores por ter gosto semelhante ao do chocolate. As receitas não levam açúcar refinado e a casa só usa frango caipira para preparar os pratos servidos no restaurante.

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Quarta-feira, 5 de Março de 2008

Restaurante naturais em SP e no Rio

A gente já falou muito aqui neste boletim sobre comidas que muita gente considera pesadas. Então, hoje vamos inverter o rumo e tratar de alimentos leves, para o pessoal que se preocupa com a chamada alimentação saudável. Vamos falar de restaurantes naturais e vegetarianos.

Para quem é fã dos pratos recheados de legumes, verduras e muita soja, o boletim de hoje traz algumas boas dicas. E, depois das duas sugestões de hoje, em São Paulo e no Rio de Janeiro, fica a promessa de voltar com informações sobre outras casas desse ramo.
Mário Rodrigues
Frutas e verduras substituem as carnes na alimentação vegetariana

São Paulo reúne um grande número de vegetarianos. A capital paulista tem opções de refeições naturais de todos os tipos, desde macrobiótica até ovolactovegetariana, passando por casas que mantêm a carne branca no cardápio.

O Gopala Prasada é um bom exemplo dessa diversidade. A casa avaliada com uma estrela no Guia Quatro Rodas, tem cozinha lactovegetariana (que permite o uso de leite e seus derivados), investe nas especiarias e na influência indiana e segue os preceitos Hare Krishna. O clima zen já pode ser constatado logo na escadaria de acesso, repletas de pétalas de rosas jogadas no chão e com uma estátua de Ganesh (deus indiano da sabedoria e da prosperidade) logo ao lado. Os clientes podem se acomodar em alguma das cinco salinhas com decoração temática e perfume de incenso. Há sempre dois cardápios completos por dia, da entrada à sobremesa, mais suco à vontade. Entre os pratos, espeto de legumes no forno tandoor, abóbora assada e berinjela em fatias entremeadas de queijo magro. A sala mais disputada é a que tem mesas baixinhas e almofadas no lugar de cadeiras. Lá, não raro, a clientela faz a refeição com pés descalços. O restaurante tem dois endereços na mesma rua, no bairro da Consolação. De inspiração indiana, o nome Gopala Prasada significa "oferenda a um jovem deus".

No Rio de Janeiro, também é possível provar bons pratos sem carne vermelha. O restaurante Fontes é um dos endereços mais tradicionais da categoria. A casa segue os princípios da macrobiótica e começou como um pequeno empório de artigos naturais. Alguns dos produtos ainda podem ser comprados na loja instalada ao lado do restaurante. Lá, além das delícias vegetarianas, também há algumas receitas com peixe e frango. Mas o restaurante não deixa de atender até os mais radicais, oferecendo todos os dias uma opção de prato totalmente isentos de glúten, sempre à base de creme de arroz, farinha de arroz ou soja. O cardápio conta com cerca de 80 pratos e 20 tipos de sobremesas. Há diariamente seis tipos de salada, quatro de arroz, sopa, suflê e receitas vegetarianas e variadas como bobó de shitake, empadão de bacalhau, hambúrguer de soja e tabule com abóbora. Sábado e domingo são dias de feijoada natural, feita de feijão-manteiga, tofu defumado, carne de soja, abóbora e salsicha vegetal acompanhada por arroz integral, couve, farofa de gérmen de trigo, laranja e caipirinha de gengibre sem álcool.

Esses foram naturais de hoje. Amanhã eu falo sobre naturais de Goiânia e Salvador.

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Terça-feira, 4 de Março de 2008

Portugueses no Rio

Tem gente que já não agüenta mais ouvir falar das comemorações dos 200 anos da chegada de D. João VI ao Brasil. Vou pedir desculpas a esse pessoal, mas quero tratar desse tema por um ângulo, digamos, mais saboroso. Em vez de falar da abertura dos portos ou da criação do Banco do Brasil, quero lembrar a contribuição gastronômica que os portugueses deixaram no país – ou melhor, continuam trazendo até hoje. O Rio de Janeiro é certamente a cidade em que o desenvolvimento da culinária de origem portuguesa foi mais importante, tanto por ter sido a cidade que sediou a Corte tanto por ser ainda hoje a maior porta de entrada de estrangeiros no país – e os portugueses, mesmo que a gente se esqueça disso às vezes, são estrangeiros, sim.

Na última edição de O Melhor da Cidade, foram selecionados 15 casas de cardápio português no roteiro de restaurantes. Comparativamente, os portugueses têm, no Rio de Janeiro, a mesma importância que os italianos têm em São Paulo e os restaurantes de carnes têm no Rio Grande do Sul. Como não dá para falar de todos esses 15 e muito menos de pelo menos uma centena de outros estabelecimentos espalhados pela cidade, vou tratar aqui apenas dos três mais bem votados pelos jurados que escolheram os melhores da capital fluminense.
Bruno Veiga
Bacalhau à Lagareira, do tradicional restaurante Antiquarius, no Rio

O grande vencedor foi o Antiquarius, que tem mais de 30 anos de tradição e dois endereços: no Leblon e na Barra. Na unidade da Barra, o ambiente amplo e elegante se inspira na Lisboa contemporânea, com suas pontes monumentais e edifícios modernos. Para montar a filial, os proprietários levaram alguns dos funcionários que trabalhavam na matriz, para garantir o mesmo serviço eficiente e atencioso. Lá é possível desfrutar do cardápio executivo servido no almoço de segunda a sexta até as 18h. Ele inclui receitas do cardápio da noite como o bacalhau nunca-chega (desfiado com batata-palha, ovo mexido, presunto, cebola e salsa) e o pato ao molho de azeitonas com arroz no próprio molho. Um detalhe importante sobre o Antiquarius é que os paulistanos também podem apreciar a cozinha da casa, sem viajar, já que a casa tem um endereço no Jardim Paulista, onde também recebeu o título de melhor da cidade dos jurados de Veja São Paulo.

As outras duas casas indicadas pelo júri foram o Adegão Português e o Alfaia.

O Adegão Português também tem dois endereços no Rio, um em São Cristóvão e outro na Barra. O cardápio lista 22 receitas feitas com bacalhau. Os pratos vão desde os tradicionais bolinho de bacalhau e do peixe à lagareira (posta assada no forno com azeite, batata, cebola e brócolis) até experiências mais inovadoras, como o maria da fonte (posta frita no azeite com batatas portuguesas regada ao molho de cebola e alho). Vale provar uma receita que tem recebido elogios dos clientes, a caldeirada de frutos do mar, com ostra, polvo, lula, mexilhão, camarão, cavaquinha e peixe ensopado com batata. Sábado é dia de feijoada e domingo tem cozido. Para finalizar, nada como uma porção de ovos moles ou barriguinha de freira (doce à base de ovos e arrufadas amanhecidas – tipo de pão doce português). Vale ressaltar que a maioria dos pratos serve bem duas pessoas – o que é quase uma tradição de restaurantes portugueses.

O Alfaia, por seu lado, ocupa uma casa simples e confortável em Copacabana. O bacalhau é a estrela entre os pratos mais pedidos e pode ser encontrado no cardápio nas versões à patuscada, com alho dourado, brócolis cozido, batata cozida, ovos e azeitona preta, ou grelhado com cebola e pimentão vermelho, batata assada, ovos, azeitona e molho de alho. A porções são fartas e uma boa alternativa é mergulhar no prato do dia. Alguns exemplos:. cozido à portuguesa no almoço de terça; arroz de pato com paio na quinta. Para a sobremesa, o pastel de nata, feito na casa, é uma ótima alternativa.

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Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008

Outros pescados campeões

Continuo hoje a série sobre as melhores casas de pescado do Brasil. Vou tratar de algumas capitais do Norte e Nordeste e na próxima sexta trago mais algumas para a gente esperar a Sexta-feira Santa com os planos todos feitos.
Xando Pereira
Prato do Mistura, eleito o melhor de Salvador

Em Salvador, os pescados do Mistura, no bairro de Itapuã, foram os eleitos pelo júri. O restaurante, que hoje ocupa uma casa de esquina, já foi uma barraca de praia vizinha à colônia de pescadores do bairro. Vinte anos depois, o cardápio especializado em massas frescas e pescados continua atraindo uma clientela fiel. Quem comanda a cozinha é o chef italiano Paolo Alfonsi, que estudou enologia, mas sempre gostou de cozinhar. O cardápio tem um toque mediterrâneo e a casa oferece também um bufê com entradas frias preparadas com frutos do mar. Como prato principal o chef indica a garoupeta com batatas moçambique e, para finalizar, uma boa pedida é o carpaccio de morango com sorbetto de limão siciliano. Em frente ao restaurante, o casal de proprietários mantém uma pequena pousada.
Jarbas Oliveira
O Cemoara recebeu a maioria dos votos do júri em Fortaleza

Em Fortaleza, o Cemoara Frutos do Mar, no bairro do Meireles, recebeu a maioria dos votos do júri nessa categoria. A casa pertence a Filipe Baião, que tem uma rede gastronômica na cidade, com o contemporâneo Nostradamus, o italiano Cantina Cemoara (palavra vem do tupi-guarani e seria uma das teses que justifica a origem do nome Ceará) e a casa especializada em frutos do mar. Esta última foi inaugurada há quinze anos e tem decoração quase toda em tons de azul, fachada de vidro, e um lago com peixes ornamentais no salão. O cardápio é diversificado, mas as receitas com camarão são as mais pedidas. É importante ressaltar que o restaurante não trabalha com crustáceos de viveiro, mas sim selvagens, e não serve lagostas com menos de 13 centímetros de cauda, conforme exige o Ibama. Além das moquecas, que seguem a tradicional receita baiana, faz sucesso o camarão do mar no coco verde, flambado e puxado no leite de coco e ervas finas, servido no próprio coco e guarnecido com purê de batata e geléia de acerola. Quem não tem pressa pode render-se antes aos bolinhos de bacalhau. Para a sobremesa, a banana flambada em réchaud na frente do cliente é servida com sorvete. Uma curiosidade da casa é o acervo de 15 000 músicas em MP3, com pastinhas de canções escolhidas pelos clientes, que podem ouvir seu próprio repertório quando visitam a casa.
Barbara Wagner
Ostras do Bargaço, restaurante que serve os melhores pescados de Recife

Já em Recife, o vencedor foi o Bargaço, na praia de Boa Viagem. O restaurante é uma filial da rede baiana sobre a qual eu eu já falei aqui no boletim pois foi a vencedora do prêmio tradição em Salvador. Só para lembrar, a origem desse nome foi um descuido do pintor que deveria escrever Bar do Garçom na placa e acabou esquecendo algumas letras. Para adaptar as tradicionais receitas baianas ao paladar dos recifenses, o chef Roseno Victor investiu em doses mais suaves de alguns ingredientes como o dendê. No menu, as moquecas de camarão e siri-mole dividem as atenções com os peixes de forno. O peixe à moda do chef é recheado com farofa de camarões, ovos e azeitona, mas a moqueca de siri-mole é igualmente famosa. Boa parte dos pescados é trazida do Pará e de estados nordestinos. O estoque é reposto semanalmente. Para a sobremesa, a dica é o doce de coco verde.
Octavio Cardoso

Moqueca do Remanso do Peixe, em Belém

Para encerrar este capítulo, vamos falar dos melhores pescados de Belém, onde o que não falta é peixe bom. Lá, o Remanso do Peixe, no bairro do Marco, foi o campeão. O restaurante fica em uma casa sem placas, nos fundos de uma vila, em um tranqüilo bairro residencial e pode ser difícil de encontrar da primeira vez. Mas, os moradores da cidade conhecem muito bem o endereço e, de quinta a domingo, é comum ter fila de espera no local. Todo esse sucesso vem das receitas de Francisco da Silva Santos, que nasceu em Itaituba, no sul do Pará, e foi criado em Santarém, região pesqueira no interior do estado. Apesar de nunca ter feito nenhum curso na área da gastronomia, os pratos criados por ele conquistaram os moradores da capital. Para começar a refeição, aposte no camarão ao alho e óleo, na isca de peixe e na casquinha de caranguejo. Um dos pratos mais pedidos é a moqueca paraense, feita com filhote, pata de caranguejo, camarão, pimentões, tomates, tucupi e jambu, que vai à mesa fumegante, numa panela de ferro, acompanhada de arroz e farofa. Outra receita requisitada é a mariscada do remanso, que leva camarão rosa, lula, ostras, polvo, patas de caranguejo, mexilhões e, dependendo da época do ano, lagosta e serve treze pessoas. Se o cliente quiser provar o tucunaré inteiro, desossado e recheado com caranguejo e camarão, precisa encomendar antes. O peixe pesa 4,5 quilos e serve até sete pessoas.

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Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2008

As melhores casas de pescados

Gostei dessa idéia dos seriados. Ontem a gente encerrou a série de sanduíches. Hoje, aproveitando que é sexta-feira, e muita gente tradicionalmente opta por comer peixe, vamos iniciar uma série sobre os melhores pescados do país. Também é uma boa maneira de ir preparando o pessoal para a Semana Santa. Então, às sexta-feira, vamos tratar de peixes e frutos do mar.
Fernando Lemos
Tagliatelle de alcachofra e camarões do Fasano al mare

No Rio de Janeiro, o júri do especial de Veja, O Melhor da Cidade, elegeu o Fasano al mare, em Ipanema, como o melhor endereço para comer peixes e frutos do mar na capital. Tudo começou quando Rogério Fasano procurava uma casa com vista para o mar para instalar a versão carioca do restaurante Gero, mas acabou convencido por Chico Buarque de que só os turistas buscam restaurantes na beira da praia. Porém, a idéia persistiu e foi assim que nasceu, em plena Avenida Vieira Souto, o Hotel Fasano, que abriga a cozinha especializada em pescados. O ambiente com design do francês Philippe Starck, faz um mix de estilos entre o chique e o praiano. O chef italiano Luca Gozzani, trazido da Enoteca Pinchiorri, três-estrelas no Guia Michelin, é responsável pelos pratos requintados. Nas entradas, pode-se desfrutar de receitas exclusivas como a fritura mista (lula e camarão empanados e fritos) ou a porção de caviar. Para depois, o peixe em crosta de sal com patê de tomates e legumes ao cartoccio ou a lagosta grelhada com caponata de legumes são boas pedidas.
Divulgação
O ambiente do Porto Rubaiyat em São Paulo

Assim como no Rio, o campeão paulistano também se destaca pela sofisticação. É o Porto Rubaiyat, que fica no Itaim Bibi, instalado em um edifício de 1 000 metros quadrados, construído graças a um investimento de mais 4 milhões de reais. Parte dos pescados são mantidos vivos em três aquários na entrada e em um tanque subterrâneo. Algumas espécies chegam três vezes por semana das águas geladas do Cantábrico, denominação para o Atlântico ao norte da Espanha. O polvo à feira, cozido e temperado com páprica na companhia de batata, faz o papel de prato principal, assim como aparece de aperitivo para amenizar a espera daqueles que aguardam no bar.
Ana Araujo

Paella do restaurante La Torreta, vencedor em Brasília

Em Brasília, a casa espanhola La Torreta levou o título de melhor pescado da cidade. O restaurante fica na Asa Sul e é especializado nas receitas da cozinha mediterrânea. Os pratos levam a assinatura do chef Issac Corcias, nascido no Marrocos e graduado em Barcelona. Os pescados chegam resfriados de Belém e de Santa Catarina pelo menos três vezes durante a semana. Renovado recentemente, o cardápio oferece dezessete tipos de paellas e arroces. O tradicional rodízio de paellas também foi reformulado, habitualmente servido no jantar de sábado, agora ele também pode ser pedido no almoço - vêm à mesa quatro tipos de paella, acompanhados da tradicional sangria espanhola. Do menu, destaque para o bacalhau à la plancha, feito com uma generosa posta de 5 centímetros de altura e 600 gramas, servido com arroz de brócolis e batata sautée.
Nelio Rodrigues
Moqueca à moda capixaba do restaurante Badejo

Finalmente, em Belo Horizonte pode-se comer o melhor pescado da cidade no Badejo. Foi nas pescarias em família no Espírito Santo que os irmãos Glênio, Glério, Mauro e Venilson Costa aprenderam a fazer a moqueca capixaba. A lição foi assimilada e empregada na cozinha do restaurante na capital mineira. Para preparar as moquecas, os peixes são comprados em Ilhéus diretamente dos pescadores que têm barcos pequenos (isso porque as embarcações maiores ficam muitos dias no mar, e os peixes têm de ser conservados no gelo ou por meios químicos). Em terra, os peixes são cortados, acondicionados em uma câmara frigorífica própria e enviados semanalmente a BH de avião. O rigor na seleção da matéria-prima faz com que apenas 40% do que foi pescado seja aproveitado nas panelas de barro que cozinham as moquecas. O cardápio lista mais de trinta opções do prato, com camarão, aratu, mexilhão, lagosta e siri, entre outras iguarias. Elas são preparadas à moda capixaba, sem leite de coco e azeite-de- dendê, típicos da receita baiana. A sugestão é a moqueca de badejo com lagosta e camarão-rosa. Todas vêm com arroz e pirão.

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Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008

Prêmio Tradição

No ano passado, o projeto O Melhor da Cidade chegou aos dez anos em diversas capitais brasileiras. Para comemorar, foi criado um prêmio especial, para distinguir os estabelecimentos mais tradicionais dessas cidades, tanto na categoria restaurantes quanto na de bares.

Foram seis as cidades em que essa eleição aconteceu. Já comentei neste boletim as vitórias neste quesito dos restaurantes Piantella, de Brasília, e Madalosso, de Curitiba. Hoje vou falar um pouquinho mais sobre os outros vencedores. Entre eles, há casas com mais de um século de existência.

Leo Caldas
O Leite é o mais antigo restaurante em funcionamento no Brasil

Vamos começar, aliás, pelo mais antigo restaurante em funcionamento no Brasil, o Leite, que fica no bairro Santo Antônio, em Recife, e tem 126 anos. Já tive oportunidade de falar da idade do Leite, aqui, em outra ocasião, mas não foi só por isso certamente que a casa foi premiada. Por suas mesas passaram celebridades como o magnata da imprensa tupi, Assis Chateaubriand, o presidente Juscelino Kubitschek, o filósofo francês Jean Paul Sartre e praticamente todos os artistas e intelectuais que visitaram Recife nas últimas décadas. Voltado para receitas, elas seguem o estilo da culinária internacional, com uma pitada forte da cozinha portuguesa. O chef Edmilson Araújo, o "Bigode", usa ingredientes importados diretamente da Europa, como o azeite, a sardinha, o atum e alguns enlatados exclusivos. Para iniciar a refeição, uma boa opção é o gratinado de frutos do mar (camarões, lagostinho, polvo e filé de peixe puxados no azeite com ervas finas e embebidos em molho de vinho branco, acompanhado de pãezinhos).

Liane Neves
A churrascaria Barranco levou o Prêmio Tradição em Porto Alegre

Em Porto Alegre, a Barranco serve o ingrediente mais tradicional da região Sul do país: a carne. Elson Furini é um dos proprietários e especialista em churrasco. Uma das frases que mais gosta de dizer é que "se todo brasileiro é técnico de futebol, todo gaúcho é também um assador". Assim, seguindo as antigas receitas, os cortes selecionados são preparados apenas com sal grosso, nada mais. Com quase 40 anos, a Barranco serve até 10 toneladas de carne por mês e uma das mais pedidas é a picanha à barranco, em fatias. Outras opções são o lombinho de porco com queijo e o cordeiro desossado.

Xando Pereira
Um dos pratos servidos no Bargaço, em Salvador

Outro restaurante que recebeu o prêmio especial de Veja fica no Jardim Armação, em Salvador: o Bargaço. A casa foi fundada pelo pernambucano Leonel Evaristo da Rocha, que teve uma origem simples e só aprendeu a ler aos 17 anos, já quando trabalhava em um restaurante. Em 1971, inaugurou o próprio negócio com cinco mesas emprestadas de outro ex-patrão. A casa iria se chamar Bar do Garçom, mas, por um descuido do pintor, lia-se na placa: Bargaço. O sucesso chegou e o nome ficou. A casa virou tornou matriz de um grupo que leva a culinária baiana para outras cinco capitais: Recife, São Paulo, Brasília, Fortaleza e João Pessoa. O cardápio, comum a todas elas, inclui uma seleção de moquecas, além de grelhados e outros pratos de frutos do mar. O peixe-vermelho, típico das águas salgadas da Bahia, chega à mesa assado inteiro e recheado com farofa de camarão.

Nélio Rodrigues
O Dona Derna, em Belo Horizonte, tem tradição da família italiana

Finalmente, em Belo Horizonte, o vencedor foi o Dona Derna, que fica no bairro do Savassi. A italiana Derna Biadi, não demorou muito para sentir saudade do negócio da família, que tinha um restaurante na região da Toscana. Apenas cinco anos depois de chegar ao Brasil, em 1960, inaugurou sua própria casa. Em busca dos clássicos italianos, Memmo Biadi fez várias viagens à Itália e freqüentou de tratorias familiares a restaurantes estrelados. O resultado está no cardápio, que oferece massas, carnes, peixes, crustáceos e aves. Como entrada, a sugestão é a salada caprese com burrata. Entre os pratos principais, faz sucesso o bacalhau à dona derna, acompanhado por legumes, brócolis, cebola e pimentões. Para finalizar, uma das sobremesas mais pedidas é o vulcano, bolinho de chocolate com calda quente, servido com sorvete de creme.

Estas são casas que provam que comida boa não envelhece.

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Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008

Restaurantes on-line

Depois de mudar a maneira pela qual as pessoas se informam e se relacionam umas com as outras, a internet está mudando também o jeito de comer. Se, antes, bastava decidir com a família ou com um parceiro de negócios qual o restaurante a freqüentar, agora as coisas estão bem diferentes. Uma das novidades, por exemplo, é a possibilidade de fazer reservas no seu restaurante preferido por meio da própria internet, depois de fazer um passeio virtual pela casa, conhecendo o salão, a cozinha, a história do chef e, muitas vezes, até o cronograma de abastecimento do estabelecimento.

Mario Rodrigues
Você pode encomendar os pratos do Antiquarius on-line

No Portal Veja São Paulo, existe a possibilidade de fazer reservas on-line em 45 restaurantes paulistanos, sete deles cotados com três estrelas, a nota máxima, na avaliação dos críticos da revista. Também é possível encontrar nesse site os links para pedir refeições em casa diretamente de 30 restaurantes, alguns também de cotação máxima, como o português Antiquarius.

Eduardo Queiroga
César Santos entrega os segredos de suas receitas no site do Oficina do Sabor

E, num país com as dimensões do Brasil, em que pouca gente pode realmente dizer que conhece todas as principais cidades, a internet está proporcionando uma outra grande vantagem. Graças à generosidade de alguns dos melhores chefs do país, que não fazem segredo de algumas de suas receitas, um internauta de Porto Alegre pode, por exemplo, preparar em casa pratos da mais legítima cozinha pernambucana, simplesmente acessando o site de um restaurante local e consultando as receitas dos chef César Santos, do premiado restaurante Oficina do Sabor, diretamente no site da casa. Hoje, por exemplo, está disponível no site do Oficina do Sabor a receita do Filé de Surubim ao creme de maracujá e diversas outras preparações, entre elas a que César Santos escolheu este ano para servir como prato da Boa Lembrança, aquela promoção em que você faz seu pedido e depois leva a louça decorada para casa.

Outro exemplo é o restaurante O Mercador, da Praia do Canto, em Vitória, eleita a melhor casa do Espírito Santo na última edição da Veja O Melhor da Cidade local. No site do restaurante, o chef Sérgio Quaresma revela o passo-a-passo para o preparo do camarão com pasta al pesto, uma das iguarias que garantiram seu título. Além disso, o website tem também um e-mail pelo qual os clientes pode fazer contato direto com o chef.

Oscar Cabral
Claude Troisgros dá dicas e receitas para os internautas

Essa invasão da internet na cozinha dos profissionais já é tão forte que mesmo o celebrado chef franco-carioca Claude Troisgros embarcou na onda. No seu site pessoal, ele oferece diversas receitas e publica informações históricas e curiosas sobre ingredientes e métodos de preparo.

Só tem uma coisa que, mesmo tendo na mão todos os ingredientes, equipamentos e dicas, ninguém pode garantir: que o prato preparado em casa vai ter exatamente o mesmo sabor daquele experimentado no restaurante. É que existem segredos que nenhum chef consegue passar on-line para ninguém: entre eles o olfato, o olhar e o paladar que só eles têm e quem compõem aquele toque pessoal que nem mesmo um outro chef é capaz de imitar.

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Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2008

O melhor de Maceió

O boletim de hoje foi transmitido diretamente de Maceió. A minha viagem tem como objetivo formar a equipe que vai apurar a edição de O Melhor da Cidade que vamos lançar por aqui. Como cheguei de madrugada, ainda não sei quais são os melhores e vai demorar um tempinho para que os repórteres concluam seu trabalho. Mas estou me fiando no Guia Quatro Rodas para começar meu roteiro e aqui vão algumas informações sobre o que há de mais interessante na cidade – coisas que eu tratarei de confirmar e depois reafirmo ou contesto, conforme o caso.

Ricardo Correa
Uma das belas praias de Maceió

Alagoas tem 230 quilômetros de praias, a imensa maioria de excelente qualidade, com piscinas naturais, locais para prática de surfe, windsurfe e mergulho. A orla repleta de coqueiros e de bancos no calçadão é o lugar perfeito para um passeio. Também há por aqui duas lagoas de água cristalina que vale a pena visitar.

Um dos passeios recomendados pelo Guia Quatro Rodas é a viagem de barco até a foz do rio São Francisco. Partindo de Piaçabuçu, cidade no extremo sul do estado, as embarcações vão até o local onde o São Francisco encontra o mar. É possível comprar um pacote nas agências locais que inclui o traslado, almoço e o passeio.

A praia Pratagi recebeu a maior avaliação do Guia Quatro Rodas na cidade. Com uma larga faixa de areia, a praia é boa para quem quer praticar esportes ou se esticar ao sol sem ficar no meio da multidão.

Outra praia bem avaliada é a de Ponta Verde. Uma das mais badaladas da cidade, ela concentra alguns dos principais hotéis, bares e restaurantes. A dica é aproveitar a maré baixa, para curtir as piscinas naturais que ficam bem próximas à praia. À noite, o calçadão fica bem movimentado e é ótimo para um passeio sentindo a brisa marítima.

Carlos Goldgrub
A praia de Ponta Verde é uma das mais badaladas de Maceió

Uma boa opção de hospedagem é o Ritz Lagoa da Anta, que fica na praia de Cruz das Almas. O hotel tem um grande complexo de lazer, com piscinas e até spa com banheiras vulcânicas da Indonésia. O restaurante do hotel, o Le Sururu Bistrot mistura a culinária francesa com especialidades nordestinas. Para o periodo pós-carnaval, as diárias custam a partir de 322 reais para duas pessoas.

Aliás, no capítulo gastronomia, cinco restaurantes receberam uma estrela do Guia Quatro Rodas na capital alagoana, o que é uma quantidade mais do que razoável.

São eles: o Oca, na praia de Ipioca, especializado em pescados e comandado pelo chef Antônio Cabral, que criou os pratos em homenagem a personalidades da região. A jogadora de futebol Marta e Thereza Collor têm seus nomes no menu.

O Divina Gula, no bairro Stella Maris, é especializado em comida mineira, bom portanto para os mineiros que vierem ver o mar mas não se adaptarem aos peixes e crustáceos.

O restaurante Lua Cheia tem cozinha francesa na praia de Garça Torta. A casa já existe há 14 anos e serve pratos como peito do pato ao molho de pimenta verde.

Atenção: Maceió tem um bom restaurante de comida peruana e isso não é fácil de achar no Brasil. É o Wanchako, na praia de Jatiúca, cujo cardápio inclui diversos tipos de ceviches. A chef Simone Bert indica o festival, que inclui quatro tipos, entre eles o de peixe e de camarão.

Otavio Dias de Oliveira
Interior do restaurante Carne-de-sol do Picuí

Por fim, o Carne-de-sol do Picuí é perfeito para quem quer uma boa refeição com receitas regionais. Também estrelado, o restaurante fica na praia do Jaraguá. Vale provar a carne-de-sol paraibana, que é feita com contra-filé, tem 900 gramas, é assada na brasa e vem com seis acompanhamentos, entre eles pirão de queijo de coalho, feijão tropeiro, paçoca e macaxeira frita.

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Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2008

Por que Búzios vale a pena

O boletim de hoje foi transmitido ao vivo da praia de Geriba, em Armação dos Búzios, no estado do Rio. Estava sentado à sombra de uma varanda coberta de piaçava, de frente para o mar, ouvindo música boa e observando o vaivém de gente na praia e nas cabaninhas onde as pessoas estão fazendo massagens, tendo aulas de artesanato e praticando exercícios à sombra das árvores. Também tinha gente fazendo aulas de mergulho num grande piscinão, outras pessoas aprendendo princípios da arte de velejar e uma garotada praticando arvorismo. Mas o propósito dessas informações todas não é matar ninguém de inveja, não.

É que fui visitar o espaço da Veja Rio construído em Búzios para a temporada de verão e acabei descobrindo um ótimo tema para o boletim de hoje. Decidi falar especificamente de Búzios, que, para quem não sabe, já foi eleita uma das dez cidades mais charmosas do mundo, numa eleição realizada há alguns anos por uma entidade especializada.


Manoel Marques

E o que tem Búzios de tão especial? Na prática, tem tudo o que uma cidade de veraneio à beira-mar precisa ter. Primeiro, uma infra-estrutura de pousadas que dá conta da alta demanda do verão, ainda que os preços por aqui sejam realmente salgados. Mas é sempre assim: quando um lugar é muito bom, não é possível experimentá-lo sem botar a mão no bolso. Um consolo para quem não consegue imaginar a hipótese de gastar entre 500 e 1000 reais por dia, considerando a hospedagem e a alimentação de um casal, é visitar a região na baixa temporada, quando os preços caem a menos da metade. Agora, para ver gente mesmo, com praias lotadas e comércio muito agitado, só mesmo nesta época do ano.

Mas eu falava das qualidades de Búzios, e elas são muitas. Por exemplo, a cidade tem mais de 20 praias de águas cristalinas e pode ser chamada de um verdadeiro divisor de águas. É que como Búzios é uma península que avança sobre o mar, sua parte norte recebe as correntes tropicais, de águas quentes e calmas, enquanto o lado sul tem água mais fria e ondas mais fortes. Ou seja, o que não falta é opção de praia por aqui.

Búzios também tem história. Foi por aqui que os franceses criaram em 1555 a chamada França Artártida, que duraria até meados do século seguinte porque os portugueses não conseguiam expulsá-los.

Aliás, os franceses têm tudo a ver com a história da cidade. Na história recente foi também uma francesa, Brigitte Bardot, que esteve por aqui na década de 1960 e acabou ajudando a fazer a fama de paraíso do um lugar que antes era só uma aldeia de pescadores. Dez anos mais tarde, Mick Jagger também passou uma temporada em Búzios, o que também contribuiu para a fama da cidade no estrangeiro.

Hoje, apenas para dar uma idéia de como os turistas de fora se interessam pela cidade, praticamente todos os cruzeiros que passam pela costa brasileira dão uma paradinha por aqui - o que, nesta temporada, resulta em mais de 140 mil visitantes só entre passageiros de navios de cruzeiro. No total, contando também os cariocas, paulistas, mineiros, capixabas e turistas do Brasil inteiro, alguns milhões de visitantes estarão por aqui até março, quando acaba a temporada.

Um detalhe importante: toda essa gente tem muito o que fazer, além de ir à praia durante o dia. O comércio local só fecha por volta de duas da madrugada e é repleto de butiques de todas as grifes. Na tradicional Rua das Pedras, ponto obrigatório de passagem de qualquer turista, há também dezenas de restaurantes, mais de um deles com estrela no guia Quatro Rodas.

Saiba mais sobre Búzios no guia Quatro Rodas e no viajeaqui.

Conheça também o site oficial da cidade.

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