Ontem, os freqüentadores de casas noturnas paulistanas receberam uma boa notícia. O prefeito Gilberto Kassab sancionou a lei que obriga os estabelecimentos a manterem bebedouros para uso de seus clientes. A idéia é que o consumo de água ajude a minimizar os efeitos do álcool e de drogas como o ecstasy. Mas a lei tem um aspecto positivo mesmo para quem não bebe nem se droga. É comum as casas noturnas cobrarem preços abusivos por suas garrafinhas d'água. Agora, ela terá de ser de graça. A fiscalização será feita pelas subprefeituras. Vamos torcer para que a lei não entre para o rol daquelas bem-intencionadas, mas que simplesmente não pegam.
E aí, já decidiu onde vai passar acordado o próximo fim de semana? Confira a programação completa no site da Virada Cultural. E, para não se perder por aí, veja o mapa virtual em 3D que eles prepararam. Bem legal.
Quatro unidades móveis da Cetesb começaram hoje a circular por garagens de frotas e terminais de carga da cidade, medindo a quantidade de fumaça preta que sai dos escapamentos de ônibus e caminhões movidos a diesel -- estima-se que haja 460 000 deles pelas ruas da capital.
O projeto, chamado de "Respira, São Paulo", deve durar seis meses. Infelizmente não haverá penalidade alguma para os proprietários de veículos que estiverem poluindo exageradamente a atmosfera. O objetivo é apenas conscientizar.
A Secretaria Municipal de Transportes anunciou há pouco um pacote de medidas emergenciais para tentar reduzir os caóticos congestionamentos paulistanos (leia mais sobre nosMistérios da Cidadedo próximo sábado). Até aí tudo bem. Ótimo que eles não estão parados e, enfim, tomam alguma providência -- já que, de estático, já basta o trânsito.
Entre as medidas, uma me chamou particularmente a atenção: a criação de 175 rotas alternativas nos locais de fluxo mais pesado. Logo imaginei plaquinhas novas, ensinando os caminhos diferentes aos motoristas, e uma intensa campanha de divulgação dos itinerários.
Nada disso. O assessor de imprensa da secretaria disse que conta com a ajuda da imprensa para popularizar as rotas "plano B". Mas isso já não é o que a mídia vem fazendo, especialmente as rádios, que tão bem cobrem o trânsito paulistano?
Toda vez que chove a cena se repete na cidade: alguns semáforos simplesmente apagam ou queimam. Hoje não foi diferente. Depois de mais de 12 horas consecutivas de chuva, pelo menos três semáforos da região do Parque do Ibirapuera e alguns da Avenida Brigadeiro Luis Antônio simplesmente pararam de funcionar. Em maio do ano passado, já havíamos alertado para o problema numa nota publicada na seção Mistérios da Cidade. De lá pra cá, nada mudou. Água e raios continuam sendo os grandes vilões. As gotas d’água se acumulam nas caixas subterrâneas onde ficam os cabos e as fiações, causando o curto-circuito. Já as descargas elétricas geram picos de tensão que podem queimar as placas eletrônicas do controlador de tráfego. Isso acontece porque 2.500 semáforos, quase metade do total, não têm uma proteção eficiente contra esses imprevistos. É algo inadmissível numa cidade com frota de 6 milhões de veículos e com um recorde de congestionamento por semana. Está mais do que na hora de a CET se mexer para resolver esse tormento.
Eles estão nas portas de shows, baladas, restaurantes e, acredite, até no dicionário. Os flanelinhas (do Aurélio, guardador informal) de São Paulo multiplicam-se de forma incrível e cobram cada vez mais caro para “cuidar” dos veículos deixados em via pública. Não basta pagar R$ 1,80 na folhinha de Zona Azul, o motorista também precisará desembolsar “10 real adiantado, mano” para que seu carro continue intacto.
Próximo à Abril, há um bolsão de vagas que fica na Avenida Professor Frederico Hermann. É um prato cheio para essas figuras populares. Uma senhora, muito da invocada, proíbe funcionários da editora de estacionar nas primeiras vagas. “Aqui só para quem for à Subprefeitura. E tem que ser rapidinho”, diz e ainda ameaça esmurrar o vidro do carro se for contrariada. Esperta, ela quer que a circulação seja a máxima possível para descolar uma grana alta. Incrível como isso acontece há anos do ladinho da Subprefeitura de Pinheiros sem que nenhuma autoridade faça algo a respeito!
Outros casos tragicômicas: varredores de rua da Prefeitura e até mesmo funcionários de vallets de restaurantes também já me cobraram para dar uma olhadinha no veículo. Aparentemente esta é a profissão mais fácil do mundo. Basta entender de coerção.
Passei hoje pela passarela para pedestres sobre a Avenida Cidade Jardim, colada à ponte de mesmo nome. A estilosa plataforma estaiada, projeto do urbanista João Valente Filho, tem um vão de 6 metros de altura e 85 metros de comprimento, além de uma rampa de acesso muito convidativa (leia-se: pouco inclinada). Bem diferente das passarelas de concreto antigas, feias e com enormes escadarias em ziguezague. Só é frustrante descer a pequena escada de ferro na outra ponta, ao lado do Parque do Povo, e encontrar a calçada esburacada, com trechos de terra e um bloco de concreto no meio do caminho. Detalhe: a obra, batizada com o nome do jurista Miguel Reale, foi entregue no fim de julho do ano passado.
Ontem reclamei da retirada das pedras portuguesas da Paulista. Hoje vou falar da expectativa positiva do novo projeto paisagístico da avenida.
De acordo com a Secretaria das Subprefeituras, ainda neste mês começam a ser plantadas ali as 230 árvores pau-ferro. E os canteiros centrais serão coloridos por azaléias -- desde 1987, reconhecidas por lei como flores-símbolo da cidade.
É. Acho que a Paulista vai ficar ainda mais bonita.
As mulheres de salto alto que me desculpem, mas sentirei muitas saudades das velhas calçadas da Paulista. Ontem, quando passei por ali e vi que as obras estão já bem adiantadas, senti que a avenida mais importante da cidade -- do país, aliás -- está perdendo parte de seu charme.
Fabio Brisolla, Camila Antunes e eu fizemos uma reportagem na qual ouvimos vinte especialistas de trânsito em busca de boas idéias para aliviar a caótica situação das ruas paulistanas. Um ponto abordado por alguns deles foi a importância dos corredores de ônibus. Permitir que táxis circulem por esses espaços desvia totalmente a sua função principal, que é agilizar o transporte público. Duvida? Então veja:
Voltava de um brunch na Bella Paulista e quando entro no ônibus sou obrigado a aturar um grupo de cinco sujeitos que, pelas cantorias, se autoproclamava "um bando de louco, louco por ti Corinthians".
Nada contra torcer, adoro futebol. O problema, como sempre, são os limites - aquela linha tênue que, quando ultrapassada, prejudica a convivência humana, gera desgastes, brigas e conflitos sociais em geral. Durante todo o trajeto da Avenida Paulista até minha casa, eu e todos os outros passageiros tivemos de ouvir um sem-número de gritos de guerra alvinegros, provocações aos palmeirenses, ofensas de baixo calão, etc. Não bastasse, os cinco ainda batiam as mãos, com força, nos vidros do veículo, para dar ritmo à cantoria. Um vandalismo.
Fiquei pensando na situação do motorista e do cobrador, que não podiam intervir sob o risco de apanharem ali mesmo. Depois me lembrei que de todos os cantos da cidade sai gente assim rumo aos estádios, e por isso vira e mexe ainda ocorrem lamentáveis brigas entre torcidas.
Uma pena que, na maior cidade do país do futebol, uma minoria de torcedores selvagens atrapalhe o espetáculo do esporte mais querido do mundo.
Demorou, mas parece que a prefeitura se deu conta disso. A Secretaria das Subprefeituras anuncia para amanhã cedo o início de uma operação na região, que mobilizará 140 funcionários, dezenove caminhões, oito peruas e duas retroescavadeiras. Esse batalhão fará serviços básicos de conservação: limpeza e reforma das guias, sarjetas, calçadas e bocas de lobo, implantação de rampas de acessibilidade, varrição e retirada de entulhos.
Hoje pela manhã, um ônibus tombou no cruzamento das avenidas São João e Duque de Caxias, no centro. Vinte e duas pessoas ficaram feridas, sendo duas em estado grave. O acidente envolveu três coletivos e parece que um deles passou o farol vermelho. Parece? É, parece. O cruzamento conta com uma câmera da prefeitura, que poderia esclarecer de quem foi a culpa. Mas o equipamento -- importante não só para o monitoramento do trânsito, mas também para a segurança do local -- está quebrado. Isso mesmo, pifado à espera de manutenção. Sabe-se lá desde quando. Virou um enfeite no meio da região central. Parece brincadeira. Infelizmente, não é.
Desde ontem, está proibido fumar charuto, cigarrilha e cachimbo em bares e restaurantes da cidade de São Paulo. A prática só é permitida em lugares que contam com um fumódromo dotado de sistema de contenção de fumaça. Uma boa notícia, sem dúvida. Seria ainda melhor se fossem proibidos TODOS os cigarros. Mas, vá lá, já é um começo. A multa é de 872 reais (para o estabelecimento e para o cliente). Como a fiscalização é difícil, espera-se que essa não seja mais uma das inúmeras leis que, apesar de existirem, simplesmente não pegam. Essa lei bem que poderia pegar.
Entre as muitas medidas contra as quais os motoboys protestaram desde o início do ano está a obrigatoriedade de que todos os capacetes sejam certificados pelo Inmetro. Uma medida de segurança que tem como objetivo proteger a vida dos próprios motoboys. Agora, o governo federal anuncia que a regra vale apenas para os capacetes produzidos a partir de 2007. E que a fiscalização só começa em junho. Uma vitória para os motoboys. Mas, nesse caso, uma vitória que pode custar vidas.
Para reclamar do barulho no vizinho, da árvore caída, do horário que passa o caminhão de lixo ou da falta de sinalização, o paulistano conta com uma central de atendimento. Em tese, é só discar 156. Na vida real, é preciso ter paciência para responder a um enorme questionário (querem saber até o seu estado civil!) e mais paciência ainda para esperar a solução.
Diante da morosidade do 156 e da distância entre os paulistanos e seus representantes — duvido que você saiba citar os nomes de três subprefeitos ou mesmo de três vereadores — a figura do xerifão Andrea Matarazzo, o chefe dos subprefeitos, apareceu como um alento. Escrevi seu perfil na Vejinha do dia 16 de janeiro, em parceria com meu vizinho de baia, o editor Alessandro Duarte. Nós recebemos mais de 80 cartas com comentários sobre a matéria. Maior parte de gente chamando atenção para os problemas que os cercam. E pedindo a presença de Matarazzo em sua região.
Hoje foi a vez de Cecília Genevizes ligar, para requisitar o email do xerifão. Sua casa, no Bom Retiro, está sem luz há mais de um mês. Segundo ela, a escuridão se espalha pelas ruas Jaraguá, Javaés, Neves de Carvalho, Barra do Tibagi e Visconde de Taunay. “Somos vítimas desse absurdo que é o roubo de cobre da fiação”, diz.
Para quem como Cecília quer tentar um canal direto com Matarazzo, ele nos autorizou passar o seguinte email: amatarazzo@prefeitura.sp.gov.br. E prometeu responder o mais rápido que der. Boa sorte!
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