  CALÍGULA. Esqueça o Calígula erotizado do imaginário popular. Tanto a visão reforçada pelo cineasta Tinto Brass em seu tórrido filme de 1979 quanto a sensualidade incorporada por Edson Celulari na montagem de 1991 ficaram para trás. Pelo menos no espetáculo concebido por Gabriel Villela a partir do texto de Albert Camus (1913-1960), em cartaz no Sesc Pinheiros. Surpreendentemente à vontade, Thiago Lacerda comprova a diferença que faz uma boa direção no rendimento do intérprete. Sempre linear na TV, o ator usa a insanidade do imperador romano para explorar as nuances do papel. Na visão de Villela, Gaius Caesar Germanicus, o Calígula, é um homem imbecilizado pelo poder, irracional, mas capaz de sensibilizar as pessoas, caso do poeta Scipião (vivido por Pedro Henrique Moutinho). Ao investir no elenco - completado por Ando Camargo, Jorge Emil, Magali Biff, Pascoal da Conceição e Rodrigo Fregnan - , o diretor construiu uma encenação aberta, em que todos ficam na boca do palco, apoiados pela cenografia de J.C. Serroni. Se a opção exige mais dos atores - e, às vezes, isso é problema, principalmente para Magali Biff, ainda tensa como Cesônia - , a platéia embarca facilmente na viagem. Sobretudo por causa da proximidade com os personagens.
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