Um clarão encheu o céu e foi como se o sol desabasse sobre a cidade japonesa de Hiroshima. Em poucos segundos, cerca de 350 mil pessoas foram atingidas pelo calor de um milhão de graus Celsius. Minutos depois, veio a chuva de pingos negros e radioativos. Era a manhã de 6 de agosto de 1945 e os EUA haviam lançado do avião Enola Gay uma bomba atômica de poder equivalente a 12 000 toneladas de explosivos. Quem sobreviveu, além da memória daquele dia, lida com as cicatrizes das queimaduras e os resquícios da radioatividade que reproduz o carma em seus filhos.
O historiador Peter Kuznick, da American University, em Washington, diz que os sobreviventes estão em dois extremos: em um deles, escondem as histórias por temer o preconceito na hora de conseguir emprego, casar, ter filhos. No outro, relatam o que foi visto, sublinhando a expressão japonesa que ilustra esta página: “É preciso contar a grande verdade, que nunca pode ser esquecida”. Segundo a Associação de Sobreviventes da Bomba Atômica no Brasil, 128 imigrantes japoneses que escaparam dos ataques moram em São Paulo. Nesta reportagem, o testemunho de alguns deles de seus filhos e netos, que convivem com o legado. |