Viver e aprendera mudar
As transformações de um jovem inquieto na Itália dos anos 60
Uma boa surpresa do cinema italiano recente: o lançamento de Meu Irmão É Filho Único, drama do diretor Daniele Luchetti, de 48 anos, baseado no romance autobiográfico Il Fasciocomunista, de Antonio Pennacchi. Marca pontos para a nostálgica adaptação o olhar clínico com que o cineasta registra o amadurecimento e as transformações de um adolescente rebelde na Itália da década de 60. Também favoráveis são as formidáveis atuações de Vittorio Emanuele Propizio e Elio Germano, corpo e alma do protagonista em duas etapas de sua vida.
A ação tem início em 1962 em Latina, vilarejo ao sul de Roma. Caçula de uma família operária, Accio (Propizio) pretende ser padre, mas sai do seminário por causa do temperamento genioso. Em época de conflitos políticos, o menino é uma metralhadora verbal para disparar idéias toscas. Quando Accio se filia ao partido fascista, seu irmão mais velho, Manrico (Riccardo Scamarcio), um comunista de carteirinha, vira uma fera. A história, até então divertida, ganha ares mais densos e dá um salto em alguns anos. Agora com Elio Germano no papel, o jovem estudante Accio divide-se entre o amor platônico por Francesca (Diane Fleri), namoradinha de Manrico, e fogosos encontros com uma quarentona casada. Ainda fiel à ideologia do ditador Benito Mussolini, Accio irá aos poucos reavaliar seus valores. | por Miguel Barbieri Jr.
SERVIÇO
Meu Irmão É Filho Único
de Daniele Luchetti (Mio Fratello È Figlio Unico, Itália/França, 2007, 104min)
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