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ARQUITETURA

Como salvar esta jóia

19.04.2007

O primeiro arranha-céu de São Paulo
sofre com a falta de reformas

 

Por Sandra Soares

Fotos Mario Rodrigues e Alexandre Schneider

A fachada do Sampaio Moreira e um dos andares abandonados

A fachada do Sampaio Moreira, na Rua Líbero Badaró, e um dos andares abandonados: 127 salas desocupadas

Quando foi inaugurado, em 1924, o edifício Sampaio Moreira, no número 346 da Rua Líbero Badaró, no centro, tornou-se uma atração da cidade. Com doze andares e 50 metros de altura, recebeu o título de o primeiro arranha-céu de São Paulo. Até então os prédios tinham, no máximo, quatro pavimentos. Sua altura seria superada em 1929, com a construção do Martinelli (130 metros), na Avenida São João. Conta-se que, ao ver o ambicioso projeto do arquiteto Christiano Stockler das Neves, responsável pelo desenho da Estação Júlio Prestes e do Museu de Zoologia, o banqueiro José Sampaio Moreira quase desistiu de investir na obra. Mas o prédio acabaria ficando pronto, e o proprietário presenteou cada um de seus seis filhos com dois andares. Ainda hoje seus descendentes são donos do imóvel. É muita gente. "Há três anos, contabilizamos 132 pessoas", afirma o agricultor Guilherme Luiz Figueiredo, bisneto de Sampaio Moreira.

Apesar do grande número de proprietários, os cuidados com a manutenção dessa jóia da arquitetura paulistana são poucos. A fachada foi restaurada dezessete anos atrás, mas os fundos e o interior encontram-se em frangalhos. Pedaços de viga de sustentação brotam das paredes. Em alguns pavimentos, janelas e portas quebradas deixam entrar a água da chuva. Só 53 das 180 salas do prédio estão ocupadas e apenas dois proprietários pagam com regularidade as taxas de condomínio (80 reais por sala). Dos 14 000 reais gastos mensalmente com o salário dos quatro funcionários e com os serviços de manutenção, 10 000 reais vêm do aluguel das duas lojas que ocupam o térreo. Uma delas abriga um estacionamento. Na outra funciona a tradicional Mercearia Godinho, instalada ali desde a inauguração do edifício. "Muitos dos herdeiros preferem manter suas áreas fechadas a alugá-las", diz Dario de Abreu Pereira Júnior, sócio da Serplan, construtora que pertence a um dos braços da família e usa seu espaço no Sampaio Moreira como depósito de arquivos. "O aluguel, de 150 a 200 reais por sala, é muito baixo."

O síndico, João Roberto de Arruda Sampaio Moreira, bisneto do fundador, afirma estar em entendimento com os primos para resolver o problema da inadimplência. "Brigo pela reforma do prédio", diz ele. "Com a revitalização do centro, ele tende a ser valorizado." Atraídos pelo charme do imóvel, cinco arquitetos, há dois meses, resolveram adotá-lo. Além de ocuparem sete salas com um escritório conjunto no 11º andar, recuperaram o piso e parte da pintura original, para dar uma idéia de como era a construção. O próximo passo será organizar uma agenda de eventos culturais no local. "Vamos promover festas, exposições de arte e peças de teatro para chamar a atenção das pessoas", promete o arquiteto Alexandre Cafcalas.

 
 
 
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