O paulistano Alexandre Herchcovitch começou costurando para drag queens e hoje é um dos estilistas mais bem-sucedidos do país, transformando sua imagem de esquisito num grande negócio
Fotos divulgação
Bel Garcia: forte presença no clássico de Tchecov
GAIVOTA – TEMA PARA UM CONTO CURTO. Quando Enrique Diaz desconstruiu Shakespeare em Ensaio.Hamlet (2004), muitos se surpreenderam com sua capacidade de recontar a história do príncipe da Dinamarca sem submeter o público a uma montagem convencional. O universo de Anton Tchecov em A Gaivota, de 1896, é a nova matéria-prima para o diretor e sua Cia. dos Atores apresentarem outra bem-sucedida ousadia. Eles mostram uma peça dentro da peça. A rotina dos ensaios do clássico russo aparece em cena com ironia e humor. Na trama original, permeada de tipos insatisfeitos, a experiente atriz Arkádina volta à casa de campo da família, onde tem por antagonista a jovem Nina. Ambas são representadas – na mesma sessão – por Bel Garcia, Mariana Lima e Isabel Teixeira. O rodízio de papéis também se estende aos homens. Emílio de Mello (ótimo), Gilberto Grawronski, Felipe Rocha e o próprio Diaz se alternam na pele dos personagens masculinos.
Teatro do Sesc Pinheiros (250 lugares). Rua Paes Leme, 195, Pinheiros,
3095-9400.
Sexta e sábado, 21h; domingo, 18h. R$ 20,00. Bilheteria: 10h/21h30 (ter. a sáb.); 10h/18h (dom.). Cc.: todos. Cd.: todos. Ingressos também no CineSesc e nas demais unidades do Sesc. Estac. (R$ 5,00). Até 15 de julho. (90min). 12 anos. Estreou em 15/6/2007.
Antoine e Isabelle: ser ou não ser judeu, eis a questão
O TANGO DE RASHEVSKI. "É difícil ser judeu, mas é muito mais difícil tornar-se um." O alerta parte de um rabino ao decidido Antoine (Hippolyte Girardot), que deseja se converter para se casar com a inflexível Isabelle (Ludmila Mikaël). Trata-se de uma situação emblemática dos problemas de três gerações da família judaica focada no drama romântico, previsto para estrear na sexta (29). Instalados na Bélgica, os Rashevski somam seus dilemas a uma crise aberta pela morte de Rosa (Laurence Masliah), a matriarca apaixonada por tango. A discussão de enterrá-la ou não segundo as tradições puxa o fio da meada, que inclui o romance de um neto com uma árabe e a humilhação da nora não-judia. Mas a chave da inspirada trama, levada com humor sutil pelo diretor Sam Garbarski, cabe ao tio-avô Dolfo (Natan Cogan) e sua figura de equilíbrio familiar.
Censura e circuito a conferir. Estréia prometida para sexta (29).
Litografia com Paris de 1948 (à esq.) e xilogravura de 1975 (à dir.): trabalhos de um exímio gravador paulista
ODETTO GUERSONI. A mostra de 54 gravuras de Odetto Guersoni na Estação Pinacoteca, a partir de sábado (30), já seria uma iniciativa louvável pelo momento. Faz sessenta anos que ele e outros dezoito pintores foram apresentados ao público na Galeria Prestes Maia. A seleção tem ainda a vantagem de se centrar na produção mais afiada do artista, um paulista de Jaboticabal nascido em 1924 que se especializou na arte gráfica em Paris. Além de executar peças sobre metal, xilogravuras, litografias e serigrafias, o gravador criou as técnicas da filigrafia (impressão em tecido complementada com bordados de Aldo Bonadei) e da plastigrafia (baseada no gesso). Sobre tais suportes, o público poderá conferir tanto temas figurativos quanto símbolos gráficos, elementos geométricos coloridos e mandalas.
Estação Pinacoteca. Largo General Osório, 66, Luz,
3337-0185, Metrô Luz.
Terça a domingo, 10h às 18h. R$ 4,00. Grátis aos sábados. Até 30 de setembro. A partir de sábado (30), 14h.
> veja a galeira de imagens da mostra
Isabel Pinto
A fadista no palco: estrela da música portuguesa
MARIZA. O cabelo curtinho e descolorido podia ser de uma roqueira punk. No entanto, o negócio de Mariza é o fado. Nascida em Moçambique e criada em Portugal, ela chocou os apreciadores do gênero em 2001 com seu CD de estréia. E não só pelo penteado incomum, mas também pela surpreendente voz e pela qualidade do repertório. Hoje, a cantora está entre os principais nomes da música portuguesa e faz shows em quase todo o planeta. Seu quarto álbum, Concerto em Lisboa, motiva o espetáculo no Tom Brasil, na sexta (29). Além do maestro e violoncelista carioca Jaques Morelenbaum, um sexteto formado por guitarra, guitarra portuguesa, contrabaixo, violino, viola e percussão fornece o acompanhamento. Uma das jóias do melancólico repertório é Ó Gente da Minha Terra, de Amália Rodrigues, nítida influência da nova estrela. Também consta no roteiro um belo poema musicado de Florbela Espanca: Desejos Vãos.
Tom Brasil Nações Unidas (1.800 lugares). Rua Bragança Paulista, 1281, Chácara Santo Antônio,
2163-2000.
Sexta (29), 22h. R$ 80,00 a R$ 160,00. Bilheteria: 12h/22h (seg. a qui.); a partir das 12h (sex.). Cc.: todos. FP, IR, ST. Estac. c/manobr. (R$ 18,00). 14 anos.
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