Deliciosas e baratas descobertas de comidinhas que você só encontra no antigo bairro doce da cidade
Alexandre Schneider
Camarão na moranga: sob encomenda no Galinhada do Bahia
Ainda hoje, há quem chegue ao bairro do Pari guiado pela memória do cheiro doce que escapava das chaminés das fábricas de biscoitos e guloseimas instaladas ali décadas atrás. Mas indústrias como a Tostines, a Neuza e a Bela Vista, que transformaram os 2,9 quilômetros quadrados bem próximos do centro geográfico da cidade no "bairro doce" de São Paulo, estão dando lugar ao comércio de utilidades domésticas. São centenas de lojas que, numa caminhada menos atenta pelas ruas planas da região, chegam a esconder os restaurantes e estabelecimentos especializados em diferentes culinárias. Da cozinha desses endereços saem, entre outros, aromas de receitas árabes, portuguesas e andinas que vêm transformando o Pari num incipiente pólo gastronômico na capital.
São lugares, é bom dizer, de ambiente simples, às vezes com decoração bem antiquada. Mas que têm, tanto no salão como na cozinha, a presença dos donos, quase sempre dividindo as tarefas com a esposa e os filhos. A pluralidade de sabores se deve, muito, ao encontro das diversas gerações de imigrantes que passaram a viver ali desde os fins do século XVI, caso de portugueses, italianos, libaneses, coreanos e, mais recentemente, bolivianos. "Essa mistura de povos vem mudando a fisionomia da região", diz o frei Agostinho Piccolo, vigário paroquial e diretor do Colégio Santo Antônio do Pari.
O Pari é um dos mais antigos bairros paulistanos. No século XVIII, catorze casas abrigavam 72 moradores, em geral pescadores que usavam uma armadilha indígena, o "pari", para fisgar os peixes dos rios Tamanduateí e Tietê. Dados do censo demográfico de 2000 dão conta de 14.824 habitantes. Separado da Vila Guilherme pelo Rio Tietê e vizinho do Brás, do Belém e da Luz, o distrito tem como principais pontos de referência a igreja de Santo Antônio do Pari, que todo dia 13 de junho recebe milhares de forasteiros em busca da bênção do santo casamenteiro, e o Estádio do Canindé, sede da Portuguesa de Desportos, clube no qual se encontra uma das treze pequenas jóias gastronômicas apresentadas nesta reportagem.
Com a bênção de Alá
As saborosas receitas domésticas da Casa Líbano: preparadas de acordo com preceitos islâmicos
Dois anos atrás, o restaurante mudou do número 907 para o 831 da mesma via, em instalações maiores e mais modernas, e trocou o nome para Casa Líbano. Nas paredes há belas fotos de cidades libanesas, em preto-e-branco. Logo na entrada fica o café e, no fundo, está instalada a mercearia da qual se pode levar produtos importados do Oriente Médio, como frutas secas e narguilés, além do açougue islâmico. Nele estão à venda cortes obtidos segundo preceitos muçulmanos: uma vez por semana, Mohamad Moussa vai ao frigorífico que fornece a carne, em São José dos Campos, e abate um boi. Munido de uma bússola, ele direciona a cabeça do animal para a cidade sagrada de Meca, na Arábia Saudita, faz uma oração e degola a rês.
Essa carne fresca é a matéria-prima de itens como o quibe, a esfiha e a cafta servida na bandeja com batata e molho vermelho e acompanhada de arroz com aletria. Uma boa forma de experimentar um pouco de cada sugestão do cardápio é escolher um dos combinados frios (23 reais, para duas pessoas), como o que inclui quibe cru, homus, babaganuche, coalhada seca e tabule. Entre as bebidas, há sucos de romã, damasco, tamarindo e amora com água-de-rosas (4,30 reais cada um). Não vende bebidas alcoólicas.
Casa Líbano. Rua Barão de Ladário, 831, Pari,
3313-0289.
Esfihas tamanho G
Alexandre Schneider
O gerente Cícero Torres, do Rei das Esfihas: produção na frente do freguês
Barakiah. Rua Coronel Moraes, 396, Pari,
6096-2938.
Rei das Esfihas. Rua Doutor Ornelas, 58, Pari,
3313-0022.
4 000
esfihas de carne, mussarela, calabresa, provolone, escarola, presunto, palmito e calabresa com catupiry são vendidas aos sábados no Rei das Esfihas
Doces árabes com gostinho do norte de Minas
Renata Ursaia
Recanto do Líbano: docinhos árabes a partir de 45 centavos cada um
Recanto do Líbano. Rua Santa Rita, 1003, Pari,
6692-3505.
3,50 reais
é o preço do pacote de três unidades do pão sírio temperado com zátar, à venda na doceria Recanto do Líbano
Cores e sotaques
Gladstone Campos
Feira da Bolívia: diversos tipos de batata e de milho
Feira da Bolívia. Rua das Olarias, esquina com Praça Kantuta. Domingo, das 11h às 19h.
80
barracas na feira boliviana vendem de artesanato a saltenhas apimentadas
Alexandre Schneider
Bolinhos de bacalhau da Casa Santos: 2,50 reais cada
Casa Santos. Rua Conselheiro Dantas, 92, Pari,
3228-5971.