Como um bando de incompetentes aventureiros e acusados de lavagem de dinheiro conseguiu jogar o Corinthians, o clube mais popular do estado, na maior crise de sua história
Daniela Toviansky
Sábado, 29 de setembro: mais uma vez, fila enorme para entrar
A primeira exposição, Grande Sertão: Veredas, em homenagem aos cinqüenta anos da obra de Guimarães Rosa, com curadoria e cenografia de Bia Lessa, conquistou 45 000 visitantes por mês. Agora, em sua última semana em cartaz, Clarice Lispector – A Hora da Estrela brilha soberana entre as mostras mais visitadas da capital neste ano. De 24 de abril, data de abertura, até 27 de setembro, a administração do Museu da Língua Portuguesa contabilizava a passagem de 257 965 pessoas pela catraca da entrada em direção ao universo das palavras e dos pensamentos da escritora ucraniana que se radicou no Brasil. Agora, a média mensal de visitas do museu, 49 850, ultrapassa a da vizinha Pinacoteca do Estado. Junto com a Estação Pinacoteca, o prédio em frente chega à marca de 41 000 espectadores a cada trinta dias.
Fotos Fernando Moraes
Painéis com fotos de Clarice e instalação com 2 000 gavetas: a mostra termina no domingo (14)
A exposição em torno de Clarice Lispector (1920-1977) lembra os trinta anos do romance A Hora da Estrela, publicado meses antes da morte da autora, vítima de um câncer de ovário. Criada entre Maceió e Recife, ela se estabeleceu no Rio de Janeiro em 1935 e lá experimentou um período de grande efervescência cultural. A curadoria de Ferreira Gullar e Júlia Peregrino usa informações do cotidiano de Clarice. "Espalhamos trechos de seus livros pelas salas com o intuito de seduzir novos leitores. Acreditamos que muitas de suas frases fazem com que os visitantes tenham vontade de conhecer as histórias completas", explica Júlia Peregrino.
Corajosa a ponto de declarar seu sentimento dúbio de encanto e desajuste com relação ao mundo e decidida a falar sobre o que lhe parecia indizível, Clarice emociona mesmo uma platéia diversa. Não raro se vê alguém tirar da bolsa papel e caneta para copiar algo que lê na parede, como esta frase do livro A Paixão Segundo G.H.: "Não entendo, e tenho medo de entender. O material do mundo me assusta, com seus planetas e baratas". Ponto alto da exposição, as 2 000 gavetas com 65 manuscritos originais, documentos e cartas trazem dados curiosos sobre seu cenário criativo.
Entre as fotos e carteiras de identidade dispostas na instalação, depara-se com uma lista feita pela escritora com tarefas prosaicas para ser cumpridas ao longo do dia. Ao lado de itens como ginástica e tinturarias, colocou uma meta profunda: "Viver melhor as 24 horas do dia". Clarice era assim. Densa e prática ao mesmo tempo. Linda, como comentava na semana passada uma senhora, diante de uma de suas imagens. E sortuda. Ocupar um andar do Museu da Língua Portuguesa significa a chance de sensibilizar a geração do videogame e do computador. Quem acreditava que leitura e tecnologia não combinavam está hoje revendo seus conceitos.
Museu da Língua Portuguesa. Praça da Luz, s/nº (Estação da Luz),
3326-0775, Metrô Luz. Terça a domingo, 10h às 18h. R$ 4,00. Grátis aos sábados. Até domingo (14). Abre na sexta (12).
Visitantes do museu
897 300
em um ano e meio, desde a inauguração
49 850
em média, por mês
257 965
para a exposição de Clarice Lispector, até 27 de setembro, sendo deste número 80 420 alunos de 1 776 escolas públicas e particulares
45 000
por mês para a exposição de Guimarães Rosa, que ficou onze meses em cartaz