Todo dia, um novo prédio é lançado na cidade.
Construtoras entram na onda do ecologicamente correto.
Personalidades indicam o que há de melhor em seus bairros.
É possível financiar um imóvel em até trinta anos.
Fernando Moraes
Plaza Iguatemi, na Faria Lima: estilo neoclássico de Israel Rewin
A temperatura agradável e o revestimento de granito deixam a sala de espera do estacionamento com cara de hall principal. Mas é só pôr os pés na recepção do Icon Faria Lima, edifício comercial inaugurado neste ano na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em Pinheiros, para esquecer o luxo reservado ao subsolo. O térreo do imóvel, projetado pelo escritório Aflalo & Gasperini, tem pé-direito de quase 12 metros, mármore branco com detalhes em granito no piso e uma enorme parede revestida de madeira avermelhada. Nos dezesseis andares acima, o luxo e o conforto continuam. O sistema de ar-condicionado, por exemplo, é do tipo "forro radiante" – placas de metal no teto são resfriadas por serpentinas que dividem o ambiente em zonas independentes de temperatura. Atrás desses e de outros diferenciais, empresas locaram todas as unidades dois meses antes do término da construção, em agosto. A festa de apresentação do imóvel virou uma confraternização de entrega de chaves. Entre os inquilinos está o Banco Itaú, que alugou os três primeiros andares. O banco baiano BBM ficou com os quatro últimos. Deve interligá-los com uma escada interna, além de usar o terraço do 16º andar para montar uma espécie de bar com chopeira para a happy hour dos funcionários.
O Icon Faria Lima tem um dos aluguéis mais caros da cidade: 100 reais por metro quadrado, sem contar a taxa de condomínio de 14 reais por metro quadrado. Por essa matemática, o BBM deve pagar por mês cerca de 240 000 reais de aluguel, além de 30 000 reais de condomínio. Mas não é preciso estar tinindo de novo para um edifício comercial cobrar aluguéis nas alturas. Os dois prédios que empatam com o Icon na liderança do ranking dos mais caros de São Paulo, segundo um estudo da empresa de consultoria, gerenciamento e comercialização de imóveis Cushman & Wakefield, têm cinco anos ou mais. São o Plaza Iguatemi e o San Paolo, também na Faria Lima. Entregue em 2002 e conhecido pelas controversas linhas "neoclássicas" do arquiteto Israel Rewin, o Plaza Iguatemi custou 130 milhões de reais. É uma construção de 102 metros de altura, com 21 andares de 1 110 metros quadrados cada um e 600 vagas para estacionamento no subsolo. O San Paolo, também projetado por Rewin, é de 1999.
A Faria Lima parece ser o centro dos edifícios comerciais de alto padrão, mas outros pontos da cidade exibem esses arranha-céus classificados como AAA, ainda que com aluguéis um pouco mais modestos. Na Avenida Angélica fica o New England, desenhado pelos arquitetos Roberto Shimana, Silvio Oliveira e Décio Otoni. Para se tornar inquilino ali é necessário desembolsar, todo mês, 75 reais por metro quadrado. Na fachada, destacam-se três cúpulas feitas de aço e vidro blindado, que demoraram três meses para ficar prontas. Dos dezesseis andares, que na maioria não possuem interruptores para luzes ou ar-condicionado (tudo é automatizado em uma central), onze são comerciais e apenas um está vago. Entre os cinco andares restantes, três são reservados para um teatro, um será utilizado para convenções e o outro, para eventos. No início da Avenida Paulista chamam atenção as curvas imaginadas pelo arquiteto Ruy Ohtake para o Edifício Santa Catarina. O prédio foi erguido no espaço onde ficava um dos muitos casarões da época dos barões do café e entregue no começo deste ano. Com um aluguel de 85 reais por metro quadrado, o Santa Catarina tem o tal sistema de ar-condicionado forro radiante e vidros com características termoacústicas, para diminuir os impactos do calor e do barulho de fora. Curiosidade: por superstição, o prédio não tem o 13o andar.
Depois de passar por um período de turbulência em decorrência do atentado do World Trade Center, em Nova York, quando muitas companhias decidiram reduzir seus investimentos no exterior, o mercado de escritórios de alto padrão está no melhor momento da década. De acordo com os dados da Cushman & Wakefield, a taxa de vacância em São Paulo para espaços desse tipo caiu de 21,8% em 2004 para 16,9% em 2006. A expectativa é que esse número chegue a quase 10% no fim de 2007. "Esse índice só não será menor porque muitas empresas já reservaram espaço em novos edifícios, mas não terão tempo hábil para se mudar até dezembro", afirma Milena Pinaffi Morales, gerente de pesquisas da Cushman & Wakefield.
Até dezembro de 2008 devem ser entregues mais 200 000 metros quadrados de edifícios classe AAA, já que há cinco novos prédios de alto padrão em construção. É o caso do Eldorado Business Tower, desenhado pelo escritório Aflalo & Gasperini e localizado na Avenida das Nações Unidas, com previsão de ser inaugurado neste mês. Ele oferece espaços de até 1800 metros quadrados por andar ao preço de 85 reais o metro quadrado e uma passarela que o interliga ao Shopping Eldorado, além de dois helipontos. Dezoito dos seus 29 elevadores possuem um sistema de antecipação de destino, em que não há botões. Seis deles ainda são considerados os mais rápidos do país. Mais de 50% do imóvel foi alugado.