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SUSTENTABILIDADE

A onda verde chega aos edifícios

06.11.2007

O reaproveitamento de água, a eficiência energética e o uso de materiais ecologicamente corretos ajudam a vender prédios

 

Por Débora Pivotto

Construtoras e incorporadoras entraram na onda do ecologicamente correto. Aos poucos, começam a aparecer na cidade prédios que reaproveitam a água da chuva, usam apenas madeira certificada e descartam materiais que agridem a natureza. A idéia é seduzir os paulistanos que se preocupam com o meio ambiente, reciclam lixo e querem saber como neutralizar sua emissão de carbono. Lançado há três anos, o projeto EcoLife, do grupo Esfera, já é responsável pela construção de cinco edifícios com os conceitos de sustentabilidade. Segundo uma pesquisa da empresa, na unidade do Butantã, entregue em setembro, 30% dos compradores foram fisgados por diferenciais como água filtrada em todas as torneiras e lâmpadas inteligentes com sensores de presença, que poupam energia. "Claro que ninguém vai comprar um apartamento mais caro só por causa disso", afirma o futuro morador Yuri Nogueira Feres, que trabalha como gestor ambiental. "Mas esses atrativos acabam nos ajudando na hora de tomar uma decisão."

Com previsão de entrega para 2009, o EcoLife Independência, no Cambuci, é o primeiro imóvel residencial do país a obter a pré-qualificação do Green Building Council. O selo americano é o mais reconhecido certificado para construções ecologicamente corretas. Para um edifício receber tal título, os cuidados devem começar ainda na construção. Feito com sobras de fabricação de aço, o cimento utilizado é do tipo CP III, que emite até 70% menos CO2 que os convencionais. Os operários são orientados a fazer coleta seletiva de lixo e reaproveitar materiais na obra. Fumar, só se for na calçada. No acabamento, nada de tintas tóxicas nem aquele cheiro forte de verniz.

Mario Rodrigues

Apartamento decorado do EcoLife Independência: toda a água que escoa pelos ralos é usada para regar o jardim, a madeira vem de reflorestamento e a churrasqueira sem carvão não exala fumaça

"Realizamos inspeções periódicas da obra para garantir que tudo fique conforme projetado", diz Newton Figueiredo, presidente da Sustentax, empresa que representa o Green Building Council. Depois de pronto, o empreendimento precisa seguir à risca mandamentos como reúso de água e eficiência energética para receber o certificado definitivo. Com lançamento previsto para dezembro, o M.O.R.E. Alphaville, da incorporadora Agra, usa tapumes feitos com arbustos naturais, no lugar da madeira tradicional. Na cobertura, um telhado com terra e grama ajudará a manter a temperatura mais amena, e em volta do prédio serão plantadas árvores para compensar o CO2 emitido durante as obras.

Esse clima chegou também aos edifícios comerciais. A incorporadora americana Tishman Speyer investiu 600 milhões de reais para erguer o que está sendo chamado de "o maior complexo empresarial ecológico do país". Com inauguração prevista para novembro, o primeiro dos quatro prédios do Rochaverá Corporate Towers tem a fachada envidraçada, o que permite a entrada de iluminação natural e economiza energia. A água da chuva é usada para molhar o jardim. No Eldorado Business Tower, da Gafisa, que também deve ficar pronto neste mês, janelas com vidros revestidos, que absorvem menos calor, economizaram a instalação de 700 aparelhos de ar condicionado. Os banheiros são equipados com válvulas inteligentes, que liberam 1,5 litro para resíduos líquidos e 6 litros para sólidos. "Só com o reúso de água, calculamos uma economia de 15 000 litros por dia", conta Luís Fernando Bueno, gerente-geral de obras da Gafisa.

Tornar um prédio verde custa caro. "Gastamos 10 milhões de reais apenas para deixar o conjunto preparado para as mudanças do futuro", diz o diretor de projetos e construção do Rochaverá, Luiz Henrique Ceotto. Ele acredita que, em um ano e meio, o investimento será recompensado com a economia do condomínio. No caso do residencial EcoLife, a compra de materiais em grande escala fez com que os preços dos apartamentos ficassem na média do mercado. "Lançamos cinco prédios na cidade e repetimos os materiais em todos", diz Luiz Fernando do Valle, presidente do Grupo Esfera.

O que até agora era visto como um diferencial dentro do mercado imobiliário começa a virar regra. Uma lei aprovada em julho obriga novas edificações a ter tubulação adequada para receber aquecimento solar da água. Em lançamentos cujas unidades contarem com mais de três banheiros, a instalação das placas é obrigatória, assim como em clubes, academias, hotéis e clínicas. Os equipamentos utilizados precisam ser certificados pelo Inmetro. "Acreditamos que o uso da energia solar em São Paulo é importante para difundir a tecnologia no estado e no país", diz o secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, Eduardo Jorge. Para ele, a lei é um incentivo para que esses cuidados ecológicos virem hábito das construtoras, e não apenas um modismo.

Divulgação


Nos 128 645 metros quadrados de área construída do Eldorado Business Tower, na Marginal Pinheiros, com inauguração prevista para este mês, só foram utilizados cimento especial e madeira certificada

A economia com o reúso da água do ar-condicionado e com a coleta da chuva será de 15 000 litros por dia

Os vidros especiais da fachada, que permitem a passagem de 75% da luminosidade e não absorvem calor, custam o dobro dos convencionais

O projeto paisagístico inclui área verde de 5 300 metros quadrados


 
 
 
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