Todo dia, um novo prédio é lançado na cidade.
Construtoras entram na onda do ecologicamente correto.
Personalidades indicam o que há de melhor em seus bairros.
É possível financiar um imóvel em até trinta anos.
Mario Rodrigues
Funcionário da Haganá em prédio no Itaim: obediência a regras pode evitar assaltos
Câmeras, sensores, sistemas de identificação de íris e digitais, guardas armados, rádios, muros altos, guaritas blindadas... Nada disso. O hit do momento no mercado de segurança condominial – que movimentou no ano passado mais de 9 bilhões de reais no Brasil – é outro: a educação do morador. A conscientização de quem topa pagar de 20% a 40% a mais de condomínio por mês para se ver cercado por um arsenal de apetrechos tecnológicos é a atual aposta das empresas de vigilância. "O sucesso da segurança depende, é claro, da infra-estrutura do imóvel, o que inclui a localização da guarita, a escolha de equipamentos eletrônicos adequados e o treinamento dos seguranças", afirma Roberto Graiche, presidente da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (Aabic). "Mas o mais importante é a conscientização dos condôminos, pois as brechas abertas por falhas dos moradores são a porta de entrada usada pelos marginais."
Essas brechas podem fazer ruir sistemas de até 100 000 reais em instalações eletrônicas de última geração. Para se ter idéia, uma guarita blindada custa entre 40 000 e 60 000 reais e um sistema digital de circuito fechado de TV pode variar de 3 000 a 15 000 reais. Por isso, as empresas que faturam alto vendendo a promessa de um sono mais tranqüilo a condôminos preocupados com a criminalidade investem agora em cartilhas, palestras regulares e simulações de situação de risco. É o caso da Haganá, que atende mais de 1 000 condomínios na Grande São Paulo. Ela foi escolhida pelo Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi) para editar um manual de segurança patrimonial. Em 62 páginas, além de descrições básicas de sistemas e equipamentos, o texto esclarece que a tal "conscientização" não quer dizer aulas de defesa pessoal, táticas de guerrilha ou de combate ao agressor. As dicas são muito mais simples e óbvias do que se imagina (veja o quadro abaixo).
A cartilha destaca como a fiel obediência dos condôminos às regras das prestadoras de serviço pode evitar invasões e assaltos. "Tanto o morador que não quer descer para pegar sua pizza quanto o que organiza uma festa e se recusa a deixar uma lista de convidados na portaria têm atitudes de risco", diz Chain Gilad, diretor de planejamento da Haganá. O diretor técnico do Grupo North, Davi Fontana, que vigia e monitora 400 pontos em São Paulo, identificou outro problema: "Os síndicos estão preocupados em instalar alarmes, sensores e câmeras, mas querem economizar na mão-de-obra. Porteiro não é vigilante". Segundo ele, há ainda quem faça compras na Rua Santa Ifigênia (paraíso do comércio de câmeras, filmadoras e sistemas de controle de acesso) para montar os próprios bunkers. Dados do Sindicato das Empresas de Segurança Privada, Segurança Eletrônica, Serviços de Escolta e Cursos de Formação do Estado de São Paulo (Sesvesp) mostram que há cerca de 40 000 empresas de vigilância clandestinas no estado. "Quem não sabe quem contrata coloca o bandido dentro de casa", afirma Luciano Caruso, gerente da Graber, que monitora 170 condomínios na cidade. Quem quer segurança precisa, infelizmente, abrir mão de parte de sua comodidade e intimidade.
Não facilite a vida do ladrão
ACESSO DE VEÍCULOS
Para melhorar a visualização, as luzes internas do carro devem ser acesas. Pedestres não podem usar a entrada de veículos. Em caso de o motorista estar acompanhado, o visitante deve descer e se identificar na portaria antes de ter o acesso liberado.
ENTREGA DE ENCOMENDAS
O morador precisa descer para retirar qualquer pacote, ainda que o prestador de serviço seja conhecido e rotineiramente freqüente o condomínio.
FESTAS
O anfitrião tem de enviar com antecedência a lista de seus convidados.
CHAVES
Não se recomenda entregá-las, em nenhuma hipótese, a pessoas que não morem no condomínio. Também não é indicado deixá-las na portaria.
EMPREGADOS
Ao contratar empregados domésticos, os condôminos devem exigir atestado de antecedentes criminais.
Fonte: Secovi