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ABR

23

2008






EDIÇÃO ESPECIAL

Mundo dos Shoppings

Destino de 3 milhões de paulistanos por dia, os 47 centros comerciais da cidade devem ganhar mais um grande concorrente agora e outros quatro até 2009. Os especialistas garantem: ainda há espaço para novos empreendimentos

ÍNDICE


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Negócios

Sempre cabe mais um


O mercado paulistano de shopping centers, que para
muitos parecia saturado, cresce ao ritmo de 10% ao ano.
Já existem na cidade 47 deles, que atraem 3 milhões de
pessoas por dia. Até o ano que vem serão inaugurados
mais cinco, dos populares aos de alto luxo

 

Por Cláudio Gradilone

23.04.2008

 

Filipe Araujo/AE

Bourbon, na Pompéia

Bourbon, na Pompéia: o mais novo centro de compras da cidade

Pense no maior estádio de futebol da capital, o Morumbi. Lotado, ele abriga 80 000 torcedores. Multiplique essa multidão por 37. O resultado são 3 milhões de pessoas, o número médio de visitantes que cruzam todos os dias os portões dos shopping centers em São Paulo. Segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), 90 milhões de clientes por mês visitam um desses templos de consumo e lazer. É como se cada um dos 10,6 milhões de paulistanos fosse ao shopping a cada quatro dias. Esse pessoal vai para se divertir, namorar e passar o tempo, mas não se esquece de consumir – as lojas faturaram 23 bilhões de reais no ano passado e as projeções para 2008 são de um crescimento de cerca de 10%.

A área das lojas de todos os 47 shoppings em funcionamento na capital, somada à dos cinco que deverão ser inaugurados até 2009 – Cidade Jardim, Metrô Tucuruvi, Vila Olímpia, Mooca e JK Iguatemi –, atinge 1,8 milhão de metros quadrados, o equivalente a 75 campos (olha o Morumbi aí de novo) colocados lado a lado. Movimentar esse negócio requer um batalhão de funcionários. Os shoppings empregam atualmente 256 000 pessoas, e as novas unidades deverão criar mais 15 000 empregos diretos na cidade.

Como explicar tanto sucesso? A idéia de reunir diversas lojas em um só lugar para facilitar a vida do cliente não é nova – o Grande Bazar de Istambul vende tapetes desde o século XV. O shopping center como o conhecemos hoje, porém, é uma idéia 100% americana. Datam do início do século passado as primeiras iniciativas de reunir lojas ao lado de grandes áreas de estacionamento, mas o modelo só floresceria depois da II Guerra Mundial. O objetivo era adaptar o comércio às necessidades do pós-guerra. Numa época de combustível barato e estradas com pouco trânsito, a classe média alta estava saindo das grandes cidades e migrando para os subúrbios, não se importando de dirigir muitos quilômetros para fazer compras. Por isso, compensava colocar lojas, comida e cinemas em um só lugar. Deu tão certo que hoje há quase 50 000 shopping centers de todos os tamanhos nos Estados Unidos, com vendas anuais de 1,5 trilhão de dólares, segundo um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Levou pouco tempo para esse conceito chegar ao Brasil. Em 1966 foi inaugurado o primeiro shopping brasileiro, o Iguatemi, que se tornou um sinônimo de consumo sofisticado, público seleto e marcas de grife. É fácil explicar o sucesso dos shoppings na capital, que não só reúnem diversas lojas, mas também oferecem segurança e facilidade de estacionamento. Hoje, descontando-se as vendas de automóveis, 14% dos negócios do varejo brasileiro são fechados nos shoppings.

O combustível por trás desse movimento é o aumento do dinheiro disponível, tanto dos consumidores quanto dos investidores. Todos os indicadores mostram que as classes C e D estão consumindo mais, e isso justifica o crescimento do número de centros de compras, especialmente em bairros onde a concorrência é fraca. O que os empresários do setor procuram são áreas que estão mudando de perfil. Bairros em que a vizinhança melhora de vida e começa a ter mais dinheiro para gastar são os ideais para implantar novos shoppings. O que será inaugurado na Mooca no ano que vem é um bom exemplo. Segundo Carlos Medeiros, presidente da BR Malls, responsável pelo empreendimento, a Mooca é um antigo bairro industrial que está se tornando residencial, e não há shoppings por ali – os mais próximos se encontram em outros bairros da Zona Leste.

Vale o mesmo para o Tucuruvi. A maioria dos centros de compras da Zona Norte da cidade está concentrada nas áreas próximas ao centro e há poucos empreendimentos nas regiões mais distantes, cuja população cresceu e melhorou de padrão nos últimos anos. Além de mais consumidores, as incorporadoras descobriram uma nova fonte de recursos, o mercado de capitais. Seja por meio do lançamento de ações em bolsa, seja pela captação de recursos de investidores internacionais, as empresas incorporadoras e administradoras de shopping centers aproveitaram bem a euforia do mercado e levantaram pouco mais de 4 bilhões de reais em capital ao longo de 2007. Esse dinheiro serviu não apenas para acelerar o processo de consolidação do setor – em que as maiores empresas usaram o dinheiro para se lançar em um agressivo movimento de compras –, mas também para cacifar novas construções, modernizações e ampliações dos estabelecimentos já existentes. Além dos cinco a ser inaugurados em São Paulo, outros 25 deverão abrir as portas no país até o fim de 2009, na maior ampliação desde o início do Plano Real.

O perfil da clientela

Uma pesquisa realizada em 2006 pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento de Mercado (IPDM) mostra quem são os consumidores dos shoppings de São Paulo e revela seus hábitos

73% são das classes A e B
59% vão ao shopping semanalmente
42% fazem compras
107 reais é quanto gastam em uma visita
10% passeiam
16% buscam serviços
14% vão à praça de alimentação
1 hora e 12 minutos é o tempo médio de permanência numa visita
2 a 3 lojas são visitadas a cada ida ao shopping

 
 
 
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