Júri de especialistas elege, entre as 120 salas de São Paulo, as campeãs em conforto, serviços e programação
Fernando Moraes
Aula no Centro Urasenke: classes com, no máximo, dez pessoas
Em encontro formal dura quase quatro horas. Mesmo em ocasiões corriqueiras, o ritual avança por etapas tão complexas que anfitrião e convidados perdem a noção do tempo. Escorada na filosofia do zen-budismo, a cerimônia do chá, chamada no Japão de chanoyu, exige justamente que seus participantes se desliguem dos assuntos mundanos, em busca do equilíbrio e da purificação da alma. Tratada como arte, a cerimônia, repleta de movimentos simbólicos, todos calculados com rigor matemático, está entre as mais populares e antigas tradições japonesas. Um mestre de chá só recebe esse título depois de, pelo menos, vinte anos de estudo.
Fotos Fernando Moraes
À esquerda, a panela de pedra com carvão para esquentar a água; acima, o chawan e o chasen, usado para bater o chá: utensílios trazidos do Japão
No ritual propriamente dito, as regras vão do arranjo de flores que enfeita a sala, chamado de chabana, às tigelas de cerâmica onde se coloca a bebida, os chawans. Nada é aleatório. Criada por Sen Rikyu na segunda metade do século XVI, a cerimônia do chá aproxima-se de um espetáculo de balé: tanto os utensílios usados durante a reunião como o lugar em que cada um deve se sentar e os gestos, mesmo os mais sutis, sugerem uma coreografia bem marcada e sem espaço para improvisações. "Respeitamos muito o movimento da natureza", conta Akiko Takahashi, brasileira que cresceu espiando as cerimônias promovidas pela avó imigrante e que estuda no Urasenke há doze anos. A professora Bertha Hoshi Nakao completa: "As cores dos objetos, o tipo de flor e até o chá que tomamos mudam de acordo com a estação do ano".
Fernando Moraes
Antes de beber: convidados provam doce de feijão
Centro de Chado Urasenke do Brasil. Rua São Joaquim, 381, 4º andar, sala 44, Liberdade,
3815-3641 e 3208-5485, Metrô São Joaquim. Terça, 10h às 20h. A partir de R$ 35,00 a aula de uma hora e meia de duração.
A etiqueta do chá
Cuidado com a vestimenta: no tatame, espaço considerado sagrado, só se entra de meias brancas
Atenção ao circular pelo ambiente: não se pode pisar nem apoiar objetos nas linhas pretas do chão
Cálculo para se posicionar: o convidado precisa contar dezesseis faixas de costura a partir da linha preta a sua frente. E se ajoelhar exatamente atrás da 16ª faixa
Obediência aos lugares marcados: a regra é que o convidado principal fique diante do anfitrião
Calma antes de beber: só se deve pegar o chawan (tigela de cerâmica) depois de abaixar-se em agradecimento a quem o serviu
Silêncio absoluto: não se fala nada durante todo o ritual. É um momento de meditação
Gosto pela arte: no tokonoma, espécie de altar na sala de tatame, há sempre uma gravura ou caligrafia para ser admirada. Os chawans também devem ser apreciados