O bairro dos velhos galpões se transforma em um efervescente pólo de cultura, agito noturno e lançamentos imobiliários
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O palhaço Piolin, em foto dos anos 50: ele mesmo pintava seus anúncios
Peter Scheier/AHJB
Em seqüência, a transformação de Abelardo Pinto em Piolin: a data de seu aniversário (27 de março) se transformou em Dia do Circo no Brasil
As trupes circenses incluíram São Paulo em seu roteiro por volta de 1870. Vinham, sobretudo, atraídas pelo dinheiro do café. A existência na capital de muitos imigrantes, que já haviam conferido espetáculos do gênero na Europa, contribuiu para que palhaços, acrobatas e anões fossem vistos com interesse pelo público. Algumas apresentações ocorriam em teatros e cabarés. Outras, em tendas armadas no Largo de São Bento, no Largo dos Curros (atual Praça da República) e no próprio Largo do Paiçandu. Foi ali que o faquir Silki realizou dois de seus quatro longos jejuns – em 1957, quando teria ficado 107 dias sem comer; e em 1980, a última e maior abstinência, de 115 dias.
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Faixa que anunciava o jejum do faquir Silki, em 1980: 115 dias sem comer
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Crianças espiam pela cortina do Circo Piolin: espetáculos assim cativam paulistanos desde 1870, quando chegaram as primeiras trupes
A exposição em cartaz na Galeria Olido pode ser a primeira de uma série de iniciativas para preservar a arte circense. Há planos para que um prédio na esquina do Largo do Paiçandu com a Avenida Rio Branco, tombado em janeiro, seja transformado em uma escola municipal de arte circense. "Até o fim do ano começaremos as obras", promete o secretário municipal de Cultura, Carlos Augusto Calil. No mesmo edifício deverá funcionar um centro de memória. "Já estamos reunindo o acervo, comprando material e recebendo doações", diz Calil. Outra novidade é a Praça do Circo, perto do Viaduto Antártica, na Barra Funda. Com previsão de inauguração até dezembro, o local se tornará um espaço pronto para receber tendas circenses. Quem foi mesmo que disse que o circo morreu?
Largo do Paissandu, Onde o Circo se Encontra. Galeria Olido. Avenida São João, 473, centro,
3331-8399, Metrô República. Segunda, 12h às 19h; terça a sábado, 12h às 21h30; domingo, 12h às 19h30. Até dia 27.