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Teatro


"Dou a mão sem entregar o braço"

Na pele de dois personagens, Denise Fraga
discute ética no palco do Renaissance

 

Por Dirceu Alves Jr.

23.07.2008

 

João Caldas

Denise Fraga

 

A força das palavras do dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1898-1956) em A Alma Boa de Setsuan persegue a atriz Denise Fraga há tempos. Depois de tanto acalentar o projeto, ela produziu e estrela a peça, em cartaz a partir de sábado (26). À frente de onze atores, interpreta a generosa Chen Tê, ex-prostituta incapaz de negar favores. Para fugir dos abusados, a personagem se traveste de Chui Ta, o homem que passa a responder por seus negócios. "Nunca acreditei tanto numa peça. Assim como na mensagem do texto, sempre acho possível dar a mão sem entregar o braço", diz a atriz carioca radicada em São Paulo desde 1989 que se popularizou na comédia Trair e Coçar É Só Começar e com o quadro humorístico Retrato Falado, exibido no programa Fantástico, sob direção de seu marido, o cineasta Luiz Villaça.

Veja São Paulo – Por que montar Brecht?
Denise –
Há cinco anos esse texto não me sai da cabeça. Quase o montei naquela época, mas tive problemas com direitos autorais e precisei adiar. Nesse meio tempo, fiz Três Versões da Vida e Ricardo III, ambas com Marco Ricca, mas A Alma Boa de Setsuan virou uma obsessão.

Veja São Paulo – Chamar para a direção Marco Antônio Braz, um nome associado à cena alternativa, significa dar um novo rumo ao seu trabalho?
Denise – Foi ele quem sugeriu montar a peça. Fomos colegas de escola de teatro no Rio de Janeiro. Nos últimos anos, eu via seus espetáculos, como O Beijo no Asfalto e Viúva, Porém Honesta, e me dava uma saudade danada de trabalhar em turma. Queria voltar a fazer teatro de grupo, como no início de minha carreira. Na televisão, não existe tempo para discussão, tudo precisa ser muito rápido.

Veja São Paulo – Encenar a peça em um teatro como o Renaissance, que fica em um hotel cinco-estrelas, com ingressos a 80 reais, não vai contra o princípio do teatro popular de Brecht?

Denise – Acho muito bom fazer Brecht em um teatro que talvez nunca tenha recebido um Brecht. Também é importante o público habitué desse teatro refletir sobre a mensagem do espetáculo, que fala sobre os abusos, a falta de caráter e quanto o poder pode cegar.

Veja São Paulo – Fez alguma preparação especial para se desdobrar no papel?
Denise –
Procurei uma fonoaudióloga, pois preciso trabalhar em dois registros, um feminino e outro masculino, bem mais grave. Também passei por aulas de tai chi chuan e kung fu, já que a ação se localiza na China.

A Alma Boa de Setsuan (110min). 12 anos. Teatro Renaissance (448 lugares). Alameda Santos, 2233, Cerqueira César, 3188-4141, Metrô Consolação. Sexta, 21h30; sábado, 21h; domingo, 19h. R$ 60,00 (sex. e dom.); R$ 80,00 (sáb.). Bilheteria: 14h/20h (ter. a qui.); a partir das 14h (sex. e dom.). Estac. c/manobr. (R$ 14,00). Até 28 de setembro. Estréia prometida para sábado (26).


 
 
 
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