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Para um brinde sem erro

Especialistas explicam como é montada uma boa carta de vinhos e qual é o papel do sommelier em um restaurante

 

Por Marcela Besson

29.09.2006

 

Divulgação

Fabiano Aurélio: presença indispensável no Rubaiyat

Na décima edição do guia Comer & Beber, de Veja São Paulo, a rede Rubaiyat conquistou pelo segundo ano consecutivo o primeiro lugar na categoria melhor carta de vinhos. “Vitória merecida”, diz a sommelière e colunista do Portal Veja São Paulo, Alexandra Corvo. Segundo ela, a equipe de Belarmino Iglesias continua imbatível nesse quesito. E não é para menos: cerca de 1 100 rótulos, das mais diversas origens, safras e estilos, oferecem um mundo de sabores minuciosamente organizados em dezenas de páginas.

Mas, como diz o velho ditado, tamanho não é documento. E, para deleite dos clientes do Rubaiyat, a ampla oferta da bebida vem acompanhada de outras qualidades, entre elas, preços adequados a todos os bolsos. Algumas opções são bem acessíveis. “Para ser boa, a carta de vinhos não precisa ser, necessariamente, extensa”, explica Alexandra. “Ela precisa, sim, ter variedade de estilos, mas além disso deve oferecer diferentes opções de preços e clareza nas informações”, completa a especialista.

Entre os especialistas que encabeçam o time de sommeliers do grupo Rubaiyat, Fabiano Aurélio está há cinco anos na casa. Divide seu tempo entre conferir o estoque, indicar o que entra e sai da adega, pesquisar novas safras e produtores, negociar com as importadoras e rodear as mesas dos clientes indecisos. “A grande quantidade de opções disponíveis na carta pode, em alguns momentos, confundir as pessoas. Nessa hora, minha presença é indispensável”, diz Fabiano. Com perguntas e respostas simples, ele garante que consegue identificar as preferências do cliente e quanto ele pretende gastar: “O melhor cliente é aquele que tem mente aberta e está disposto a ouvir sugestões sem medo de achar que o sommelier vai ‘empurrar’ a garrafa mais cara; esse não é meu papel”.

Cuidados - Manoel Beato, sommelier do grupo Fasano – também indicado pelo júri na categoria –, não exita: “Há um risco em achar que a melhor carta é sempre a maior; mas isso não é regra”. Habituado a degustar mais de quarenta vinhos por dia, Manoel elenca uma série de cuidados úteis na elaboração da carta. A começar pela demanda do público e pelos pratos listados no cardápio. “Em geral, o cliente não está muito preocupado em harmonizar a bebida com a comida. Mesmo assim, é importante atentar para essa combinação na hora de fazer a seleção dos vinhos”. É preciso pensar ainda em diversidade de origem, de tipos (espumantes, rosados, brancos, tintos, fortificados), de estilos (leves, encorpados, ácidos), de safras – para que se possa optar por vinhos jovens ou maduros –  e, claro, variedade de preços.

Público exigente - Para Tiago Locatelli, responsável pela adega do Varanda Grill, terceiro do grupo indicado pelo júri na categoria de melhor carta de vinhos, o prazer maior está em ensinar, ter as suas sugestões acatadas e aprovadas. Há mais de três anos na casa, ele conta que o público se mostra cada vez mais exigente e conhecedor, mas continua tropeçando em preconceitos: “Os vinhos argentinos e chilenos têm mais saída porque as pessoas estão acostumadas a ouvir falar bem deles, na tal relação custo-benefício”. Com isso, brancos, rosés e espumantes ficam em segundo plano na escolha. Só para ter uma idéia, no Fasano, eles concentram apenas 20% dos pedidos. Com ligeiras diferenças, a proporção se repete nas outras casas. “Essa fixação por vinhos tintos por parte dos brasileiros é cultural. Lançar-se para o novo é um aprendizado lento. Por isso, sempre que encontro abertura dou um jeitinho de sugerir vinhos brancos, rosés, espumantes e rótulos nacionais – que também são vítimas desse mesmo preconceito”, afirma Manoel Beato.

Outras opções - Para a sommelière Alexandra Corvo, nesse seleto grupo de indicados pelo júri de Vejinha também cabem aqueles restaurantes de médio e pequeno porte que não têm tradição, mas mantém com muito esforço boas sugestões de vinhos. “Casas como o Mestiço, por exemplo, dispõem de menos possibilidades, inclusive financeiras, para manter bons vinhos no cardápio. Ainda assim, elas o fazem de maneira caprichada. Isso é magnifíco e precisa ser reconhecido”.


 

Três dicas para escolher um vinho quando o sommelier não estiver por perto

1. Defina quanto quer (pode) gastar. Seja honesto com você mesmo para não se arrepender na hora de pagar a conta

2. Estabelecida a faixa de preço, dê preferência para vinhos que você já ouviu falar, já experimentou ou tem certa afinidade, seja por origem ou por estilo

3. Prove o vinho e só depois dessa primeira impressão escolha o que vai comer. Mesmo não sendo especialista em harmonização, esses primeiros goles ajudam a orientar o paladar

 

 
 
 
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